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elevador da bica

Cá estaremos para ver

31 janeiro 2008 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

O que vai mudar na política para a Saúde ou o que vai mudar naquilo que a ministra pensa sobre a política seguida, até agora, pelo Governo para o sector da Saúde

He loves me, you know

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

No programa Face The Nation de segunda-feira, dia 28, Hillary Clinton deu uma resposta a Bob Schieffer que em Portugal seria mais do que pindérica: era pirosa e sei lá que mais. Nos EUA dá votos, apesar dos charutos e das pretéritas brincadeiras com Mónica Lewinsky na Sala Oval. Mas o tempo e o poder são esponjas eficazes. Afinal, se Bill se excede no apoio a Hillary, contra Obama, é por amor.

Bob Schieffer pergunta: Algumas pessoas disseram que ele [Bill Clinton] estava fora de controlo, outras que estava a fazer exactamente o que você queria, que era o seu cão de ataque... continuará ele a agir desta forma agressiva ou vai mudar? [tradução livre]

Hillary Clinton responde [transcrição]: “Oh Bob, my husband has such a great commitment to me and to my campaign, he loves me, you know, just like... you know... husbands and wives get out there and work in each others behalf. I certainly did that for him for many years and you know I’m very grateful for all of the help he is giving, supporting me along with my daughter. (...) In my own support of him, sometimes I also got a little carried away.
It’s human nature Bob, the spouses of all three of us have been passionate a vigorous defenders of each of us and maybe got a little carried away. (...) that comes wit sleep depravation...

Mistérios da vida moderna - 15

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Entrei num café ali na Duque de Ávila e pedi: “É uma bica e um queque, destes aqui, por favor!”
O empregado eriçou o bigodinho e trouxe a bica e queque. “Quanto é?”, perguntei. Ele respondeu:
- Hoje só paga o bolo. O café é oferecido.
E deu-me o panfleto de um banco, do balcão que ficava mesmo naquela rua.
- Eles hoje é que pagam!

Podem achar estranho, ou que sou muito vulnerável ao marketing (normalmente não sou), mas gostei tanto que me tivessem oferecido o café, que fiquei cheio de vontade de aceitar o convite e ir lá ver o que mais tinha o dito banco para me dar. Mas não fui.

Saudinha para 2009

30 janeiro 2008 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Imagino que Sócrates deu rédea solta a Correia de Campos, na última semana, para dar entrevistas e aparecer à farta nas televisões, rádios e jornais, a "explicar aos portugueses" - como pedia o Presidente da República - a reforma da Saúde. Ele apareceu. Como se esperava, tanta foi a visibilidade, tanta foi a conversa, tanta foi a casca de banana, que afastá-lo se traduz num alívio para os portugueses e numa descompressão para o Governo. Um alívio ilusório. Acredito que mude o estilo. Duvido que se altere a política.

Para a Saúde vai uma mulher porque da Cultura saiu uma mulher. O Governo que instituiu as quotas não podia deixar a ministra da Educação a corar sozinha com as conversas de homens do Conselho de Ministros. Uma mulher, Ana Jorge, com low-profile, é uma técnica, uma par dos profissionais que tutela, e raramente se irrita: um perfil contrário ao de Correia da Campos, para pacificar um sector central e preparar 2009.

Na Cultura, um homem com high-profile substitui uma ministra por quem não se dava. Pinto Ribeiro vai aparecer, vai dar nas vistas, é mediático e sabe sê-lo, vai ser um Carrilho de mundanidades (também tem melena estudada e namorada mediática) como se quer numa área como a Cultura. Aqui Sócrates quer recuperar as elites. A mudança de política será tanta quanto o novo ministro evitar os disparates da ex-ministra.

Gostei de ler

29 janeiro 2008 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Este Pais Não é Para Velhos, de Cormac McCarthy. É uma história sobre o mal, sobre como o mal é invencível, sobre como pode sê-lo, mesmo contra a nossa angústia. Apesar de pensarmos, no conforto das nossas vidas ocidentais, que o mal foi feito para ser vencido pelas forças do bem – pela polícia, pela medicina, pela justiça, seja o que for -, nem sempre é assim (o 11 de Setembro já mudou essa percepção, apesar de o livro nada ter a ver com isso). É um western moderno, mais fácil de ler que A Estrada. O poder de Chigurh quando atira a moeda ao ar é o mesmo de Deus quando traça o destino e decide da vida e da morte. Moss não anda longe de sermos nós. O xerife somos nós. Chigurh é o outro. Espero ansiosamente pelo filme dos irmãos Cohen, cheio de nomeações para os Óscares, onde Javier Bardem faz de Chigurh.

