<body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener('load', function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <div id="navbar-iframe-container"></div> <script type="text/javascript" src="https://apis.google.com/js/plusone.js"></script> <script type="text/javascript"> gapi.load("gapi.iframes:gapi.iframes.style.bubble", function() { if (gapi.iframes && gapi.iframes.getContext) { gapi.iframes.getContext().openChild({ url: 'https://www.blogger.com/navbar.g?targetBlogID\x3d37878389\x26blogName\x3dElevador+da+Bica\x26publishMode\x3dPUBLISH_MODE_BLOGSPOT\x26navbarType\x3dBLUE\x26layoutType\x3dCLASSIC\x26searchRoot\x3dhttps://elevadordabica.blogspot.com/search\x26blogLocale\x3dpt_PT\x26v\x3d2\x26homepageUrl\x3dhttp://elevadordabica.blogspot.com/\x26vt\x3d248628773197250724', where: document.getElementById("navbar-iframe-container"), id: "navbar-iframe" }); } }); </script>
elevador da bica

Freakpolitics: o que diz o lado improvável dos políticos (25)

27 janeiro 2011 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Em defesa das campanhas negativas



"A honra venceu a infâmia", proclamou Cavaco Silva, este domingo, no seu discurso da "vitória da verdade sobre a calúnia". Acusou os adversários: "Nunca se tinha visto os candidatos a descer a tão vil baixeza". Insinuou urdiduras: "Eles [os jornalistas] sabem quem meteu a campanha de calúnias insinuações". Fez pedagogia: "Numa democracia debatem-se ideias e linhas de rumo". E concluiu: "Uma vez mais o povo não se deixa enganar"

Cavaco é como todos os outros políticos: não aceita que uma campanha negativa sobre si possa ser positiva para a democracia. Afinal o mau é bom? O mau não é bom, mas é positivo que os eleitores conheçam o lado negativo dos políticos que se dizem melhor que bons. Não foi Cavaco Silva a declarar que alguns tinham de nascer duas vezes para serem tão honestos quanto ele?

Falhou a Cavaco Silva um artigo de um professor de Harvard que José Sócrates também nunca leu, pois ambos partilham o discurso quando são alvo de notícias negativas em campanhas eleitorais.

William G. Meyer escreveu em 1996 um artigo na Political Science Quarterly com o título "In Defense of Negative Campaigning", onde defende que "as campanhas negativas são uma forma necessária e legítima de qualquer eleição". O artigo foi recentemente divulgado no twittter por Pedro Magalhães, investigador do ICS.

Segundo Meyer, a campanha negativa foca-se nas "fraquezas e defeitos" dos adversários, nos "erros que fizeram, nas falhas no seu carácter ou desempenho, nas más políticas que iam promover". Uma campanha negativa fornece aos eleitores "uma quantidade de informação que eles definitivamente precisam de conhecer quando decidem em que votar". Assim, escreve Meyer, "precisamos de saber os pontos fortes dos candidatos mas também precisamos de conhecer as suas fraquezas: as capacidades e as virtudes que não têm; os erros que cometeram, os problemas com que não lidaram; os assuntos de que preferem não falar."

Se um candidato "é desonesto, os eleitores precisam de ser informados", escreve o politólogo. No caso português, se um candidato diz que é duplamente mais honesto, deve ser duplamente escrutinado. O problema é que Cavaco não aceita o escrutínio público e só isso diz muito sobre ele. Até hoje, nunca respondeu com clareza a nenhuma questão sobre as acções da SLN nem sobre a permuta das casas no Algarve. Não se trata de insinuações: são factos publicados na imprensa e que levantam questões sérias e legítimas.

Ninguém na campanha de Cavaco leu Michael Pfau e Henry Kenski para decidir usar a tempo a técnica da "inoculação", e não deixar escorrer o fio viscoso da suspeita para o mandato presidencial. Estes dois investigadores fizeram experiências de campo e estudaram o efeito da "inoculação" para neutralizar campanhas negativas. É quando os candidatos tentam antecipar os ataques que provavelmente o seu adversário vão fazer, respondendo aos ataques antes de serem levantados pela oposição.

