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elevador da bica

Falsas questões

31 janeiro 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

A propósito do "caso Freeport", começam a circular teses que visam, sobretudo, desvalorizar a situação e vender a ideia de que é melhor para o país encerrar-se a discussão e deitar as dúvidas para trás das costas, em vez de clarificar, porque há problemas mais importantes para resolver.

Primeira tese: "depois de Sócrates, o caos".

Serve os interesses do PS e do primeiro-ministro, mas é pura fantasia propagandística. Pode não se gostar dos protagonistas ou discordar-se das suas propostas, mas, da esquerda à direita, há alternativas a José Sócrates, caso a situação evolua ao ponto de implicar a sua demissão, voluntária ou contra a sua vontade. E essas alternativas existem mesmo dentro do PS. O papão da ingovernabilidade é apenas isso: um papão destinado a assustar os presumíveis tolos.

Segunda tese: "o caso faz parte de uma estratégia política para manchar o primeiro-ministro".

É alimentada pelas próprias declarações de José Sócrates e dos seus fiéis, que pretendem criar a convicção de que não há matéria para investigar ou que a justiça e as polícias estão ao serviço de interesses "ocultos". Que a justiça portuguesa funciona mal, qualquer cidadão sabe. Que, pelo menos neste caso, deve fazer um esforço para funcionar bem, chegando a conclusões sólidas sobre a inocência ou a culpa do primeiro-ministro, é que parece ser o mais necessário. Trata-se de um caso de polícia que, qualquer que seja o seu desfecho, terá consequências políticas. Se a democracia portuguesa ainda tem algum respeito por si própria, a opção é só uma: esclarecer o que tem de ser esclarecido e enfrentar as consequências. Não fazer nada disto é que será o pântano.

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Lido no Elevador

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

"Sócrates: parecer e ser", por Vicente Jorge Silva, no "Sol", sobre "coincidências estranhas e situações inexplicadas a mais" no "emaranhado de peripécias esteticamente desagradáveis e eticamente duvidosas" que se sucedem nos casos da licenciatura, dos prédios da Guarda e Freeport, envolvendo José Sócrates.

Coincidências a mais

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Pelo que já sabemos do que o Sol publica amanhã sobre o caso Freeport, podemos concluir o seguinte:

- Este está longe de ser um caso apenas baseado numa carta anónima, como o PM, seus assessores, ministros e até o DCIAP nos querem fazer crer;

- Há cada vez mais indícios de que houve pagamento de luvas para a aprovação do outlet, resta saber a quem;

- Tendo em conta também as declarações do seu tio, Sócrates sabia que alguém queria subornar alguém, ou que alguém só agia se fosse subornado. Tinha a obrigação de fazer alguma coisa, denunciar ou travar o processo em vez de o acelerar;

- Dê isto no quer der, sejam quais forem os culpados, isto não é uma campanha negra, apesar de não ser um assunto muito branco. Esta é a negra situação em que este país vive;

- Quando há demasiadas coisas mal explicadas e coinciências a mais, tudo conflui num ponto: aquele para onde todos os factos apontam. Resta saber: quem subornou, quem recebeu o dinheiro e até que ponto o primeiro-ministro sabia de alguma coisa;

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Lido no Elevador

30 janeiro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Cândida e o "Segredo", de Gabriel Silva, no Blasfémias.

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Música de Elevador

:: Guarda-freio: Luís Miguel Afonso


In Ghost Colours
Cut Copy
Abril, 2008 :: Modular Interscope

Para alguém que, como eu, descobriu o significado da palavra "pop" nos anos 80 é impossível escapar ao charme da música dos Cut Copy e do seu mais recente trabalho "In Ghost Colours". Senão oiça-se o tema de abertura do álbum. Está lá tudo: vozes processadas por computador, sintetizadores psicadélicos, loops infinitos à la ZX Spectrum, coros foleiros a lembrar Duran Duran e letras simples, muito simples… Mas quando este trio de australianos mistura tudo isto a música torna-se contagiante, imediata, revivalista. É impossível escapar-lhe. São canções que nos fazem sentir, dançar, sonhar. Sem dúvida, o melhor retro-electro-disco de 2008!

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O peso das palavras

29 janeiro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

O departamento inglês que está a gerar toda esta polémica chama-se Serious Fraud Office. É uma coisa séria, como o próprio nome indica. Sobre fraudes. Se os ingleses baptizaram assim o coiso é porque o coiso não dever ser para brincadeiras. O nome é uma espécie de aviso. Quando eles batem à porta é para ser a sério, porque os corruptos que eles perseguem cometem fraudes sérias... Não são fraudezitas (essas são para o Funny Fraud Office). No entanto, a nossa PGR (e digo "nossa" com todo o sentido patriótico, aliás, estou em pé e com a mão no peito) diz que eles se baseiam apenas numa denúncia de uma carta anónima. Eu estou mais preocupado em perceber se a denúncia é verdade ou não, porque indícios de que alguma coisa se pode ter passado não faltam. E proponho que o DCIAP mude o nome para Departamento de Investigação de Assuntos Muito Sérios. Tenham medo... muito medo...

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Dicionário socrático

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Insídia - acto praticado pelos jornalistas que cumprem a sua missão profissional de duvidar, perguntar, querer saber mais, satisfazer o interesse público sobre o facto relevantíssimo de um primeiro-ministro poder estar sob investigação de uma polícia estrangeira;

Campanha negra - através das notícias que os campanheiros negros fazem chegar aos jornais. Só pode ser orquestrada no Mininstério Público e na Judiciária, logo, Sócrates acha que a investigação está a ser manipulada, sobretudo com fugas de informações selectivas para os jornais. Assim, demonstra não acreditar na justiça portuguesa, logo, todo o cidadão também deve não acreditar na justiça portuguesa.

Poderes ocultos - São os ingleses, ou tio? É o filho do tio, o primo que está no Nepal, ou os amigos de Santana que armaram a conspirata de 2005? Não se percebe. Mas são poderes, logo têm alguma influência, e são ocultos, ou seja, não se mostram. vide também: gambuzinos.

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Só sabe que nada sabe

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

José Sócrates mantém-se irredutível contra a insidiosa campanha negra gerada contra si por poderes ocultos. Tem esse direito. Mas a sua conferência de imprensa não adiantou nada. A não ser para todos ficarmos a perceber que Sócrates conhece a carta rogatória inglesa. Em determinado momento, o primeiro-ministro comete um acto falhado e fala como se conhecesse o documento ou o processo e depois emenda a mão a dizer que se está a basear no comunicado da PGR. Alguém ainda pensa que Sócrates é ignorante em relação ao que está no processo?

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Qual foi...

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

... a última campanha negra antes da de José Sócrates?
A de Barack Obama!

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Está tudo nos clássicos

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes


Quino

Viúvas de Wall Street

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

"It's the economy, girlfriend", é uma peça a não perder sobre as mulheres que andam à caça de FBF (Financial-Guy Boyfriends) em Wall Street, os respectivos machos-alfa e a crise financeira.

No texto, do NY Times, está ainda a pista para um dos blogues do ano. Aqui fica uma amostra do nível:

"One of the ugly truths about older successful men in finance is that despite having lavish homes, gorgeous wives, a few adorable kids and multi-million dollar bank accounts, they often yearn for more. “More” may be a distraction as innocuous as golf. It could also be a darker vice—gambling, drugs or prostitutes a la Spitzer. Unfortunately, it is rare man, rich or poor, that can withstand the temptation of forbidden fruit. That’s where I come in. My name is “Courtney” and I’m the other woman."

Pinto Monteiro já se demitiu (há umas semanas)

28 janeiro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

A PGR fará um comunicado amanhã. Qual é a credibilidade de Pinto Monteiro para se pronunciar sobre crimes de corrupção ou financeiros, depois de ter disto isto no Parlamento, passando a si mesmo um atestado de incompetência, ao falar do BPN: O Ministério Público «não está preparado nem especializado para lidar com este crime», devido à complexidade deste tipo de criminalidade.

Então, que sejam os ingleses.

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Sócrates tem o dinheiro debaixo do colchão

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

A polícia inglesa tem graves suspeitas em relação a José Sócrates (na Visão).
A polícia estrangeira quer ter acesso às contas bancárias de Sócrates (na Sábado).

Quais contas bancárias?
Como tinha escrito há um ano aqui no Elevador, na sua declaração ao Tribunal Constitucional, José Sócrates nunca declarou qualquer conta bancária: segundo a lei, é obrigado a declarar contas a prazo, PPR, fundos de investimentos, acções...
Sócrates, um homem de 50 anos, que diz ter fortuna de família, mas com rendimentos de político que não são fortunas, é divorciado e com dois filhos, e não tem qualquer poupança. Todo o seu dinheiro está à ordem. Ou debaixo do colchão.
Isto não quer dizer nada, mas é estranho. Se Sócrates não esconde nada, pelo menos gere muito mal as suas finanças pessoais.

Mário Bettencout Resendes caba de dizer na SIC-Notícias que confia na justiça e nos investigadores portugueses e não acredita que José Sócrates tenha recebido luvas. A primeira premissa é tão frágil (como é que alguém pode dizer que confia na justiça portuguesa, que tem dado "provas de competência" sem ser posto um colete de forças?) que tira toda a força da segunda.

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Conspiração grisalha

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

Ontem, num desabafo inesperado, um empresário da indústria portuguesa contou-me como vai ter de despedir cerca de 30 pessoas, cortesia da total paralisação da economia. Explicou-me depois que no actual contexto de dificuldades de tesouraria - o mal da falta de liquidez, comum a grandes empresas - não vai poder aproveitar a crise para despedir alguns dos piores e mais antigos trabalhadores da empresa. Porquê? "Porque esta lei laboral é muito protectora e despedir essas pessoas obrigaria a uma despesa que neste momento não podemos comportar". Qual a alternativa? "Vamos ter de mandar embora pessoas mais novas, melhores, com contratos a termo."

