18 janeiro 2011
:: Guarda-freio: J.
A notícia diz que "três dirigentes sindicais foram detidos em São Bento". Para Manuel Alegre, isto já deve fazer parte da questão de vida ou de morte da democracia para a qual alertou a propósito das presidenciais. Talvez não contasse era que a longa noite (re)começasse antes das eleições. Etiquetas: democracia, fujam porque o fascismo já cá está, Manuel Alegre
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03 janeiro 2011
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
Há mais crises para lá da crise. Os recuos no Ocidente nas liberdades individuais ou colectivas como as de imprensa, e as crises nas democracias deviam preocupar Bruxelas e os "grandes" europeus assim como os défices e as dívidas soberanas fazem tremer os governos. A nova lei de imprensa na Hungria (e situações análogas) deviam merecer tanto escândalo como o nervosismo dos mercados. Quem é que fica nervoso nestes casos? Não há FMI para os défices democráticos. Vinte anos depois do fim da Guerra Fria achamos boas aquelas espécies de democracias assim-assim. O caminho é perigoso. Etiquetas: crise, democracia
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11 novembro 2010
:: Guarda-freio: J.
Nos dias que correm, uma manifestação legítima e ordeira não chega. Como já nos habituámos a ver quando há grandes cimeiras internacionais, é preciso manipular, criar agitação, provocar a violência policial e, melhor ainda, arranjar mártires. Porque é assim que se conquista a atenção das televisões e se ganha o direito a que actos de pura barbárie sejam vendidos como "ira" e "revolta" genuínas. Ontem, em Londres, 200 delinquentes, provavelmente espicaçados por peritos em "agitprop", assaltaram uma sede dos "tories". Os próprios organizadores do protesto contra o aumento das propinas universitárias se confessaram envergonhados com o comportamento de uma minoria de participantes num evento até aí pacífico que mobilizou, dizem os jornais, 52 mil pessoas. A complacência perante a actuação desta gente não é tolerância democrática, é cobardia. E a cobardia é corrosiva para as democracias. Etiquetas: cobardia, democracia, Londres, tories, violência
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25 agosto 2010
:: Guarda-freio: FSC
 A escolha de Francisco Lopes como candidato à Presidência da República demonstra que, ao contrário do que alguns possam pensar, o PCP é, de longe, o mais democrático dos partidos portugueses. No PCP todos são iguais e tratados como tal – e qualquer um pode ser o candidato do partido ao mais alto cargo da Nação. Etiquetas: democracia, Francisco Lopes, PCP, presidenciais
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:: Guarda-freio: FSC
 Pouco antes do anúncio de quem seria o candidato do PCP a Belém, cruzei-me com esta patusca página no Facebook: "Apoio o candidato do PCP às Presidenciais 2011". A página, criada antes de se saber quem seria o dito candidato, contava, apesar disso, com 1200 apoiantes. Ou seja, gente que vota no candidato do partido, seja ele quem for. Saiu-lhes o "Chico Lopes", o que é perfeito para quem vota às cegas. Podia ter-lhes saído o Rato Mickey, era igual ao litro. (E daí, talvez não... O Rato Mickey ainda é "capitalista" e "imperialista"?) Adenda: Procurei fotos de Francisco Lopes no Google e escolhi esta. Avisam-me que o do PCP não é este. Does it really matter? Etiquetas: democracia, Francisco Lopes, PCP, presidenciais
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14 agosto 2010
:: Guarda-freio: Luís Miguel Afonso
 Hoje sonhei com uma frase fantástica para colar aqui no blog, no intuito de conseguir mais visitas, mas principalmente para impedir o caro leitor de andar a perder o seu tempo nos blogs de menos qualidade que inundam e incendeiam funestamente a Internet. Se quer viver informado, leia o Elevador da BicaSe quer conflitos inúteis, leia e oiça outrosSó depois notei que o Tio Alberto já a tinha utilizado antes... Ora bolas... Bom, vou ali beber uma poncha e comer umas lapas na esperança de quando voltar já mais 30 pessoas tenham subido ao Elevador! Nota: O sublinhado a caneta fluorescente da dita frase é propriedade do JM (gratuito distribuído por toda a região). Etiquetas: democracia, Jardim, Madeira, quem é que manda aqui
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03 outubro 2009
:: Guarda-freio: João Cândido da Silva
Pronto, agora já podem elogiar o "europeísmo" e "sentido das responsabilidades" dos eleitores irlandeses que aprovaram o Tratado de Lisboa. Quem, por distracção ou ingenuidade, ainda tivesse dúvidas de que os referendos sobre matéria europeia só exprimem verdadeiramente a vontade dos povos quando ganha o "sim", pode desenganar-se. Aliás, sem surpresa, o cortejo de referências elogiosas aos eleitores irlandeses já começou. Democracia? Deixem-me rir. Etiquetas: democracia, Europa, mas se for a nosso favor, sim, Tratado de Lisboa
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24 abril 2009
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
 O Guardian publicou há uns meses um belíssimo artigo no G2 onde uma jornalista narra a discussão de uma hora que teve com o actor Kiefer Sutherland sobre a tortura na ficção e a tortura na vida real e o posicionamento político de Jack Bauer. Republicano? Democrata? A discussão foi viva e ele não a torturou durante a entrevista. O artigo é de leitura obrigatória. O título é este: Uma das partes mais interessantes do texto é esta: "Jack Bauer," he asserts, "is to me an apolitical character." Really? "Well, can you tell me if Jack Bauer is a Democrat or a Republican?" I would say he's clearly a Republican. "Absolutely not!" Sutherland flashes back triumphantly. "Not a chance." Why not? "Because I'm not a Republican, and I created the character." If Bauer is supposed to be pure make-believe, then surely Sutherland's personal politics are beside the point? I get the impression that the only really consistent thread in the logic of his defence of 24 might be an intellectual motto of "Whatever it takes". Etiquetas: 24, democracia, tortura
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10 março 2009
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
"O Regresso da História e o Fim dos Sonhos", do neoconservador Robert Kagan, é um bom livro para ler nestes dois dias da visita de José Edua  rdo dos Santos a Portugal. Basicamente, a tese do livro é esta: os sonhadores do idílico pós-queda do Muro de Berlim estavam errados. O mundo voltou a ser tão perigoso como era, embora sem a luta ideológica da Guerra Fria. Com a globalização, quem manda são os mercados, e isso tem atenuado as relações das democracias liberais com os regimes autocráticos. Para Kagan, as democracias são demasaido complacentes com as autocracias. É um risco, porque as democracias perdem o poder que não ocupam. Ele tem como exemplo supremo a Rússia (e não deve ter gostado nada de ver a senhora Clinton por estes dias a esforçar-se por normalizar as relações com Lavrov). Ele acha que a Rússia de Putin, que invade os vizinhos, tem de ser tratada como um Estado que invade os vizinhos. Se os EUA e a NATO se vergam à Rússia de Putin, por que não deve Portugal vergar-se a Angola? Até tiveram eleições... Não veremos, de certeza, em nome do realismo político, José Sócrates ou Cavaco Silva mencionarem direitos humanos, desigualdades ou liberalização política. Os 8% da taxa de crescimento anual angolana é demasiado preciosa. Kagan escreve: "A nova riqueza dá às autocracias uma maior capacidade de controlar a informação - monopolizar estações de televisão e ter uma garra apertada no tráfego na Internet, por exemplo, muitas vezes com a ajuda de grandes grupos estrangeiros, ansiosos por fazerem negócios com eles. A longo prazo, a prosperidade crescente pode muito bem produzir liberalismo político. Mas quão longo é o prazo?" Outra questão, e que também nos leva a José Eduardo dos Santos, é a extensão tentacular dos Estados autocráticos por via das suas empresas. Kagan dá o exemplo da Rússia com a sua Gazprom - que depois do livro sair chantageou a Europa -, e que aumenta o seu poder político conforme vai comprando outras empresas noutros países. O caso de Angola tem parecenças: deve o Estado português permitir que empresas estatais de outros países entrem no capital de empresas portuguesas que outrora foram do Estado? E empresas que sendo privadas se confundem com o poder nos Estados mais autocráticos? É que o domínio político nessas empresas transfere-se de um Estado para o outro e pode criar vulnerabilidades em sectores-chave, como a energia. Deve Portugal permitir, liberalmente, que empresas angolanas tenham posições cada vez mais importantes no mercado português, sem que haja uma exigência de reciprocidade no tratamento de empresas portuguesas em Angola - onde se exigem parcerias e onde os angolanos são maioritários? O livro de Kagan acaba assim: "A futura ordem internacional será moldada por aqueles que tiverem o poder e a vontade colectiva para a configurar. A questão está em saber se as democracias do mundo se vão de novo erguer para enfrentarem tal repto". Eu duvido.
Etiquetas: Angola, democracia, Kagan, lido, neocon
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