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Freakpolitics - o que diz o lado improvável dos políticos (23)


A hipocrisia de Cavaco & outros cínicos

hipocrisia na política é um problema. Mas a anti-hipocrisia pode ser um problema ainda maior. Um político quando nos aparece pela frente traz uma máscara. Mas um anti-hipócrita mascara-se sobre a sua própria máscara.

"Pelo menos eu não sou tão hipócrita quanto tu!", diz um político a outro. "Bom, se calhar és, se realmente acreditares nisso". No livro "Political Hipocrisy" (Princeton University Press, 2008), David Runciman, professor de teoria política em Cambridge, simula este diálogo para explicar como a anti-hipocrisia é uma tentação ilusória.

Cavaco Silva
 faz parte dos anti-hipócritas que que multiplicam a hipocrisia (Manuela Ferreira Leite é outro expoente). O comunicado de hoje, lido por Alexandre Relvas, é uma manifestação de fé. A honestidade é a máscara de Cavaco (e não quer dizer que uma máscara seja mentira): "Há pessoas que para serem mais honestas do que eu tinham de nascer duas vezes", diz-nos Cavaco. A composição da personagem completa-se com o discurso "da verdade". 

A declaração solene da candidatura sobre o BPN só agrava a hipocrisia com que Cavaco tem tratado o caso. Em Novembro de 2008, quando publicou um comunicado para não responder às notícias sobre as suas acções da SLN (BPN), mascarou a verdade assim: acusou as notícias de serem "mentiras e insinuações"; e que "nunca comprou ou vendeu nada ao BPN ou a qualquer das suas empresas". Nunca no comunicado assumiu a compra e a venda das acções da SLN de Oliveira e Costa. É um comunicado de uma hipocrisia finíssima, que procura não mentir ocultando a verdade: cinismo de uma pureza cristalina.

Se o candidato da honestidade e da verdade não se importasse em ser mais hipócrita do que os outros hipócritas esclarecia tudo: a quem comprou e a quem vendeu as acções, e em que circunstâncias. Não o faz porquê? A pergunta não vai parar.

Manuel Alegre transporta outra grande dose de hipocrisia, embora evite aparecer agora vestido de anti-hipócrita como fez nas presidenciais de 2006. Os apoios do PS e do Bloco obrigam-no ao cinismo de caminhar por um caminho estreito. É a forma mais comum de hipocrisia na política: os políticos que não dizem o que pensam e pensam o que não dizem. Perdeu a independência, tornou-se tão cínico quanto os outros.

José Sócrates, por exemplo, é um cultor do género, um especialista menos fino que Cavaco, um hipócrita assumido (por exemplo, quando diz que a sua função o obriga a não ser pessimista). Mas passa do cinismo para a mentira política com grande facilidade. É um mestre do disfarce, embora toda a gente saiba que ele está sempre disfarçado. É tão exímio em pôr e tirar máscaras que ninguém sabe quem é o verdadeiro homem por detrás. O problema do cinismo de Sócrates é que toca no cúmulo da hipocrisia apontado por David Runciman: acreditar em si mesmo quando diz o contrário do que pensa. É auto-ilusão.

Não podemos cair nesse erro, não nos podemos iludir, diz Runciman: "Não há maneira de acabar com a hipocrisia na vida política, e todas as tentativas de encontrar uma escapatória são uma ilusão (...). Alguma hipocrisia pessoal é inevitável num político em democracia". O problema é que os nossos passam dos limites.

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