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elevador da bica

A corporação distraída

04 julho 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

O João Magalhães, da Câmara Corporativa, remete para esta intervenção do Pedro Adão e Silva na TVI, a contestação dos números do desemprego que a Ana Catarina refere aqui. Ora eu ouvi o Pedro Adão e Silva a explicar a metodologia do Eurostat, mas ouvi-o até ao fim e fiquei convencido de que, se o João Magalhães tivesse feito a mesma coisa, não teria linkado a intervenção do especialista (autor do Léxico Familiar). Ele explica muito bem o dramatismo da situação do emprego em Portugal, ao contrário do oásis de notícias "que amanhã não saem nos jornais" com que os queridos Abrantes nos brindam sempre que podem.

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Salário mínimo no máximo

04 dezembro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Ninguém merece ganhar o salário mínimo, porque ninguém consegue viver ou criar uma família com essa miséria de vencimento. Mas duvido que o aumento do salário mínimo em 25 euros anunciado hoje pelo PM seja a medida certa no tempo certo. Quando o Governo gasta milhões para estimular a economia em plena crise, com empresas a fecharem todos os dias e o desemprego nos dois dígitos, uma decisão aparentemente bem intencionada como esta pode voltar-se contra os beneficiários. Dito isto, fica-se com a sensação de que ainda estamos em campanha eleitoral e que esta é uma decisão para entrar directamente na propaganda do PS, no caso de o Governo cair antes da legislatura acabar.

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A delicada ecologia das ilusões sobre o desemprego

02 dezembro 2009 :: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

Compreende-se que a maioria das pessoas culpem as políticas públicas pelo desemprego recorde de 10,2% e exijam "soluções" ao governo e aos partidos – compreende-se isto num país em que a) o governo assume uma meta quantificável de criação de empregos (os tais 150 mil) e b) todos os governos se gabam da descida do desemprego (quando tal acontecia).

No entanto, será sempre bom lembrar o alcance limitado do governo – nunca as políticas públicas poderão resolver o problema do desemprego estrutural em Portugal (que já vai em 7%). Quando muito podem proteger os desempregados com subsídios ou conter a subida do desemprego com investimentos públicos – o que já não é pouco. Mas a descida real do desemprego faz-se com a recuperação dos nossos principais parceiros comerciais, com uma indústria competitiva e exportadora, com capitalistas corajosos e bem preparados para arriscar, com uma sociedade que volte a pôr o trabalho (e não só os "apoios") no centro dos seus valores.

O governo pode apenas ajudar – eliminando o desperdício na despesa pública, acabando com mama das empresas do regime, promovendo uma concorrência real em Portugal, dando exigência e disciplina às escolas, agindo na justiça, etc. etc. Ah, e gerindo muito melhor as expectativas dos portugueses sobre a economia. Um governo português que fizesse uma boa parte disto (ou desse início ao processo, que é de longo prazo) seria um óptimo governo – e teria autoridade moral para cobrar aos privados o resto da factura. Tudo o resto mora na demagogia dos políticos e na ilusão dos eleitores.

Adenda: É por isto que um Pacto para o Emprego entre governo e partidos da oposição seria no essencial apenas uma boa oportunidade para fotografias e apertos de mão.

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Até onde leva o desespero

09 novembro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

O Diário Económico escreve hoje que 160 mil desempregados não têm acesso ao subsídio de desmprego e que o Governo vai alargar a sua atribução a cerca de mais 10 mil. Façamos este simples exercício: numa família que já ganha mal, há um elemento que nada ganha. Temos um drama. São 160 mil dramas disseminados pelo País. Gente desesperada que nada tem a ver com os "preguiçosos" que Paulo Portas acusa de viverem à sombra do Rendimento Social de Inserção. Conseguimos imaginar ou quantificar os custos desta catástrofe social?

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O tamanho importa?

17 março 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Outra controvérsia antiga, cujo interesse está a ser renovado pela subida do desemprego em consequência da actual crise.

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O pleno emprego, segundo Magnus Mills

27 janeiro 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

A vaga de intervenções prometida para salvar empresas em dificuldades, faz temer pela quantidade de lixo que o Estado - isto é, todos nós - terá nos braços depois de passar a tempestade, caso a racionalidade nas decisões seja subjugada aos interesses políticos e eleitorais imediatos.

Este livro, resultado da ironia de lâmina bem afiada que caracteriza a escrita de Magnus Mills, é um excelente retrato do que pode suceder quando, em nome do "pleno emprego", se criam e sustentam organizações que não servem para mais nada.

Apesar de se tratar de uma obra de ficção, em certa ocasião encontrei-o na prateleira dedicada aos livros de economia e gestão na loja da Fnac, no Chiado, em Lisboa. Desta, acho que nem Mills se lembraria e tenho a certeza que, se alguém lhe contasse, iria achar simplesmente genial.

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