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elevador da bica

O pessoal quer andar de Lambretta

31 julho 2010 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Vale a pena dar um salto ao Museu do Design para ver a exposição de "scooters", com dezenas de exemplares das mais diversas origens e épocas. Dá gosto ver os pequenos veículos, que a indústria italiana do pós-guerra massificou, bem conservados e com as pinturas brilhantes como novas.

Apenas dois reparos. O primeiro, para lamentar o facto de não se poder pisar algumas das plataformas onde estão expostas as "scooters" para as poder apreciar mais de perto, embora se compreenda que a medida é uma prevenção contra aqueles visitantes que não resistem à tentação de ver com as mãos.

O segundo, para alertar que, no expositor localizado à entrada da sala principal, do lado esquerdo, as placas com a informação sobre o ano de construção e o país de origem estão demasiado longe dos visitantes para se conseguirem ler. Ou se compra o catálogo, com óptimas fotografias e que custa 15 euros, ou se vai munido de uns binóculos.

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Gente em Museus - 18

:: Guarda-freio: Vìtor Matos


Foto: VM

Através dos espelhos. Museu de História Natural, Londres 2010

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Pela boca...

30 julho 2010 :: Guarda-freio: Ana Catarina Santos

O Eurostat divulgou hoje que a taxa de desemprego em Portugal desceu dos 10,9% em Maio para os 10,8% em Junho. Muito bem.

A mesma décima de subida dos números do desemprego que no mês passado o Governo e alguns especialistas (e alguns bloggers) desvalorizaram, é a mesma décima de descida dos números que agora os mesmos valorizam como sendo um sinal bastante positivo.

Curioso é que este é o mesmo Eurostat que há um mês emitia números "que na verdade não existem" e agora já é tido em conta, com números que já existem. Ao ponto do Secretário de Estado do Emprego Valter Lemos ter feito o pleno em tudo o que era rádios, tv's e jornais online, regozijando-se com o fenómeno.

É verdade que se gera sempre uma enorme dinâmica política mensal à volta dos números do desemprego Mas, tal como foi dito no mês anterior "por quem percebe destas coisas", o Eurostat "não faz inquéritos ao emprego mensais; trata-se de estimativas baseadas num inquérito ao emprego e assentam num modelo combinado com projecções e dados administrativos dos Estados Membros (registados nos Institutos de Emprego de cada país)".

De facto, é preciso ter cuidado na análise dos números...

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Corrupio em São Bento

29 julho 2010 :: Guarda-freio: Ana Catarina Santos

Ontem a tarde em São Bento foi um corrupio, na sequência do desfecho do negócio entre a PT e a Telefónica. Ao início da tarde a imprensa foi convocada para uma declaração do PM às 16h, mas a dita só veio a acontecer quase uma hora e meia depois.

Um atraso propositado, explicou o gabinete, para que os jornalistas que foram acompanhar as declarações de Granadeiro e Bava na PT tivessem tempo para deslocar-se até São Bento. Aprecio esta cortesia e gentileza por parte de Sócrates para com os jornalistas.

Uma hora e meia de espera, que se revelou bastante interessante. O que aconteceu foi que durante esse período houve um surpreendente entra-e-sai de Ministros e Secretários de Estado na Residência Oficial do PM. Desde a Ministra da Educação, à Ministra do Ambiente, passando pelo Secretário de Estado do Turismo... Os carros ministeriais enchiam o pátio. Na Rua da Imprensa, a porta da garagem abriu e fechou vezes sem conta.

Seriam encontros para que o PM apenas formulasse votos de boas férias aos seus colegas de Governo? Ou estará na calha uma remodelação governamental antes de férias, em pleno verão?

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Retratos da China (VI)

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes



Jogo da primeira liga chinesa, entre o Beijing Guo'An e o Chongqing. Durante todo o jogo membros da polícia especial observam o que se passa na bancada. Estão sentados em pequenos bancos, totalmente imóveis (a meio do jogo houve uma bola chutada para canto que bateu em cheio nas costas do polícia acima retratado, que não se mexeu; o público soltou uma gargalhada). Durante o intervalo os polícias levantam-se, mas permanecem imóveis. São os
'stewards' à chinesa. Nas bancadas do Estádio dos Trabalhadores a massa associativa esteve tranquila. Pena as vuvuzelas, mas até se percebe – são todas feitas na China.
Foto: BFL

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Freakpolitics - o que diz o lado improvável dos políticos (11)

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

O segredo da amígdala de Sócrates
O optimismo do primeiro-ministro reside no centro do cérebro, diz um estudo. Mas o córtex cingulado pode levá-lo para fora da realidade

Não é preciso examinar a massa cinzenta do primeiro-ministro para perceber que José Sócrates tem uma amígdala que dispensa livros de auto-ajuda e um córtex anterior cingulado com vocação para achar este o melhor dos mundos possíveis.

A fonte do seu “optimismo inveterado” – como o Financial Times descreveu Sócrates –, brota do centro do cérebro. Uma equipa da Universidade de Nova Iorque descobriu em 2007, através de imagens da actividade cerebral de 15 pessoas, que o segredo do primeiro-ministro reside uns centímetros atrás dos olhos, no córtex cingulado anterior e na amígdala. Autópsias a indivíduos com depressões também verificaram que estes tinham menos células nestas zonas.

