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elevador da bica

Lido no Elevador

31 março 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

"As pressões do A.S.S.", por Nuno Gouveia, no "31 da Armada", sobre a indignação hipócrita de Augusto Santos Silva a propósito das declarações de João Palma, presidente do Sindicato de Magistrados do Ministério Público, sobre a existência de pressões sobre os procuradores que investigam o "caso Freeport".

Isto sim é uma gaffe

30 março 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Imaginemos a cena: Hillary Clinton a colocar flores no altar da senhora da Guadalupe, no México, e depois a perguntar quem pintou a imagem. "Deus!", respondeu-lhe o padre. Hillary não sabia, não se lembrava, mas o inexplicável milagre da santa tinha sido o aparecimento sua a própria pintura. Mas Hillary voltou a insistir... "Quem pintou?..." Ver aqui

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Música de Elevador

:: Guarda-freio: Luís Miguel Afonso

My Maudlin Career
Camera Obscura
Abril 2009 :: 4AD

Três anos passaram desde que estas meninas e meninos de Glasgow lançaram o imaturamente sumptuoso "Let’s Get Out Of This Country". Como eu dizia há uns anos atrás no meu blog de música que ninguém lia, os Camera Obscura fazem música para adolescentes que os adolescentes não gostam e o resultado é sempre arrebatador. "My Maudlin Career" é o novo disco que estreia a 20 de Abril, mas que já passa em loop no meu leitor de cêdês. Maudlin quer dizer piegas e é um bom indicador do que se pode esperar. A faixa de abertura, repleta de uma percussão atrevida e de crescendos oníricos nas cordas, dá o mote. Quem não abraça a melancolia como modo de vida deve ficar longe deste disco. E já agora, de todos os outros que esta banda produz, claramente inspirados em outros meninos de Glasgow chamados "Belle and Sebastian". Ponto alto do disco é a faixa que partilha o mesmo nome do álbum e onde se percebe porque é que a voz de Tracyanne Campbell é tão central na música dos Camera Obscura; como se a voz ocupasse sempre a posição mais predominante no palco sonoro da banda. Tempo de remisturar memórias...

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O Elevador faz as contas à vida

27 março 2009 :: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

Houve muito sol e turistada na Bica, mas ainda assim o Elevador conseguiu olhar para as contas da pequena república portuguesa em 2008 (e para as promessas e castelos no ar em 2009).

Aqui ficam algumas conclusões:

1. Crise enterrou e autarquias não ajudaram O ministro das Finanças explicou que os responsáveis pela revisão em alta do défice orçamental (de 2,2% para 2,6%) foram a crise e as autarquias. Sim, a crise contou: no final de 2008 o PIB cresceu menos 3,3 mil milhões de euros do que o Governo esperava (perante Bruxelas) em Outubro – como o défice é medido em percentagem do PIB, percebe-se o efeito... Por outro lado, há todo o impacto na quebra de receita fiscal, que explica em boa parte o comportamento bem abaixo do esperado da chamada Administração Central (mais 449 milhões de euros de défice, 0,3 pontos do PIB). Mas e as câmaras? O seu saldo final agravou-se e, no final do ano, houve uma surpresa negativa de 140 milhões de euros face ao esperado em Outubro – as câmaras explicaram 0,1 dos 0,4 pontos a mais no défice.

2. Teixeira dos Santos deu um sinal Um para as câmaras: o desvio não foi assim tão grande para merecer a advertência do ministro (a Associação dos Municípios já veio refilar), mas começa já a pressão das Finanças para, em ano eleitoral, estes meninos não se esticarem. Será ver para crer.

3. E depois deu outro À sua maneira, o politicamente hábil ministro admitiu que podemos todos esquecer a meta de 3,9% para o défice orçamental este ano, ao afirmar que "não está obcecado com o número" e que a prioridade está no combate à crise. Câmaras cuidado!, nem todos vão poder gastar à tripa forra – sim, porque...

4. ... este ano será à grande O investimento público subirá 36% face a 2008, diz a Governo, mas na realidade não é bem assim – é que, feitas as contas, em 2008 houve cerca de 300 milhões de euros de investimento, previsto por altura de Outubro, que não descolou. O efeito base conta, assim, um pouco – se excluírmos isto a subida é de 23%. But still, é uma valente subida, a maior pelo menos desde 2004... Tudo para reavivar a economia, explicaram as Finanças.

5. A factura será também à grande – mais 11 mil milhões de euros Em 2009, a dívida pública subirá 7%, para atingir 72% da riqueza, antecipando em um ano a trajectória de agravamento projectada pelo Governo. Os juros a pagar também dão um bom salto, para 3,3% do PIB (o Elevador não tem a série longa, mas isto deve ser o maior salto em vários anos).

Resumindo: menos crescimento económico (-0,8% segundo o optimismo de São Bento), mais despesa (investimento público, despesas sociais, aumentos no Estado), mais défice orçamental, mais dívida pública. Ou seja, nem pensar em descidas de impostos nos próximos anos. A crise internacional não perdoa – os desequilíbrios internos não ajudam.

Branco é, Lula o topa

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Não estou seguro que Barack Obama deva confiar nas promessas destes sujeitos. Afinal de contas, na esmagadora maioria, se não na totalidade, eles são brancos e têm olhos azuis.

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Lula e Le Pen

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Lula da Silva acha que a raiz dos males de que o Mundo actualmente padece está em pessoas brancas e com olhos azuis. Os alvos podem variar mas o racismo e o preconceito são os mesmos.

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Os grds edkadores

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

«Os alunos das escolas primárias britânicas deverão dominar ferramentas baseadas na Web como blogues, podcasts, Twitter e Wikipedia, segundo planos de alterações ao programa hoje divulgados pelo jornal britânico "The Guardian".

Em contrapartida, os alunos destas classes deixarão de ter como obrigatório o estudo de certos períodos históricos, como a época vitoriana ou a II Guerra Mundial (extensamente coberta no programa do secundário). O fim da rigidez dos programas deverá ser outra novidade, com os alunos a ter mais a dizer sobre a matéria.

O "Guardian" diz que as alterações serão as maiores da última década em relação à educação primária.» [Público]

Não faltará muito para as mentes iluminadas do Ministério da Educação português seguirem este exemplo – sempre de "pugresso" em "pugresso".

De resto, tudo bem.

O Manel Maria não é tonto

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Eu queria ter escrito um post anteontem a dizer isto, mas o ministro da Cultura adiantou-se:

«O Dr. Manuel Maria Carrilho podia ter feito essa intervenção [críticas à política cultural do Governo] antes de ter sido nomeado embaixador: teríamos mais tempo para conversar»
José António Pinto Ribeiro, no Jornal de Negócios de hoje

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Querida, já não vamos às Seychelles

26 março 2009 :: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

"Switzerland’s private banks have started to ban their top executives from travelling abroad, even to neighbouring France and Germany, because of fears they will be detained as part of a global crackdown on bank secrecy."

Casas assaltadas, impropérios na rua, reputação estilhaçada, ameaças de morte e ,agora, o pior: terem de ficar presos na Suíça. Isto não está fácil para a malta da banca.

Sinais dos tempos :: 2

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes


La Latina, Madrid, Março de 2009.
Tirada com iPhone.

Sinais dos tempos :: 1

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes


Nova Iorque, Fevereiro de 2009.
Tirada com iPhone.

Lido no Elevador

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

"A morte de uma mulher", por Pedro Lomba, no "Diário de Notícias", sobre a exposição da vida e da morte de Jade Goody.

"Contas de somar e contos de encantar", por Helena Matos, no "Público", sobre um país condenado ao fracasso por causa da ideia generalizada de que o Governo deve dar tudo.

"Um alto-forno contra a crise", por Alberto Gonçalves, na "Sábado", sobre os deslumbramentos do primeiro-ministro, desde o Magalhães aos painéis solares e, mais recentemente, às bombas de calor.

Negócios em Angola segundo a Sonae

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Isto que Paulo Azevedo diz hoje à Visão é eloquente sobre os negócios em Angola:

- Assusta-o a corrupção?
- Em todos os mercados emergentes vamos ter em consideração as boas práticas: se o sistema judicial funciona, se não somos corridos de um dia para o outro... Andamos a estudar a Roménia, a Turquia, Marrocos e, nos rankings que fizemos, Angola aparece muito mal.

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Momento nostálgico do dia

25 março 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

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Se os privados pagam a propaganda do Governo, isto não é propaganda ao PS?

:: Guarda-freio: Vìtor Matos


O assunto dos 500 mil euros para o marketing e comunicação que o Ministério das Obras Públicas exige às subconcessonárias da Estradas de Portugal, que o Jornal de Negócios começou por noticiar, vai tendo uns picos mediáticos, mas depois morre. Não devia.


Vale a pena ver este site da AE Transmontana, para se perceber como a coisa funciona de modo perverso. É mais ou menos assim:


Os consórcios das concessionárias têm de pagar as despesas da comunicação, fazer uma cerimónia com croquete, vídeo promocional, tenda, site, e campanha de publicidade nos media regionais. A factura é paga pelos privados. Os fornecedores são escolhidos pelo ministério de Mário Lino. Quem trata do assunto? A antiga estrela de televisão, Humberto Bernardo. Mais tarde, a Estradas de Portugal acabará por ter de ressarcir os privados dessas despesas.


Qual é então a perversão da coisa?

Este site, que tem depoimentos das forças vivas da região, é mera propaganda ao Governo. Basta ver o filme do discurso de José Sócrates, o vídeo promocional da obra e o depoimento de lambe-botas ao Governo feito pelo deputado do PSD, Domingos Duarte Lima. A tarefa de Humberto Bernardo no ministério, que lhe paga como consultor, é fazer com que toda esta comunicação seja coerente, ou seja, favorável ao Governo. Grande coincidência: a Bebop, empresa que fez os filmes para estes eventos, é a mesma que fez os dois filmes para o congresso do PS (informação que noticiei na Sábado)...


Dado o conteúdo da informação e o formato dos eventos, trata-se de propaganda paga por privados - mesmo que os contribuintes corram o risco de vir a pagar a factura. E a propaganda política por privados é proibida na lei aos partidos. Acontece que isto não se enquadra na lei porque se trata de promoção do Governo. Mas na realidade acaba por ser propaganda política ao PS, porque Sócrates é o PS e o PS é o Governo, que usufrui de campanhas de comunicação que ele próprio domina, mas que são pagas por empresas. Ainda ninguém pensou nisto?


Adenda: as gralhas da última parte do post foram corrigidas

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Maldição?

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Este anúncio está amaldiçoado. Na versão do Bloco de Esquerda, a referência nacionalista e xenófoba à Eslováquia é a cereja no topo do bolo.

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Entretanto, em Java

24 março 2009 :: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes


“Muslims attend prayers on the eve of the first day of the Islamic fasting month of Ramadan at a mosque in Surabaya, East Java August 31, 2008. Muslims around the world congregate for special evening prayers called “Tarawih” during the Muslim fasting month of Ramadan.” (Reuters)

Fotografia de Sigit Pamungkas, fotojornalista da Reuters, vencedora do 1º prémio de fotojornalismo da Society of American Business Editors and Writers, anunciado hoje.

Obama e a desilusão da política espectáculo

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

Obama voltou a fazer história, ao tornar-se no primeiro presidente norte-americano a ir a um 'talk-show' – o eleito foi o 'Tonight Show' da NBC, apresentado por Jay Leno. Ouvi alguns jornalistas e analistas explicarem que esta foi uma oportunidade para o presidente vender o seu plano de combate à crise aos americanos e ventilar um pouco mais daquela fúria fácil contra os bónus milionários pagos pela AIG. Vi uma reportagem com gente acampada à porta dos estúdios da NBC, à espera de vislumbrar a estrela presidencial Obama. E tentei ver o video da 'entrevista' no You Tube, mas confesso que foi difícil filtrar as opções - é que na estrada para a Casa Branca Obama apareceu nos programas da Ellen, do Letterman, da Oprah e do Jay Leno.

Pelo que li no Times, Barack Obama falou com Jay Leno sobre a crise, fez piadas sobre "those folks in Washington" e alternou entre um tom sério (enquanto falava sobre os problemas da economia) e um ar mais casual (sobre, por exemplo, o novo cão da Casa Branca). A tirada mestra, dizem os analistas, foi a comparação entre os políticos em Washington e o American Idol, um reality show.

Em qualquer cultura os conceitos de verdade e de inteligência são validados pelas formas de comunicação dominantes. E, hoje, a forma de comunicar passa cada vez mais pela imagem (o meio) e o entretenimento (que o meio favorece). A política, a economia e a religião são alguns exemplos de temas transformados em fast food para a televisão. O meio não favorece a reflexão e cria novas e paupérrimas formas de discurso público e de verdade.

Tudo isto pede uma leitura do clássico "Amusing Ourselves do Death", de Neil Postman. Estamos a um passo de nos divertirmos até à morte cerebral, avisava Postman em 1985. Quem tinha razão era mesmo Aldous Huxley, e não George Orwell – a melhor maneira de estupidificar e manipular um povo não é a repressão totalitária e o bloqueio à informação; é, sim, afogar as pessoas em informação e adorná-la até à irrelevância como uma forma de entertenimento.

Já se percebeu que a mudança prometida por Obama não chegará aqui - o mais competente político-do-espectáculo, conhece a realidade e joga com ela. Afinal, a política e a economia estão mais na arte da representação do que em qualquer tipo de ciência.

Vieira da Silva em regime de flexigurança

23 março 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

O número de desempregados inscritos no IEFP disparou 17% em relação a Fevereiro de 2008 e quem comenta esta hecatombe "esperada" é Fernando Medina, secretário de Estado do Emprego. Viera da Silva, o ministro - considerado o melhor deste Governo -, está mais ocupado a coordenar as eleições do PS.

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Sem Canal 5, venda-se a RTP

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

A ERC chumbou as duas propostas para o quinto canal. Antes assim do que aparecerem projectos coxos, como foi a TVI inaugural. Sendo assim, deviam privatizar o primeiro canal da RTP porque é um projecto que de serviço público nada tem, e deixavam a RTP2 no Estado, sem publicidade, para um público alternativo e residual.

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O homem mãe

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Esta é a notícia do século, aliás, do milénio. Duvido que depois disto, Manuela Ferreira Leite continue a opôr-se aos casamentos homossexuais, já que a reprodução fica assegurada. Mas atenção que este é um nicho de mercado que obriga a certas mutações. O transexual da notícia era uma mulher que quis ser homem, mudou de sexo, e agora namora com a Esperanza. É, portanto, o homem da relação que está grávido, que nunca abdicou de ser mulher. Confuso? Foi através de um banco de esperma, não foi a Esperanza que o "embaraçou". A verdade é que para a criança ser legítima do casal, seria preciso ser-se duplamente homossexual numa situação como a seguinte: uma mulher sente-se homem e logo gosta de mulheres, mas na verdade é mesmo gay (ou afinal não) porque muda de sexo para masculino e logo passa a gostar de homens? Isto é confusão a mais para a minha simples cabecinha provinciana...

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O bife mal passado

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Este post de Alex Ellis, embaixador do Reino Unido em Portugal, é absolutamente divertido. Descreve com olhos de inglês uma conversa telefónica à portuguesa pela qual todos já passámos. Isto de nos rirmos de nós ao espelho dos outros faz bem.
Além disso, o blogue dele, Um Bife Mal Passado é de leitura obrigatória.

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De que ri Barack Obama?

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Steve Kroft entrevistou Barack Obama para o 60 Minutes, da CBS. Enquanto dizia que, com o falhanço do Citygroup e da AIG, o mundo continuava sob o risco de implosão, Obama não parava de rir, sorrir. Isso levou o jornalista a questioná-lo, desconstruindo o personagem político demasiado cool e leve, sem o ar pesado que exige a crise - com certeza aconselhado pelos spin doctors a parecer bem disposto. Também é assim que uma boa entrevista deve ser: (ver aqui)

“You're sitting here. And you're— you are laughing. You are laughing about some of these problems. Are people going to look at this and say, ‘I mean, he's sitting there just making jokes about money—’ How do you deal with— I mean: explain. . .” Kroft asked at one point.

“Are you punch-drunk?” Kroft said.

“No, no. There's gotta be a little gallows humor to get you through the day,” Obama said, with a laugh.

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Um problema de cores

22 março 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

A novela do Provedor de Justiça prova por si que os principais partidos e as respectivas lideranças se preocupam mais com outros aspectos - como o poder, a cor partidária e o processo de escolha - do que o interesse geral e o bem público. Só assim se explica isto e isto.

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Não saimos disto

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Portugal não sai disto. Vem aí uma nova crise orçamental, que vai exigir apertos e colocará um travão na recuperação económica. Isto sucede por duas razões.

A margem de manobra para combater a crise, de que o Governo fala, é muito escassa devido ao facto de a redução do défice conseguida nos últimos anos ter sido alcançada com um forte contributo das receitas e menor do arrefecimento das despesas, que continuam a subir. E porque a crise vai ser mais profunda do que aquilo que está previsto no cenário macroeconómico que sustenta as previsões do Orçamento do Estado rectificativo.

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Malhou, mas malhou mal

20 março 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Ao comentar o fabuloso anúncio da Antena 1, o ministro Augusto Santos Silva diz que não se mete em questões editoriais (aqui). Enganou-se duas vezes:

1- A escolha de um anúncio não é um assunto editorial. Não passa pela redacção. É uma questão comercial, de estratégia comercial, que em princípio deve ser decidida pela administração e direcção editorial; é o Governo que nomeia a administração e é a administração que tem de prestar contas por isto;

2 - O ministro não se mete em questões editoriais quando não lhe interessa. Quando criticou a RTP por passar um teaser à sua entrevista usando a frase do "gosto é de malhar na direita" bem que se meteu na questão editorial, em directo e ao vivo, durante a entrevista à Judite de Sousa. Ainda por cima, o malhanço nesse aspecto editorial da RTP resultou...

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Só uma dúvida

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

São apenas os bancos que devem deixar de trabalhar com paraísos fiscais ou os investidores imobiliários também devem abster-se de adquirir casas a sociedades "off-shore"? Já agora, qual deve ser o procedimento de outros investidores em relação à matéria?

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Claro que não

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Para escapar à polémica do anúncio à Antena 1, Augusto Santos Silva disse não se pronunciar sobre questões editoriais da estação de rádio. Fica esclarecido que, de acordo com o ponto de vista do ministro que tutela a comunicação social, uma promoção publicitária é uma questão editorial. E fica a saber-se, também, que Santos Silva não se pronuncia sobre questões editoriais da Antena 1, mas apenas sobre questões editoriais de outros orgãos de comunicação.

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Sugestão à Antena 1

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Na sequência deste anúncio, sugiro à Antena 1 que faça outro dedicado aos incómodos provocados aos automobilistas lisboetas pelas obras no Terreiro do Paço. E que tentem entrevistar um motorista de táxi, que uma vez conheci, que defendia o arranque do passeio e das árvores da Avenida da Liberdade para colocar asfalto e arranjar, assim, mais espaço para os carros circularem. O problema, bem sei, é que também ficaria mais espaço livre para ser preenchido por eventuais manifestantes. Mas, enfim, não há soluções perfeitas.

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Os srs. deputados continuam a gostar de dar má imagem de si

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Os senhores deputados querem limitar a circulação dos jornalistas na Assembleia da República porque não querem os fotógrafos e câmeras nas galerias a captarem o que está no écrã dos seus computadores. Aqui

Esquecem-se que tudo o que se passa no plenário é público e deve ser público.

Esquecem-se que o que importa é o seu comportamento no plenário, onde é suposto representarem os constituintes e que por vezes pode ser de interesse público saber o que estão a ver nos computadorzinhos.

Se querem mandar sms amorosos é bom que não o façam no plenário (mas não concordo com a publicação dessa fotografia no DN).

Se querem abrir sites e escrever coisas no computador que os fotógrafos não possam captar façam-no no recato do seu gabinete. Habituem-se.

Portugal quer ser moderno, mas não é um Magalhães para cada deputado que moderniza o País. No Parlamento britânico não cabem lá os deputados todos, as perninhas ficam apertadas no banco da frente e não têm mesinha para o portátil. Aliás se levarem computador, o que duvido, têm que o usar como laptop, literalmente. E não é por isso que a Inglaterra é mais atrasada que Portugal. O que acontece naquele Parlamento é debate do duro. No último debate quinzenal consegui contar 25 portáteis. Estariam todos no twitter?

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O Schumacher do blá-blá político também tem os seus problemas de comunicação

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Manuela Ferreira Leite não é ouvida e tem problemas de comunicação por excesso de amadorismo? José Sócrates abespinha-se, já só o ouvimos gritar contra "insultos" e tem problemas de comunicação por ser demasiado profissional a comunicar? Pois estais perdoados: Barack Obama - o Schumacher do discurso político - também parece que tem os seus problemazitos de comunicação...
(Aqui no politico.com)

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Se houvesse uma espécie pide...

19 março 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

O perfil da célebre DREN, Margarida Moreira, na Visão de hoje - uma bela peça do Miguel Carvalho - é eloquente sobre aquilo que eu escrevi ontem aqui: às vezes conseguimos identificar quem seriam os pides ou afins se vivêssemos noutro regime. Eles andam por aí. É só saber escolhê-los e colocá-los nos sítios certos.

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Mário Lino tem razão

18 março 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Mário Lino, o ministro sempre em festa de inauguração, disse que o TGV vai ter um "impacto altíssimo sobre a economia". Estou de acordo. Para sustentar este elefante branco, os encargos que vai gerar e os recursos que vai desviar de outros projectos menos megalómanos mas mais necessários, o TGV será mais uma canga sobre os ombros dos contribuintes. O impacto será altíssimo, sem dúvida. Como uma mochila cheia de pedregulhos às costas de uma economia que tenta subir a montanha.

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"Drat, drat and double drat!"

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

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Lido no Elevador

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

"As pensões vão mesmo baixar e de que maneira!...", por Miguel Frasquilho e Pedro Pereira Gonçalves, no "Público", sobre as consequências da reforma da Segurança Social no valor futuro das pensões de reforma, a propósito do estudo da OCDE sobre o mesmo tema.

"Proteccionismo", por João Ferreira do Amaral, no "Diário Económico", sobre o difícil meio termo entre o proteccionismo e a liberdade de comércio que poderia ajudar a combater uma aterragem brusca da economia global.

"Culpem os economistas, não a economia", por Dani Rodrik, no "Negócios", sobre o excesso de confiança dos economistas nos seus modelos favoritos e que os levou, em geral, a ignorarem os alarmes sobre a crise que estava para vir, impedindo-os, também, de conseguirem encontrar orientações para fazer o mundo escapar à turbulência actual.

"Reputação em risco", por Pedro Braz Teixeira, no "Negócios", sobre a facilidade com que é possível enganar a Comissão Europeia em matéria de finanças públicas, mas como a factura desta trafulhice acaba por ser paga pelas empresas e famílias portuguesas.

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Pela Janela do Elevador

:: Guarda-freio: Luís Miguel Afonso




Inveja
Lisboa, 9 Setembro 2007
1/1000 segundos @ f/2.8

Dedicado a todos os jornalistas que vivem aprisionados no seu mundo de papel e que ignoram que existe um mundo lá fora, onde pessoas se amam e conseguem ser felizes sem abrir um jornal, uma newsmagazine ou assistir com regularidade a um telejornal.

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Deve ser do sol

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

De facto, tendo em conta que o clima ameno em Portugal permite aos cidadãos frequentarem a praia desde o início da Primavera até ao Outono, não se compreende a racionalidade de reduzir a época balnear e, em consequência, o período em que existe vigilância, quando seria mais do que razoável aumentá-la.

Como sempre, quem tem uma palavra a dizer na matéria entretém-se a deitar as culpas para cima de quem estiver mais à mão. E, entretanto, a probabilidade de os acidentes fatais aumentarem é óbvia, embora pareça não preocupar o Governo e as autarquias. Deve ser do sol.

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Normalidade

17 março 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Aqui está um gráfico interessante sobre a queda de Bernard Madoff. A linha do tempo começa com uma referência às inspecções da Securities and Exchange Comission, em 2005 e 2007, em que nada de estranho foi detectado. Não admira. Pelo que se vê agora, nos Estados Unidos ou em Portugal, a actuação normal das autoridades de supervisão foi a de não detectarem situações anormais.

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Deixar ou não deixar cair o AIG

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

"Os EUA estão a retirar activos a pessoas competentes e a dá-los a pessoas incompetentes”, afirma Jim Rogers. O investidor critica os planos de salvação de instituições financeiras e empresas, que utilizam fundos públicos para evitar falências privadas.

Jim Rogers tem toda a razão e, provavelmente, aquilo que as autoridades norte-americanas deviam fazer era deixar cair o grupo segurador AIG. O problema está em saber o que poderia suceder a seguir. Convém não esquecer que a queda estrepitosa do Lehman Brothers foi decisiva para afundar as bolsas e propagar a desconfiança.

Adenda: Para que está a servir o dinheiro injectado por Washington no grupo AIG.

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Cadeiras, jornalismo, natureza humana e o absurdo do poder

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Quem quiser perceber o ambiente em que os jornalistas trabalham, deve ler comentários aos vários posts da jornalista Dina Soares no blogue Escola de Lavores, que lançou o "episódio da cadeira", em Cabo Verde, protagonizado com o ministro Rui Pereira.

O nível do ataque por parte dos apaniguados do poder - sobretudo dos cobardes anónimos - num caso tão ridículo só deve enobrecer o jornalismo e os jornalistas independentes.

Às vezes olho para as pessoas na rua e penso quem poderiam ser os pides e os algozes se vivêssemos noutro regime. A democracia atenua estas tendências humanas. Mas eles andam aí em potência. São os mesmos que, em circunstâncias muito extraordinárias, se poderiam transformar em Eichmann - personagem que levou à tese de Arendt sobre a banalidade do Mal. Gente comum, normal, com família, capaz de cometer as maiores atrocidades para continuar na sua vidinha normal.

Os anónimos que atacam nas caixas de comentários da Escola de Lavores são apenas cobardes com esse potencial para o pior. Discutem em pé de igualdade com gente que dá a cara e tem um nome profissional a defender. É uma das iniquidades da blogosfera.

Agora, meus amigos, transponham o hate-mail das caixas de comentários de blogues para as reacções ao que os jornalistas publicam em jornais com influência, rádios ou televisões. Só peço para imaginarem...

O ar é pouco respirável. Mas esta não é uma consequência exclusiva do poder exercido pelos socialistas de José Sócrates. Os outros centros de poder, partidos, empresas, organizações, etc., não são muito diferentes (e é óbvio que há muitas excepções).

Transformar este pequeno episódio em caso nacional é como valorizar a célebre sesta desmentida de Santana Lopes. Não tem importância. Mas tudo o que o envolve - a insignificância do caso em si, a resposta patética do ministro ao blogue, o ruído dos capachos - retrata a condição humana dos que exercem o poder e dos que estão nas suas cortes.

E aqui fica mais um caso que evidencia o novo poder dos blogues, com as suas ligações à imprensa tradicional e à política. É um maná para Pacheco Pereira analisar.

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Pior é possível

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

O Fundo Monetário Internacional reviu, em baixa, as previsões para a economia mundial. A recessão será global em 2009. Os Estados Unidos comportam-se melhor que a Zona Euro e a contracção de 3,2% na "eurolândia" vai provocar danos mais graves em Portugal.

Na Ásia ficará situado o "oásis" no meio da actual tempestade, com um invejável crescimento médio de 3,6% durante este ano. Um feito notável e surpreendente, tendo em conta as perspectivas anteriores de que aquela região não iria resistir à recessão das economias desenvolvidas.

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Índice do citacionismo

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

«Afonso Henriques também não era um democrata exemplar».

Manuel Alegre, 19 valores no índice de só sou um feroz antifascista quando o Zé Eduardo não vem cá

Adenda: esta posta vem atrasada mas era obrigatória

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Mistérios da vida moderna

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Num quisoque em Beja, daqui a uns meses:

- Bom diá! Tá boum? Quéro o jornáli, fáxavôri!
- Aqui tem o jornal "i".
- Nã, ê queré o jornáli quê costumo levári!
- Qual?
- O jornáli!
- Então, já aí tem o jornal "i".

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"Man at work"

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

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O tamanho importa?

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Outra controvérsia antiga, cujo interesse está a ser renovado pela subida do desemprego em consequência da actual crise.

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O que é melhor?

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Em tempos de reforço do intervencionismo do Estado sobre a economia, convém não esquecer que tudo tem uma factura. No "Wall Street Journal", mais um contributo para a velha discussão sobre os modelos europeu e norte-americano:

"The late economist Mancur Olson explained the phenomenon. Starting with "The Logic of Collective Action" (1965), he showed how democracies are vulnerable to proliferating parochial interests that use government to claim an ever larger share of private wealth. Slow but clear decline follows once narrow interests take the wider polity hostage. Look at France -- or California."

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Suzanne Vega, Bob Dylan e Lou Reed

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

A propósito de "clássicos" como "Like A Rolling Stone", de Bob Dylan, e "Walk On The Wild Side", de Lou Reed, Suzanne Vega escreve sobre a importância ou irrelevância da melodia numa canção. Vale a pena ler.

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Aceitam-se apostas

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Sobre a recuperação da economia norte-americana, quem terá razão? Ben Bernanke, presidente da Reserva Federal? Paul Krugman, Nobel da Economia, que duvida de Ben Bernanke? Ou Ram Charan, consultor que tem uma previsão mais optimista sobre o futuro próximo da maior economia do Mundo?

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Já mete nojo

16 março 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

As acusações de Augusto Santos Silva à TVI e ao "Público" são lamentáveis. O homem que se queixa de estes dois orgãos de informação serem os responsáveis pela "campanha negra" contra Sócrates, não se dá ao trabalho de apresentar provas daquilo que diz. Deixa-se ficar pelas insinuações, em mais um frete às teses do seu chefe, algo que faz com o evidente prazer de quem aprecia o exercício de lamber botas.

Estaríamos apenas perante mais uma triste demonstração do baixo nível deste membro do Governo, caso a sinistra personagem em causa não fosse, simultaneamente, cão de fila de Sócrates e responsável pelos assuntos da comunicação social no Executivo. O homem não hesita perante qualquer trabalho sujo, nem em utilizar métodos totalitários, repetindo mentiras até que se transformem em verdades. Este ministro já mete nojo.

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Audição para um domingo ao serão

15 março 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

A versão original de "Astral Weeks" foi gravada em dois dias. Conta-se que Van Morrison disse aos restantes músicos que tocassem como lhes apetecesse e parece que foi assim que nasceu, em Novembro de 1968, um dos álbuns míticos da carreira do antigo líder dos Them.

O disco tem grandes canções. Um pouco mais de cuidado na produção ter-lhe-ia melhorado a qualidade final, embora se admita que lhe poderia ter retirado a espontaneidade que o torna mais interessante.

Quarenta anos depois, chega uma nova versão, gravada ao vivo. Morrison já é um veterano. Carrega às costas uma carreira que lhe merece o estatuto especial de ser daqueles músicos de quem se podem comprar os discos antes de serem escutados, sem que se corra o risco de desilusão. Este "Astral Weeks Live" não é excepção.

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Até em Cabo Verde

13 março 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Esta história de José Sócrates ir para Cabo Verde inaugurar auto-estradas parece indicar que o primeiro-ministro não desperdiça uma oportunidade para se manter em forma no seu passatempo favorito da propaganda. António Vitorino, que dizia não haver festa nem festança em que não aparecesse a dona Constança, vai ter que refazer a sua tirada.

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Ai ai ai...

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

"The Chinese prime minister, Wen Jiabao, expressed unusually blunt concern on Friday about the safety of China’s $1 trillion investment in American government debt, the world’s largest such holding, and urged the Obama administration to provide assurances that the securities would maintain their value in the face of a global financial crisis." Hoje, no New York Times

Nem a crise salva a CGTP da irrelevância

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

Enquanto escrevo isto mais de 100 mil pessoas estão a desfilar pela baixa de Lisboa, lideradas pela batuta organizativa da CGTP. Coisas que gostaria de saber a propósito da primeira mega-manif do ano: 1) o que pensam as pessoas que vêem desfilar a procissão, b) o que pensam que irão conseguir as pessoas NA procissão, c) QUEM são as pessoas que estão na manif, que pessoas estão ali representadas.

Sobre o QUEM, aposto que os desempregados e as pessoas a recibo verde são a menor fatia - depois de terem nascido para dar voz e direitos a quem não os tinha, os sindicatos servem hoje sobretudo para defender os interesses dos instalados. O melhor exemplo está na função pública – os professores vêm logo a seguir.

Sem uma mudança geracional e de atitude, nem esta crise – que traz à discussão o modelo económico actual – será suficiente para tirar a CGTP do buraco da irrelevância política.

Capitalismo e má fama

12 março 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Os salários dos gestores de topo são uma questão para resolver entre os accionistas e os elementos dos orgãos sociais das empresas. Aceita-se que nas empresas subsidiadas pelo Estado com o objectivo de ajudar a superar as actuais dificuldades sejam impostos limites às remunerações, porque os contribuintes, através do poder político, passam a ter uma palavra a dizer sobre a aplicação do dinheiro injectado. Mais do que isto, será excessivo.

Isto não significa que os salários e outras remunerações variáves que atingiram somas astronómicas em empresas por todo o mundo, incluindo em Portugal, não devam ser um tema de reflexão e de correcção, começando por quem tem responsabilidades directas nas empresas, quer integrando os seus orgãos estatutários ou como accionistas. Ainda antes da eclosão da actual crise, o tema já merecia atenção e a preocupação por um maior equilíbrio na repartição dos lucros gerados é algo que deve fazer parte das regras da boa governação.

A extinção do capitalismo não é uma solução, mas combater as práticas e os protagonistas que lhe dão má fama é o caminho correcto. As empresas e os seus accionistas têm que ser os primeiros a tomar a iniciativa. Estão entre os principais interessados em impedir as mortes da economia de mercado e da liberdade de iniciativa e em evitar que sejam substituídos pela ressurreição do intervencionismo, a pretexto da crise e dos casos de polícia que esta deixou à vista.

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Chutos e pontapés

11 março 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Em contrapartida pelas críticas que tem feito ao PS, Manuel Alegre devia ser homenageado com um "chuto", diz o antigo deputado socialista, Carlos Candal. Os militantes e dirigentes do partido que estão com a liderança têm todo o direito de não concordar com a actuação de Alegre.

O que já causa alguma confusão é a sucessão, de forma alternada, de declarações em que se exalta o pluralismo e a democracia interna no PS, para de seguida se sugerir ou ameaçar com a punição das vozes discordantes. Quanto aos termos utilizados, desde o malhanço aos chutos, são elucidativos sobre o estilo de liderança que se instalou entre os socialistas.

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O Sporting em Munique a salvar a Quimonda

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

12-1. Nada disto acontece por acaso, claro - antes da eliminatória com o Benfica da Alemanha, que ainda não convenceu ninguém esta época, Sócrates ligou a Paulo Bento e, depois, à chanceler Merkel. E pronto: após a dúzia bem aviada pelo Bayern irá subir a confiança dos alemães na sua economia, a maior da Europa. Mais importante ainda, o negócio da Quimonda será salvo!

A vitimização do Sporting - não a visita de Estado do Eduardo dos Santos - é o derradeiro exemplo da realpolitik à portuguesa.

Angola: O Regresso da História e o Fim dos Sonhos

10 março 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

"O Regresso da História e o Fim dos Sonhos", do neoconservador Robert Kagan, é um bom livro para ler nestes dois dias da visita de José Eduardo dos Santos a Portugal. Basicamente, a tese do livro é esta: os sonhadores do idílico pós-queda do Muro de Berlim estavam errados. O mundo voltou a ser tão perigoso como era, embora sem a luta ideológica da Guerra Fria. Com a globalização, quem manda são os mercados, e isso tem atenuado as relações das democracias liberais com os regimes autocráticos. Para Kagan, as democracias são demasaido complacentes com as autocracias. É um risco, porque as democracias perdem o poder que não ocupam. Ele tem como exemplo supremo a Rússia (e não deve ter gostado nada de ver a senhora Clinton por estes dias a esforçar-se por normalizar as relações com Lavrov). Ele acha que a Rússia de Putin, que invade os vizinhos, tem de ser tratada como um Estado que invade os vizinhos.


Se os EUA e a NATO se vergam à Rússia de Putin, por que não deve Portugal vergar-se a Angola? Até tiveram eleições... Não veremos, de certeza, em nome do realismo político, José Sócrates ou Cavaco Silva mencionarem direitos humanos, desigualdades ou liberalização política. Os 8% da taxa de crescimento anual angolana é demasiado preciosa. Kagan escreve: "A nova riqueza dá às autocracias uma maior capacidade de controlar a informação - monopolizar estações de televisão e ter uma garra apertada no tráfego na Internet, por exemplo, muitas vezes com a ajuda de grandes grupos estrangeiros, ansiosos por fazerem negócios com eles. A longo prazo, a prosperidade crescente pode muito bem produzir liberalismo político. Mas quão longo é o prazo?"

Outra questão, e que também nos leva a José Eduardo dos Santos, é a extensão tentacular dos Estados autocráticos por via das suas empresas. Kagan dá o exemplo da Rússia com a sua Gazprom - que depois do livro sair chantageou a Europa -, e que aumenta o seu poder político conforme vai comprando outras empresas noutros países. O caso de Angola tem parecenças: deve o Estado português permitir que empresas estatais de outros países entrem no capital de empresas portuguesas que outrora foram do Estado? E empresas que sendo privadas se confundem com o poder nos Estados mais autocráticos? É que o domínio político nessas empresas transfere-se de um Estado para o outro e pode criar vulnerabilidades em sectores-chave, como a energia. Deve Portugal permitir, liberalmente, que empresas angolanas tenham posições cada vez mais importantes no mercado português, sem que haja uma exigência de reciprocidade no tratamento de empresas portuguesas em Angola - onde se exigem parcerias e onde os angolanos são maioritários?

O livro de Kagan acaba assim: "A futura ordem internacional será moldada por aqueles que tiverem o poder e a vontade colectiva para a configurar. A questão está em saber se as democracias do mundo se vão de novo erguer para enfrentarem tal repto". Eu duvido.

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Português de Magellan e o desmentido ridículo

09 março 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

A Caixa Mágica, empresa de software responsável pelos erros no Magalhães fez um suposto desmentido ridículo ao Expresso. Até o desmentido é coisa de amadores. Parece que o tradutor é licenciado em Filosofia. É qualificado e não foi nas Novas Oportunidades. Mas só tem a quarta classe de português... os pais emigraram para França quando ele tinha 10 anos.

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Diálogo e crise

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Compreendo a preocupação do Presidente da República com as consequências duras da actual crise económica, mas tenho algumas dúvidas que o diálogo consiga transformar empresas economicamente inviáveis em projectos com futuro. Diferente poderá ser a situação nos casos em que os problemas se circunscrevam às dificuldades financeiras.

De resto, muito do que se vai sabendo indica que a crise colocou à vista muitas fragilidades da economia portuguesa, bem como a volatilidade dos seus alicerces. Por exemplo, o facto de a maior exportadora portuguesa, a Qimonda, apenas ter um fornecedor e, pior ainda, um só cliente, já indiciava tratar-se de um projecto de alto risco.

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A errata do Banco de Portugal

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Um dos pontos controversos no "caso BPP" está na questão de saber o que eram depósitos e o que eram aplicações alegadamente apresentadas como depósitos mas em que o dinheiro dos clientes era investido em activos financeiros que proporcionariam remunerações mais elevadas e, por este motivo, com maior risco.

A supervisão andou distraída enquanto entre o BPP e os subscritores destes produtos se erguiam equívocos que agora, no limite, terão que ser dirimidos em tribunal. O Banco de Portugal chegou atrasado a esta história e tenta agora emendar a mão.

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12 - Verdades sobre a Mentira em Política

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

«O político que mente em benefício próprio limita-se a usar as ferramentas do ofício. O que é realmente importante na vida é vencer, enriquecer, mandar, ganhar votos e triunfar».

António Barreto, Público

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Poste no protuguês que bem iscrito no Magalhaês

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Os êrros de protuguês nos jogos do Magalhaês, como o Espresso noticiou este fim-de-semana, são um ex-cândalo e devião ter pelo menos duas com sequências: demição imediata de quem abaliza os ditos pogramas e revogassão do com trato com a empreza responsàbel, com a respectiba devoluçom dos montantes pagos por imcapassidade de comprimento do com trato.

Adenda: Na mesma edição do Expresso, o Ministério da Educação admitiu que vai pedir às escolas para retirarem este software dos Magalhães. Mas a responsável do ministério disse que não há capacidade para verificar todos os conteúdos. É inacreditável. Aqui alguém tem de ser mesmo responsabilizado.

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Boa semana

08 março 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

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Índice do citacionismo

06 março 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos


«Fumo desde que tomo o pequeno almoço até ir deitar-me. Permanentemente. Ando sempre com 10, 12 cachimbos na pasta».

Mário Lino, no Jornal de Negócios. 19v no índice dos mais procurados pela ASAE, mas 'tás com sorte que ainda és ministro

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Obras à portuguesa, segundo Lino

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

Para justificar a derrapagem de 100 milhões de euros nas obras de amplicação do aeroporto Sá Carneiro, no Porto, o ministro Mário Lino usou hoje estas palavras:

"O aeroporto Sá Carneiro foi sofrendo ao longo da evolução do projecto e da execução da obra variadíssimas alterações. É um hábito muito português do já agora que estamos a fazer isto também fazemos mais aquilo e vão-se acrescentando partes, o que vai provocando alterações nos prazos e nos custos."

Basicamente, acontece a mesma coisa quando a malta faz umas obras lá em casa para ampliar a garagem ou a adega. Normal.

O discurso dos políticos revela cada vez mais que estes já não estão à espera que os portugueses se dêem ao trabalho de pensar.

Missão: Impossível!

:: Guarda-freio: Luís Miguel Afonso



Há pouco mais de um ano, no dia 8 de Feveiro de 2008, a Associated Press fazia passar no seu feed uma triste notícia: a Polaroid iria deixar de fabricar os seus filmes instantâneos. A companhia preparava-se para fechar três fábricas e despedir 4 centena e meia de trabalhadores. Como não sou o Paulo Portas nem o Louçã, não fiquei em estado choque pelos empregos perdidos, mas sim pelas milhares de pessoas que iriam deixar de poder clicar nas suas velhinhas máquinas quadradas e de formato pouco convencional. Eu incluído.

O site de referência onde sempre comprei o meu filme (e que não vou divulgar porque ainda têm alguns exemplares disponíveis e eu não quero que mo tirem da boca…) assegurava-me então que o mundo não iria acabar, que ainda havia uma considerável quantidade de filme disponível, blá blá blá, mas nem isso me sossegou. Eu sabia que isto não era bom e que o preço do filme ia disparar em flecha. 1,5 euros contra os 9 cêntimos da Snapfish pela impressão de uma foto era o que me esperava. Mas nada substitui a magia de ver aparecer uma foto nos segundos posteriores à sua captura. As crianças que o digam…

Blogs, petições online, fãs desesperados fizeram ouvir a sua voz - e os dedos do seu descontentamento com a decisão da Polaroid - e foi então que um grupo carolas, ainda mais malucos que eu, decidiu comprar uma das fábricas à Polaroid com todo o seu equipamento e fundar o The Impossible Project. A missão? Reiniciar a produção de filme instantâneo analógico para as velhinhas câmaras em 2010. E eles precisam da ajuda de todos nós. É ou não é uma grande notícia?

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Cavalheiros

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

O deputado do PSD, José Eduardo Martins (cita o DN) mandou ontem Afonso Candal, do PS, duas vezes "para o c...". Na televisão era como nos jogos de futebol: não se ouve o jogador, mas percebe-se perfeitamente o que ele está a dizer ao árbitro. Ora poucas vezes se viu tamanho cavalheirismo no Parlamento, em tempos recentes. José Eduardo Martins a dizer a Afonso Candal: "Resolvemos isto lá fora!" Isso sim, era de homem. Bengala, florete, pulsos nus ou trivial pursuit. Escolhiam-se as armas e lá em baixo, nos claustros, ao pôr-do-sol ia ser bonito...

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Todos mentem sobre os livros que lêem...

05 março 2009 :: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

... mas a questão não é essa, mas sim saber por que títulos estamos dispostos a mentir.

A Reuters conta-nos o que se passa no Reino Unido:

According to the survey, 65 percent of people have pretended to have read books, and of those, 42 percent singled out "1984." Next on the list came "War and Peace" by Leo Tolstoy and in third place was James Joyce's "Ulysses."

Ora isto só mostra que os ingleses, até a mentir, continuam a manter a distinção no gosto.

O Elevador da Bica pergunta: Quais seriam os três livros mais 'mentidos' em Portugal?

Eurodeputados vão ganhar mais do que o Presidente da República

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Os deputados europeus portugueses vão duplicar o seu salário para 7665 euros (5963 euros líquidos), noticia hoje o DN - fora as 'alcavalas' que não são poucas. Alguém estava distraído lá no jornal e não percebeu a questão política por detrás na notícia. O título devia ser: "Eurodeputados portugueses vão ganhar mais do que o Presidente da República".



O PR ganha 7415,29 euros brutos e o seu vencimento serve de referência aos outros titulares de cargos políticos e públicos. Isto vai criar iniquidades. Mas não sou contra esse aumento salarial. Acho que os políticos deviam ganhar mais. Mas concordo com Marques Mendes, que defende o aumento desses vencimentos só depois de uma reforma profunda do sistema político.

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Elevador do Baco

04 março 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

A experiência foi mística. Quando menos esperava, deparei-me com um Quinta do Carmo, Garrafeira, 1985, na lista de vinhos do "Refúgio da Roca", na Azóia. Tinto, é claro. Não vislumbrava tal néctar há muitos anos. Era a última garrafa, segundo fui informado. Tomando por segura esta informação, deixei-me ficar a saborear cada momento em tão ilustre companhia. O cabrito assado no forno também me pareceu bem, mas a madeira deste tinto é algo muito especial.

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Mais sinais do que aí vem

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

Os governos ocidentais nacionalizam os "activos tóxicos" acumulados na banca.

O primeiro-ministro, José Sócrates, lança uma OPA a solo sobre o PS e privatiza-o para seu uso.

Sinais do que aí vem

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

Primeiro, Durão Barroso.
Depois, Lagarde.
Por cá, o silêncio.

Eles - those we shall not speak of - sabem mais do que nós.

Birth, copulation, death, end of story.

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes



“Some paint comes across directly on to the nervous system, other paint tells you the story in a long diatribe through the brain.” Francis Bacon ao Guardian

A exposição no Prado - um caminho provocador e fascinante pela estética da fragilidade, da crueza e da carne - é mesmo imperdível. Mesmo.

(Study after Velázquez's Portrait of Pope Innocent X, 1953, óleo sobre tela)

Índice do citacionismo

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

«Não estou para aí virado, sempre fui muito mais uma pessoa de tarefas executivas».

Marcelo Rebelo de Sousa, no DN, justificando por que não quer ser candidato do PSD às europeias. 6v no índice de quem quer ser Presidente da República (mas talvez ser PM fosse melhor)

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O fundo da questão é azul

03 março 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos



De acordo com o Público de hoje, José Sócrates está a hiper-personalizar a campanha e a secundarizar o PS. É verdade. Viu-se no congresso e é evidente no site Sócrates2009. Em qualquer situação, o líder surge destacado sobre um fundo azul. Nada de rosa nem encarnado. O azul deve ser uma cor fundamental para o marketing moderno: lembram-se do escândalo que foi o símbolo do PSD aparecer estilizado sobre um fundo azul e que os actuais dirigentes do PSD dramatizaram para acelerar a queda de Luís Filipe Menezes? Pelo menos nesse pormenor sem importância, ele estava cheio de razão.

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Foi só um golpe de...

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Os militares guineenses dizem que o assassinato de Nino Vieira não foi um golpe de Estado. Claro que não. A Guiné não é um Estado.

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Mistérios da vida moderna

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Entro no café moderno aqui de baixo. Peço a sanduíche de salmão. Vejo que há pão de sementes. Pergunto se a sandes pode ser em pão de sementes. O empregado diz que não, só se for em baguete. Abro os olhos. Tem salmão? Sim. Tem pão de sementes? Sim. Então faça-me uma sanduíche de salmão em pão de sementes! Ele diz que os pães têm preços diferentes. Eu digo que pago o mais caro. Pago o que for preciso. Ele responde que não há sandes de salmão com pão de sementes na carta: "Não tenho como registar!", explica-me. Então não regista nada. Adeus.

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Tudo normal

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Um dia depois de Nino ser assassinado, um responsável militar da Guné diz que a situação está normal no País. Claro, tudo aquilo é normal...

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A grande ilusão

02 março 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

O mágico Luís de Matos regressa à televisão. O programa chama-se "Mistérios" e será apresentado amanhã no Castelo de São Jorge. Suponho que há mão do Governo nesta contratação para o truque supremo de fazer uma grande ilusão em directo de um pilar da ponte Vasco da Gama: fazer desaparecer a crise no Mar da Palha.

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Envelhecer bem

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Parabéns ao Blasfémias pelo 5º aniversário.

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O profissional

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Sócrates não brinca. O congresso do PS foi desenhado com extremo profissionalismo. Não interessam os meios. Só interessam os fins. Sócrates só se preocupa se a sua mensagem passa como ele quer e se chega a quem é preciso: o portugueses comuns, lá em casa, com o mínimo de mediação possível. Isso é o principal. O resto é acessório. Criar um espectáculo é montar uma encenação.

Por isso,
- os jornalistas não podiam aceder às zonas próximas dos delegados;
- as câmaras não podiam filmar esses delegados de frente;
- as televisões tinham de usar as imagens do congresso que o próprio PS fornecia;
- Sócrates não prestou qualquer declaração a uma televisão;
- falou sempre em cima dos telejornais;
- é que o design do espaço era tão bom;
- não houve vozes críticas;
- por isso é que Governo visto dali parecia tão perfeito.

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Mas olhem que ele não é o Obama

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Pelo menos em três pormenores, José Sócrates tentou imitar Barack Obama durante o fim-de-semana do congresso:

a) através do seu novo site Sócrates2009 - para estabelecer uma ligação directa e instantânea os apoiantes via mail e sms;
b) com a presença de uma tradutora de linguagem gestual no palco quando está a discursar - para mostrar que é inclusivo e por isso de esquerda;
c) no filme onde aparecem pessoas comuns a dizer como foram beneficiados pelas suas políticas - no seu célebre filme de 30 minutos, Obama mostrou casos de cidadãos prejudicados pelas políticas de Bush, e com esperança nas políticas democratas;

Só que Sócrates não é Obama. Só pode imitá-lo nos meios e na forma. No ser não é possível. São o oposto. Onde Obama é empático, Sócrates é frio. Onde Obama é emocionalmente conciliador, Sócrates é emocionalmente agressivo. Onde Obama cativa, Sócrates crispa. Onde Obama faz quem o ouve sentir coisas positivas, Sócrates indispõe e carrega o ar com energias negativas. Onde Obama disse ser alvo de propaganda negativa por parte dos republicanos, Sócrates diz que é alvo de campanhas negras e força ocultas.

Podem usar todas as técnicas, que são boas e ajudam à comunicação política, mas este homem não é o outro.

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Alegre triste

01 março 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Manuel Alegre participa em iniciativas com o Bloco. Alegre ameaça que faz um partido. Alegre diz que o PS não se reforma por dentro. Que os partidos não se mudam por dentro. Há por aqui críticos (de Alegre, claro) a dizer que era no congresso que ele devia dizer o que tem a dizer ao partido. Mas Alegre sabe que esta audiência não o quer ouvir. Talvez fosse apupado. Talvez vaiado. Não era bom para Alegre nem para o PS. Não se percebe é por que razão aceitou pertencer à comissão de honra do congresso. Fez bem em ficar de fora para não servir de idiota útil aos que dizem que o partido é plural e tolerante. Mas devia ser consequente. Alegre não pertence a este PS, que é o PS quase todo.

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Baixa na TVI

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Ouvido na régie da TVI, quando Sócrates anunciou o nome de Vital Moreira: «Eh pá!, tiraram-nos o comentador, pá!, os gajos fazem tudo para nos lixar».

(Vital Moreira tinha começado agora mesmo a sua participação naquilo que dizem que é uma espécie de Quadratura na TVI24, com Vasco Pulido Valente e Rui Ramos)

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O apagão socialista

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Foi uma cegonha que se emaranhou nos fios? Uma campanha negra? Forças ocultas pelo breu da escuridão? Uma cabala que chocou contra os postes de electricidade? Não. A luz finou-se no congresso do PS e parece que foi só isso, embora nunca se saiba o que vai na cabeça de Sócrates. Havia muito militante inscrito quando a electricidade falhou. O facto de as intervenções terem sido canceladas e ninguém sentir falta desse debate tão vital para a nação, para além dos próprios oradores, é revelador da irrelevância destas missas políticas que servem para cada vez menos.

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