Com a crise a apertar as empresas vai ser interessante perceber a composição da nova vaga de desemprego que aí vem - ou, em cada anúncio de despedimentos, perceber o perfil e idade de quem perde o lugar de trabalho. Certo é que a nova lei laboral - que, na base, toma todos os empresários por facínoras descongelados da Revolução Industrial - vai ser mais um obstáculo a dificultar a vida às empresas portuguesas em tempo de crise.

Aqui está uma análise interessante da oportunidade perdida na recente reforma do Código do Trabalho - uma reforma demasiado delicada para o PS a tão pouco tempo de um ano eleitoral.

P.S. (salvo seja) Título do post roubado com suavidade ao livro com o mesmo nome de Fernando Ribeiro Mendes

Pela Janela do Elevador

:: Guarda-freio: Luís Miguel Afonso


A Última Paragem
Lisboa, 15 Janeiro 2006
1/30 segundos @ f/5.6

Capturei este momento numa manhã como a de hoje: fria, molhada, cinzenta. E, tal como hoje, as pessoas que viajam em autocarros e elevadores estão tristes e cabisbaixas. Como não percebo nada disso da crise, aposto mais no tempo e nesta irritante ausência de sol. Mas há quem ainda se esforce por desmistificar o mito de que o clima afecta o humor das pessoas. Será que não?

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Uma alternativa à 'escala Pacheco Pereira' (revisto e aumentado)

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

Cozinhando mentalmente o filme Frost/Nixon e o tratamento dado pela imprensa aos assuntos que envolvem o Governo Sócrates - como o Freeportgate ou a crise económica - lembrei-me de uma escala de categorias de animal-jornalista propostas por Philip Roth em "Our Gang", a sua sátira anti-Nixon.

Esta escala, publicada em 1971, aguentou bem o exame do tempo e tem validade científica - reconhecida pelo Instituto Paquete de Oliveira - para rivalizar com a escala de situacionismo proposta por Pacheco Pereira.

Numa conferência de imprensa com o chefe do Governo, Roth retrata os seguintes animais- jornalistas:

1. Mr. Asslick
2. Mr. Daring
3. Mr. Respectful
4. Mr. Shrewd
5. Miss Charming (ao estereótipo eu acrescentaria um 'Mr. Charming')
6. Mr. Fascinated
7. Mr. Practical
8. Mr. Reasonable
9. Mr. Catch-Me-in-a-Contradiction
10. Mr. Hardnose

Cabe ao leitor desta posta - animal-jornalista ou leitor-de-animais-jornalistas - retirar as devidas conclusões.

"Em princípio", isto é um mistério da vida moderna

27 janeiro 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Ontem, telefonei para a oficina para marcar a revisão do meu carro. A simpática senhora que atendeu foi muito prestável e comunicou-me que, caso que me desse jeito, poderia entregar o automóvel hoje mesmo. Agradeci e aproveitei para perguntar se seria possível entregarem-me o carro ainda hoje, também. Ela afirmou que "sim", mas, tal como eu temia, não se esqueceu de acrescentar a expressão fatal: "em princípio...".

O pleno emprego, segundo Magnus Mills

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

A vaga de intervenções prometida para salvar empresas em dificuldades, faz temer pela quantidade de lixo que o Estado - isto é, todos nós - terá nos braços depois de passar a tempestade, caso a racionalidade nas decisões seja subjugada aos interesses políticos e eleitorais imediatos.

Este livro, resultado da ironia de lâmina bem afiada que caracteriza a escrita de Magnus Mills, é um excelente retrato do que pode suceder quando, em nome do "pleno emprego", se criam e sustentam organizações que não servem para mais nada.

Apesar de se tratar de uma obra de ficção, em certa ocasião encontrei-o na prateleira dedicada aos livros de economia e gestão na loja da Fnac, no Chiado, em Lisboa. Desta, acho que nem Mills se lembraria e tenho a certeza que, se alguém lhe contasse, iria achar simplesmente genial.

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Situacionismo?

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Apesar de todo o cinismo da sua declaração ao programa Falar Claro da Renascença, Nuno Morais Sarmento põe sal na ferida: o Ministério Público devia explicar porque é que a investigação do Freeport esteve parada a seguir a 2005... "A PGR tem de explicar o que andou a fazer estes três anos". Pois é.

Marinho Pinto com amnésia

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, ex-jornalista do Expresso, acusa os jornalistas de promiscuidade com o Ministério Público e as polícias. E voltou a lançar acusações graves durante o seu discurso na cerimónia de abertura do ano judicial, que ainda está a decorrer.

É preciso lembrar: quando Marinho Pinto escrevia no Expresso, não escrevia sobre desporto nem sobre política internacional. Era advogado e escrevia sobre casos judiciais. Quais era as suas fontes? Não havia conflito de interesses? Grande ética...

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A agonia dos certificados de aforro

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Há uns meses, o Governo decidiu reformular a remuneração dos certificados de aforro. Motivo? O produto, atraente para milhares de investidores de longo prazo que têm uma baixa tolerância ao risco, saía demasiado caro aos cofres do Estado. Isto é, entre os diversos instrumentos de financiamento das administrações públicas, os certificados de aforro eram os mais caros do ponto de vista de quem os emite.

A preocupação dos responsáveis do Ministério das Finanças com a racionalização dos gastos públicos é de louvar e só peca por ser escassa, numas ocasiões, ou por se revelar inconsequente, noutras situações. No entanto, no caso concreto dos certificados de aforro, ao rever a fórmula de cálculo da taxa de juro o Governo cometeu dois erros.

Primeiro, porque decidiu poupar nos juros da dívida pública em compensação pela sua incapacidade para reduzir despesa onde realmente seria necessário para garantir finanças públicas saudáveis e sustentáveis. Em segundo lugar, porque retirou o interesse a um produto popular e de baixo risco numa altura em que o país precisava de aumentar a taxa de poupança.

A eclosão da crise financeira veio sublinhar, a traço mais carregado, a inoportunidade daquela decisão. Com a descida da taxa Euribor, que serve de referência ao nível de rendimento proporcionado pelos certificados de aforro, este produto ficou ainda menos compensador. Em plena crise de liquidez e de excesso de endividamento, deu-se um forte golpe num incentivo à poupança.

Música no Elevador

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Antes de escutar este disco pela primeira vez, a minha expectativa era a de que se tratasse de uma espécie de "parte II" de "My Life In The Bush Of Ghosts", a primeira parceria realizada entre David Byrne e Brian Eno, nos anos 80. Nada mais errado.

Exceptuando algumas incursões em terrenos menos imediatos, o que se ouve em "Everything That Happens Will Happen Today" são canções acessíveis, em geral tranquilas, que não andarão longe de poderem ser arquivadas sob a etiqueta "folk-pop", quando os nomes em apreço tinham tudo para desviarem esta música em direcção às prateleiras da electrónica.

Este disco ouve-se com despreocupação e grande proveito. E sublinha-se o facto de dois veteranos, outrora responsáveis por muitos projectos inovadores, terem envelhecido bem. Já não precisam de provar nada e, talvez por isso, não tenham problemas em dedicar-se à simplicidade, decorada com bom gosto.

Mais adjectivos e conversa sobre este disco pode ser encontrada aqui.

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Lido no Elevador

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

"Quantas cabalas cabem num metro quadrado?", por João Miguel Tavares, no "Diário de Notícias", sobre as teses da conspiração que, no "caso Freeport" e noutras situações, servem de manobra de diversão para fugir ao esclarecimento das dúvidas.

Conspiração

26 janeiro 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

As autoridades inglesas que investigam o "caso Freeport" fazem parte de uma enorme conspiração, quiçá à escala global, para derrotar José Sócrates, segundo as teses de Mário Lino. Quanto às autoridades portuguesas, já se tinha percebido pelas primeiras reacções do primeiro-ministro ao reacender das dúvidas, que estarão interessadas em fazer parte das batalhas eleitorais deste ano.

Estas declarações têm apenas uma intenção, bastante óbvia: evitar esclarecer o que tem que ser esclarecido, ao tentar transferir a matéria controversa para o terreno do mero processo de intenções com objectivos políticos. Acontece que, no mínimo, Sócrates tem que explicar por que motivo aprovou o projecto quando o Governo que integrava estava em gestão corrente, a três dias de eleições legislativas. Pode queixar-se que não é caso único, o que é verdade, mas não pode é utilizar esse argumento para se esquivar às justificações que se impõem.

A factura do keynesianismo saloio

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

Os governantes gostam de citar Keynes quando, na verdade, a maioria nunca leu nada dele”, foi o desabafo que ouvi uma vez da boca do economista e ex-ministro das Finanças de Sócrates Campos e Cunha. Isto a propósito de um suposto renascimento do keynesianismo na forma como os Governos estão a responder à crise.


Os políticos em toda a parte sempre gostaram do Keynes que liam no Reader’s Digest, segundo o qual a resposta governamental a uma crise económica grave é gastar à tripa forra. Como esta é mesmo “the crisis of a lifetime”, nada como abrir os cordões à bolsa para o Estado preencher o vazio deixado pelo recuo da procura e investimento dos privados – sobretudo, nada como mostrar que se está a fazer alguma coisa. Tem sido assim em toda a parte, dos EUA à Alemanha (Merkel ainda esboçou alguma resistência), passando por Espanha e, claro, por Portugal, tudo na respectiva escala.


O preço a pagar está no aumento do défice orçamental e, logo, na subida do endividamento externo. A factura para os países com as finanças públicas mais frágeis, níveis alarmantes de endividamento ao exterior e problemas estruturais graves de competitividade externa – o retrato de Portugal, anterior à crise – é apresentada sob a forma de revisão em baixa do ‘rating’ da república que, como já era esperado, aconteceu.