Só uma enorme amígdala tem autoridade para dizer “sinto-me sozinho a puxar pelas energias do País” – em oposição a Cavaco Silva, por exemplo – ou que o “negativismo e o catastrofismo” nunca terão sucesso.
Elizabeth Phelps, uma das cientistas que elaborou o estudo, diz que “quem for pessimista em relação ao futuro não terá motivação para ser muito activo”. Portanto, esta configuração cerebral dá imenso jeito a um político num cargo executivo. A “alegria determinada” de Sócrates conjugada com o perfil de “animal feroz” (uma amígdala estimulada também gera agressividade) dá-lhe uma capacidade de resistência ilimitada e incentiva-lhe a proactividade .

Em circunstâncias normais, seria o ideal. Mas a amígdala também controla emoções como o medo e a de Sócrates devia dizer-lhe para estar mais assustado com as ameaças, senão corre o risco inverso dos deprimidos que a nada reagem. Pode estar a tornar-se numa espécie de optimista fora da realidade como Pangloss, o filósofo do romance de Voltaire Cândido ou o Optimismo, para quem este era “o melhor dos mundos possíveis”, mesmo quando sobre ele se abatiam as mais terríveis desgraças. Enquanto o País se afunda, o primeiro-ministro desencanta indicadores maravilhosos. A depressão e o medo podem impedir-nos de agir, mas o optimismo em excesso pode tornar-nos imprudentes.

Crónica publicada no site da SÁBADO.

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Golden (IV)

28 julho 2010 :: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

Como se escreve num blogue da The Economist, parece que 350 milhões de euros é o preço corrente de uma golden share em Portugal. A não ser que acreditemos que sem a intervenção do Estado português, a PT (quem tem lá gente sagaz como Ricardo Salgado, por exemplo) não teria conseguido trocar uma posição de controlo na Vivo por uma posição minoritária (e cara, ao que parece) numa empresa mais pequena como a Oi. The jury is out.

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Holidays in Hell

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

Sete sugestões para o verão: golfe em Kabul, dados no Cambodja, esqui em Cachemira e mais.Uma maravilha, aqui.

Que cosa mas mala es la guerra

27 julho 2010 :: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

"Levem esse também" – disse. "Esse que tem as mãos sobre a metralhadora. Deve ser o El Sordo. É o mais velho e o que tinha a arma. Não. Corta-lhe a cabeça e envolve-a num capote. Depois penso melhor. Cortem também a todos os outros." (...) Desceu uns passos pela ladeira, até ao sítio em que se encontrava o tenente caído no primeiro assalto. Olhou-o por uns instantes, mas não lhe tocou. "Que cosa mas mala es la guerra", disse.

A revelação de segredos militares sobre a guerra do Afeganistão, a grande história internacional do ano, só pode chocar quem pensa na guerra como um conflito entre bons e maus, regido por regras limpas cumpridas por cavalheiros. Consumimos as imagens limpas e depuradas da guerra e abdicamos de saber mais. Eles por lá, os bons, estarão seguramente a tratar do assunto.
[As ordens e a culpa do Tenente Berrendo, em «Por quem os sinos dobram», de Hemingway]

Porto Santo | Maravilha Natural

:: Guarda-freio: Luís Miguel Afonso

Fica o convite para quem for ao Porto Santo em Agosto. Ou para quem ainda não sabe onde ir estas férias...

Porto Santo | Maravilha Natural de Luis Afonso no Vimeo.


De 3 a 18 de Agosto 2010
Sala de Exposições dos Paços do Concelho

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Amado não nos quer ao fresco

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Não foi por causa de Portas ontem. Luís Amado veio aconselhar os portugueses a não viajarem para o deserto do Sara. Logo agora, com este calor, era mesmo o que nos estava a apetecer, ir ali às areias magrebinas apanhar fresquinho pela tardinha. Afinal, melhor lida a notícia, é por causa do que aconteceu ao refém francês...

Amado amado por Portas

26 julho 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Paulo Portas acaba de relançar a sua ideia de coligação tripartida PS-PSD-CDS num quase monólogo com o Mário Crespo na SIC-N. No meio do solilóquio  fez um enormíssimo encómio a Luís Amado, e daqui se depreende quem ele acha que deveria substituir José Sócrates na chefia do Governo para constituir a plataforma de salvação nacional. Também disse que depois de três anos desta coligação nenhum dos líderes devia recandidatar-se nas legislativas.

Três notas:
- elogio de Portas a socialista é vitupério, portanto para além de já ser o ala direita do PS, Amado passa a ser visto pelo PS como um extremo-direito;
- os líderes do Bloco Central que saíssem jamais voltariam à liderança do seu partido, mas quanto a Portas seria sempre uma questão em aberto...
- Portas disse que teve muito orgulho de ter sido ministro de Estado. Que raio, e ministro da Defesa?

PS: Portas continua a falar... sozinho no seu comício na SIC. Se aquilo é uma entrevista, vou ali e já venho!

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Ai, ai, ai, minha machadada

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

O Governo vai apertar as regras do Rendimento Social de Inserção, consequência do novo regime de condição de recursos que promete - espera-se que cumpra - um escrutínio mais rigoroso sobre quem recebe prestações sociais provenientes dos bolsos dos contribuintes.

Cortar apoios a quem não aceite emprego, apesar de estar em condições de trabalhar, parece uma medida de elementar bom senso. Mas aguarda-se, com expectativa, se isto vai desencadear algum clamor por ser interpretado como mais uma machadada no Estado social.