Não gostei de ler

28 janeiro 2008 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

O Meu Nome é Legião, de António Lobo Antunes. Borreguei na página 262, de 380. É um génio, pois, que escreve como mais ninguém, como aliás ele diz com razão. Ninguém escreve assim, tão em trança, a não ser as imitações baratas do mestre: enquanto conta a história os personagens vivem e pensam, e pensam sobre os seus pensamentos, como nós enquanto estamos aqui pensamos coisas que se transformam em pensamentos que nos pensam a nós. Naquele mundo, nós somos esses pensamentos, mais do que aquilo que nos acontece. Ninguém escreve tão bem como se estivesse dentro de uma pessoa a viver e a pensar, e a ser dominado pelos seus pensamentos, assaltado a toda a hora por reminiscências involuntárias. Reconhecer isto é uma coisa. Ler o livro até ao fim é outra: personagens sempre assaltadas pelos brinquedos de infância, pelas fachadas dos prédios dos subúrbios, pelos objectos da cozinha, por tudo numa eterna repetição... Parei a leitura quando os meus pensamentos passaram a dominar-me, como às personagens, e deixei de ter domínio sobre o livro e acrescentei mais umas tranças às tranças do livro e ficou tudo empeçado. Então, fui à estante, e peguei no Este País não é para Velhos, de Cormac MacCarthy, e não parei de o ler.

Para não levar a sério

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Segundo o Correio da Manhã de hoje, 117 deputados (em 230) já suspenderam funções e 37 renunciaram aos mandatos. Se a eleição como deputado não é para levar a sério, nós também não levamos a sério. O problema é cada vez mais esse. Mais um ponto a favor dos círculos uninominais.

Exemplos
PS: Pina Moura, António Vitorino, Jorge Coelho, João Cravinho, José Apolinário...
PSD: Luís Filipe Menezes, Luís Marques Mendes, Morais Sarmento, Dias Loureiro..
CDS: Pires de Lima, Álvaro Castelo-Branco...
PCP: Odete Santos... (eles bem tentaram correr com a Luísa Mesquita)

O cavalo da Grécia e de Tróia

24 janeiro 2008 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

“O Consultor de gregos e troianos”. Numa peça com este título, o Público hoje toca na zona infectada da ferida: António Cunha Vaz era assessor de Carlos Santos Ferreira na Caixa Geral de Depósitos, e, enquanto isso, assessorava Jardim Gonçalves num dos episódios da crise do BCP, para logo depois assessorar o mesmo Santos Ferreira como candidato à presidência do BCP, enquanto assessorava Luís Filipe Menezes que dizia que o PS estava a tomar o BCP de assalto – por via daquele malandro do Santos Ferreira assessorado pelo seu assessor - e que a CGD devia sobrar para o PSD. Nada disto faz sentido mas acontece em Portugal.

Guerras de São Caetano e São Bento

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Só por uma tendência exagerada para a autofagia se percebe que o PSD ande a consumir energias a discutir se a agência de comunicação Cunha Vaz deve ter ou não ter um agente no Parlamento. A posição de Santana vs Ribau (no Público de hoje) é reveladora da confusão que vai entre São Caetano e São Bento. Enquanto os santinhos se zangam em guerrinhas do Alecrim e Manjerona, Sócrates vai rindo. Por pior que a situação esteja, o povo olha para o lado direito do PS e não confia.

A voz de Cassandra

22 janeiro 2008 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Os sinais estão aí. Há demasiados ovos no ar: crise financeira mundial; bolsas com quedas abruptas; abrandamento económico geral; os EUA em ambiente de pré-recessão a tomarem medidas preventivas; os norte-americanos nervosos a reagiram, através de Bush, a rádio-amadores pensando que são iranianos a fazer ameças de guerra; o Paquistão em crise; a América Latina imprevisível, etc., etc...

O Governo tem de se mostrar optimista, claro, ou então era melhor fazer as malas e ir para casa. Mas há muita gente e demasiado importante com quem tenho falado, a fazer esta leitura: vem aí crise económica e, como se sabe, em ano de eleições “it’s the economy, stupid!”; até Junho já não dá para fazer nada, leia-se ter o PRACE prontinho e acabado para depois aparecerem os resultados; no Verão o País pára; e a partir de Setembro Sócrates começa a campanha eleitoral a lançar obras a torto e a direito.

O problema do Governo, e de todos nós, é se um dos ovinhos que está no ar cai no chão e depois caem os outros todos porque não temos mãozinhas para os agarrar. Cassandra só dava más notícias, mas tinha sempre razão.

Menezes à deriva

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

1. Percebe-se que precise de assessores de comnunicação. A prova de que Luís Filipe Menezes navega à vista e não tem sentido de Estado revela-se na frase de ontem, em que defendeu fazer, na revisão constitucional de 2009, “alguns reforços dos poderes presidenciais consentâneos com a postura deste Presidente da República”.

E quando vier outro?

Se o presidente fosse Sampaio reduziam-se os poderes, claro. Como é Cavaco, aumentam-se. Ora isto seria de riso se não fosse para lamentar. A Constituição é a lei fundamental do país, não é para andar a brincar conforme se vai gostando do humor dos titulares dos cargos.

Na moção de estratégia com que ganhou as eleições no PSD, Menezes defendeu a alteração da constituição para mexer nos poderes presidenciais. E acrescentou: “Em anexo a esta Moção, e como sua parte integrante, está apenso um primeiro documento de trabalho balizador das posições que o PSD defenderá sobre estas matérias.” Não encontro esse anexo em lado nenhum.

2. As declarações da semana passada sobre os comentadores foram completamente tontas e vêm na sequência da tristemente célebre intervenção de Rui Gomes da Silva (agora vice-presidente do PSD) sobre Marcelo Rebelo de Sousa, que levou à saída do comentador da TVI. Percebo que Menezes se irrite com os comentadores do seu partido que não fazem comentário engajado e seguidista. Já não percebo como é que não aprende com os erros.

Interrogações sobre o Banco de Portugal

12 janeiro 2008 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

O artigo de Luis Campos e Cunha sobre a questão da auditoria e supervisão das operações realizadas pelo BCP que estão actualmente sob investigação, publicado no Público, coloca questões que merecem ser esclarecidas, nomeadamente no que respeita à actuação da KPMG.

Já no que respeita à actuação do Banco de Portugal, a defesa feita pelo ex-vice-governador da instituição revela-se extemporânea, porque o banco central tem, de facto, esclarecimentos importantes a prestar sobre o que fez e o que não fez em relação a esta matéria.

Seria conveniente, por exemplo, que Vítor Constâncio esclarecesse por que motivo um dossiê entregue pelo BPI sobre alegadas irregularidades cometidas pelo seu concorrente não desencadeou qualquer iniciativa e ficou adormecido nalguma gaveta do Banco de Portugal.

Foi evidente, também, que o Banco de Portugal só decidiu interessar-se pelo assunto quando se sentiu pressionado pelas informações que foram surgindo na Imprensa e pelo facto de Joe Berardo ter conseguido levar o assunto à Procuradoria-Geral da República. É mais um aspecto em que seria interessante escutar a explicação de Vítor Constâncio.

Sobre a circunstância de Berardo ter recorrido a outros meios que não uma queixa junto do Banco de Portugal, trata-se, também, de um tema que merece reflexão. Será que esta opção ficou a dever-se ao facto de, dados os antecedentes relativos ao dossiê entregue por Fernando Ulrich, o accionista ter desconfiado que a documentação de que dispunha iria cair em saco rôto? Será que semelhante raciocínio terá sido o de quem, a partir do interior do BCP, passou documentos a Berardo em vez de os entregar no Banco de Portugal?

E por que motivo isto sucedeu? Se existisse no mercado a convicção de que o Banco de Portugal exerce de forma diligente e criteriosa as suas responsabilidades de supervisão tudo se teria passado da mesma forma?

Aqui ficam algumas dúvidas que uma instituição pública com a importância e o peso do banco central tem a obrigação de sujeitar a escrutínio.

Gostei de ver/ Gostei de ler

11 janeiro 2008 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Expiação, o livro de Ian McEwan, é uma obra extraordinária sobre como a realidade vista pelos olhos de uma criança pode ser tão diferente do olhar de um adulto. É, também, um ensaio sobre o fardo da culpa por causa das consequências de um acto infantil, um erro, que destrói duas vidas, sem remédio. É um belo livro sobre alguém que expia um pecado até à morte. Quando o li achei que era tão visual que me parecia um filme.

Expiação, o filme de Joe Wright baseado no livro de Ian McEwan, que vi esta semana não desmerece o livro. As imagens mais fortes estão lá. A narrativa e a montagem explicam-nos, com arte, a visão da criança e a dos adultos. Temos a noção da angústia da culpa. É um belo filme. Boas interpretações. Boa produção. Mas aconselho os que não leram o livro a fazê-lo primeiro. Lê-se de uma penada. Quando vi o filme não consegui deixar de pensar que me parecia um livro.

Obrigatório

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

O artigo de hoje de Campos e Cunha no Público (não disponível on-line), sobre os mistérios das aldrabices no BCP, as responsabilidades da auditora KPMG e a actuação da CMVM e do BdP.

Notas atrasadas

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Um agradecimento, tardio, ao Pedro Correia, do Corta-Fitas, que mencionou aqui os dois guarda-freios deste Elevador no fecho do ano anterior.

Saúdo o regresso de Paulo Gorjão à blogosfera. Fazia falta para provocar a malta.

Da Ota a Alcochete II

10 janeiro 2008 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

1. Este recuo serve a Sócrates para provar, a um ano das eleições, que não é arrogante, nem autoritário, nem autista. Ele dirá que é flexível, dialogante e razoável.

2. Não haverá remodelação governamental. Anunciar Alcochete com o sr. "Jamé" ao lado, manifestando-lhe confiança política, quer dizer que só haverá remodelação se algum ministro decidir ir embora.

3. Luís Filipe Menezes, ao invocar os recuos do governo em matérias que o PSD defendia, como o referendo europeu (posição de Menezes) e Ota (posição de Mendes), está a dar ao eleitorado o sinal de que o PS é igual ao PSD. Portanto, para o eleitor reforça-se a ideia de que tanto faz um como outro, com ligeiras diferenças. Não sei se é grande trunfo.

Da Ota a Alcochete I

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

José Sócrates abdica da Ota como se nunca tivesse repetido o que repetiu à náusea, no Parlamento, sempre que Marques Mendes vinha à carga com o assunto. Esta decisão pode ser mais sensata e avisada (não sei, não percebo nada do assunto, é uma questão mais técnica do que política, e não li relatório nenhum). Mas há duas observações a fazer: a) há decisões importantíssimas em Portugal que podem ser tomadas com a maior das leviandades não se percebendo muito bem por quê, como seria a opção Ota; b) a pressão pública, de partidos, jornais, sociedade civil, lóbis, sei lá que mais, blogues, afinal funciona se a sociedade se mobilizar. É uma prova de maturidade da democracia.

O elogio da mentira II

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

É óbvio que a decisão de não fazer o referendo em Portugal estava tomada há meses por Sócrates - e todos os sinais iam nesse sentido. Em Março de 2007, Durão Barroso já dizia a quem o queria ouvir que andava a tentar convencer todos os Governos a não fazer o referendo. Ele e Merkel. Depois com um empurrão de França e da Holanda. Claro que tudo o resto é spin: a indecisão, os telefonemas de última hora... Aliás, Luís Amado já tinha dado sinais de que não ia haver referendo nenhum.

O problema do referendo em Portugal não era ganhar o "não". O problema era o tu-fazes-então-eu-também-faço por essa Europa fora. Ou o tu-fazes-e-dás-argumentos-aqui-na-terra-para-os-que-também-querem-fazer. Isso de "debater a Europa", aproximar a Europa dos cidadãos, são ideias louváveis, mas depois toda a gente ia lamentar os 35% de participação no referendo e lá íamos concluir que os portugueses se estão nas tintas para a Europa.

Já agora, porque é que nunca referendámos a nossa Constituição? Não faz falta aproximar os cidadãos da política? Não faz falta debater o nosso sistema político? A Constituição proíbe que se referende a Constituição. Mas também não se podiam referendar tratados internacionais e agora pode-se. O problema não é o referendo. Eram as consequências de se realizar um referendo agora.

Amibas II

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Armando Vara prepara-se para pedir uma licença sem vencimento. Desta forma, no final do seu previsível mandato na administração do BCP, terá lugar garantido na Caixa Geral de Depósitos.

Isto é, um administrador do segundo maior banco do país manter-se-á como quadro da maior instituição financeira e principal concorrente.

No PS, acham isto normal. E no interior do partido já se começa a considerar que a crítica a situações despudoradas como esta são tentativas de assassínio político de Vara. A dúvida é a seguinte: eles não vêem porque são desprovidos de qualquer sentido ético ou não querem ver porque são autistas e arrogantes?

Amibas

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

António José Seguro atreveu-se a enfrentar José Sócrates no interior da comissão política do PS, a propósito da decisão sobre a ratificação ao Tratado de Lisboa. Afinal, o PS ainda não se transformou, totalmente, num partido de amibas, como Alberto Martins, que passou, rapidamente, de "referendista" a "parlamentarista". O respeitinho é muito bonito.

Ota abaixo

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

O Governo optou pela solução mais sensata. E que poderá ser melhorada, caso se opte pela construção modular à medida do crescimento da procura, como sugere a Universidade Católica, a par de uma desactivação progressiva da Portela que permita rendibilizar os investimentos de que está a ser alvo.

É evidente, agora, que o Executivo estava prestes a fazer uma opção mal fundamentada, ao querer avançar com a Ota sem ponderar outras alternativas. Deve ser responsabilizado por este comportamento ligeiro.

Mas também merece nota positiva o facto de José Sócrates ter sabido dar a mão à palmatória, recuando numa matéria em que o risco, para um país em débil situação financeira, seria o de criar mais um foco de desperdício de recursos públicos e privados.

Resta saber o que sucederá a Mário Lino, para quem um aeroporto na margem Sul "jamais". Permanecerá nas pasta das Obras Públicas depois de digerir tamanho sapo?

Só sabem que tudo sabem III

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

O primeiro-ministro esloveno afirmou saber, há muito tempo, que José Sócrates não iria optar pelo referendo, o que deixou o líder do governo português irado. Não admira.

Depois do esforço feito, nos últimos dias, para passar a ideia de que Sócrates queria muito fazer o referendo, mas que os líderes europeus é que, à última hora, o pressionaram e impediram, uma zanga de comadres faz desconfiar de algumas verdades "spin". E isto, para um propangadista como Sócrates, deve doer.

Só sabem que tudo sabem II

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

O argumento de que a realização de um referendo em Portugal poderia pressionar outros governos a lançarem processos de ratificação do Tratado de Lisboa por esta via, colocando em risco o documento ou, até, numa versão mais catastrofista, a própria União Europeia, é falacioso.

Ignora, desde logo, mas de forma muito conveniente para os adeptos do pensamento único europeu, que a probabilidade de uma vitória folgada do "sim" seria muito elevada, dada a circunstância de três partidos - PS, PSD e CDS/PP - serem favoráveis à ratificação. Esta situação seria, obviamente, um trunfo político para os interesses dos líderes europeus que assinaram o Tratado.

Acresce que, em Portugal, jamais se realizou um referendo sobre matéria europeia relevante. Para quem estivesse interessado, este seria um argumento válido para explicar a excepcionalidade da ratificação pelo voto no caso específico português.

Por fim, seria uma forma de o país sob cuja presidência foi fechado o acordo, mostrar que a chamada "construção europeia" também envolve os cidadãos. E isto seria "porreiro, pá".

A este propósito, não deixa de ser curioso verificar que os adeptos do pensamento único europeu estão sempre disponíveis para causticar, com ou sem razão, aquilo a que chamam os pequenos egoísmos nacionais. Quando chega a hora da verdade, não se coíbem de praticar aquilo que criticam. Haverá, decerto, sinceras preocupações com a estabilidade da União Europeia entre os líderes que concordaram em não fazer referendos mas, deixemo-nos de fantasias, o que ninguém quer, mesmo, é correr o risco de averbar uma derrota política nas urnas. E se isto não é mero calculismo e interesse egoista, é o quê?

Só sabem que tudo sabem

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Almeida Santos afirmou, em defesa da ratificação parlamentar do Tratado de Lisboa, que os portugueses não estão preparados para se pronunciarem sobre a matéria.

Aguardamos, com expectativa, que o ilustre militante do PS esclareça, do alto da sua democrática sabedoria, sobre que assuntos estão os eleitores habilitados a tomar posição.

Já agora, podia clarificar, igualmente, quem lhe concedeu o estatuto e a autoridade para decidir sobre aquilo em que os eleitores podem ter uma palavra a dizer e as disciplinas que lhes estão vedadas.

