07 novembro 2010
:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Depois de ter visto e ouvido tanta coisa, já nada me devia espantar, mas uma tendência inata para a ingenuidade leva-me a ainda ficar surpreendido com coisas como
esta: não entendo o que passa pela cabeça de um líder político para ter ideias assim e dizê-las em público, sem a seguir cair para o lado morto de vergonha. A sorte, é que como nós já não acreditamos quando eles falam a sério (na melhor das hipóteses fingimos acreditar, supremo cinismo), também não acreditamos quando dizem coisas a gozar. É um discurso sem sentido, popularucho, que alguns taxistas achariam óptimo, mas que
não se pode levar a sério, porque se não for brincadeira é grave.
Vejamos então quem ia preso, porque é isso que acontece a quem comete crimes: António Guterres ia preso pelo descontrolo das contas públicas, por ter conduzido o país ao pântano, e por não ter feito políticas anti-cíclicas em tempo de vacas gordas; Durão Barroso por ter deixado o Governo a Santana e por ter apoiado a invasão do Iraque com base em premissas falsas; Manuela Ferreira Leite por ter desbaratado a rede fixa da PT; Santana por ter deixado que um Governo tivesse chegado a um descrédito nunca visto; José Sócrates por ter mentido sobre o défice ao longo de 2009 e pela situação de 2010/11; Cavaco ia preso por não ter feito nada contra as políticas de Sócrates (cumplicidade) e por tudo o que correu mal nos 10 anos da sua governação; para Pedro Passos Coelho havia arranjaria facilmente um motivo para ele também ir preso, razão pela qual aquele discurso é grave, perigoso, e por agora para rir.
Bom, mas há onde esta ideia já esteja a fazer caminho.Etiquetas: crime, Passos Coelho
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19 maio 2009
:: Guarda-freio: João Cândido da Silva
Não se consegue perceber bem por que motivo o bastonário da Ordem dos Advogados fez
esta denúncia. Se é verdade o que diz, os escritórios em causa não vão deixar de fazer o que fazem, já que dificilmente se sentirão constrangidos por causa de uma acusação genérica. Depois, terão razão os advogados sérios por sentirem que as declarações de Marinho e Pinto atingem de igual modo culpados e inocentes.
Em suma, nada muda para melhor devido às declarações do bastonário porque os escritórios a que se refere continuarão a operar na cumplicidade com o crime económico e de forma impune. De certa forma, é o que sucede com aquela imagem que julga os políticos todos da mesma forma. Como os verdadeiros corruptos não são denunciados e levados a responder perante a Justiça, a ideia acaba por ser a de que "eles são todos iguais".
Entre o corporativismo e o populismo, o pântano vai-se alargando.
Etiquetas: "eles são todos iguais", advogados, corrupção, crime, Marinho Pinto
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