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elevador da bica

A descoberta do dia

07 Novembro 2009 :: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

Pristina, Kosovo, por Ricardo Pereira Cabral. E parece que há livro novo, Israel Sketchbook, de aparência assaz aprazível.

Do Avante, com amor

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

Depois desta pérola em que se argumentou que a recordação do massacre de Tiananmen só serviu para prejudicar a CDU, eis que a DGCT-CGI do inestimável Avante nos encanta com novo pedaço de prosa ensaística, desta vez a propósito da efeméride mural alemã. Para tomar com muita água com gás e uma rodela de limão.

O velho do Restelo

06 Novembro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Finalmente, podemos ler VPV no Público online, que hoje escreve sobre "Os Velhos do Restelo" num País sem saída, que parece um labirinto sufocante mas não é, porque até os labirintos têm uma solução e este não tem. Mais uma vez, ler VPV dá-nos vontade de fugir daqui. É verdade que Portugal é o que é. Mas o género humano também é o que é. Talvez por isso mais valha a pena estar quieto e continuar a resmungar.

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Primeiros e últimos

05 Novembro 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Não sei se Manuela Ferreira Leite foi a primeira a alertar para a crise. Qualquer leitor de publicações como a "The Economist" sabia, muito antes de o sector financeiro começar a estourar, que algo de muito mau vinha aí. Agora, aquilo de que me recordo é que José Sócrates, Fernando Teixeira dos Santos, o Governo e o PS foram os últimos a despertar para os problemas.

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Ah, é?

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Fernando Teixeira dos Santos anunciou hoje no Parlamento que a Caixa Geral de Depósitos não vai cobrar taxas pela realização de operações na rede Multibanco. Convém ter presente este episódio da próxima vez que o ministro das Finanças defender a tese, destinada a convencer ingénuos, de que o Governo não interfere na gestão do banco público.

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Hoje de manhã, no Parlamento

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Elevador sobe - A primeira intervenção de Pacheco Pereira foi um dos factos positivos no primeiro debate do primeiro-ministro no novo Parlamento. Um só deputado inteligente, aguerrido e experiente numa bancada tão cabisbaixa pode fazer a diferença. A maneira como colocou a questão da corrupção foi eficaz e ardilosa e José Sócrates não respondeu. Francisco Louçã esteve bem na questão da corrupção e do enriquecimento ilícito ao dar o exemplo concreto do caso Domingos Névoa. Paulo Portas marcou pela positiva no modo como colocou em cima da mesa a avaliação dos professores: com propostas concretas e algumas de bom senso.

Elevador desce - José Sócrates a recomendar humildade a todas as bancadas parlamentares. Adivinha-se uma estratégia de vitimização se os partidos não forem humílimos em relação ao Gladiador campeão mitigado das eleições. O PM fala num tom mais baixo e menos agreste que antes, mas continua a deixar perguntas essenciais por responder. Na primeira ronda de perguntas (pois só agora está a fazer a sua intervenção de fundo) Manuela Ferreira Leite teve um desempenho muitos furos abaixo do que se exige ao líder do maior partido da oposição: não cumprimentou o PM (é pura cortesia mas fica bem); enganou-se quando acusou Sócrates de ter prometido baixar os impostos em 2005 (ele apenas prometeu não os aumentar, Durão Barroso é que tinha prometido baixá-los); e só fez a sua pergunta quando acabaram os cinco minutos da intervenção. Perguntou e bem o que fará Sócrates para combater o endividamento. Sócrates não respondeu. No fim da manhã, José Ribeiro e Castro, quis defender a honra e não se percebeu porquê: Jaime Gama fechou os trabalhos e deixou o ex-líder do CDS pendurado e com a honra pelo menos a sangrar de vergonha. Ou raiva.

O momento - quando José Sócrates se dirige ao PSD dizendo que os sociais-democratas esperavam acordos do PS com a esquerda, e se volta para a esquerda afirmando que esta esperava que o PS se entendesse com o PSD. Nisto, vira-se para o CDS e olha para Paulo Portas. Mas omite qualquer menção aos populares... tudo dito!