A campanha negativa foi muito positiva: deu-nos a conhecer melhor Cavaco. Se dúvidas persistem, a responsabilidade é inteiramente dele porque nunca as esclareceu.

Etiquetas:

Freakpolitics - o que diz o lado improvável dos políticos (24)

12 janeiro 2011 :: Guarda-freio: Vìtor Matos


Freakpolitics: o gene da esquerda


Manuel Alegre parece que tem DRD4. Francisco Louçã caiu num caldeirão de DRD4 quando era pequenino. O camarada Chico Lopes é um DRD4. Cavaco Silva não parece ter nascido com DRD4. José Sócrates é um mistério. Pedro Passos Coelho é provável que não tenha. E você, sabe se tem DRD4?

O DRD4 é o gene da esquerda, segundo um estudo norte-americano de Outubro de 2010, da autoria de James H. Fowler, da Universidade da Califórnia, San Diego. O professor, cujos estudos cruzam genética com política, concluiu que a ideologia não é apenas um factor influenciado pela vida social.

“Este não é apenas um estudo típico de associação genética”, disse Fowler à Fox News. “Há uma combinação de genes e do ambiente que importam”.
O estudo, publicado no Journal of Politics, analisou dois mil indivíduos e, com base nos resultados, os investigadores demonstraram que as pessoas com uma variante específica do gene DRD4 em adultos, tinham mais tendência para serem “liberais” – o que nos EUA quer dizer ser de esquerda –, desde que tivessem tido uma vida social activa na adolescência.

A investigação focou-se na dopamina, um neurotransmissor que afecta os processamento cerebral de movimentos, emoções, dor e prazer. O investigador afirma que a ideologia também se transmite geneticamente em 40% dos casos: “É quase metade genes e metade o ambiente”.

Embora não se conheça o perfil genético de Manuel Alegre ou de Cavaco Silva, parece evidente qual deles terá herdado o dito gene da esquerda. Manuel Alegre terá alimentado essa tendência genética com o seu vivido passado antifascista. Cavaco, pelo contrário teve uma juventude pacata: o rapaz de Boliqueime age como um conservador, mas umas vezes diz-se de esquerda social-democrata, outras defende que as ideologias não fazem sentido hoje, o que traduz uma posição de direita. 

Na véspera das presidências, porém, a questão genética-eleitoral que se impõe é outra: quantos eleitores portugueses cheios de DRD4 vão deixar de votar em Alegre para votarem em Cavaco Silva?

Etiquetas:

Freakpolitics - o que diz o lado improvável dos políticos (23)

05 janeiro 2011 :: Guarda-freio: Vìtor Matos


A hipocrisia de Cavaco & outros cínicos

hipocrisia na política é um problema. Mas a anti-hipocrisia pode ser um problema ainda maior. Um político quando nos aparece pela frente traz uma máscara. Mas um anti-hipócrita mascara-se sobre a sua própria máscara.

"Pelo menos eu não sou tão hipócrita quanto tu!", diz um político a outro. "Bom, se calhar és, se realmente acreditares nisso". No livro "Political Hipocrisy" (Princeton University Press, 2008), David Runciman, professor de teoria política em Cambridge, simula este diálogo para explicar como a anti-hipocrisia é uma tentação ilusória.

Cavaco Silva
 faz parte dos anti-hipócritas que que multiplicam a hipocrisia (Manuela Ferreira Leite é outro expoente). O comunicado de hoje, lido por Alexandre Relvas, é uma manifestação de fé. A honestidade é a máscara de Cavaco (e não quer dizer que uma máscara seja mentira): "Há pessoas que para serem mais honestas do que eu tinham de nascer duas vezes", diz-nos Cavaco. A composição da personagem completa-se com o discurso "da verdade". 

A declaração solene da candidatura sobre o BPN só agrava a hipocrisia com que Cavaco tem tratado o caso. Em Novembro de 2008, quando publicou um comunicado para não responder às notícias sobre as suas acções da SLN (BPN), mascarou a verdade assim: acusou as notícias de serem "mentiras e insinuações"; e que "nunca comprou ou vendeu nada ao BPN ou a qualquer das suas empresas". Nunca no comunicado assumiu a compra e a venda das acções da SLN de Oliveira e Costa. É um comunicado de uma hipocrisia finíssima, que procura não mentir ocultando a verdade: cinismo de uma pureza cristalina.

Se o candidato da honestidade e da verdade não se importasse em ser mais hipócrita do que os outros hipócritas esclarecia tudo: a quem comprou e a quem vendeu as acções, e em que circunstâncias. Não o faz porquê? A pergunta não vai parar.

Manuel Alegre transporta outra grande dose de hipocrisia, embora evite aparecer agora vestido de anti-hipócrita como fez nas presidenciais de 2006. Os apoios do PS e do Bloco obrigam-no ao cinismo de caminhar por um caminho estreito. É a forma mais comum de hipocrisia na política: os políticos que não dizem o que pensam e pensam o que não dizem. Perdeu a independência, tornou-se tão cínico quanto os outros.

José Sócrates, por exemplo, é um cultor do género, um especialista menos fino que Cavaco, um hipócrita assumido (por exemplo, quando diz que a sua função o obriga a não ser pessimista). Mas passa do cinismo para a mentira política com grande facilidade. É um mestre do disfarce, embora toda a gente saiba que ele está sempre disfarçado. É tão exímio em pôr e tirar máscaras que ninguém sabe quem é o verdadeiro homem por detrás. O problema do cinismo de Sócrates é que toca no cúmulo da hipocrisia apontado por David Runciman: acreditar em si mesmo quando diz o contrário do que pensa. É auto-ilusão.

Não podemos cair nesse erro, não nos podemos iludir, diz Runciman: "Não há maneira de acabar com a hipocrisia na vida política, e todas as tentativas de encontrar uma escapatória são uma ilusão (...). Alguma hipocrisia pessoal é inevitável num político em democracia". O problema é que os nossos passam dos limites.

Etiquetas:

Freakpolitics - o que diz o lado improvável dos políticos (22)

30 dezembro 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Os dez factos políticos mais 'freak' de 2010


Top elaborado segundo este critério: quando a realidade ultrapassou aquilo que se poderia escrever numa crónica destas.

'Freak': anormal, bizarro, atípico, aberrante, esquisito, excêntrico, sem paralelo

1. Ricardo Rodrigues rouba gravadores É o campeão da Freakpolitics. O gesto habilidoso da tomada de posse dos gravadores da SÁBADO - sem que os jornalistas dessem conta -, define melhor o perfil do socialista Ricardo Rodrigues que milhares de caracteres de prosa sobre as suspeitas do seu envolvimento em negócios escuros nos Açores. Porém, mais freak foi a reacção do PS e dos outros partidos: ninguém exigiu consequências. Muito estranho, muito estranho mesmo. 

2. Ricardo Rodrigues faz leis que funcionam ao contrárioO deputado socialista (com Luís Montenegro, do PSD) coordenou as alterações à lei do financiamento dos partidos com a justificação de baixar os gastos nas campanhas. Na prática, a lei funciona ao contrário: deixa que os gastos aumentem sem limite; permite que as campanhas dêem um lucro que pode ficar para quem os candidatos quiserem, apesar de o diploma dizer que o excedente é para o Estado. Ainda escancara a porta à distribuição de malas de notas aos partidos e abre alas à lavagem de dinheiro. O mais bizarro: Cavaco promulgou.

3. A gente é mais bolaEste caso ganha o prémio da excentricidade. Mário Lino, ex-ministro das Obras Públicas, foi à comissão de inquérito parlamentar sobre a tentativa de compra da TVI por parte da PT dizer o seguinte: Rui Pedro Soares, administrador da PT, ia ao gabinete dele, aos fins-de-semana, para falar da jornada de futebol e dos problemas pós-parto da mulher. Embora Lino fosse o ministro da tutela, nunca falavam da PT, nem da eventual compra da TVI para afastar Manuela Moura Guedes. Isso é que não.

4. Passos e o crime políticoPedro Passos Coelho defendeu a criminalização dos políticos que não cumpram os orçamentos (como José Sócrates). Repetiu a ideia duas vezes e calou-se. Se alguma vez a medida fosse implementada, já estávamos a ver os primeiros-ministros e os ministros das Finanças na cadeia no fim dos mandatos. Uma ideia muitíssimo anormal.

5. A estranha negociação do OEO acordo para aprovar o Orçamento do Estado mais importante da história da democracia foi assinado em casa do representante do PSD, que nem é filiado no partido. Antes disso, houve cenas edificantes como Eduardo Catroga “à seca” no Parlamento a dizer que tinha de se ir embora cuidar dos netos. Note-se que Catroga conseguiu que os produtos da Solvena, grupo que administra, não aumentassem o IVA. Não lembra ao careca, diria Marcelo Rebelo de Sousa.

6. O cata-vento determinadoDá-lhe o vento e o primeiro-ministro tem a certeza absolutíssima de estar a apontar para o lado certo. Passou o ano cheio de certezas quanto ao caminho a tomar, mesmo quando os ventos da crise internacional e de Bruxelas o obrigavam a ir na direcção oposta ao que prometera no dia anterior. Aumento dos impostos, corte nos salários, congelamento de obras etc. Duas frases ficam nos anais: “O pior que pode acontecer a um político é quando tem um plano pensar mudá-lo quando encontra uma dificuldade. Eu não sou desses”. A outra é: “O Governo não entra em desnorte nem muda de orientação política”. Claro que não.

7. O PSD é contra mas está a favor A liderança de Manuela Ferreira Leite começou o ano a abster-se no Orçamento do Estado para 2010 que tinha as medidas que ela diabolizava. A seguir viabilizou o PEC1. Depois veio o PSD de Pedro Passos Coelho, que era contra o aumento de impostos, votar a favor do PEC2 que os aumentava. Acabou a viabilizar o OE para 2011 em nome da Pátria. Um ano atípico.

8. Rating de rabo na boca
As agências de notação financeira começaram a baixar o rating de Portugal porque o défice e o endividamento eram insustentáveis. O Governo apresentou o primeiro pacote de austeridade, mas o rating voltou a baixar porque as medidas eram recessivas e a economia do País não ia produzir o suficiente para pagar as dívidas. Mas como a economia não ia crescer, tornava-se ainda mais difícil pôr as contas em ordem e assim o rating voltava a descer. O Governo tomava mais medidas draconianas e assim a economia...

9. O corruptor ofendidoSituação da categoria aberrante. No mesmo dia em que o Parlamento debatia o pacote anti-corrupção, o Tribunal da Relação absolvia o empreiteiro Domingos Névoa, que foi apanhado numa gravação da Judiciária a tentar corromper José Sá Fernandes através do seu irmão e advogado Ricardo.

10. Cavaco condecora Santana
O Presidente da República que antes de o ser contribuiu para a queda do Governo de Pedro Santana Lopes em 2004 com o artigo da má moeda, atribuiu ao ex-primeiro-ministro a Grã-Cruz da Ordem de Cristo. Parece que foi por serviços relevantes à Pátria que Cavaco tinha antes classificado - de forma abstracta - como pior que irrelevantes.

Etiquetas:

Freakpolitics - o que diz o lado improvável dos políticos (21)

15 dezembro 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Corrupção a um euro por mês




Um militante do PS ou do PSD custa  €1 por mês em quotas. É baratinho. Mas é na base da pirâmide partidária que começa a corrupção. Quem dá o dinheiro aos caciques para pagar dezenas de milhares de euros em quotas está a investir e tem expectativas de retorno...

Etiquetas:

Freakpolitics - o que diz o lado improvável dos políticos (20)

18 novembro 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Sócrates resiste porque é maratonista

A mente política do primeiro-ministro funciona como modo maratona ligado
José Sócrates é maratonista. Para correr uma maratona inteira é preciso treinar o cérebro e o corpo a resistir: à dor, a maus pensamentos, ao cansaço, a contrariedades e a mais dor. José Sócrates é resistente. Na política também. Goste-se ou não do sujeito, aquela “determinação” é a principal característica dele. Pensam que Sócrates vai desistir? Não. José Sócrates pensa como um maratonista obsessivo. Tanto lhe faz o estado em que acaba a corrida, desde que chegue à meta, de preferência à frente. Não é um Fernando Mamede da política, como António Guterres.
psicólogo Jeff Brown, que escreveu o livro The Winners Brain, estudou o perfil dos corredores de maratonas e concluiu: “Os maratonistas pensam rápido, são resilientes e parecem suportar desafios mais do que uma pessoa média. Mesmo que sorriam e o neguem, asseguro que 8 em cada 10 maratonistas são um pouco obsessivos, ainda mais competitivos, absorvem toda a informação a que podem deitar mãos e são ocasionalmente irracionais em relação ao seu desporto”. Ao longo de 10 anos como psicólogo do clube Maratona de Boston, Jeff Brown ouviu histórias e estratégias de atletas que “levam os seus corpos e cérebros ao limite”.
Podemos facilmente considerar Sócrates obsessivo, resiliente, ultra-competitivo, por vezes irracional e postular que ele muitas vezes age no limite. 
Se não concorda, recorde aquilo a que Sócrates resistiu ao longo dos últimos cinco anos e pense se você aguentava, independentemente de acreditar na sua inocência: boatos de que era gay; exposição pública de uma licenciatura facilitada; autoria de projectos de péssimo gosto ou assinados por favor;  suspeitas de corrupção no caso Freeport; suspeitas de corrupção no caso Cova da Beira; dúvidas sobre manipulação empresarial em interesse próprio no caso PT-TVI;  derrota nas Presidenciais; derrota nas Autárquicas; derrota nas Europeias; perda de maioria absoluta nas Legislativas; mentiras sobre as contas públicas na campanha de 2009; engavetamento do programa do Governo em 2010; falta à palavra dada nos impostos; catástrofe nas contas públicas; queda abrupta nas sondagens; Portugal à beira da bancarrota; possibilidade de entrada do FMI no País. Estes obstáculos chegam para se perceber como não é fácil ser José Sócrates e levantar-se todas as manhãs a fingir-se optimista para mais uma etapa na maratona política da sua vida.
As estratégias mentais para um maratonista, da autoria de Jeff Brown, também se aplicam ao primeiro-ministro português, que talvez as aplique quando corre:
1- Para aumentar a confiança, confiar no treino – Sócrates treinou muito os discursos, as entrevistas, as intervenções. Fartou-se de treinar. Há quem se lembre de o ver a falar alto a treinar intervenções nos bastidores;
2- Ser muito optimista – Durante a maratona, tentar manter  afirmações e pensamentos positivos “a passar pela cabeça enquanto os pés continuam a correr”, escreve Brown. “Digo sempre que os pensamentos positivos tornam as sapatilhas pesadas”. Aqui temos o optimismo excessivo e irrealista de Sócrates para continuar na corrida.
3 – Pôr os problemas para trás das costas – só um caso de vida ou morte pode distrair um maratonista. No caso da política, Sócrates só consegue ir governando se puser para trás das costas todos os casos em que se viu envolvido.
4 – Falar consigo mesmo – dizer “eu sou capaz”, ou “vamos, vamos” ao subir uma encosta difícil. É como Sócrates quando embandeira em arco um pequeno número positivo ou desvaloriza um negativo. Ou então quando diz que o dever de um político é puxar pelas energias positivas do País.
 5 – Não acreditar em superstições – Sócrates não é crente.
6 – Lembrar-se das razões por que corre – “Use todos os seus sentidos e visualize a razão específica de estar a correr a maratona”, aconselha o psicólogo. Sócrates é ambicioso e teimoso até aos ossos, quer provar que o que não o mata o torna mais forte, não quer ficar na história como um desistente, por isso persiste na corrida.
 7- Desistir depois de cruzar a meta? – No fim da corrida, diz Brown, “não minta a si mesmo dizendo ‘nunca mais me meto noutra destas’. A dor e a agonia de correr uma maratona é o tipo de dor que você esquece”. Mesmo no fim da linha, se for derrotado no PS e no País você acha mesmo que José Sócrates vai desaparecer de cena?

Outra psicóloga que trabalha com maratonistas, Kate Hays, uma vez deparou-se com um atleta antes da maratona de Nova Iorque, que lhe disse que tinha feito um teste cardíaco equívoco nessa semana. Os psicólogos perguntaram-lhe: “O que é mais importante: a sua vida ou esta corrida?” Mas ele não hesitou: “Vou correr!” Não morreu.
Tudo isto para concluir que as probabilidades de Sócrates não se recandidatar no próximo congresso do PS são reduzidas. Mesmo que seja corrido do Governo com uma moção de censura ou demitido pelo Presidente, dificilmente ele desistirá. A cabeça política de Sócrates funciona com o modo de maratonista ligado. Um maratonista dos duros.
Crónica publicada no site da SÁBADO.

Etiquetas:

Freakpolitics - o que diz o lado improvável dos políticos (19)

12 novembro 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

A psicologia da nossa dívida
Portugal tem tendência para se endividar como as pessoas que sofrem de baixa auto-estima.

Quem sofre de fraca auto-estima tem mais tendência para se endividar. A baixa auto-estima é uma doença nacional diagnosticada há muito, por isso, não admira que o endividamento seja hoje o principal problema do País. Os países são como as pessoas.

“Projectamos muitas vezes no dinheiro o poder de satisfazer fantasias, acalmar os nossos medos e atenuar o nosso sofrimento”, anota o site inglês Credit Choices, especializado em aconselhamento a consumidores ultra-endividados. “Achamos que podemos comprar tudo, da esperança à felicidade e tornamo-nos determinados em comprar a vida com a qual sonhámos”.

Portugal tem comprado a vida com que sonhou desde 1974. Modernizou-se. Entrou no clube dos europeus ricos. Cobriu a falta de auto-estima com dinheiro a “fundo perdido” de Bruxelas. A seguir teve mais dinheiro a taxas de juro baixas para imaginar que não era pobre. O País comprou a felicidade – auto-estradas, casas, pontes, comboios, rotundas, carros, cursos de formação, viagens – para ser como os do “pelotão da frente”, na antiga linguagem cavaquista. Queríamos ser alemães.

Esta narrativa política para um País como Portugal, encaixa naquilo que o psicólogo britânico Phil Tyson diz no seu blogue sobre os indivíduos que gastam de mais: “Consumir uma marca é algo que, de certo modo, nos permite sentir parte de uma narrativa maior. É claro que as narrativas são poderosas, prometem juventude, saúde, beleza, saúde e infindáveis triunfos sexuais.” E é claro que narrativas eleitorais poderosas como a construção do TGV, do novo aeroporto, da terceira ponte sobre o Tejo fazem sentir-nos parte do mundo desenvolvido e “moderno”, em linguagem socrática recente.

Mas o que encoraja uma pessoa a continuar a comprar a crédito nas lojas caras quando já está endividada até aos cabelos? “É olhar para o futuro e subestimar os sacrifícios na hora de fazer os pagamentos”, explica o psicólogo Phil Tyson. Em Portugal, o fenómeno psicológico foi assim. O segredo era diluir os custos: os submarinos iam ser pagos em leasing operacional ao longo de anos, as auto-estradas não tinham custos para o utilizador, as Parcerias Publico-Privadas iam diluir o esforço pelo futuro, as grandes obras seriam a panaceia contra o desemprego.

Mas acabou-se. Já ninguém quer emprestar dinheiro a uma criatura endividada que não produz o suficiente para pagar o empréstimo de volta. Como uma pessoa que falha o pagamento de uma prestação, o País sente-se culpado, os políticos passam essas culpas, mas entram em estado de negação.

E quando um devedor entra em negação, explica o psicólogo Phil Tyson, passa a estar “emocionalmente vulnerável e provavelmente assustado (...). Os credores vão explorá-lo se não agir depressa”. Tivemos o PEC2 e não chegou. A chave para inverter o ciclo, diz o psicólogo, é inverter o estado de negação. “Enquanto você permanecer em negação, permanecerá vulnerável”, aponta. Assim esteve o País até José Sócrates reconhecer que tinha o problema de dívida que Manuela Ferreira Leite diagnosticou antes das eleições de 2009. O socialista António Vitorino disse ao Diário Económico que “o Governo despertou tarde para o problema da soberana”. Foi preciso o orçamento de 2011 e parece que não chega.

O psicólogo Tyson aconselha os endividados que o procuram no consultório a encontrar ajuda especializada num gestor de dívidas: “Os credores deixarão de o incomodar quando perceberem que você controla a situação”. Ainda não é o caso em Portugal, porque os credores desconfiam da execução orçamental No caso dos países, isto tem outro nome: fundo de estabilização da União Europeia e Fundo Monetário Internacional. Será que só uma intervenção de fora acabará com a nossa tendência psicológica para o endividamento?

Crónica publicada no site da SÁBADO.

Etiquetas:

Freakpolitics - o que diz o lado improvável dos políticos (18)

04 novembro 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Pusemos Cavaco no divã... e ele disse o que pensa de Sócrates



Aníbal Cavaco Silva costuma falar “dos políticos” como se fossem “os outros”, uma casta diferente da sua, a dos economistas, apesar do próprio estar na política activa há mais de 30 anos. O Presidente e recandidato a Belém,nunca diz o que pensa de José Sócrates, esse “político”, mas há uma maneira de descobrir.

Vamos usar a regressão, uma técnica central da psicanálise, para entrarmos no pensamento profundo de Cavaco Silva e descobrir a sua verdadeira opinião sobre o primeiro-ministro. Deitamos Cavaco no divã e vamos regredir até 1978: as perguntas deste texto são fictícias; mas as respostas são transcrições exactas de um texto escrito por Cavaco Silva nesse ano (quando nunca tinha exercido cargos políticos), com o título “Políticos, burocratas e economistas”, publicado na revista Economia, depois de ter participado num colóquio em Hamburgo.

José Sócrates tem sacrificado os interesses do País à táctica eleitoral?
“A ideia do político como criatura dedicada à prossecução dos interesses da sociedade como um todo é hoje considerada um mito pela generalidade dos economistas.”

Isso não faz sentido: todas as boas decisões para o País tomadas por Sócrates deviam render votos ao PS, não acha?“O facto da permanência no poder (...) constituir o principal objectivo dos políticos poderia conduzir a que as decisões tomadas na base do seu interesse pessoal fossem também consistentes com a maximização do bem estar social. Contudo, as imperfeições do mercado político do mundo real fazem com que as divergências possam ser significativas”.

Como viu a campanha de 2009, em que Sócrates parece ter ocultado o valor do défice: dizia que era 5,6% e logo a seguir às eleições assumiu que era 8% e acabou em 9,3%?
“Um importante factor de imperfeição do mercado político reside na possibilidade que os políticos têm de controlar a informação que fornecem aos cidadãos sobre os custos e benefícios das diferentes alternativas, exagerando-os ou escondendo-os conforme o seu interesse pessoal”.

Qual a sua opinião sobre as Parcerias Público-Privadas?
“Os políticos tendem a favorecer as opções cujos benefícios se concentram no curto prazo e em que a maior parte dos custos são diferidos”

É isso que pensa do TVG, novo aeroporto de Lisboa ou dos novos hospitais?“Quando os políticos realçam os verdadeiros benefícios produzidos por um projecto a cuja realização estão associados, procuram deixar na penumbra os custos suportados, assim como as alternativas que foram rejeitadas, porventura com maior benefício social líquido”

Na sua opinião, por que razão é que José Sócrates tem sido tão relutante em recuar nas grandes obras públicas?“A imperfeita informação que caracteriza o mercado político faz ainda com que seja mais rentável para os políticos a apresentação de novos projectos e o lançamento de grandes obras públicas, o que certamente é publicitado pelos meios de comunicação social (...), do que promover a execução e administração eficiente de programas públicos, o que não atrai grandemente a atenção dos jornalistas”

Como é possível que os conselheiros do Governo e na administração pública ninguém se tenha preocupado com o crescimento da despesa?“Os burocratas, não menos do que os políticos, procuram satisfazer os seus objectivos privados e não os da sociedade como um todo. (...) Os burocratas rejeitam os economistas, embora não o digam aos políticos, e actuam segundo os seus próprios objectivos, entre os quais se encontram, certamente, a detenção de formas de poder sobre outros grupos, promoção pessoal e maiores compensações materiais”

Porque é que o senhor está sempre a evidenciar o facto de ser economista?“O economista que consegue evitar um só erros da administração pública terá beneficiado a colectividade em muito mais que a totalidade de recursos que consome durante toda a vida”

Não vai dizer que sente satisfação pelo facto de estar a acontecer aquilo para que avisou há anos: a insustentabilidade do crescimento do “monstro” da despesa pública...“Face à ignorância a que políticos e burocratas têm votado muitas das recomendações da análise económica, os economistas têm retirado ultimamente algum conforto (ou mesmo vingança) do facto de várias medidas tomadas contrariando essas recomendações terem sido largamente criticadas ex-post, por se revelarem claramente inoperantes, ineficientes e anti-económicas”.

PS: É claro que também é muito divertido ler este texto à luz do que foi o Cavaco político como primeiro-ministro e agora como Presidente da República...

Etiquetas:

Freakpolitics - o que diz o lado improvável dos políticos (17)

28 outubro 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

O jogo da confiança

Jogue e descubra aqui se confia mais em Sócrates ou em Passos Coelho
Vamos simular um jogo: você confia mais em José Sócrates ou em Pedro Passos Coelho? Então imagine que você é um Investidor e está sentado numa sala. Em duas salas diferentes, contíguas à sua, estão José Sócrates e Passos Coelho, que terão o papel de Administradores. Nunca podem falar uns com os outros.
O jogo funciona assim: como Investidor, você tem €10 e pode aumentar o património com a ajuda dos Administradores.  Você tem a possibilidade de enviar parte ou a totalidade do seu dinheiro para as outras salas. Todo o valor que você enviar, triplicará antes de chegar às mãos dos Administradores. Mas você está nas mãos de Sócrates e de Passos Coelho. Cada um deles tem liberdade para lhe devolver uma parte ou a totalidade do dinheiro. Por exemplo: se o Investidor enviar €1, o Administrador pode devolver €1, €2, €3, ou não devolver nada. 
- Que parte dos seus €10 dará você a cada um? E quantos euros espera que cada um deles devolva? Escreva os resultados num papel e compare. (Se quiser, responda na caixa de comentários)
Este jogo mede a confiança que tem em cada um deles. Se desejar, ponha outros políticos na equação. Você vai pensar quais as probabilidades deles o enganarem, tendo em conta a reputação de ambos e os preconceitos foi criando ao longo do tempo em relação aos dois.
O resultado final também serve para apurar quem você acha que mentiu durante as negociações doOrçamento do Estado.
A confiança influencia a economia
Este tipo de jogos é comum nas escolas superiores de gestão e as suas variações estão descritas no livro Secrets of the Moneylab, do economista Kay-Yut Chen e da jornalista Marina Krakovsky.
Agora que já fez o jogo, fique a saber que uma das conclusões deste tipo de estudos nas universidades a seguinte: há uma grande probabilidade de o Administrador trair o Investidor em qualquer fase do processo.
A confiança é um factor essencial na economia e na política. A subida das taxas de juro da dívida públicaassim que se soube do falhanço das negociações entre PS e PSD mostram falta de confiança dos mercados nos políticos portugueses. Esse é outro dos défices de Portugal. Os economistas Paul Zak e Stephen Knac concluíram que a confiança é um dos mais fortes indicadores da riqueza de um Pais.
Quando se pergunta no Brasil ou no Uganda se podemos confiar na maioria das pessoas, a resposta não chega a 10%. Na Dinamarca e na Suécia é de 60%. E você, acha que se pode confiar na maioria das pessoas em Portugal?

Crónica publicada no site da SÁBADO.

Etiquetas: