24 novembro 2010
:: Guarda-freio: Ana Catarina Santos
Quem quer fazer uma vaquinha para ajudar mais uma vítima da crise? O liberal Pedro Passos Coelho está a passar um mau bocado e a crise vai sentar-se à mesa do líder do PSD na ceia de Natal. Diz que não tem dinheiro para comprar presentes às filhas e vai comprar uma única prenda para a mais nova. Passos Coelho podia juntar-se a Ricardo Gonçalves, o deputado do PS que lamenta que a cantina da AR não esteja aberta para o jantar, pois o dinheiro que recebe não lhe dá para tudo. Pedro e Ricardo sofrem, juntos, esta crise. Ambos são vítimas da insaciável apetência dos mercados globais pelo lucro e da brutal ofensiva contra os direitos dos trabalhadores e os princípios do Estado Social. Mas haja esperança. Pelo que conheço da população portuguesa e seu espírito solidário, acredito que milhares de desempregados, precários, contratados a prazo, jovens a recibos verdes, trabalhadores com salário mínimo, etc. ficarão sensibilizados com estes desabafos e serão generosos. Enviarão ajuda para que o Natal para Pedro e Ricardo não seja tão dramático. Etiquetas: crise global, Mais valia estar calado, Passos Coelho, Ricardo Gonçalves
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07 novembro 2010
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
 Depois de ter visto e ouvido tanta coisa, já nada me devia espantar, mas uma tendência inata para a ingenuidade leva-me a ainda ficar surpreendido com coisas como esta: não entendo o que passa pela cabeça de um líder político para ter ideias assim e dizê-las em público, sem a seguir cair para o lado morto de vergonha. A sorte, é que como nós já não acreditamos quando eles falam a sério (na melhor das hipóteses fingimos acreditar, supremo cinismo), também não acreditamos quando dizem coisas a gozar. É um discurso sem sentido, popularucho, que alguns taxistas achariam óptimo, mas que não se pode levar a sério, porque se não for brincadeira é grave.
Vejamos então quem ia preso, porque é isso que acontece a quem comete crimes: António Guterres ia preso pelo descontrolo das contas públicas, por ter conduzido o país ao pântano, e por não ter feito políticas anti-cíclicas em tempo de vacas gordas; Durão Barroso por ter deixado o Governo a Santana e por ter apoiado a invasão do Iraque com base em premissas falsas; Manuela Ferreira Leite por ter desbaratado a rede fixa da PT; Santana por ter deixado que um Governo tivesse chegado a um descrédito nunca visto; José Sócrates por ter mentido sobre o défice ao longo de 2009 e pela situação de 2010/11; Cavaco ia preso por não ter feito nada contra as políticas de Sócrates (cumplicidade) e por tudo o que correu mal nos 10 anos da sua governação; para Pedro Passos Coelho havia arranjaria facilmente um motivo para ele também ir preso, razão pela qual aquele discurso é grave, perigoso, e por agora para rir.
Bom, mas há onde esta ideia já esteja a fazer caminho.Etiquetas: crime, Passos Coelho
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02 novembro 2010
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
"Eu, aflito, às voltas. Voto, não voto... Não, não posso votar. Passado um bocado, lá vem, de novo, o funcionário. Com nova anotação do primeiro-ministro. E essa, tive de aceitar. Não era totalmente aquilo que eu queria, mas tive de aceitar".
Pedro Passos Coelho, no livro "Mudar", sobre a aprovação do Orçamento de 1994, quando era líder da JSD e o primeiro-ministro Cavaco Silva. A questão eram as deduções fiscais das propinas. Etiquetas: Orçamento do Estado, Passos Coelho
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09 outubro 2010
:: Guarda-freio: FSC
O sentido de voto do PSD no Orçamento do Estado depende de Pedro Passos Coelho. O aumento de impostos não. No estado a que as coisas chegaram, haverá aumento de impostos independentemente de haver este ou outro Orçamento, este ou outro primeiro-ministro - e mesmo que esse primeiro-ministro seja o próprio Passos Coelho. Suponhamos que o PSD vota contra o OE. Não acredito nisso (a declaração de hoje, exigindo um Orçamento "minimamente razoável", é o sinal de abertura que faltava até agora), mas admitamos que sim, for the sake of argument. Pelo que se tem visto, a grande razão para esse chumbo seria travar o aumento de impostos. O Governo demite-se, Sócrates e o PS não aceitam formar um executivo de gestão, e Cavaco anda de candeia à procura de alguém que segure a coisa até poder dissolver a AR e convocar eleições, que seriam em maio. Entretanto, o rating da República vinha por aí abaixo, os juros iam por aí acima e o mais certo era termos o FMI pela porta adentro para nos salvar da bancarrota (presumindo que haveria alguém para abrir a porta). Em campanha para as legislativas, Passos prometerá, naturalmente, tirar-nos do buraco sem aumentar impostos - afinal, a razão próxima para a crise política. Será um exercício interessante ver Passos a dizer que não aumenta impostos, com o FMI a tomar conta da loja e a exigir o contrário. Mas admitamos que o líder do PSD fica na sua, não desarma com a promessa de não aumentar impostos, e ganha as eleições. (Para isso ainda teríamos que admitir que as pessoas acreditassem num político que prometesse tal coisa, o que nesta altura do campeonato me parece pouco provável, mas enfim...) Qual seria a primeira coisa que Passos teria que fazer mal formasse Governo? Isso mesmo: aumentar impostos, e tudo o mais que o FMI ditasse. Pedro Passos Coelho no Governo teria que aplicar, não o plano de austeridade de Sócrates, mas provavelmente um ainda mais exigente (o tempo, nestas coisas, nunca corre a favor). Seria, portanto, o terceiro primeiro-ministro a aumentar impostos depois de fazer campanha a prometer o contrário. Depois queixem-se se isto acabar à pedrada. Adenda: Dou-me conta de que, em caso de crise política, os calendários seriam mais rápidos do que escrevi acima - e o PSD ficaria ainda mais depressa comprometido com o aumento de impostos. Vejamos: chumbo do OE, demissão do Governo, rating aos trambolhões, juros da dívida a disparar, entrada do FMI em Portugal para podermos recorrer ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira. A ementa do FMI inclui, claro, aumento de impostos - e isto, de imediato, e não apenas quando houvesse um novo governo, lá para a primavera/verão. O FMI diz o que fazer, mas quem aprova são os parlamentos. E, num ápice, teríamos o governo de gestão, qualquer que ele fosse, a apresentar na AR o pacote de austeridade do FMI. Nessas circunstâncias, não tenho dúvidas de que Pedro Passos Coelho estaria a dar ordem aos seus deputados para viabilizar o aumento de impostos pouco tempo depois de ter dado ordem aos mesmos deputados para chumbar o OE... para que não houvesse aumento de impostos. Mas isto, claro, se o PSD chumbasse o OE no dia 29. E isso, pago para ver. Etiquetas: José Sócrates, Orçamento do Estado, Passos Coelho
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21 julho 2010
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
Virtude - na sua proposta de revisão Constitucional, Passos Coelho diz ao que vem. Não esconde jogo e marca diferenças abissais para o PS, provando que não existe Passócrates nem Socratelho.. As pessoas podem gostar ou detestar, mas é o que ele pensa sem ter medo de perder votos, que é o mais certo.
Defeito - péssimo timming, o que em política pode ser mortal: a) é óbvio que a legislatura não vai durar até ao fim, pelo que não haverá tempo para uma revisão constitucional e isso torna a proposta pífia; b) era escusado arranjar um engulho destes a Cavaco Silva a seis meses das Presidenciais; c) é um grande favor a Sócrates, que agora passa a ter um discurso perfeito contra os que querem destruir o estado social, a educação pública, o SNS e liberalizar os despedimentos. Alguém se lembraria de fazer um favor maior ao engenheiro? Obrigatória a leitura deste texto da Ana Sá Lopes no i. Etiquetas: José Sócrates, Passos Coelho
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05 junho 2010
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
Por mais que se discuta a esquizofrenia dos apoios/críticas do PSD ao Governo, Pedro Passos Coelho sabe que lhe dá um jeitão ajudar o primeiro-ministro a continuar o seu mandato. Mais do que atacar e mandar abaixo:
a) Apoiar o Governo com argumentos patrióticos transmite a ideia de uma dimensão de Estado que ele não tinha;
b) Dá pontos ajudar o Governo a cavar a sua própria sepultura durante a crise, apoiando a quebra de promessas eleitorais do PS;
c) Passos precisa de Sócrates enfraquecido e sobre pressão, mas já é um disparate ingénuo pedir uma remodelação;
d) Ajudar este Governo a ficar com o ónus das medidas mais difíceis será de grande utilidade nas próximas eleições, se o pior da crise já tiver passado;
e) Depois é esperar que o poder caia no colo (se nada acontecer entretanto, porque neste País não se sabe...); Etiquetas: Passos Coelho, Sócrates
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28 maio 2010
:: Guarda-freio: FSC
Deve ser (é de certeza) por estar no Brasil, a acompanhar uma visita de José Sócrates. Esta noite, enquanto escrevia, a playlist do meu i-pod trouxe-me esta canção da Marisa Monte. De repente, a letra pareceu-me feita à medida do tango que Sócrates quer dançar com Passos Coelho... "Eu só não te convido pra dançar Porque eu quero encontrar com você em particular Há tempos tento encontrar um bom momento Alguma ocasião propícia Pra que eu possa pegar sua mão, olhar nos olhos teus Seria bom, quatro paredes, eu, você e Deus Procuro explicar o meu sentimento E só consigo encontrar Palavras que não existem no dicionário Você podia entender meu vocabulário Decifrar meus sinais, seria bom..." Etiquetas: Passos Coelho, são precisos dois para dançar o tango, Sócrates
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28 abril 2010
:: Guarda-freio: FSC
A rapidez com que reagiu e telefonou a Sócrates, a ida a São Bento para a "cimeira da crise" (segundo lhe chamou uma tv) e as declarações ao lado do primeiro-ministro deram a Pedro Passos Coelho ar de estadista. Não é mau para quem ainda há pouco tempo era "o rapaz do Ângelo". Etiquetas: crise, José Sócrates, Passos Coelho
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27 março 2010
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
Com uma vitória esmagadora no bolso, no seu primeiro discurso como líder eleito do PSD, Pedro Passos Coelho começou bem o mandato ao convidar os seus adversários a pertencerem à direcção do partido. Seja qual for a resposta de Paulo Rangel e de Aguiar-Branco (eu apostava que vão recusar), trata-se da manifestação de um líder forte sem medo da sombra.
Quando Passos discursou para as televisões, Miguel Relvas, o homem mais importante na sua ascensão ao poder, ficou atrás das câmaras a ver. Por detrás do novo líder apareceram três caras do menezismo: Marco António Costa, Miguel Santos e Luís Montenegro. Devia ter havido algum cuidado em diversificar.
Não deixa de ser sintomática a forma como Manuela Ferreira Leite deixa a chefia do partido: sem fazer um simples telefonema ao candidato que lhe vai suceder.
O PS agora deve moderar-se nas ameaças de bater com a porta: ou tem mais cuidado com as dramatizações do género agarrem-me senão eu vou-me embora ou Passos vai mesmo romper e levar o Governo a eleições antecipadas até Setembro, porque aliás sabe que o prazo de validade dos líderes do PSD é muito curto. É uma questão de esperar pelas sondagens dos próximos dois meses. Etiquetas: Passos Coelho, PSD
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