ADENDA - O desempenho de Manuela Ferreira Leite subiu uns furos depois de almoço, devia estar em jejum de manhã. A bancada do PSD aplaude de pé. Só que em vez de estar a debater com Sócrates está a trocar argumentos com Francisco Assis, o alvo errado...

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Demorou mas foi (até ver)

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

"Empresas públicas vão ser auditadas devido à 'Face Oculta'". Demorou mas está prometido. Esperemos pelos resultados. Acabar com o pantanal onde se cruzam a política e as negociatas tem que começar por algum lado e ir até ao fim.

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Crucifixion? Yes, please

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes


"Qualquer dia vão querer acabar com o sinal '+' na Matemática", ironiza o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa a propósito das ordens para retirar os crucifixos das salas das escolas públicas. A tirada faz lembrar uma história dos tempos da Berlim da guerra fria – consternados com o reflexo em forma de '+' que o sol fazia no topo espelhado da torre em Alexander Platz, os políticos da ex-RDA desesperavam em busca de uma solução para o problema bicudo de ter um símbolo religioso na construção mais alta da cidade. Até que veio a ideia, também ela brilhante: o "+" era um sinal positivo para o comunismo germânico e para a URSS.

Concordo com a retirada dos símbolos religiosos das escolas públicas, não porque a escola tenha de ser um buraco negro espiritual (como muitos defendem), mas porque pelo menos em termos formais – de representação – deve haver uma delimitação clara entre Estado e religião. O argumento do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos aponta outra razão válida: a liberdade de escolha religiosa das famílias e dos próprios alunos.

O que já não percebo é a sanha anti-religiosa nas escolas, com laivos de Iª República. É curioso que se pense que ao banir a representação religiosa – ou ao impedir pessoas das igrejas de visitar as escolas – se está a defender esse espaço imaginário de vácuo espiritual, no qual crescem saudavelmente os alunos. O cristianismo faz parte integrante da matriz cultural europeia – por outras palavras, o seu impacto indirecto é transversal a toda a sociedade. Mesmo aquela parte que, por ignorância ou pura inocência, nega à partida algo que desconhece.
Imagem: Life of Brian, 1979, Terry Jones (Monty Python)

Silêncio ruidoso

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Funcionários do Fisco e agentes da GNR são suspeitos de terem recebido presentes e compensações no âmbito das investigações do processo "Face Oculta".

O Ministério das Finanças reage e anuncia que vai tomar medidas para ajudar a apurar o que se terá passado e expurguar a máquina fiscal dos tumores malignos? O Ministério da Administração Interna fica preocupado e decide tomar as providências necessárias ao esclarecimento do que passa no interior daquela força de segurança?

Nada disso. Nas "casas" de Fernando Teixeira dos Santos e de Rui Pereira, está tudo tranquilo. Suspeitas de corrupção não parecem ser motivo para tomar medidas ou prestar contas.

Bem, talvez o silêncio seja preferível ao embaraço quase patético com que o novo ministro da Economia e Inovação, José Vieira da Silva, tentou explicar à SIC que o Governo estava atento e a acompanhar de perto os desenvolvimentos no "Face Oculta", enquanto José Penedos, arguido e presidente da REN, se mantém, impávido e sereno, no seu cargo.

Não deveria ser Vieira da Silva, enquanto representante do Estado, que é o maior accionista da empresa, o primeiro a exigir a Penedos a suspensão das suas funções até o seu alegado envolvimento na rede de tráfico de influências estar clarificado?

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Ops! (I did it again)

04 Novembro 2009 :: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

Mensagem depois de tentar aceder à página do Ministério das Obras Públicas:
Ops! Este link parece estar corrompido - www.moptc.pt

Parece que estavam a actualizar o nome do ministro. Ufa...

Na sala onde Obama votou há um ano

:: Guarda-freio: Vìtor Matos


A América é um lugar estranho. Cheguei a este sítio menos de duas horas depois de Barack Obama ter aqui votado. Entrei na sala de voto, tirei fotografias, conversei com toda a gente, andei à vontade. Aqui pode-se falar de política junto às urnas. Os cidadãos não são tomados por parvos.
A máquina que está ao lado da larga Charletta Tibbs tinha engolido o boletim de voto de Barack Obama e de Michelle Obama hora e meia antes de eu fazer foto (em baixo). "Um dia de sol tão bonito como este é óptimo para um novo começo", disse-me quando lhe perguntei sobre Obama, as eleições e o clima que o país vivia naquele momento.


Barack e Michelle votaram nestas duas cabines.
Naquele momento já não havia movimento. Os jornalistas que ali estavam entrevistavam-se uns aos outros. O do Times de Londres tirava notas de uma conversa com uma equipa de três jovens jornalistas chineses, com idade de estagiários - um redactor, uma fotógrafa e uma câmera. Não devia haver nos Estados Unidos mais ninguém com tantos leitores: eles cobriram todo o processo eleitoral para a agência noticiosa oficial chinesa, cujas notícias são reproduzidas em todos os jornais da China e da diáspora. Tinham milhares de milhões de leitores.


À entrada da escola deparei com um facto insólito, impensável para um português. Um membro do partido Democrata, negro, distribuía papéis com as indicações de voto do partido aos cidadãos que se dirigiam para a sala de voto.
Naquele bairro de Chicago, o boletim tinha 24 itens, se bem me lembro. Votava-se para o Presidente dos Estados Unidos, para o senado e congresso estaduais, para juízes de círculo, para o ministério público and so on and so on...



Não se vota de cruz. Pinta-se uma bolinha de negro e depois os boletins são enfiados numa máquina que faz imediatamente a leitura dos votos. Logo a seguir ao fecho das urnas, a contagem é feita automaticamente.



No fim desse dia, a América havia de eleger o seu primeiro presidente negro, com excessivo optimismo, como aliás se tem visto. A festa foi rija nessa noite no Grant Park de Chicago. Esse portefólio publiquei-o neste post.






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Digno?

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

A decisão de Armando Vara de suspender as suas funções como vice-presidente do BCP é elogiada pelo presidente da Caixa Geral de Depósitos e por Joe Berardo, accionista do banco. Esquecem-se que Vara apenas tomou a decisão que tomou depois de ter sido pressionado, quer pelo Banco de Portugal, como pelo próprio presidente do Millennium, Carlos Santos Ferreira.

Por este motivo, falar em "gesto digno" parece-me claramente exagerado. Vara, que chegou onde chegou não por quaisquer méritos especiais enquanto gestor no sector financeiro mas por evidentes motivos políticos, fez aquilo que tinha que fazer. Não havia outra saída e, ainda assim, demorou vários dias a percebê-lo.

Só falta José Penedos optar por rumo semelhante e suspender as funções que ocupa na presidência da REN. Se não o fizer, alguém terá que o tirar de lá. Como a maioria do capital da empresa pertence ao Estado, aguarda-se que o Governo faça aquilo que lhe compete e aponte a porta da rua a mais este arguido do caso "Face Oculta".

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Tantas razões para emigrar ou apanhar um foguetão para Marte

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

- O défice das contas do estado português anda pelos 8% e é provável que venha a chegar aos dois dígitos;

- Precisamos de trabalhar um ano inteiro para pagar todas as nossas dívidas;

- Não se vislumbra quando voltará a crescer a nossa economia de forma sustentada, muito menos a níveis minimamente decentes, ou seja acima dos 2,5% ou 3%;

- Todas as instituições supostamente respeitáveis do País estão feridas ou feridas de morte;

- O caso Face Oculta não é mais do que uma parte da face visível de como funciona esta choldra;

- O BCP mastigou Armando Vara enquanto deu jeito ter um amigo do primeiro-ministro na administração e cuspiu-o agora que o seu nome mancha a instituição;

- Os banqueiros fundadores do BCP, dos mais respeitáveis senhores da nossa praça, estão a ser investigados por moscambilhas;

- O "banqueiro de sucesso" BPP, João Rendeiro, foi apanhado em mais moscambilhas;

- O buraco do BPN já vai em 3,5 mil milhões de euros, moscambilhas enormíssimas, onde cabem já mais de meia dúzia de submarinos novinhos em folha e a malta é que vai ter de pagar: não está ninguém na cadeia;

- O primeiro-ministro, José Sócrates, tem estado sob suspeita de uma grande moscambilha cuja verdade nunca mais se sabe; também foi acusado na praça pública de outras moscambilhices menores, mas que nada abonam em favor do seu carácter ou idoneidade;

- O Presidente da República continua fora de moscambilhadas, mas deu uma facada na sua própria credibilidade ao deixar arrastar suspeitas de moscambilhatas delirantes na praça pública antes das eleições; depois fez a mais disparatada comunicação ao País, o qual, se tiver juízo não confiará nos juízos de Cavaco;

- O Parlamento é uma manta de retalhos de gente pouco dada a entender-se com seriedade sobre o País e sentam-se lá alguns bons especialistas em moscambilhadas;

- As suspeitas sobre moscambilhadas no financiamento do partido conservador por causa do negócio dos submarinos continuam a pairar sobre o CDS e nunca mais se resolvem;

- O PSD é o único partido alternativo ao PS, mas continua envolvido em guerras de gangs e ódios pessoais entre gente que se desconsidera completamente e as bases do partido que elegem os líderes são uma ficção moscambilhada por meia dúzia de caciques;

- O PCP continua a defender a revolução proletária e a prometer o paraíso socialista na terra - era só esta moscambilhada que nos faltava - e o Bloco também. E ambos os partidos têm quase 20% de votos ;

- A Justiça trabalha mas não funciona: nem vale a pena enumerar os casos porque já estou cansado;

... e por agora é só isto, e é porque hoje acordei bem disposto e cheio de boas razões para louvar o sucesso da nossa democracia...

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O ministro das Finanças sofre de subprime?

03 Novembro 2009 :: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

Menos de um mês depois da última de várias garantias de que o objectivo de 5,9% para o défice orçamental em 2009 seria cumprido, Teixeira dos Santos abre a porta para um valor acima (será bem acima, tipo 8%, algo que muitos já tinham percebido). Já não é a primeira vez que o politicamente hábil ministro das Finanças gere assim as expectativas da malta – recorde-se o reconhecimento tardio do impacto da crise económica, que levou a uma reacção também ela tardia por parte do governo.
Podemos sempre dizer que o ministro faz o que lhe compete, gerindo politicamente a confiança e o espírito gastador dos animais. Podemos ainda apontar o choque da "maior crise dos últimos 80 anos". Podemos até lembrar que só acredita nas garantias de Teixeira dos Santos quem quiser (ou ainda estiver a ouvir). O problema está sempre na inconveniente e maldita responsabilização dos políticos face ao seu discurso e às expectativas que pretendem manipular. E, por este andar, as garantias e palavras deste ministro arriscam valer menos do que a alta cotação de que disfruta no mercado político – estaremos aqui perante um ministro das Finanças subprime?
Adenda: Claro que nada disto acontece sem influência da mão que embala o berço.

Escada-piano

01 Novembro 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

O meu Halloween a preto e branco em Saint Joe

31 Outubro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos




Trick or treat!



St. Joseph, ou St. Joe, como eles lhe chamam, é uma cidadezinha junto ao lago Michigan com 90% de brancos. É ligada por uma pequena ponte a Benton Harbor, que tem 90% de negros. As duas comunidades vivem, não unidas, mas separadas pela ponte. Uma do lado rico. Outra do lado pobre. Uma margem marginal. Outra margem integrada. Ali vi a América dos excluídos e a tensão racial.







Trick or treat!


Faz agora um ano, estava em St. Joe a fazer uma reportagem sobre brancos e negros no contexto das eleições americanas para a Sábado. Hordas de crianças e adultos mascaradas para o Halloween atropelam-me e decido fotografar. Todos brancos, quase todos brancos. Até que encontrei um casal misto - um dos casos que eu procurava, para perceber até que ponto havia racismo por aqui...


Trick or treat!
O casal misto (ela branca ele negro, com um filho) combinou uma hora comigo e nunca apareceu. Apesar de tudo, fiz outras estrevistas interessantes e achei que tinha o artigo fechado... Até comprei um livro de um jornalista do Wall Street Journal acerca de um crime cometido sobre um adolescente negro, por razões puramente raciais. Ou seja, sem quaisquer razões. Bem escrito. Uma grande história, excelente reportagem. (Alex Kotlowitz, The Other Side of the River)



Trick or treat!
Passei lá vários dias, a escrever. O lugar era calmo. Havia de regressar a Chicago depois. No penúltimo dia, atesto o monovolume de sete lugares onde fiz milhares de quilómetros sozinho e compro o New York Times. Há momentos nas reportagens em que a sorte vem contra nós inesperadamente... às vezes basta um pequeno gesto, uma pequena pergunta para termos a nossa história, a história que verdadeiramente interessa. O artigo estava nada fechado...



Trick or treat!
A rapariga do quiosque era loira, de olhos azulíssimos, cara de irlandesa. Perguntei-lhe como era ali a questão do convívio racial. Ela não quis falar. Porquê? Tinha um namorado negro de Benton Harbor, problemas por causa disso, além de uma opinião comprometida. Era a minha história! Acabou por aceitar falar. Telefonou ao namorado, combinámos um encontro para o dia seguinte de manhã para uma foto com ambos. Não podia ser perto da casa dele: segundo ela, o lugar era perigoso demais...


Trick or treat!
Na manhã seguinte fazia um frio demasiado gelado para um português que chegara havia dias do deserto do Arizona. Nevara ligeiramente durante a noite. A rapariga estava lá e o namorado apareceu. Ela tinha realmente problemas graves com família, com os amigos, com toda a gente por causa daquele amor pelo qual tudo abandonou. Caminhámos uns 200 metros até ao lugar ideal para as fotos. Ela falou pelos cotovelos. Ele não disse nada. Grunhiu qualquer coisa incompreensível a duas ou três perguntas minhas: alto, magro, passada gingona de malta do bairro. Tirámos umas fotos. Uma delas ficou óptima e foi publicada na Sábado. Inesperadamente, a meio das fotografias, ele voltou costas, mudo. Foi-se embora calado. Ela pediu desculpas por ele. O que será feito deles hoje?
Happy Halloween!

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PSD 2.0 adiado

30 Outubro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Afinal, Paulo Rangel foi à entrevista de Judite de Sousa dizer que não - enquanto houvesse pessoas como Marcelo Rebelo de Sousa, ele não seria candidato à liderança do PSD. Já que o apelo do professor à unidade não funcionou, Rangel tenta lançar a vaga de fundo pelo ex-líder. Mas não se devem tomar todas estas coisas pelo seu valor facial - Rangel poderá voltar a ter de ponderar uma ponderação ou as alternativas serão demasiado fracas. É verdade que Marcelo vai criando assim uma aura de desejado, enquanto Pedro Passos vai cacicando apoios e ganhando espaço (está no terreno há mais de um ano). Quanto mais os adversários de Passos adiarem a decisão de pôr um candidato na mesa, mais difícil será entrar no ringue, porque não se entra no ringue depois de soar o gongo.

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Dois trios de ases

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Grande concerto do trio de Brad Melhdau no CCB. Seis encores. O que mostra que não basta serem grandes intérpretes e excelentes executantes, também é preciso uma grande dose de humildade e respeito pelo público.

Há três semanas, num registo ligeiramente diferente, The Bad Plus no Museu do Oriente também deram um concerto envolvente e cativante, de certa forma inesperado porque fugiram às suas versões jazzísticas de pop, demonstrando uma criatividade inesgotável para além das expectativas do público.

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"Face Oculta" é para meninos

29 Outubro 2009 :: Guarda-freio: Pedro Esteves

Estados Unidos da América, onde a pequena grande corrupção é muito mais divertida.

Um governo funambulista

:: Guarda-freio: Vìtor Matos


Os cinco meses que vão de Abril a Setembro de 2010 serão decisivos para este Governo. Só nesses meses é que o Presidente pode dissolver o Parlamento. Depois disso, só depois de Março de 2011. Acredito que depois de ter pedido a mão de todas as moças do reino - casadoiras ou não - e depois de todas elas terem recusado casamentos e uniões de facto, José Sócrates pode dramatizar e muito.
Durante aqueles meses, deverá fazê-lo em duas circunstâncias: a) se não conseguir fazer passar diplomas essenciais para o Governo; b) se a oposição, além de bloquear o PS, aprovar leis contra o PS.