O elogio da mentira

09 janeiro 2008 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

No Elevador da Bica, é assim. Enquanto um elevador sobe o outro desce e vice versa. E ainda bem. Portanto, há muitas vezes em que não estamos de acordo, embora os dois elevadores se encontrem a meio do caminho.


José Sócrates não cumpriu a promessa eleitoral e ainda bem. O princípio de o fazer por sistema é negativo - sobretudo numa questão tão central como os impostos -, mas incumprir promessas que são más, do meu ponto de vista é bom. Como a promessa do referendo.


Sócrates não podia fazer o referendo por causa de todos os outros países europeus onde poderia haver referendo e não haverá. Sócrates sacrifica-se assim internamente em nome da realpolitik. Se um, dois ou três países fizessem referendo, haveria muitos mais países onde haveria referendo. Reino Unido incluído. E se o Tratado de Lisboa fosse ratificado por referendo, jamais haveria tratado de Lisboa, jamais haveria qualquer tratado da União Europeia. Há um valor mais alto para onde olhar. E como nunca haverá um tratado perfeito quando olhado a partir de 27 perspectivas - este tratado não é perfeito para Portugal, mas também não é perfeito para ninguém -, seria sempre chumbado nalgum país. E um chumbo num país significaria um chumbo em todos os países. Desta vez Sócrates fez bem. Esteve bem ao justificar-se com a questão internacional que o referendo iria desencadear. Esteve mal ao dizer que a sua promessa eleitoral se referia à constituição e não ao tratado, porque, na essência são a mesma coisa.


PS: Sócrates arrumou hoje com a questão da Eslovénia, ao dizer, no Parlamento, que o primeiro-ministro esloveno "foi infeliz" ao imiscuir-se nas questões internas portuguesas. Foi engraçado ouvir Paulo Portas, há uns dias, afirmar que «alguém do Governo devia dizer ao Governo da Eslovénia que Portugal é um Estado soberano, com instituições próprias e soberanas». Não foi Portas que recebeu uma condecoração do sr. Rumsfeld por patriotismo pouco depois de sair do Governo? É um verdadeiro patriota.

Pinóquio

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

José Sócrates tenta, agora, passar a ideia de que o primeiro-ministro até queria fazer o referendo ao Tratado de Lisboa mas que os líderes europeus é que o impediram.

É uma tentativa patética de sacudir as responsabilidades pela flagrante quebra de mais uma promessa eleitoral. Nem sequer leva em linha de conta, no que apenas à imagem diz respeito, que se trata de uma desculpa que revela um líder fraco perante os fortes e que, por isso, nem se incomoda por aceitar o risco de passar por mentiroso.

Encontros no deserto

04 janeiro 2008 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Não deixa de ser irónico: cancelaram o Dakar por questões de segurança, quando o interesse do Dakar sempre foi a aventura de a insegurança. O problema é que, neste caso, o risco é político e o acidente pode nascer de riscos que não são desportivos. São sinais dos tempos pós-11 de Setembro. Também não deixa de ser irónico que o rali seja cancelado porque pode haver ataques no deserto. No meu imaginário, o problema do deserto era não haver lá ninguém para encontrar, era o medo da imensidão, mais do que os riscos de certos encontros. Já nem no deserto se pode andar descansado. Enfim. Até para o ano.

O populista e o rótulo

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

"Sem pôr em causa o princípio da valorização do mérito e a necessidade de captar os melhores talentos, interrogo-me sobre se os rendimentos auferidos por altos dirigentes de empresas não serão, muitas vezes, injustificados e desproporcionados, face aos salários médios dos seus trabalhadores".

Se esta frase tivesse sido dita por Luís Filipe Menezes, choviam as acusações de que era um perigoso populista. Como foi o Presidente Cavaco Silva, na Mensagem de Ano novo, ninguém vai tão longe. Na Quadratura do Círculo, Pacheco Pereira apenas disse que a frase era demagógica. Por aqui se vê que, apesar de ser conservador - nos costumes, na forma como exerce o poder - Cavaco não é de direita. Isto parece contraditório. Sócrates é mais liberal que Cavaco nos costumes e menos conservador, mas talvez esteja muitas vezes à direita de Cavaco. É possível que em muitas circunstâncias até seja menos social-democrata que ele. Hoje, estas classificações são uma confusão e não há espécimes puros, mas sinais destes, de pura moral política, tornam mais claro quem os políticos são.