Como Campos e Cunha – o perito anguloso e politicamente inábil que foi substituído por essa grande raposa redonda que é Teixeira dos Santos – explica de forma clara aqui (Público via 'portugal dos pequeninos') a subida do custo de financiamento do Estado português mina a principal solução para a saída da crise: a normalização do ritmo de crédito concedido pela banca, sobretudo às empresas.


Efeitos secundários nada despiciendos da adaptação saloia do keynesianismo à realidade portuguesa.

2009: como o Freeport acabará sempre mal

25 janeiro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

O caso Freeport tem esta gravidade: é a primeira vez que um primeiro-ministro, na história da democracia, é o alvo principal das suspeitas. Já houve ministros que caíram por menos. Quem me lembre, o único ministro que se manteve no Governo mesmo estando sob fortes suspeitas foi Paulo Portas - durante o caso Moderna. Os políticos andam preocupados. Sabem que o tempo político vai acelerar. Tudo o que este ano nos reserva será mau:

a) PM sem autoridade Duvido que um primeiro-ministro sob suspeitas graves consiga governar. A certa altura o ruído mediático tolherá todos os seus gestos e a sua autoridade; o Governo vai parar e tornar-se inoperante; sem se saber para que lado cairá o poder no dia seguinte, a luta interna pelas listas nos partidos será caótica;

b) que fará Cavaco? Imagino que Cavaco Silva esteja muito preocupado. O tempo político-medático vai ultrapassar o tempo judicial. Se Cavaco perceber que as crescentes suspeitas estão tirar autoridade e operacionalidade ao primeiro-ministro e se nas próximas semanas ou meses a situação caminhar para um pântano, terá de agir. Pode convidar o PM a demitir-se ou demiti-lo, por irregular funcionamento das instituições, pois um País não pode ser governado por alguém sobre quem recaem tamanhas suspeitas. Já agora, tem de lhe pedir que não apareça em Belém depois das legislativas a pedir para ser nomeado PM, sem que o caso esteja concluído;

c) e se o Governo cair? Qual o problema de uma eventual queda de Sócrates, independentemente do processo? A judicialização extrema da política. Se este caso for como todos os outros (Casa Pia, Moderna, submarinos, sobreiros...) e não se chegar a nenhuma conclusão atempada, para além das suspeitas sobre os políticos, temos pela nossa frente o fim do regime. Sem Justiça não há Estado de Direito nem Democracia. Portanto, a partir daqui, qualquer um ainda estaria mais vulnerável a qualquer conspirata;

d) e se não acontecer nada? Imaginemos que todas as suspeitas se mantêm, as notícias continuam a sair, e não se chega a conclusão nenhuma nos próximos meses. Então as próximas campanhas eleitorais vão ser um chiqueiro político do pior que já vimos; ou um pântano de águas podres e paradas;

e) e se Sócrates for culpado? Se o caso se deslindar com rapidez e se perceber que José Sócrates teve alguma espécie de implicação - seja ela qual for - temos uma crise grave de confiança sem precedentes. É preciso reformar profundamente o regime em aspectos formais e não só;

f) e se Sócrates for inocente? É bom para ele mas não é melhor para o sistema. Como é que se explica que se tenha chegado a esta situação? Que tipo de País é este que se permite que falsas suspeitas não sejam rapidamente investigadas e despistadas pelos investigdores? Como é que se permite que um Governo seja arrastado para a lama com base em algo que não se confirma?

O poder da vírgula

23 janeiro 2009 :: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

"For a man of his age, fitty-two, divorced, he has, to his mind, solved the problem of sex rather well."

A frase maravilhosamente bem escrita que abre este livro.

Isto vai ficar sério...

22 janeiro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

A PJ fez hoje buscas à casa de um tio de José Sócrates no âmbito da investigação ao caso Freeport. Alguém duvida de onde a PJ quer chegar?
O PGR fez, há uma semana, um comunicado ao Sol dizendo que «não existem nos autos, até ao momento, elementos juridicamente relevantes que indiciem a prática de actos ilícitos por ministros do actual governo ou governos anteriores».
É preciso sublinhar até ao momento e que pode até haver elementos, só que não podem ser usados juridicamente. Ainda.
Se o vídeo aparecer por aí, o caso vai tornar-se muito sério...

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Já estão a tramar o Obama!

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

Parece que o primeiro juramento feito por Obama - o tal da Bíblia - não contou e o homem teve de repetir a dose. As palavras - 35 ao todo, segundo um constitucionalista que vi citado na BBC - não terão sido pronunciadas na forma correcta.

Acho que no segundo round já não houve Bíblia - já estão a tramar o Obama ou terá sido tudo parte do esforço da Casa Branca para aplacar as almas enjoadas?

Obama e a fé no Santo Guevara

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes


Com tanta comoção com a entrada da Bíblia no juramento do Obama, com o autocarro ateu, com o Cardeal Policarpo a avisar as meninas cristãs casadoiras e, last but not the least, com o milagre aéreo em Nova Iorque... lembrei-me de uma história que, não dando resposta directa a nenhuma destas coisas poderá, quem sabe, trazer ainda mais confusão.

Estou a bordo de um avião prestes a sair de Compostela para Tindouf, uma cidade argelina às portas do Sara e próxima dos campos de refugiados do Sara Ocidental. Encontro-me sentado no sempre indesejado lugar do meio, entre dois tipos da Juventude Comunista Portuguesa, gajos porreiros e reputados activistas ateus (só Deus sabe o caminho que me levou a estes preparos).

Um deles, o G., tinha aquele familiar pavor de voar, estando já a suar em bica perante a perspectiva de duas horas a bordo da caranguejola da Algerian Airlines. Tento acalmar o G., mas ele está mesmo pequenino, irredutível no seu medo.

O avião faz-se à pista, geme e acelera, os compartimentos das malas começam a abrir, alguns objectos mergulham sobre os passageiros e eu olho, a medo, para o G. Está tudo bem - de olhos fechados já vai com a medalha do Che Guevara (que levava ao pescoço tipo medalha da Virgem) nas mãos, encostada aos lábios. Com a graça do Che, a carcaça lá levantou vôo e a malta chegou sã e salva ao deserto argelino.

Mais tarde, claro, no conforto da terra firme, o G. e os companheiros mostraram numa animada discussão toda a sua cagança anti-espiritualidade, anti-Deus, anti-tudo. Lembrei-me do episódio no avião e perguntei o que tinha sido, então, toda aquela cena com a medalha. Não seria uma qualquer forma - primitiva, talvez - de transcedência, de apelo ao gasoso? Um acto de fé?

"Pois, sabes, eu estava mesmo à rasca e nem sei bem porque fiz aquilo - senti-me mesmo pequeno, sabes?"

"Claro que sei, G., claro que sei..."

Verdades convenientes

21 janeiro 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Citação:

"Propor um referendo é uma arma oculta dos partidos quando o sentido da democracia não converge com os seus interesses", disse [Elisa Ferreira], recordando já ter defendido que as regiões "deviam ter sido criadas quando foi dada autonomia à Madeira e aos Açores".

O contrário é que me parece ser verdadeiro e, na minha opinião, é aquilo que o PS quer fazer para colocar em prática a regionalização, projecto que já foi "chumbado" uma vez através de referendo. Se fosse contra a regionalização, a provável candidata socialista à Câmara Municipal do Porto poderia muito bem afirmar isto:

"[Não] propor [ou evitar] um referendo é uma arma oculta dos partidos quando o sentido da democracia não converge com os seus interesses".

Religião e liberdade na América

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Faz muita confusão a Fernanda Câncio, aqui, no Jugular, o peso da religião na tomada de posse de Barack Obama. Pois a América é a sua história e as suas circunstâncias, e não nos podemos esquecer que o país tem só 200 anos, e nasceu por causa da religião e da liberdade religiosa. Se as notas de dólar têm escrito In God We Trust, também não se pode considerar uma bizarria o Presidente jurar sobre a Bíblia. (Sim , é um grande risco uma nação confiar numa entidade que não existe, mas seria muito mais arriscado confiar numa entidade que existisse, porque, existindo, podia falhar-nos e assim não falha porque não age). Mais polémica aqui.

Mas nos comícios do Obama reza-se, como se pode ver aqui. Reza-se, jura-se a bandeira e canta-se o hino (imagino o escândalo que seria se em Portugal o CDS seguir um alinhamento destes num comício). E rezam-se orações que podem ser rezadas por qualquer crente das religiões abrâamicas. Em Waco, no Texas (durante esta campanha eleitoral), assisti a uma coisa num rodeo que me fez pensar. Antes de começar o dito rodeo eles rezaram, e, no fim da oração, o mestre de cerimónias disse assim: "Que bom que é viver num país onde todos podemos rezar a mesma oração". Em Portugal, dizer isto seria uma ofensa segregacionista porque a maioria esmagadora é Católica. Na América não. É uma afirmação de tolerância ecuménica, porque na assistência deviam estar dezenas de pessoas de igrejas diferentes. E ainda assim, rezam todos a mesma oração.

Tirando as seitas radicais minoritárias e os grupos evangélicos (são 27 milhões nos EUA), que apoiaram Bush e Sarah Palin, e promovem o criacionismo nas escolas, penso que a religião na América ainda é um factor de liberdade. No bairro de Obama, em Chicago, há igrejas de várias confissões, mesquitas e sinagogas ao lado umas das outras. Por isso, as invocações religiosas de Barack Obama não me ofendem (nem que seja porque também mencionou os ateus).

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Regresso ao passado

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

A segunda vaga de turbulência no sistema financeiro está aí. Os prejuízos decorrentes do estouro da "bolha" do crédito já eram elevados e os impactos do abrandamento económico vão aumentar as perdas. Hoje, é o Barclays que está na berlinda.

Para precaver a ameaça de insolvência de instituições financeiras, como afirma Nouriel Roubini, a saída pragmática passa por numa nova onda de nacionalizações, parciais ou totais. Com isto, a crise poderá fazer as economias desenvolvidas regressarem ao sufoco intervencionista dos anos 70. Nessa época, o Reino Unido era um excelente exemplo de como o excesso de Estado paralisa uma sociedade. E este é um dos maiores riscos para o período pós-crise.

"Eurofanatismo"

20 janeiro 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

"Contrary to what everyone seemed to be saying even a few weeks ago, being a member of the eurozone doesn’t immunize countries against crisis. In Spain’s case (and Italy’s, and Ireland’s, and Greece’s) the euro may well be making things worse."

Talvez agora que se trata de um economista laureado com o Prémio Nobel a dizer esta verdade elementar, os fanáticos da moeda única, que só lhe viam vantagens, sejam capazes de lhe reconhecer os defeitos. Só uma nota adicional. Paul Krugman não cita Portugal. Mas o problema é exactamente igual ao de Espanha, Itália, Grécia ou Irlanda.

Lido no Elevador

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

"A Obama já não basta o carisma, precisa agora de um 'realismo mágico'", por Jorge Almeida Fernandes, no "Público", sobre as expectativas irrrealistas que estão a ser depositadas no desempenho do novo presidente dos Estados Unidos e que eu acrescentaria serem, em parte, o resultado do fervor místico de muitos dos seus apoiantes que o encaram como um novo Messias. A notável máquina de propaganda de Barack Obama tem responsabilidades neste jogo perigoso.

A Terra dos Sonhos

:: Guarda-freio: Luís Miguel Afonso

Os U2 encerraram no passado domingo o evento "We Are One" que marcou o início das comemorações da tomada de posse de Barack Obama como 44º Presidente dos Estados Unidos. Antes de interpretar o hino "Pride (In the Name of Love)", Bono dirigiu-se à audiência com as seguintes palavras: "Neste local onde estamos, há 46 anos, o Dr. King teve um sonho. Na terça-feira, esse sonho vai tornar-se realidade".

Obama, que estava entre a assistência, também escutou estas mesmas palavras. E também ouviu que "este não é apenas um sonho americano; é também um sonho irlandês, um sonho europeu, africano...um sonho israelita... e palestiniano".

Agora só falta saber se, na Terra dos Sonhos, estes se costumam tornar em realidade...

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O andor mediático

:: Guarda-freio: Vìtor Matos


Foto: VM

















Obama tem beneficiado de um andor mediático nunca visto (à excepção da Fox News). Isso há-de acabar, conforme a crise e as duas guerras no Médio Oriente evoluírem. Ou quando a governação a sério começar. Ele não é um messias, ele não é o "The One" de Matrix. Mas quantos políticos tinham a coragem de deixar na sua equipa responsáveis que vinham e trás (como Robert Gates, na Defesa), ou convidar a mais directa rival, como Hillary Clinton? Até ver, Barack Obama parece ter duas grandes virtudes, estranhamente raras na política corrente: coragem e bom senso. Vamos ver como isto corre.

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Ambiente de festival rock

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Foto: VM
Foi bonita a festa, pá! Parecia um concerto de rock. Se havia música a malta dançava, se havia padre a malta orava, se havia Obama o pessoal chorava.
Não deixa de ser estranho um povo enebriado de optimismo quando vive a pior crise de sempre.

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Quando se soube do Ohio...

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Foto: VM
Quando se soube da vitória de Obama no Ohio, o povo de Chicago rejubilou. A diferença entre esta gente e os comícios que estou habituado a ver em Portugal é que em Portugal predomina o cinismo: os apoiantes estão lá para apoiar, para gritar, cantar, mas nem sequer acreditam nos políticos do seu partido. Os obamaníacos acreditam.

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Obama e as emoções

:: Guarda-freio: Vìtor Matos


Foto: VM
Em Portugal, há quem tenha a mania de ver emoção na política: Menezes, Santana, Sampaio... Chamam-lhes emocionais.
Mas não são. Lá porque um político chora em público, não quer dizer que as emoções lhe tragam vantagens eleitorais. Ou que os outros se sintam mobilizados para o seguirem.

Obama é um político absolutamente racional. Deitou uma lágrima na campanha, quando morreu a avó que o criou. Mas quando fala, da maneira como fala, com os argumentos que usa, emociona os que o ouvem. Obama não é apenas uma máquina de caçar votos. O que os políticos lhe invejam é que ele caça os votos e depois mobiliza as pessoas a agirem.

Quando ele começou a discursar, eu tinha várias pessoas a chorar à minha volta. Um líder que faz as pessoas sentirem coisas, que projecta para os outros uma energia interior, pode ser o motor de uma nação ou uma grande fonte de males, como a história já provou.

Obama não toca no coração, toca nos pontos sensíveis do cérebro humano às emoções.

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Barack, Pop-Star

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Esta campanha vai ser estudada, muito estudada. O contexto era o ideal para aparecer um candidato assim no contra-ciclo de Bush. Como é que em tão pouco tempo se cria uma estrela global? Daqui a quatro anos esta rapariga ainda estará a celebrar obâmicamente com o mesmo entusiasmo?

Foto: VM

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Havia quem não acreditasse

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Foto: VM


















Os olhos deste homem nunca tinham imaginado que podiam ver o que estavam ali a ver. Os resultados davam a vitória a Obama, o negro.






Barack pode vir a ser um logro. Tem a fasquia demasiado alta. Mas aqui, neste momento, ele era a esperança de toda esta gente. Mais uma vez: a sua vitória foi acima de tudo simbólica e representa aquilo que a América tem de mais extraordinário. Um país de oportunidades onde um negro há quatro anos desconhecido bateu o clã Clinton e a cruel máquina de propaganda eleitoral republicana.









Foto: VM

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Chicago em êxtase

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

O fim da festa foi o início da festa. Já na Michigan Avenue, o pessoal empurrava-se e disputava a dupla Obama/ Biden em cartão para tirarem uma foto de telemóvel. Hoje não deve ser muito diferente em Washington.



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De Grant Park a Washington

:: Guarda-freio: Vìtor Matos


Ao longo do dia vou publicar no Elevador da Bica algumas das fotos que fiz a 5 de Novembro de 2008, no Grant Park de Chicago, a noite da vitória eleitoral de Barack Obama - que hoje toma posse como o primeiro presidente negro dos Estados Unidos.
Fui enviado pela revista "Sábado", onde trabalho como jornalista. Naquela noite era o nosso fecho e por causa da diferença horária ainda consegui enviar uns parágrafos pelo telefone, mas îsso foi antes de Obama chegar, subir ao palco e pôr aquela turba a orar "yes we can!" Não houve tempo para mais, nem para mandar fotos, nem para elaborar sobre o discurso do presidente eleito. A vida dos jornais é mesmo assim.
Agora, uns meses depois, ficam aqui as imagens e subjectividade das minhas impressões.

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Eles rezam com Barack

:: Guarda-freio: Vìtor Matos



O extraordinário foi ver um bispo protestante chegar ao palanque e começar a rezar uma oração. A maior parte dos 150 mil que lá estavam a festejar, já a vitória estava no papo, baixaram a cabeça, compenetraram-se ou deram as mãos e rezaram também.
Curioso.
Estive num comício da Sarah Palin e os republicanos não rezaram (mas aplaudiram muito um cantor de country que invocouo nome de our lord Jesus Christ!). Nos comícios de Obama, reza-se primeiro, a seguir jura-se a bandeira americana, depois canta-se o hino nacional e só então se passa à política.
Quem disse que ele não é conservador engana-se. À luz de critérios europeus, ele é um conservador. Se não o fosse, não teria ganho a eleição.
Apesar de tudo, um velho conhecido de Obama do Hyde Park disse-me que não acreditava que ele fosse muito religioso e que só ia à Trinity Church porque era lá que estavam os contactos importantes da comunidade negra. "This is Chicago", dizia-me ele.
Foto: VM

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A vitória dos desempoderados

:: Guarda-freio: Vìtor Matos


Foi a noite do black power, embora estivessem no Grant Park de Chicago quase tantos brancos quanto negros - pelo menos foi o que me pareceu. Onde eu estava, em frente ao écrã gigante, havia poucas bandeiras americanas do tamanho desta. Por isso as pessoas competiam para tirar fotografias com a stars&stripes. Sobretudo os negros. Parece-me que não o fariam se o vencedor tivesse sido um branco, mesmo que fosse o seu candidato. Os apoiantes de Obama sentem esta vitória como sua, e isso é extraordinário, porque as democracias se tinham tornado em exercícios de cinismo. Estes não são cínicos, eles acreditam.

A vitória de Barack Obama foi sobretudo simbólica. Muitos desempoderados, aqueles que socialmente estiveram sempre na mó de baixo, sobretudo nas comunidades negras, projectam-se na vitória de Obama e acham que ganharam também. Mesmo que seja uma ilusão - ou que venha a ser ruma ilusão -, é a democracia a funcionar, como devia funcionar. Aqui o povo sente que de alguma forma se apoderou do poder porque se projecta directamente naquele que elegeu.

Foto: VM

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Obama, o pastor e o seu rebanho

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Foto: VM

O discurso da vitóra foi um grande momento, porque também foi um grande discurso. Quando ele começa por dizer que a prova de os EUA serem um grande país é o facto de ele estar ali, diz tudo. Sem precisar de dizer nada, sem precisar de falar de raça. Mas o impacto dos discursos de Obama têm a ver com a forma, não só com o conteúdo. Ele é um sacerdote e os que o ouvem comportam-se como os fiéis.
Conforme o discurso se ia aproximado do fim, com a multidão quente, Barak Obama ia falando e entrecortando as frases com:
- Yes we can!
Dizia mais qualquer coisa e…
- Yes we can!
A multidão ouvia-o e quando ele dizia "Yes We Can", repetia:
- Yes We Can!
Não é só uma catarse, aquela gente estava toda em transe, é uma missa como a que vi no South Side de Chicago, na Trinity Church, que Obama frequentava. O público envolve-se nas palavras do pastor que os embala e responde à voz do pastor… É diferente de uma missa católica, é mais quente e a comunicação nos dois sentidos é mais espontânea.
- Yes we can!
Obama fala como um pastor protestante de uma igreja negra. Vai subindo o tom, ligeiramente, para não parecer excessivo, para não falar como o reverendo Jeremiah Wright, mas aquilo está lá. Nunca vi um político dominar assim, emocionalmente, uma multidão. Chega a ser assustador. Não que os americanos sejam muito quentes. Em Portugal haveria mais gritaria tipo claque de futebol, mas aqui eles estão arrebatados. Não pela razão, sobretudo pelo espírito.
Quando eles dizem que Obama é "inspiring" é isso. As pessoas sentem coisas quando o ouvem. Os políticos convencionais tentam convencer as pessoas: Obama tenata que eles sintam o que ele diz. Sim, aquilo é de arrepios na espinha. Sobretudo para os negros. E um político que repita "yes we can" daquela maneira, sem parecer ridículo, é porque tem "aquilo": o carisma.

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Factor sorte vs factor trabalho

19 janeiro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

A sorte é mais importante do que o esforço do trabalho para se chegar a rico. Isto diz muito sobre os portugueses:

Para se chegar a rico, a questão da sorte (39,5%) é a mais apontada pelos inquiridos. A seguir vem o esforço (21,1%), a corrupção (15,6%), a desonestidade (11,5%) e o tráfico de influências (6,8%).

O Sócrates devia era dizer à malta para cruzar os dedos, fechar os olhos e esperar que a crise passasse. O dominicano Malagrida foi queimado pelo Marquês de Pombal por andar a apelar à oração e à penitência pelos pecados que levaram ao grande terramoto de 1755, enquanto o Sebastião queria era o povo a trabalhar na reconstrução. Portugal mudou assim tanto?

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Limpeza dos bancos

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Como já alertou Ben Bernanke, presidente da Reserva Federal norte-americana, os bancos têm que limpar os balanços. Enquanto isso não suceder, será difícil que o sistema financeiro volte a funcionar normalmente. Se o potencial credor não sabe o que pode estar escondido nas contas da entidade a quem vai emprestar, não terá vontade de arriscar o seu dinheiro.

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Vamos torcer pela Inglaterra

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Gilberto Madaíl diz que a candidatura de Inglaterra à organização do Mundial de futebol de 2018 é uma concorrente muito forte da proposta luso-espanhola. Só resta esperar que o palpite do eterno presidente da Federação Portuguesa de Futebol se confirme e que os ingleses ganhem a corrida. Não se vislumbra outra forma de evitar uma iniciativa que, à luz da mais elementar racionalidade e réstea de bom senso, jamais devia fazer parte das prioridades do país.

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Impostos e demagogia

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Seria bom que o primeiro-ministro explicasse como vai baixar impostos sobre a "classe média", quando terá que enfrentar uma crise orçamental grave e prolongada, enquadrada pelo regresso a taxas de crescimento anémicas quando o pior da crise tiver passado, lá para 2011.

Já agora, seria conveniente que explicasse, também, o que entende por "classe média" e por "rendimentos muito elevados". Só para se perceber melhor, caso decida mesmo cumprir a promessa, quem será beneficiado e quem irá pagar a conta.

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Emprego e demagogia

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

A promessa de criação de 150 mil empregos feita por José Sócrates durante a campanha eleitoral para as legislativas de 2005 não passou de pura demagogia. Apesar dos esforços para disfarçar o desemprego em sectores como o automóvel e do crescente intervencionismo na economia, a realidade impõe-se. E a realidade é que, mesmo com a economia a crescer a taxas modestamente positivas, jamais seria sustentável a possibilidade de as empresas criarem aquela quantidade de novos postos de trabalho.

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A interminável valsa

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes


"Valsa com Bashir" é um grande filme porque toca com humanidade no - usando a terminologia Mexia - "cá dentro" e o "lá fora" da guerra.

No primeiro plano está a reconstrução das memórias do realizador, Ari Folman, que aos 19 anos foi enviado para a primeira guerra de Israel no Líbano, em 1982. Esta foi a guerra em que o conflito Israel/Palestina se cruzou com o pântano da guerra civil libanesa - a guerra em que os israelitas perderam definitivamente a inocência da sua causa, uma perda culminada nos massacres de civis palestinianos de Sabra e Shatilla.

O filme ilustra a construção do puzzle das memórias do conflito que Folman enterrou - as entrevistas com antigos companheiros, as motivações e os efeitos que a guerra teve em cada um, os sonhos e os relatos de acontecimentos (imagens oníricas inesquecíveis, grande banda sonora), o esforço de interpretação feito por quem fala no filme.

Este caminho interior faz-se em paralelo com a descrição da guerra no Líbano - da loucura (a cena da valsa entre balas é o topo), do alheamento da hierarquia (Sharon aparece uma vez), do sofrimento dos civis (o murro no estômago no final do filme). Um "Catch 22" no Médio Oriente, filmado em animação (de grande nível), mais duro. Trailer aqui.

No final é incrível - e impossível não reparar - como as imagens (reais - as únicas) das mulheres palestinianas que choram os mortos dos massacres são exactamente iguais às que se viram ontem em Gaza. Um drama sem fim.

Lido no Elevador

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

Três grandes textos - os primeiros dois de opinião pura, o terceiro de análise e reportagem no terreno - com visões diferentes e informadas, sobre o dia seguinte em Gaza. Ou melhor, como diz Friedman, o dia seguinte ao dia seguinte, "when all the real business happens in the Middle East".

1. "Israel's Goals in Gaza?", Thomas Friedman

2. "So, I asked the UN secretary general, isn't it time for a war crimes tribunal?", Robert Fisk

3. "Parsing Gains of the War in Gaza", Ethan Bronner

Cinismo e hipocrisia

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Sobre a questão da credibilidade, ou falta dela, de que acusa Manuela Ferreira Leite, José Sócrates revela grande descaramento. Não é preciso fazer um especial esforço de memória para recordar a guinada do primeiro-ministro quando decidiu desistir do novo aeroporto na Ota para adoptar a localização em Alcochete. Isto só para ilustrar, de acordo com os próprios critérios do primeiro-ministro, que a sua credibilidade no campo das decisões sobre grandes obras públicas também deixa muito a desejar.

Quando à alusão aos ataques da líder do PSD aos jornalistas, alegadamente apenas porque as notícias não lhe agradam, trata-se de puro cinismo e hipocrisia. O actual Governo está muito longe de ser caso único. Mas, em matéria de manifestações de desagrado pelo tratamento de assuntos que envolvem o Executivo, pressões, sistema de castigos e prémios a órgãos de comunicação e a jornalistas, a forma de estar de Sócrates e dos seus fiéis em circunstância alguma poderia ser apelidada como correcta e, muito menos, como exemplar. Neste terreno, o primeiro-ministro não tem qualquer autoridade para criticar comportamentos alheios.

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Síndrome de Magalhães

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

E tudo começou com a máquina de calcular. Esta entrevista de Alice Vieira ao Público é de leitura obrigatória.

"Estamos a queimar etapas, a atirar computadores para os colos dos miúdos quando não sabem ler nem escrever. Só devia chegar quando tivessem o domínio da língua e da escrita".

Renovação na continuidade

18 janeiro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Neste renovómetro feito pelo Filipe Santos Costa no Expresso prova-se que a renovação de Paulo Portas é retórica. Parece-se com as renovações do Comité Central do PCP: muda-se para ficar tudo na mesma, ou há uma aparência de mudnaça, mas já estavam todos lá antes de lá estarem. O núcelo duro do CDS é composto pelo próprio Portas, mais portismo mais ou menos recente, mais portismo muito clássico, mais portismo radical, mais portismo... viva a grande coligação dos portismos! A direita assim afunila-se.

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Mistérios da vida moderna - 18

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Por necessidade urgente, hoje fui ver aspiradores à Worten. Expliquei à menina especialista no assunto que queria o que tivesse o maior poder de sucção. Pois de sucção e da sucção dos aparelhos ela nada sabia, porque as marcas nada diziam nos panfletos sobre essa característica tão secundária num aspirador. Ela só sabia da sucção daqueles que tinha experimentado. Ora se os aspiradores servem para aspirar e se os aparelhos nada dizem sobre aspiração, como escolher? Não escolhi nenhum.

Não deixei de notar, porém, que outra cliente a meu lado tentava convencer o marido a levar um cilindro achatado que, através de um cartaz com uma menina refastelada num sofá, prometia aspirar a casa todo sozinho, funcionando como aqueles carrinhos de choca-e-desvia da nossa infância. Como se vê, há quem esteja muito à frente e talvez amanhã compre um aspirador que aspire sozinho enquanto frita batatas.

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Elevador do Baco

:: Guarda-freio: Vìtor Matos



Pertence à classe dos baratinhos. Mas na classe dos baratinhos, a 3 euros no supermercado, é dos mais honestos e pode equivaler-se a vinhos que custam o dobro. Castello d'Alba é um Douro que experimentei pela primeria vez no Pinhão - porque o empregado do restaurante fez questão que o provasse. E cuja relação preço/qualidade descobri muito recentemente.
Se alguém conhecer um tão bom como este na classe dos pesos pluma (até 3€), a caixa de comentários está à disposição.

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Na cabeça de Portas

17 janeiro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Parece estranha a estratégia de Paulo Portas, repetindo que não fará coligações nem acordos parlamentares com ninguém. Nem PS nem PSD. Chama-lhes República do Bloco Central e finge, de modo extraordinário, que nunca esteve coligado com o PSD. Portas diz agora mais ou menos isto: Ninguém sabe o que é o PSD nem no que o PSD vai dar. Mas vamos por partes. O que Portas anda a pensar não deve andar longe disto:

1- Não pode dizer que está disponível para governar com o PSD, porque o PSD será muito provavelmente derrotado nas legislativas e de nada serve associar-se um morto político. Se o partido e a liderança do PSD têm fim anunciado, então mais vale estar sozinho e não ser arrastado pela derrota dos outros.

2 -O que ganharia Portas ao dizer que estava ao lado deste PSD ou de um PSD qualquer? Pouco. Se uma coligação à direita fosse uma quase certeza, tanto fazia votar no CDS ou no PSD. E com o enfraqueciemento do PSD, Portas quer atrair mercado eleitoral para um CDS responsável, previsível, e com trabalho parlamentar que se veja. Ora, neste contexto de esfrangalhamento dos sociais-democratas, o CDS só ganha criando distância.

3 - Uma coligação entre o PS o CDS seria muito difícil explicar ao eleitorado do CDS (mas talvez fosse impossível a Sócrates justificá-lo aos militantes do PS). Portanto, se quer que o seu partido conte para alguma coisa, Portas terá de se colocar como o fiel da balança no Parlamento para viabilizar as medidas de um Governo minoritário do PS, ora votando a favor, ora abstendo-se mediante a negociação de contrapartidas caso a caso. Portas não fará acordos de incidência parlamentar com Sócrates, pelo menos que sejam públicos. Aprovará e rejeitará as medidas do Governo do PS à la carte. Justificará ao seu eleitorado que assim evita uma deriva de esquerda no País, evitando que o PS seja obrigado a negociar com o BE ou o PCP. Ao mesmo tempo, tornará o PSD irrelevante. E ele será o fiel da balança e o seguro de vida de Sócrates, sempre a rezar à Nª Srª de Fátima para que o PSD e o PS nunca se entendam.

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Não há crise

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Pois não.

Esperanza do jazz

16 janeiro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Esperanza pragueja como um marinheiro bêbado, como dei conta no fim do concerto, mas trata o contrabaixo com a sensibilidade de uma musa. Há dois meses, fui ver o veterano saxofonista Joe Lovano tocar no Village Vanguad, em Nova Iorque. Aquelas duas horas de jazz voaram, com duas performances inesperadas: um baterista do outro mundo cujo nome não me lembro (mas que vou descobrir) e a Esperanza Spalding (aqui a tocar em Copenhaga) no contrabaixo. Lovano deixou-os brilhar, aliás, fez tudo para que fossem eles as estrelas do serão. E os dois jovens músicos foram soberbos.

Surpresa das surpresas, dou com a Esperanza aqui, no CCB, no dia 1 de Fevereiro. Quem gosta de jazz não deve perder este concerto. E esquecer a crise por uns momentos.

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Fora dos Carris

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

O ministro Manuel Pinho disse hoje que foi apanhado de surpresa com a notícia do despedimento de 400 trabalhadores da Peugeot em Mangualde. "Não tenho essa informação. Acabam de me referir o facto mas eu tenho que me informar melhor como deve compreender". Para dizer uma coisa destas, ou Pinho anda muito distraído, ou é incompetente por não saber o que devia, ou mente à descarada. No início de Dezembro, a empresa já tinha anunciado aquilo que concretizou agora.

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Passeio no Prado

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

De cada vez que tenho a oportunidade de dar um salto ao Museu do Prado, este quadro de Rogier van der Weyden é um dos que nunca deixo de ir contemplar.

O fortíssimo laço entre mãe e filho que é expressado pela posição idêntica e paralela dos respectivos corpos, a forma como a luz e as sombras trabalham o volume do vestuário, a dor e a dignidade que são transmitidas através da expressão das figuras representadas e as cores utilizadas, de um realismo impressionante quando são observadas directamente, fazem deste quadro uma obra genial.

É um dos quadros escolhidos para figurar na lista de 14 que integra a visita virtual àquele museu madrileno, agora disponível no Google Earth. Não dispensa a visualização "ao vivo" mas vai permitir "vasculhar" os detalhes sem outros curiosos a atrapalhar.

Teme-se o pior

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Na edição de hoje do "Diário de Notícias" dá-se conta do primeiro obstáculo à candidatura de Portugal e Espanha à realização do Mundial de futebol de 2018. A FIFA exige que o estádio onde se jogará a partida inaugural tenha capacidade para 80 mil espectadores e o recinto da Luz, o maior em território português, apenas comporta 65 mil.

É claro que nada disto vai impedir a candidatura, conforme se vai percebendo pelas declarações de simpatia por parte do Governo em relação ao projecto. O que faz prever o óbvio, caso se admita que a FIFA não abrirá uma excepção às regras sobre as condições necessárias para a realização destes eventos. Ou seja, lá terão os cofres públicos de largar mais uns milhões em apoios para, no mínimo, remodelar um estádio com o objectivo de o adequar às exigências em vigor.

Como já escrevi anteriormente, teme-se o pior. E não sou o único a recear as consequências da paixão das autoridades pela organização de eventos, conforme se pode ler no artigo de Carlos Fiolhais, publicado na edição de hoje do "Público".

Uma questão de vontade

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Aqui está a prova, caso ainda fosse necessária, de que a transparência na relação do Estado com os cidadãos depende apenas da vontade de quem tem poder de decisão e que o dinheiro dos contribuintes, não sendo de ninguém, é largamente mal utilizado.

As administrações públicas sugam, anualmente, metade daquilo que o país produz, mas este "site", que organiza e torna inteligível informação já disponível, custou apenas 28 euros e um dia de trabalho. Quanto teria custado se o Ministério das Obras Públicas tivesse decidido fazê-lo? Os mesmos 28 euros? Seguramente que não.

Saia de casa pela mão da Google

:: Guarda-freio: Luís Miguel Afonso

Para os menos atentos às constantes novidades do gigante da internet foi lançada oficialmente em Maio de 2007 (embora tenha "chegado" à Europa apenas no segundo semestre de 2008) a funcionalidade Street View do serviço Google Maps. Através dela, qualquer um de nós pode agora descer ao nível da rua ao invés de andar a voar por cima dela que nem um passarinho. Tudo isto com visão horizontal de 360 graus (290 na vertical). O detalhe é tão impressionante que circulam já nos tribunais diversas queixas à invasão de privacidade dos transeuntes ou pela net os TOPs dos melhores momentos apanhados pelas esféricas câmaras da Google.

Na Europa, países como França, Itália e Espanha têm já uma grande representação, enquanto em Inglaterra a frota de Astras tem sido vista com grande intensidade nos últimos meses, estando planeada para 2009 a cobertura total das grandes cidades do Reino Unido. Portugal, como sempre, vai continuar a estar fora do mapa nos tempos mais próximos.

Bora aí dar uma volta?

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Credibilidades

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Manuela Ferreira Leite garantiu ontem que cancela o TGV se chegar a São Bento. Entretanto, Sócrates mandatou Mário Lino para dizer que a senhora não tem credibilidade porque em 2003 assinou um acordo com os espanhóis para fazer o dito e agora já não quer.
Ele disse Cre-di-bi-li-da-de!? (incredulidade)

Lino, monsieur Jamé, em Maio de 2007: "Acho faraónico fazer o aeroporto na Margem Sul, onde não há gente, onde não há escolas, onde não há hospitais, onde não há cidades, nem indústria, comércio, hotéis e onde há questões da maior relevância que é necessário preservar."

Lino, em Janeiro de 2008: Construir o novo aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete será "uma boa decisão para o país, para os cidadãos, para as empresas e para a economia".

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Lições de democracia pelo mestre Chávez

15 janeiro 2009 :: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

Aprova a ampliação dos direitos políticos das venezuelanas e dos venezuelanos nos termos contemplados na emenda dos artigos 230, 160, 174, 192 e 162 da Constituição da República Bolivariana da Venezuela, tramitada pela Assembleia Nacional, ao permitir uma extensão para todos os cargos de eleição popular de modo a que a sua eleição seja a expressão exclusiva do voto do povo?” (in Público)

É com este belíssimo exemplo do mais fino 'newspeak' de Orwell, que o grande democrata e amigo do povo Hugo Chávez quer tentar convencer os venezuelanos a passar-lhe um cheque político em branco. Chávez já tinha tentado, mas o remate foi à trave (chumbado por uma maioria de 51%) - nada como tentar outra vez. Pergunto o que sobre isto terá a dizer o "amigo José Sócrates" - provavelmente coisa nenhuma, mas valerá a pena, pelo menos, fazer a pergunta.

Aquela máquina

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

A máquina de propaganda de José Sócrates tem uma imaginação prodigiosa. Se não há nada de novo para anunciar, pega-se naquilo que já existe, confiando que ninguém saiba ou se lembre.

Música de Elevador

:: Guarda-freio: Luís Miguel Afonso


Lady's Bridge
Richard Hawley
Agosto, 2007 :: Mute

Há álbuns intemporais. Álbuns que nos fazem acreditar que certos músicos podem reviver num outro tempo, num outro local, mantendo a mesma sensibilidade e uma renascida capacidade de nos encantar. Se alguém te disser que Roy Orbinson retornou à vida em Sheffield, em pleno século XXI, não voltes as costas descrente.

Richard Hawley, antigo guitarrista dos Pulp e dos Longpigs, é um romântico incurável, daqueles à antiga. Não fosse isso, não conseguiria criar um álbum que é "apenas" uma gloriosa mistura de amor e mágoa, perda e conquista. A prova provada que a saudade não é sentimento exclusivo da alma lusitana.

"Lady’s Bridge" é brilhante. É um daqueles álbuns que muitos rotulam de retro, mas que soa fresco a cada audição num tempo em que a beleza pura (e simples) escasseia na alma de quem produz música pop. Uma mistura perfeita de blues, rockabilly e baladas com sumptuosos arranjos orquestrais na onda do chamber pop. Sofisticação? Não, contemplação.

A sua voz de barítono, doce, às vezes sombria, os seus arranjos ricos e longos, os riffs de guitarra clássicos e cristalinos precisam de tempo para ser escutados. A companhia perfeita para uma garrafa de bom vinho.

Os meus versados guarda-freios proibiram-me de escrever longos testamentos, esquecendo-se que não tenho a mesma brilhante capacidade de síntese que eles. Mas ainda assim arrisco a dizer do último trabalho de Hawley: dolorosamente belo, perturbadoramente íntimo. Sem dúvida, um dos mais bem guardados secredos da pop britânica.

Escuta "Valentine" aqui. Comprar o album aqui (€ 5,55).

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Grandes mestres da banca

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

... e assim se faz e desfaz o maior banco do mundo.

Elevador a descer

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Cavaco Silva - Os cinco indultos que o Presidente concedeu no Natal visaram cinco homicidas (cinco!), conta hoje o Nuno Tiago Pinto, na Sábado (sem link). Dois dos indultados mataram na sequência de banais acidentes de trânsito e um deles até fugiu para a Suíça da primeira vez que teve uma saída precária. Outro indultado matara a mulher por razões passionais, atingindo o filho (onde é que fica aquela tirada de Cavaco sobre a Lei do Divórcio e as suas denúncias da violência doméstica?). Um outro matou o padrasto à facada. E o último alvejou com uma caçadeira o dono de um café, ferindo-o gravemente. Não havia lá pelas prisões um simples traficante de droga, um carteirista? Ao indultar a 100% pessoas que tiraram a vida a outras ficamos a pensar no sinal que o PR está a dar...

Mário Nogueira - A Fenprof publicitou e promoveu um concurso da Embaixada de Cuba para crianças e jovens dos 5 aos 18 anos, sobre os 50 anos da revolução Cubana, com temas como "Che: Guerrilheiro Heróico", ou "José Marttí, herói, ideólogo e poeta de Cuba". Mário Nogeira, da Fenprof, diz isto à Sara Capelo, na Sábado de hoje (sem link): "Demos o apoio que daríamos a outras organizações"; a Fenprof está solidária com "um povo massacrado com o bloqueio". Eis um grande democrata. Os professores teriam nele um grande defensor se vivêssemos num regime como o cubano. (link ao anúncio do site da Fenprof)

Crise de riso

14 janeiro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Este sketch do melhor humor inglês sobre a crise do subprime e os bailouts é soberbo.

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Mais avisos à navegação Sócrates

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

"A German sovereign bond auction failed on Wednesday as investors shunned one of the most liquid and safe assets in the world in a warning for governments seeking to raise record amounts of debt to stimulate slowing economies", aqui, no Financial Times online. Também a Grécia está com problemas, noticia o FT.

Seria interessante perguntar ao ministério das Finanças quanto custará ao país um agravamento do 'rating' da república. O aviso da Standard&Poor's, uma das agências que segue a dívida portuguesa, já foi dado - e duvido que não se siga uma revisão em baixa.

Lido no Elevador

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

"Corrupção em tempo de crise", por Helena Roseta, no "Diário de Notícias", sobre o novo limite para a dispensa de concurso público nas empreitadas lançadas pelas autarquias ou como, a pretexto do combate à crise, se pode escancarar (ainda mais) as portas à corrupção e ao clientelismo.

"Ainda mais inconstitucionalidades no Estatuto dos Açores", por Jorge Miranda, no "Público", sobre as nódoas de um diploma que fica para a história como o pretexto para a ruptura de Sócrates com Cavaco Silva.

Conduzir a 30 km/h em Lisboa

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

"A proposta de redução para 30 km/h deverá ser hoje aprovada em reunião da Comissão de Avaliação do Sistema de Controlo de Velocidade e Vigilância do Tráfego de Lisboa." (DN)

Há um paternalismo de Estado incompreensível nos limites de velocidade nas estradas. Senão, vejamos o cenário actual:

- os fabricantes de automóveis (alguns em crise e a receber ajudas de Estado) têm desenvolvido carros cada vez mais bem construídos e seguros.

- esses mesmos fabricantes publicitam muitos modelos pelo ângulo da potência (que, como sabemos é o mesmo que puxar pela velocidade). Dois exemplos: a foto que acompanha esta posta (grande anúncio da Ford, by the way) e a actual campanha do VW Passat (cuja legenda diz algo como "Agora com 170cv"). As marcas de asessórios, como pneus, também recorrem ao mesmo ângulo de venda ("De nada serve potência sem controlo", dizia a Pirelli). É a cultura do consumo automóvel, promovida sem obstáculos.

- o Estado arrecada mais dinheiro com os carros mais potentes: no imposto automóvel (taxa a cilindrada) e no consumo de combustível, por exemplo.

- se quiser ser cínico (e está a apetecer-me), o Estado português tem investido milhões em novas estradas e na melhoria de vias antigas (uma filosofia a prosseguir, segundo sabemos), tornando-as mais seguras (como lembrou o PM nesse momento da entrevista à SIC que já é um clássico).

Face a este sistema de valores e a estas condições, gostaria então que me explicassem a racionalidade dos actuais limites de velocidade: 120 km/h nas autoestradas (140km/h, com a tolerânciazinha da GNR), 50 km/h nas cidades e, porque não, estes peregrinos 30km/h que poderão vir a incomodar Lisboa. Limites que ninguém cumpre, mas que significam multas pesadas quando as autoridades andam à caça. Nada disto faz sentido.

Um destes dias teremos de atravessar algumas ruas de Lisboa empurrando o nosso próprio carro.

Um monte de sarilhos

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Anos consecutivos de políticas erradas já resultaram numa década anémica do ponto de vista do crescimento. Antes de uma crise grave que vai servindo de desculpa para todos os males, o país já tinha entrado numa espiral de endividamento, as empresas já sofriam de falta de competitividade, o Estado já mantinha um peso sufocante sobre a economia, mercados vitais já padeciam de escassez de concorrência, os recursos humanos já eram pouco qualificados. E a lista de debilidades podia prosseguir.

Tudo isto explica por que motivo é razoável acreditar que Portugal sairá da recessão para regressar a uma nova, e frustrante, série de anos consecutivos de estagnação e empobrecimento relativo. Ainda para mais, quando se sabe que, após os planos de combate à crise, o endividamento terá aumentando e uma nova crise orçamental terá que ser enfrentada, muito provavelmente com base na solução do costume: manter ou subir a carga fiscal. Eis aquilo que parece ser um indiscutível monte de sarilhos.

Meninos de ouro - 2

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Isto, sim, é porreiro, pá.

Elevador sobe

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

O mérito é todo do Luís Miguel Afonso. O Pedro do Horizonte Artificial elogia aqui o grafismo do Elevador da Bica. Nós agradecemos e assim talvez não cheguemos a fazer o lifting gráfico em que tínhamos pensado (coisa a decidir em AG futura), para não parecermos aquelas miúdas que até são giras, mas não deixam de pensar na plástica para serem mesmo perfeitas e depois estragam tudo.

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Choque de civilizações

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Ao dizer isto, o Cardeal Patriarca também arranja uma série de sarilhos e não casou com nenhum muçulmano. Vai abrir uma guerra entre a igreja e a mesquita e não havia necessidade: a Mouraria hoje é um bairro mui católico e o Martim Moniz já se sacrificou há muito tempo em nome da cristandade.

Mas tem a sua razão, e não duvido nem um pouco da verdade das palavas de D. José Policarpo: mocinhas católicas, ou apenas naturais desta ocidental praia (e sublinho ocidental), que casem com um desses sarracenos que aí andam podem estar bem ensarilhadas - sobretudo em épocas em que usar lenço na cabeça não esteja na moda. Agora, e se perguntarmos ao Cardeal como é dos sarilhos que as moças arranjam quando casam com católicos? Suponho que a maioria dos sarilhos conjugais em Portugal se passam entre casais onde pelo menos um se diz católico. E D. José é contra o divórcio, não é? É uma boa maneira dos casais se desensarilharem.

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Elevador do Baco

13 janeiro 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Aqui está um vinho que, mesmo quando consumido em restaurantes, se revela um excelente compromisso entre preço e qualidade. Tem um carácter alentejano genuíno, é dotado de uma cor intensa, apreensível ao primeiro contacto visual. No "Magano", em Campo de Ourique, Lisboa, acompanhou um belíssimo "borreguinho assado no forno", e fez muito boa figura.

Quem pretenda encontrar mais adjectivos destinados a descrever a experiência de provar o "Convento da Tomina", colheita de 2005, pode ver aqui ou aqui, por exemplo. A história do local que empresta o nome a este tinto está aqui. De resto, o melhor é provar.

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Quem tem medo [da crise] compra cães

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Se um português for escolhido como primeiro cão da Casa Branca, para acompanhar as primeiras filhas e a primeira dama, temos solução para a crise. Vão aumentar as exportações, poderemos equilibrar a nossa balança comercial e haverá uns ricos novos. Se tem medo da crise compre não um cão, mas um casal de cães de água portugueses, apaixonados e cheios de vontade de procriar. Ponha anúncios nos jornais locais norte-americanos das cidades onde Obama ganhou e tem a reforma assegurada.

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Não há planos grátis

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

A crise e os planos para a combater têm um preço.

Música e a guerra

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

"Drums and Guns", o disco mais recente dos Low, é inspirado na guerra do Iraque. A banda expressa o seu protesto pelo conflito desencadeado na sequência da invasão de 2003, pelos Estados Unidos. A mensagem, surgida a propósito de um acontecimento controverso, é susceptível de condicionar a avaliação daquilo que mais interessa, isto é, as canções que integram o álbum.

É que, se a invasão e os eventos posteriores justificam um debate que se mantém aceso, a música dos Low é merecedora de maior consenso. Inspirada por um conflito bélico, a percussão em cadência militar e, por vezes, fúnebre, acompanhada do ruído de fundo do "feedback" das guitarras evocam uma paisagem hostil, desolada e sustentam a tensão que se pressente enquanto se atravessam as diversas faixas.


Os arranjos são minimalistas, baseados em frases curtas do baixo ou da guitarra, e as melodias são simples e hipnóticas. Com política ou sem política, "Drums and Guns" é um grande álbum.

Fundamentalismo e pragmatismo

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Esta notícia publicada no "Diário de Notícias" revela que o número de vítimas mortais em acidentes rodoviários registados em Lisboa aumentou depois da instalação de radares de controlo da velocidade. Os números citados referem que em 2007/2008 houve seis mortos em acidentes nas zonas que têm radar, contra os quatro verificados em 2006/2007.

Ainda assim, a Comissão de Avaliação do Sistema de Velocidade e Vigilância do Tráfego de Lisboa (podiam ter arranjado uma designação um pouco mais abreviada) vai votar e aprovar hoje, segundo o mesmo jornal, uma proposta para reduzir a velocidade máxima permitida para 30 quilómetros por hora, estando em cima da mesa, também, a possibilidade de acabar com a "onda verde" em diversas artérias da cidade. Tudo isto apesar de as estatísticas, da responsabilidade daquela comissão, evidenciarem o aumento do número de mortos, apesar dos radares, e uma redução das vítimas mortais antes de aqueles equipamentos de caça à multa terem entrado em funcionamento.

Num país em que abundam os comportamentos irresponsáveis ao volante, a segurança rodoviária é uma boa causa. Mas, como sinalizam as estatísticas, nem todas as soluções são eficazes, o que aconselharia a menos fundamentalismo e mais pragmatismo nas decisões. Muito provavelmente, o que se ganhará com aquelas duas medidas em simultâneo será baixar a fluidez do trânsito, aumentar os congestionamentos e, por essa via, os consumos de energia e os danos ambientais. Parece um preço demasiado alto a pagar pelo que parece ser coisa nenhuma.

Lido no Elevador

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

"Para quê um psiquiatra quando se tem um juiz", por João Miguel Tavares, no "Diário de Notícias", sobre um processo em que o elo mais fraco tem sido tratado como elo mais fraco.

"Menos poupança", por Pedro Carvalho, no "Diário Económico", sobre a agonia de um instrumento de absorção da poupança dos portugueses que foi escolhido pelo Governo para ajudar o Estado a poupar onde consegue.

"Pedra, papel, tesoura", por Pedro Santos Guerreiro, no "Jornal de Negócios", sobre o que se prevê venha a ser uma das características fundamentais de 2009: poderá faltar o pão, mas circo haverá à farta.

De saída da zona euro?

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

A teoria que está a ganhar força: até ao final de 2009 pelo menos um país vai sair da zona euro. A tal acontecimento extremo - impossível, segundo o Banco Central Europeu - o mercado atribui uma probabilidade de 30%. Adivinhem quem são os candidatos...

Penso que tal não chegará a acontecer - Bruxelas e o BCE entrariam com tudo para impedir o enorme revés económico e político que uma saída do euro causaria - mas vale a pena pensar nas consequências extremas que o endividamento externo pode assumir (Alô São Bento? Escuto?).

Sobre o aviso que aí vem

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

A moeda única tem moderado os efeitos da crise em todos os países da zona euro, mas isso não significa que os investidores estrangeiros andem a dormir e não saibam distinguir os mais fracos da manada, como mostra este parágrafo tirado da edição online do 'Financial Times': "The gap in bond yields between the benchmark German bunds and the sovereign debt of Spain, Greece, Ireland, Italy and Portugal has risen fourfold since July to levels not seen since the launch of the euro in January 1999."

A situação, já noticiada pela imprensa económica em Portugal, é simples: países menos competitivos, com alto endividamento externo e finanças públicas com tendência para descarrilar ficam ainda mais expostos com a actual crise. A consequência é clara: para financiarem os orgiásticos pacotes públicos contra a crise, promovidos pelos respectivos governos, estes países terão de pagar mais a quem lhes comprar a consequente dívida. O diferencial cada vez maior entre as obrigações do Tesouro português (e do resto do Clube Med mais a Irlanda) e a referência do mercado, a Alemanha, espelha esta realidade.

Espanha recebeu ontem um aviso claro da Standard&Poor's. E não faltará muito até Portugal receber o seu - mais um "reality check" para a teoria do "temos-e-vamos-sair-desta-crise-mais-fortes", ventilada pelo Governo. Alguém em São Bento estará a prestar atenção?

E um grande blogobrigado para...

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

... os bloguistas que deram conta da reactivação deste material circulante: André Abrantes Amaral, n' O Insurgente; Francisco José Viegas n' A Origem das Espécies; Pedro Correia no Corta-Fitas; Paulo Gorjão, no Vox Pop; Rui Calafate, Do Fundo da Comunicação; Adolfo Mesquita Nunes, em A Arte da Fuga; e o Blasfémias. Bom Ano e boas postas!

Energia construtiva: a política do futuro

12 janeiro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Pode haver mais algum, mas em Portugal ainda só conheci um político dos partidos de poder que já percebeu isto: a política em rede é o futuro. Aqui, neste vídeo, Michelle Obama, mostra como se faz. Barack já tinha mostrado como se devia fazer, na sua campanha: criou uma rede enorme de apoiantes, mobilizou-os, envolveu-os, e agora mantém um contacto regular com eles através da net e do que resta das suas organizações locais. Assim, quem sabe se precisará assim tanto do Partido Democrata quando a hora da reeleição chegar?

A campanha de Obama não tratou apenas de convencer as pessoas. Tratou de as envolver. A experiência dele como organizador comunitário foi essencial. A equipa trabalhou o resto. Obama é um networker. E percebe que a energia gerada pela sua campanha é para não se perder na base, seja dos apiantes individuais seja nas pequenas comunidades ou nos bairros das cidades. A ideia é gerar voluntariado para que cada cidadão faça alguma coisa pelos outros. Aqui a família Obama dá apenas o exemplo. Demagogia e marketing? Não só. Energia. E trabalho em rede.

Se visse em Portugal um político a organizar-se assim, votava nele. Mas os políticos portugueses gostam de pairar. O seu networking é com as secções do partido e amigos de ocasião que lhe dão votos, num sistema de cobranças e pagamento de favores para cima e para baixo.

Mas no futuro a política vai ter de passar por isto: organizações em rede, pouco ou nada hierarquizadas, como catalizadores daquela energia que serve para que cada um de nós faça alguma coisa pelo país, para que depois o país faça alguma coisa por nós. Quem gerar este tipo de energia positiva, ganha e ajuda-nos a ganhar.

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Meninos de ouro

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Isto, sim, é porreiro, pá.

Fora dos carris

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Afinal, o link certo do post "Dubya" é este. Pedimos desculpa ao visado (por Bob Woodward aparecer num vídeo em vez de George W. Bush) e aos leitores pelo erro.

O que é isto?

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Isto é algo inaceitável enquanto sinal de instrumentalização de um instituto público, pago pelos contribuintes, para a prática de propaganda partidária e ao qual, num Estado de Direito, se exige um comportamento inatacável, enquadrado pelo respeito, dignidade e sentido de Estado perante os cidadãos que serve.

Francisco Madelino, presidente do conselho directivo do Instituto do Emprego e Formação Profissional, diz que o acto praticado por uma entidade abstracta mas bem artilhada de autonomia e de poder de iniciativa a que chama os "serviços", não tem qualquer objectivo de "evangelização política". Se é assim, qual será, então, a intenção? Pedagógica? Mas somos todos tolos?

Proselitismo ateu

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Fui educado como católico, fui mesmo católico, mas afastei-me da igreja (em primeiro lugar por causa da própria igreja) e passei a achar que era agnóstico. Quando voltei a pensar a sério sobre o assunto percebi que afinal era ateu. Por um argumento básico e muito simples: se é matematicamente improvável que o Universo tenha surgido do nada, é muito mais improvável que um Deus tenha desencadeado ou criado a Existência. Ou seja, a probabilidade de Deus existir é inferior à probabilidade do mundo existir sem ele.

Não inventei este racioncínio, mas fui influenciado pelo cientista inglês Richard Dawkins, no livro God Delusion (traduzido mal para português como "A Desilusão de Deus"). Dawkins tanto pode ser razoável (e na maioria dos casos é) como ser um ateu fanático que também usa argumentos exagerados para constatar que na religião tudo é mau, e coisa própria de atrasados mentais. Tudo isto tem a ver com a campanha que passa nos autocarros ingleses: "There's probably no God, Now stop worrying an enjoy your life".

Não faz muito sentido fazer uma campanha para não se acreditar, ou melhor, para se acreditar em que o melhor é não acreditar. Esse tipo de escolha racional já foi feito pelos que não acreditam. E suponho que seja contraproducente. A questão do gozar a vida é que me faz pensar: é como dizer, pecai alegre alegremente, que não há castigo eterno, nem vos deixais consumir pelo inferno terreno da culpa... Ou seja, liberta-te das amarras da religião, porque afinal vale tudo.

Acho este relativismo perigoso. Deixar de acreditar em Deus não mudou a essência dos meus valores. A moral, a ética, as diferenças entre o bem e o mal, existem para além de Deus. Não é por Deus não existir que é tudo possível. Podemos gozar mais a vida por Deus não existir - porque um católico perde a noção de coisas ridículas serem pecado -, mas se esticarmos o conceito, podemos abrir caixas de Pandora perigosas. É uma das razões por que acho sem sentido uma campanha de proselitismo ateu. Com uma nota: que eu saiba, temos muita sorte em não termos escolas a ensinar o criacionismo, como os anglo-saxónicos têm; nesse caso, também militava contra.

apresentação

Tudo o que sobe também desce

Conheça a história do ascensor aqui.
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