Se as sondagens forem favoráveis, este Governo tem muitas probabilidades de durar menos do que os dois anos vaticinados pelo professor Marcelo.

Dois factores, porém, podem desequilibrar estas contas: a) uma nova liderança do PSD com boa imagem pode travar as tentações de Sócrates para dramatizar; b) um CDS que não quer perder todo o poder que conquistou estará disponível para negociar, provando que é o verdadeiro voto útil para se destacar do PSD. Vamos ver.

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PSD 2.0

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Hoje Paulo Rangel vai à Grande Entrevista de Judite de Sousa. Se anunciar uma candidatura à liderança do PSD, teremos como certo um corte geracional no partido. Os futuros rivais Paulo Rangel e Pedro Passos Coelho representam outra maneira de estar em relação a todos os líderes anteriores. São diferentes do PSD habitual por razões diversas, mas qualquer um deles pode imprimir mudanças que o partido precisa com urgência, sob pena de se tornar irrelevante durante muitos mais anos:

- uma reestruturação profunda da organização interna que padece de problemas gravíssimos, até porque as directas são uma falácia e o voto livre dentro do partido representa uma baixa percentagem de militantes;

- do ponto de vista das ideias, criar uma alternativa diferente à direita - arejada e sem complexos de esquerda, mais liberal do que conservadora -, sem alienar o eleitorado tradicional do PSD, mas que seja clara e independente dos interesses estabelecidos;

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Lá fora ELES não andam a dormir

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

Ah, pois é. Desconfio que esta "aparente falta de motivação dos políticos" para resolver os "problemas estruturais" do país, apontada pela agência de rating Moody's, está relacionada com a aposta no cavalo errado: as grandes obras públicas. Depois da Standard&Poor's e da Fitch foi agora a vez da Moody's dizer isto: Portugal não tem músculo económico para a dívida externa e pública que está a acumular, ou seja, não é suficientemente competitivo nas exportações (pelas razões clássicas que conhecemos) para gerar riqueza que sustente este crescimento da dívida.

Haverá quem venha dizer que estas agências são uma vergonha, que estão também no rol de culpados do subprime, etc. etc. Para o caso português, tudo isso é irrelevante – a realidade é que as classificações atribuídas por estas agências influenciam a percepção que os investidores internacionais têm do risco da dívida da República (com o devido aumento na factura dos juros pagos por todos em Portugal). Lá fora eles não andam a dormir.

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Homenagem aos novos guarda-freios

28 Outubro 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

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Elevador contrata guarda-freios

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

O Elevador sobe. Aqui no Elevador, o Elevador é a única coisa que sobe e nunca desce. O resto nunca se sabe.

Agora as novidades a subir: melhor do que quatro guarda-freios só mesmo seis guarda-freios, para frear pouco, porque o melhor é embalar o Elevador pela colina. Ao que interessa: as duas grandes contratações para deslizar nestes carris são:

- Pedro Esteves, editor de Empresas do Jornal de Negócios;
- Adriano Nobre, jornalista de política do i;

Mas melhor do que seis guarda-freios só mesmo sete: daqui a um mês, num Elevador perto de si, anunciaremos mais uma graaaande contratação....

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Os Impostos do Pecado, pelo novo senhor do Fisco

27 Outubro 2009 :: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

Esta tese de mestrado explora uma relação omnipresente, mas remetida para lugar discreto em termos de tratamento público: qual é a ligação entre o pecado na fé católica e a sua punição, via fiscalidade. Mais do que pela sua importância absoluta - o autor reconhece que os impostos do pecado têm pouca importância e que a preocupação do legislador é com a pequena moral -, é pelo que revelam de uma sociedade que importam. Houve momentos em que a lógica foi a de punir comportamentos considerados desviantes, nãoconformes com a ortodoxia religiosa; o encaixe obtido era secundarizado. Hoje, com a secularização da sociedade e a relativazação ético-moral, as justificações religiosas deste tipo de imposto deixaram de ter razão de ser e o Estado abandonou o discurso ético quando tributa estes gastos - e os que se perfilam, ligados à beleza, pureza, higiene e saúde - mas continua(rá) a explorar sentimentos de culpa. [Economia Pura]

Não li, mas Sérgio Vasques, o novo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, parece ser mais do que your average tax collector.