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Retratos da China (V)

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes


Horda turística de média dimensão no Templo do Céu, em Pequim. Os turistas internos são a esmagadora maioria dos visitantes em Pequim e a todos os pontos conhecidos do país, num sinal claro de expansão da classe média. Notei diferenças face ao que vi em 2003 e em 2005. É bom "ver" este crescimento – mais gente com acesso a viagens – mas a coabitação com o ocidental nem sempre é fácil. A falta de civismo é ainda atroz, o barulho da trupe das bandeirinhas (há duas na foto) é insuportável.
Foto: BFL

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Stress

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

O Banco de Portugal menciona factores específicos da banca portuguesa para explicar por que razão os bancos portugueses passaram nos testes de stress. Troquemos um desses factores por miúdos: os bancos emprestam a maioria do graveto a taxa variável, passando rapidamente o custo da subida de juros aos seus clientes; mas tardam a passar o proveito dessa subida ao lado dos depósitos onde, na prática, jogam com uma taxa fixa. Ou seja, a generosa passividade dos clientes – os mesmos que andaram anos a serem tentados com ofertas de cartões e de crédito e agora recebem lições de moral dos banqueiros – aliviam o stress do sistema financeiro. É bom saber que cumprimos diligentemente a nossa parte.

Cidade Proibida

25 julho 2010 :: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

Da leitura do romance Cidade Proibida, de Eduardo Pitta, agradeço a viagem a um mundo que não conheço, o das relações gay e respectivas transgressões. Mas fico-me por aqui. Não fiquei deslumbrado com a "limpeza da escrita", nem com a "fluidez da narrativa" - elogios da crítica (rendida à obra) que só consigo explicar com a escassa qualidade da prosa em Portugal. Irritou-me o uso abusivo dos estrangeirismos. Não gostei do desfile apressado da maioria das personagens, tratadas como caricaturas (inevitável: mais de 40 pessoas em menos de 100 páginas). É certo que o tom da escrita se adapta à realidade que o escritor descreve mas, mesmo assim, o nível atómico de pedantismo é desconcertante. Enfim, serviu para abrir o apetite para ler o Alan Hollinghurst. Depois falamos.

Gente em Museus - 17

24 julho 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Foto: VM

Tou xim?! Então explique lá fáxavor! MoMa 2008

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Gratuicidade tendencialmente cara

23 julho 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

A minha avó pagou €200 há duas semanas para ser transportada numa ambulância para o hospital da vila alentejana mais próxima a 30 km. A minha avó tem 85 anos e não tem mobilidade, anda de cadeira de rodas e tem uma saúde frágil. Sentiu-se mal, estava realmente mal, e por isso a minha prima chamou uma ambulância. Tem uma pensão de uns €300 e picos. A factura dos bombeiros que o meu pai me mostrou indignado cobrava €95 par ir e outro tanto para vir do hospital. Alguém me explica se isto é consititucional?

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O Estado Social

22 julho 2010 :: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

No meio da maior crise orçamental dos últimos 30 anos, com o país acossado por credores e parceiros europeus, não deixa de ser interessante ver a defesa constante do Estado Social sem nunca fazer qualquer referência ao seu modo de financiamento.
Pergunto-me quem será o maior inimigo do Estado Social: aqueles que, com mais ou menos talento, se propõem a discutir como pagá-lo sem afundar o país; ou os outros, que de défice em défice (por táctica política ou crença verdadeira), cerram fileiras atrás de um rótulo.

Retratos da China (IV)

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

Polícia de choque no final do jogo de futebol entre o Beijing Guo'an e o Chongqing, em Pequim. Dentro do Estádio dos Trabalhadores o ambiente esteve manso – os ultra do Guo'an são uns meninos ao lado das claques portuguesas (o autoritarismo do regime terá algo a ver com isso, assim como a escassa qualidade do futebol doméstico). Os chineses vibram com o futebol internacional – no verão quente de Pequim todos os bares tinham televisões na rua para ver o Mundial – mas desprezam a liga doméstica. O jogo foi muito lento, com poucas oportunidades de golo. A equipa da casa, campeã da primeira liga chinesa (na qual jogam três irmãos australianos), venceu por 1-0.

Foto: BFL

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Freakpolitics - o que diz o lado improvável dos políticos (10)

21 julho 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

A biologia rejeita a Constituição do PSD
Se Pedro Passos Coelho soubesse como funciona o cérebro humano não andava a fazer propostas como estas.

Com o desemprego no auge, Pedro Passos Coelho quer facilitar os despedimentos. Com as famílias de classe média esmagadas, defende o fim da universalidade do ensino e da saúde gratuitos. Por mais que o líder do PSD explique os benefícios futuros das medidas, não será fácil cativar apoiantes no mercado eleitoral, porque o cérebro humano não funciona assim. Mais depressa a ínsula anterior cerebral de um eleitor sentirá conforto no regaço socialista.

O PS oferece maior utilidade: mais protecção social e segurança. Passos Coelho pede para a gente assumir riscos: opções dolorosas para obter benefícios cujos resultados não são garantidos. Acontece que, tal como a "utilidade" é estudada na Economia, o cérebro humano faz as opções usando o mesmo conceito, defende o neurocientista norte-americano Paul J. Zak, director do Center for Neuroeconomics Studies, professor de Economia e de Neurologia e investigador na UCLA. Zak diz que até imagens cerebrais de macacos provam que os neurónios pensam em função da utilidade e contra o risco.

Os indivíduos escolhem sempre as situações mais vantajosas, mesmo que elas venham a tornar-se prejudiciais, escreveu Paul Zak, em 2009, no McGraw-Hill Yearbook of Science & Technology. Por exemplo, se ao longo da evolução da espécie humana a opção por comida calórica era uma óptima decisão, hoje as pessoas conhecem os problemas da obesidade e sabem que a comida gorda é prejudicial à saúde. Só que o cérebro continua a funcionar como funcionava, apesar de a decisão racional ser hoje a de prevenir os ataques de coração e os AVC. Resumindo: as despesas sociais engordam os encargos do Estado e dos contribuintes, os eleitores sabem-no, mas por natureza continuam a apreciar essas gorduras nocivas para as contas públicas e para a carga fiscal.

O mesmo se passa com o risco. Uma série de experiências com imagens cerebrais comprovam que os cérebros não gostam de arriscar. “Preferem tipicamente uma coisa certa a uma escolha arriscada, mesmo que a escolha mais arriscada represente um retorno médio superior”, escreve Zak.

É claro que nem toda a gente tem o mesmo tipo de aversão ao risco e muitos portugueses podem acreditar na utilidade das medidas de Passos. Mas um cérebro português que não tenha um sentido de voto pré-definido terá muita dificuldade em deixar-se convencer pela posição biologicamente anti-natural do PSD. O PS tem agora caminho aberto para assustar os neurónios dos eleitores com o papão liberal e aquilo a que chamarão ataque para desmantelar o Estado Social.

Crónica publicada no site da SÁBADO.

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Retratos da China (III)

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes


Domingo é dia de folga para as milhares de filipinas que trabalham em Hong Kong. Na baixa de Central e nos parques de Kowloon estas mulheres juntam-se ao domingo em dezenas de grupos. Chegam a ocupar ruas inteiras. Almoçam juntas, conversam, dormem na rua e arranjam as unhas das amigas. Há mais de 140 mil filipinos em Hong Kong, a maior parte mulheres a trabalharem como empregadas domésticas. Na semana passada foi aprovada a primeira lei do salário mínimo (que deverá fixar um valor de três dólares por hora). A antiga colónia britânica é a 16ª cidade mais rica do mundo, facto visível no tráfego de helicópteros e no custo de vida.
Foto: BFL

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O favor de Passos a Sócrates

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Virtude - na sua proposta de revisão Constitucional, Passos Coelho diz ao que vem. Não esconde jogo e marca diferenças abissais para o PS, provando que não existe Passócrates nem Socratelho.. As pessoas podem gostar ou detestar, mas é o que ele pensa sem ter medo de perder votos, que é o mais certo.

Defeito - péssimo timming, o que em política pode ser mortal: a) é óbvio que a legislatura não vai durar até ao fim, pelo que não haverá tempo para uma revisão constitucional e isso torna a proposta pífia; b) era escusado arranjar um engulho destes a Cavaco Silva a seis meses das Presidenciais; c) é um grande favor a Sócrates, que agora passa a ter um discurso perfeito contra os que querem destruir o estado social, a educação pública, o SNS e liberalizar os despedimentos. Alguém se lembraria de fazer um favor maior ao engenheiro? Obrigatória a leitura deste texto da Ana Sá Lopes no i.

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Lido no Elevador

20 julho 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Quem se interessar pela questão dos poderes presidenciais suscitada pela proposta de revisão constitucional do PSD deve ler os vários textos que Pedro Magalhães escreveu no Margens de Erro:

- A responsabilidade do governo perante o Presidente (1) (2) (3) e Adenda

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Retratos da China (II)

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

Bairro tradicional – hutong – em Pequim. Os hutong são do melhor que há para ver na capital. Têm uma escala humana, vida de bairro e silêncio, tudo em contraste intenso com a nova Pequim. Os hutong – dividos em ruelas e feitos em grande parte de casas de pátio, algumas património da última dinastia – estão em vias de extinção, ameaçados pela pressão imobiliária. Em Pequim discute-se agora a demolição dos bairros típicos à volta de Gulou. Dos hutong que sobram – como este, na zona oriental da cidade, já ameaçado pelas sombras das torres – nem todos têm condições. É preciso olhar de cima para perceber que alguns parecem mesmo favelas. Outros são melhores e há estrangeiros que optam por viver nas casas de pátio, mesmo que à custa de algum conforto. Regra geral, os moradores destes bairros, ali presentes há várias gerações, não querem ser realojados.

Foto: BFL

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Darth Vader está completo

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

A obra de Dick Cheney para se transformar em Vader está completa. Foi submetido a uma cirurgia para lhe implantarem uma bomba mecânica num coração que os médicos conseguiram encontrar sabe-se lá como. Agora, como Bagdade já está, só lhe falta começar a escrever no 31 da Armada e desatar a içar bandeiras monárquicas à maluca em edifícios municipalizados para comemorar o 5 de Outubro. Notícia no NYT.

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Retratos da China

19 julho 2010 :: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

Condomínio fechado "Cidade Eterna", em Pequim. Não contei as torres, mas aquela em que fiquei tinha o número 42. Lá dentro há mercearias abertas 24 horas. Dá para telefonar às 4 da manhã e pedir uma pizza. Durante o dia, os avós passeiam os netos entre estátuas e fontes romanas. Saindo pela porta norte há mais torres perdidas no smog de Pequim, assim como um centro comercial de oito andares chamado Joy City.
Foto: BFL

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Uma questão de ângulo

:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

Em algumas conversas com chineses em Pequim – chineses de uma elite jovem, de classe média urbana que estudou na Europa ou Estados Unidos – surgia a mesma pergunta. "Mas vocês em Portugal não sentem envergonhados se forem resgatados pelos alemães?" Que nada. Envergonhados deveriam estar os alemães, esses poupadinhos competitivos que mexem os pés demasiado devagar para ajudar a malta gastadora e solarenga do sul da Europa.

Não há por aí um GPS?

18 julho 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

 O Governo está em roda livre, é o que parece. Já não é uma questão de encontrar o Norte ou de navegar com a costa à vista. Às vezes parece que os ministros andam às apalpadelas no escuro. Entrevista de João Céu e Silva no DN à ministra Helena André, que depois deu o dito por não dito:

Um congelamento que, com a inflação prevista de 1,4%, com aumento zero, será um corte salarial?
Não, porque há o ajustamento à inflação.
Portanto, vai haver no mínimo 1,4% de aumento?
O ajustamento é esse.

Esse não será o ponto de partida para as negociações. Será o final?
Esta foi a decisão do Governo em relação à política salarial para 2011. Depois, logo veremos.
Essa é uma nova realidade?
Não, é a medida que está! A medida no PEC é em relação a 2011.
Que significa que vai haver um aumento de 1,4...
O congelamento salarial é isso que implica. Não há aumentos salariais de x por cento, mas há tudo o que tem que ver com o ajustamento normal dos salários.

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Pontos, contrapontos e reticências

:: Guarda-freio: Adriano Nobre

Pacheco Pereira tem um programa na SIC Notícias que lhe permite atirar para níveis estratosféricos o conceito de "watchdog" dos media portugueses. Durante quinze ou vinte minutos, na solidão do estúdio, ele, a câmara e os seus critérios: fala, analisa, critica, discorre, ironiza, explica, ensina, contesta. Esporadicamente oferece-nos também o privilégio do elogio. Esporadicamente.

Não o vejo sempre. Não o vejo sequer regularmente. Perdi o entusiasmo com o formato quando, ao terceiro ou quarto programa, percebi que uma ideia teoricamente interessante (discutir e analisar os media), facilmente resvalaria para um registo analítico intelectualmente enviesado. Na dezena (ou talvez menos) de programas que vi até agora, identifiquei a abundância de alguns pecados: generaliza os casos particulares com demasiada frequência, deturpa alguns dos trabalhos analisados e, pior, chega a incorrer num erro que tanto critica aos jornalistas - faz mal o trabalho de casa e a crítica que exerce não está assim tão bem fundamentada quanto a convicção do seu verbo deixa transparecer.
Eu sei que aquilo é um programa de opinião. Mais: como Pacheco Pereira explicou no arranque das emissões, eu sei que é um programa de opinião apenas centrado naquilo que Pacheco Pereira vê, ouve e lê. Aceito a premissa. É opinião, ponto. A única coisa que me provoca alguma urticária é quererem vender-me este formato como sendo feito por alguém livre, isento, com crítica fundamentada ou equidistante. Uma espécie de Provedor Global dos Media. Ao jeito dos provedores que o "Público", o "DN" ou a "RTP" têm. A grande diferença é que, ao contrário de Pacheco Pereira, esses provedores percebem a profissão. Porque a praticaram e/ou estudaram a fundo. E em 99% dos casos, a crítica desses provedores é pertinente e útil para quem exerce jornalismo: apontam os erros, ajudam-nos evoluir, permitem-nos reflectir sobre o jornalismo que exercemos.

No programa de Pacheco Pereira há um claro défice destes atributos. O tom chega a ser sobranceiro, pontualmente acintoso, frequentemente paternalista. Muitas vezes tem razão no que diz e critica. Mas noutras tantas deixa perceber que a pessoa que se apresenta ali como um consumidor compulsivo de media apenas tresleu as peças ou jornais que depois destrói para quem o queira ouvir. Pior do que isso é a manifesta dificuldade que o Pacheco Pereira deputado do PSD tem em despir a pele de ilustre figura do universo social-democrata. É inevitável: por vezes a "agenda" salta do bolso. Nomeadamente quando se trata de analisar trabalhos jornalísticos que de alguma forma se relacionem com a esfera governamental: sim, esqueçam a análise imparcial quando se trata de colocar o foco numa peça que seja favorável a Sócrates. Recordo um episódio que roçou mesmo a caricatura, numa profunda análise semiótica a uma imagem do primeiro-ministro, em que quase vislumbrei um assomo da palavra "Verdade", acompanhada pelo logo do PSD, no púlpito que lhe serve de guarida em Carnaxide. Quanto a isenção, fiquei esclarecido.

Aqui chegados, e já que falo do Pacheco Pereira deputado, não posso deixar de considerar curioso que, no programa de hoje, um dos exemplo de "mau trabalho" tenha sido arquivado pelo Pacheco Pereira analista de media com o carimbo de "demagógico". Era um artigo do "DN" sobre as faltas dos deputados. "Demagogia", clamou Pacheco. Não porque fosse mentiroso, não porque não fosse factual, não porque enganasse os leitores: era "demagogia" porque o artigo colocava apenas numa caixa aquilo que Pacheco Pereira entendia ser o dado mais relevante (que, embora faltassem, os deputados estavam a faltar menos).
Demagogia, disse ele.
Eu, que tive o prazer de acompanhar grande parte das sessões da comissão de inquérito ao negócio PT/TVI, estranhei a ligeireza no uso de tal expressão. Levantei-me, fui ao dicionário da Porto Editora para ver se estava enganado, procurei, li e confirmei:
"demagogia"
nome feminino
1. submissão excessiva da actuação política ao agrado das massas populares;
2. processos servis de captar o favor popular;
3. abuso da democracia
(Do gr. demagogia, «direcção do povo»)


"Equivocou-se", pensei. Depois mudei de canal.

PS: No meio de tudo isto o que me provoca realmente alguma tristeza é o facto de já não termos um programa dedicado à análise, debate e crítica do jornalismo. Havia um na RTP2. Pelos vistos acabou. E este é outra coisa. Para pior.

Gente em museus - 16

17 julho 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos


Foto: VM

O pensador, Tate Modern, Londres, 2010

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Nó cego

16 julho 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Paulo Portas sugeriu ontem no debate sobre o Estado da Nação uma coligação de Bloco Lateral do centro-esquerda à direita (PS-PSD-CDS) para salvar a pátria, colocando José Sócrates fora da equação. Ofereceu-se para dar o nó, apresentou dote, preferia era outro noivo da mesma família. Sócrates reagiu ironizando que nunca tinha visto um deputado a oferecer-se assim para o Governo. Já se esqueceu de quando ele próprio fez de Carochinha logo a seguir às eleições e convidou todos os partidos a São Bento para um "arranjinho", aos quais perguntou se queriam casar com o PS, obviamente para não dar o nó com nenhum. Dessa vez, Portas recusou o concubinato. Agora deseja-o. O PSD prefere esperar, deixando o PS apodrecer com a situação, para depois conquistar a máxima quota de poder possível. As várias estratégias são legítimas, mas perigosas. As presidenciais atrapalham tudo. Os prazos definidos na Constituição dão um nó cego no país. O Governo vai arrastar-se penosamente até ao Verão, se não cair antes. Uma crise política em cima das eleições presidenciais, por exemplo por altura do Orçamento, punha uma crise política em cima de outra crise política em cima de uma crise económica e financeira. Tão depressa ninguém desatará o nó se ninguém der o nó. Isto não vai no bom caminho.

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Estado da Nação: Sócrates ou o optimismo

15 julho 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

José Sócrates acha que vivemos no melhor de todos os mundos possíveis. E se parece que não vivemos no melhor dos mundos, ele sente a obrigação de provar que vivemos no melhor dos mundos possíveis, por ser essa a obrigação do político. O desemprego bate recordes? O País está sob vigilância internacional? Estamos a ser governados de fora? O FMI voltará? São cada vez menos os que estão dispostos a emprestar-nos dinheiro? Há cada vez mais famílias de classe média a baixar à miséria? A angústia geral supera a confiança no futuro? Somos obrigados a sacrifícios para curar a irresponsabilidade política de anos? Não faz mal, vivemos no melhor de todos os mundos possíveis. Há uma ligeira recuperação económica em 2010, portanto este mundo podia ser muito pior, dirá Sócrates (apontando a querida Grécia), queixando-se das excessivas atenções à estagnação prevista para 2011. Ele estranha que tão poucos atentem no facto, mais uma vez, indesmentível, de que vivemos no melhor de todos os mundos possíveis, mesmo que todas as desgraças e injustiças do mundo nos caiam na cabeça. "Não há efeito sem causa", dirá Sócrates, culpando a crise internacional e a especulação financeira. Mas descansai, bom povo: "Está demonstrado que as coisas não podem ser de outra forma: pois tudo tendo sido feito para um fim determinado, tudo se dirige para o melhor dos fins", citará Sócrates, recordando um filósofo que lhe convém, mas que morreu a acreditar nisso, enforcado no Terreiro do Paço, sobrevivendo porque o enforcaram mal e assim este é o melhor dos mundos possíveis.

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Freakpolitics - o que diz o lado improvável dos políticos (9)

14 julho 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Gémeos falsos
O que inviabiliza uma coligação entre Sócrates e Portas é o que os une. Têm semelhanças demasiado diferentes.

São filhos de arquitectos. José Sócrates é filho do arquitecto Pinto de Sousa e Paulo Portas é filho do arquitecto Nuno Portas. Sócrates é filho de pais divorciados e Portas cresceu com pais separados. A primeira militância política do líder socialista foi na Juventude Social Democrata e os primeiros passos do presidente do CDS foram na JSD. Sócrates adora esquiar e Portas tira férias para fazer esqui. Há investigações judiciais que prejudicam Sócrates? Existem processos eternos a pairar sobre a cabeça de Portas. Gémeos? Ao que parece.

Com tanto em comum, não terá faltado conversa no jantar de José Sócrates com Paulo Portas na casa de Basílio Horta, no Estoril, para negociarem um acordo de Governo, como escreveu o Expresso este sábado. Fazia sentido ser Basílio Horta a patrocinar essa bizarria política que é o Bloco Lateral: afinal, Basílio foi ministro no Governo PS-CDS em 1978, já liderou a bancada parlamentar de Portas e agora é presidente da AICEP, colaborador vital do Governo socialista.

O Expresso escreve que “intransigência de Sócrates em relação às principais reivindicações dos centristas (sobretudo impostos e pensões)” inviabilizou o acordo. Mas não é por estes assuntos secundários de policies para o País ou por um ser socialista e outro conservador, um de esquerda e outro de direita, que eles não se entendem. O problema não reside no que os separa, o problema está no que os une.

São filhos de arquitectos, mas Nuno Portas é um académico premiado, enquanto o arquitecto Pinto de Sousa é o autor de uma torre na encosta da Covilhã que devia ser demolida. Cresceram com pais separados, mas Portas foi criado pela mãe e Sócrates pelo pai, o que faz toda a diferença. Andaram na JSD, mas Portas inscreveu-se por idolatrar Sá Carneiro, enquanto Sócrates cindiu por Sá Carneiro ter regressado ao PPD. Gostam de esquiar, mas Sócrates vai para os Pirinéus e para a Suíça, enquanto Portas prefere Aspen, nos Estados Unidos.

Se estas seriam razões bastantes, há outra determinante: Portas nasceu para a política como jornalista e Sócrates odeia jornalistas; se Portas fosse jornalista com Sócrates no poder, odiaria Sócrates. Alguém imagina uma coligação entre dois adversários com semelhanças tão diferentes?

Crónica publicada no site da SÁBADO.

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Prepare uma mochila para a crise: compre uma Bag PEC

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

A ministra da Saúde quer as mães a fazerem sopinha, a Moddy's cortou o rating a Portugal em dois pontos, Sampaio e Mello diz que Portugal pode entrar em falência, o ministro das Finanças alemão vai aconselhar Teixeira dos Santos, mas o visionário foi o ministro da Agricultura, António Serrano, que recomendou ontem à população que guarde alimentos na despensa e numa mochila de emergência para responderem a situações de crise.

É a chamada Bag PEC, a mochila com respostas para a crise, que depressa será convertida em Bag PEC 2. Ora como estamos cada vez mais em situação de crise, o melhor é mesmo cada um fazer a mochilinha e irmos todos acampar a comer rações de combate, porque de resto tudo bem ...

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Abram as fronteiras

13 julho 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Afinal, o Sol a modos que se enganou e a pena de Isaltino foi reduzida de sete para dois anos e a pena de mandato não foi confirmada pela Relação. Já não precisa de fugir.

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Fechem as fronteiras

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

A sentença de prisão efectiva e perda de mandato de Isaltino Morais foi confirmada pelo Tribunal da Relação. No Sol.

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Gente em museus - 15

11 julho 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos


Foto: VM

Alice descobre aleph. Tate Modern, 2010

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A biografia do Alberto João

09 julho 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

A Maria Henrique Espada, jornalista da SÁBADO, lançou ontem a biografia de Alberto João Jardim, editada pela Esfera dos Livros. Vale a pena ler a investigação que levou três anos a escrever. Por exemplo: não há registos da eleição ou do dia da chegada de Alberto João à liderança do PSD-Madeira, o que não deixa de ser curioso. Em várias entrevistas ao longo da vida, Jardim explicou como escolheu os deputados a Assembleia Constituinte, mas nessa altura ainda não era líder. Provavelmente, só o foi no Verão quente de 1975 e andou depois a tentar reescrever a história.

Entrevista da Maria à Antena1.

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Lido no Elevador

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Pedro Guerreiro, editorial do Jornal de Negócios: "A intervenção de Sócrates no negócio entre a PT e a Telefónica foi um sucesso... para Sócrates. Mostrou quem manda. Manda na PT, na Caixa, manda em tudo o que antes negava. Nós, o povo, delirámos. E assim se legitima o que antes era escândalo. Amemos o polvo."

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Santos Silva monta a tartaruga

08 julho 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

 Seychelles, essa potência política, é amanhã o destino da viagem oficial do ministro da Defesa, Augusto Santos Silva e do CEMGFA general Valença Pinto. O ministro da propaganda da ala esquerda ou direita do Governo (varia conforme sopra o vento), vai visitar um destacamento composto por um avião P-3 e 42 militares portugueses que lutam contra a pirataria no Índico. Será recebido pelo presidente da república, MNE, MAI, ministro dos Transportes, brigadeiros e generais seychelenses. "Abordará a questão da candidatura portuguesa ao Conselho de Segurança da ONU, no biénio 2011-2012", diz o comunicado. Se bem me lembro, também foi a diplomacia da caça ao voto para o Conselho de Segurança que levou Soares às Seychelles em 1995 (atenção a Soares na foto, já com o voto na ONU garantido). O Elevador deseja boa viagem ao sr. ministro, e bom trabalho! Dizem que o clima lá é muito propício ao debate político-ideológico entre os neoliberais e a esquerda alter-mundialista, com um mojito numa mão e os pés de molho na água morna e transparente do Índico. Se eu fosse jornalista da Sábado propunha já uma capa: "Os melhores recantos do mundo para fazer diplomacia..."

PS: Parece que já há uma campanha nos ambientalistas das Seychelles: "Salvem a tartatuga do tuga!"

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Freakpolitics - o que diz o lado improvável dos políticos (8)

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Economistas, cozido e carapaus



A escritora Virginia Wolf queixou-se uma vez da frugalidade de um jantar em casa do economista John Maynard Keynes, onde onze convidados lutaram para catar os ossos de apenas três galinhas. Milton Friedman, crítico de Keynes e Nobel da Economia, ficou conhecido como forreta por devolver telefonemas a jornalistas a cobrar no destino. O asceta Aníbal Cavaco Silva é mais neo-keynesiano que discípulo de Friedman, mas é igualmente economista: ficaram célebres as queixas do bispo de Setúbal D. Manuel Martins, quando o primeiro-ministro Cavaco lhe deu para almoçar em São Bento jaquinzinhos com arroz de tomate.
Cavaco é tão frugal que consegue convidar os melhores chefs portugueses para o Palácio de Belém, não provar as receitas, e ainda confessar que prefere a simplicidade dos carapaus algarvios. O Presidente age como um economista no lado comezinho da vida e na política não é diferente: comporta-se em função do binómio custo/benefício.
A cabeça política de Cavaco é um quadro de dupla entrada: tenho mais custos ou benefícios em ficar calado? Quando o silêncio traz mais receita e a conversa mais despesa, fica calado e assim nascem os célebres tabus. O povo sabe que às vezes o barato sai caro, mas um economista profissional não se rege por ditados. O casamento gay? Cavaco é contra, mas faz esta contabilidade: se vetasse os custos seriam maiores que os benefícios, pois acabaria humilhado e obrigado a promulgar a lei na mesma. Assim, opta pela solução mais em conta.
Pedro Passos Coelho também é economista – mais tipo Friedman que estilo Keynes – e até escreveu um texto esta semana no i “mais como economista do que como presidente do PSD”, um tropismo herdado de Cavaco, que sempre se definiu como economista por contraste com o político. Acontece que, na idade com que Passos se licenciou em Economia, já Cavaco era economista doutorado. Pelo contrário, Cavaco era virgem de política quando se doutorou, e com essa idade já Passos era um político calejado.

O que é que isto nos diz? O actual líder do PSD adora comezainas, em jovem era capaz de comer duas sopas de feijão antes de se dedicar a um cozido à portuguesa, e jamais deixaria de provar as receitas dos chefs em Belém. Portanto, se Cavaco tem prazer na frugalidade, Passos Coelho está em dieta política e daí pode surgir uma sensação de abstinência: o economista Passos Coelho pensa neste momento ter mais benefícios em ajudar o Governo a enterrar-se com a crise, do que em provocar eleições, até porque isso deixaria Cavaco com custos desnecessários nas Presidenciais. Já o político Passos olha para o cozido à portuguesa das sondagens que o começam a fazer salivar, mas tem de aguentar-se a carapauzinhos até chegar a hora. Se na cabeça de Cavaco ganha o economista, na de Passos vencerá o economista ou o político?

Crónica publicada no site da SÁBADO.

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Mistérios da vida moderna

07 julho 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

De manhã levanta-se, veste a camisola do Ronaldo, joga com a bola no corredor, toma o pequeno almoço, joga à bola no corredor, vai para a escola, onde à falta de bola joga à bola com o chapéu, regressa da escola, veste a camisola do Ronaldo e joga à bola no corredor, toma banho e janta, joga à bola... Quando não está a jogar à bola, está a folhear a caderneta dos cromos, ou a colar, ou a contar, ou a rever os repetidos. O M. tem 4 anos. Ontem, enquanto a câmara viajava pelos jogadores da Holanda e do Uruguai a cantarem os respectivos hinos, ele ia dizendo: "Tenho este, tenho, tenho, não tenho, tenho..."

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O melhor futebol do mundo no i

06 julho 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Armado ao pingarelho, eu raramente lia um texto sobre desporto nos jornais diários, sobretudo se fosse futebol (abria excepção para a F1 ou para a NBA). Mas o i está a mudar-me. De longe, parece-me a melhor editoria de desporto dos diários. Por exemplo, este texto sobre a busca da Mercedes pelo autocarro que conduziu a selecção da RFA em 1974 é uma delícia. Mas este é apenas um dos muitos exemplos de bom jornalismo criativo daquela equipa.

PS: não conheço nenhum dos jornalistas de desporto do i.

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A corporação distraída

04 julho 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

O João Magalhães, da Câmara Corporativa, remete para esta intervenção do Pedro Adão e Silva na TVI, a contestação dos números do desemprego que a Ana Catarina refere aqui. Ora eu ouvi o Pedro Adão e Silva a explicar a metodologia do Eurostat, mas ouvi-o até ao fim e fiquei convencido de que, se o João Magalhães tivesse feito a mesma coisa, não teria linkado a intervenção do especialista (autor do Léxico Familiar). Ele explica muito bem o dramatismo da situação do emprego em Portugal, ao contrário do oásis de notícias "que amanhã não saem nos jornais" com que os queridos Abrantes nos brindam sempre que podem.

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Gente em museus - 14

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Foto: VM

O verdadeiro surrealista sonha. Tate Modern, Londres 2010 

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Fact Checking

02 julho 2010 :: Guarda-freio: Ana Catarina Santos

Facto 1: Os números do desemprego em Portugal subiram dos 10,8% para os 10,9% entre Abril e Maio deste ano, indicam os dados do Eurostat.
Facto 2: O Primeiro-Ministro reagiu, dizendo que “isso é consequência da crise financeira e económica. E o desemprego cresceu em toda a Europa”.
Facto 3: O Eurostat disponibiliza dados actualizados em 21 dos 27 Estados membros e destes 21, em apenas 5 (Bélgica, Irlanda, Espanha, Chipre e Portugal) a taxa de desemprego aumentou.
Facto 4: A taxa de desemprego desceu em 9 países e em 7 manteve-se inalterada.
Facto 5: Ou seja, menos de 1/4 dos países têm taxas de desemprego a subir e cerca de 3/4 dos países da UE têm taxas de desemprego estáveis ou a descer.
Facto 6: Eis o link para ouvir a declaração do Primeiro-Ministro: http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=1608933
Facto 7: Eis o link para consultar os números do desemprego do Eurostat:
http://epp.eurostat.ec.europa.eu/cache/ITY_PUBLIC/3-02072010-AP/EN/3-02072010-AP-EN.PDF

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Varado

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Cheira-me que esta súbita demissão de Armando Vara do BCP por causa do "imprevisto arrastamento" deve ser motivada por uma notícia qualquer que possa estar para sair nos próximos dias. Não sei de nada, mas cheira-me mais ao caso Banif-Angola do que ao processo Face Oculta...

ADENDA: Embora não tenha havido qualquer notícia que aparentemente tenha motivado a demissão de Vara, aqui está uma notícia, aqui a resposta do advogado a dizer que a demissão nada tem a ver com o caso Face Oculta.

Leva agora os teus sinais...

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Vieira da Silva disse hoje que o Governo tem "sinais de que "os números do Governo" sobre o desemprego são "contraditórios" com os do Eurostat, que colocam o desemprego em 10,9%.

Quando já não é possível uma leitura optimista, o Governo inventa. Os número são negativos, mas há por aí uns sinais sobre uns números que hão-de aparecer um dia, quem sabe... Se Sócrates até os números do Banco de Portugal põe em causa, por que não os do Eurostat? A realidade é uma chatice...

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Os boches de Palmela

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Pareceu-me ouvir agora mesmo José Sócrates na televisão a falar de um monovolume da Volkswagen como sendo um "carro português", como aliás toda a gente sabe. Mas talvez eu tenha ouvido mal...

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apresentação

Tudo o que sobe também desce

Conheça a história do ascensor aqui.
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