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Parado

:: Guarda-freio: Vìtor Matos


  • Não deixa de ser irónico que o slogan de campanha de José Sócrates fosse "Avançar Portugal", exactamente o contrário do que tem acontecido e do que está para acontecer. O país está parado desde a campanha para as Eleições Europeias à espera das Eleições Legislativas e Autárquicas.
  • Agora que o ciclo eleitoral passou, Portugal continua parado porque os novos ministros acabaram de tomar posse. O país continuará parado porque os novos governantes vão passar pelo menos uns seis meses aprendendo a ser ministros.
  • A seguir, o país continuará parado porque todas as reformas duras, difíceis e necessárias não têm viabilidade num Parlamento fragmentado. Se o Governo não as concluiu quando tinha maioria, se abrandou o ritmo, não vai acelerar agora que a estrada é pior.
  • Vamos ver muita acção e muito pouco movimento neste início de legislatura.
  • Só poderá avançar Portugal se Sócrates decidir avançar com tudo o que for mesmo preciso fazer, independentemente das condições políticas, precipitando uma crise se for preciso.

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O malhanço continua

26 Outubro 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Aqui está a prova definitiva de que o país tem dois problemas: sofre de asfixia, democrática ou de outra natureza qualquer, e de falta de sentido de humor.

Neste episódio, só um pequeno detalhe surpreende. É o facto de ter sido a PSP e não o exército a deter os dois elementos dos "Homens da Luta". Com Augusto Santos Silva no Ministério da Defesa e animado do seu espírito malhador, não admiraria que os humoristas tivessem sido removidos numa Chaimite, sob a ameaça de uma G3.

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Alemães e marroquinos

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Os portugueses produzem como os marroquinos e gastam como os alemães. Foi mais ou menos desta forma que um editorial do "Wall Street Journal" se referiu, há alguns anos, ao pobre estado da economia portuguesa. Como se sabe, a tirada não perdeu actualidade e estas duas notícias, para além dos défice gémeos acumulados nas contas públicas e na balança corrente e de capital, confirmam-no.

Em adjudicações directas, sem concurso, portanto, as administrações públicas já gastaram dois mil milhões de euros este ano. E para subir mais um degrau na loucura financeira da ferrovia de alta velocidade, o ministro das Obras Públicas que acaba de sair do Governo inscreveu nos planos mais dois troços: Aveiro-Salamanca e Évora-Faro-Huelva.

Sobre esta última novidade, o economista António Nogueira Leite afirma que "só pode ser humor negro" de Mário Lino. Seria bom que assim fosse. Mas a verdade é bem capaz de ser mais séria porque o Governo gosta, de facto, de gastar à alemã condenando a economia a ficar cada vez mais marroquina.

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Lido no Elevador

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

"The Humbling", o novo livro de Philip Roth, retoma alguns dos temas favoritos na obra do escritor. A solidão, o envelhecimento e a perda de faculdades físicas e intelectuais que lhe está associada, o isolamento para tentar lidar com os fantasmas interiores, as complexidades na gestão das relações e do que foi sendo deixado para trás num percurso de vida.

Simon Axler está na sua década de 60. Foi um actor de grande sucesso, admirado de forma reverente pelas suas prestações na representação de personagens dos clássicos. Mas, um dia, inesperadamente, perde o seu instinto de actor, o que significa ter de se confrontar com o desvanecimento daquilo que era mais importante para dar um sentido à sua vida. Digerir o fracasso, tentar perceber os seus motivos e recuperar o ânimo para viver tornam-se no objectivo central de Axler.

Esta é mais uma obra merecedora de leitura na bibliografia de Philip Roth. E uma prova adicional de que o escritor norte-americano, tal como muitos outros antes dele, não precisa do Nobel para ter já um lugar assegurado entre as grandes figuras de sempre no ofício da escrita.

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Tomar a posse ao 26º dia de Outubro

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes