21 janeiro 2011
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
Cavaco não diz nada, não responde a nada, não explica nada. Mas depois diz que as notícias são " encomendas". É engraçado, porque a perspectiva da maioria dos políticos (profissionais de todos os partidos) sobre o jornalismo é esta. As notícias que não lhes agradam são "encomendas". Não são informações que os jornalistas trabalham cumprindo o seu dever de escrutinar aqueles que ocupam os cargos públicos em nome de todos nós. O candidato-presidente ainda tem a lata de convidar os jornalistas a revelarem quem os anda a alimentar. Não só sacode a água do capote, como convida os jornalistas à delação das fontes, coisa que Belém devia considerar de má memória. Curiosamente, o PS também acusou Cavaco de andar a promover "encomendas" há uns tempos e a fonte chegou a ser revelada - coisa que nunca devia ter acontecido - mas, como é óbvio, trata-se da conversa da treta habitual de quem atira ao mensageiro para esconder o que importa. Bela encomenda nos saiu... Etiquetas: Cavaco Silva, presidenciais
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:: Guarda-freio: Vìtor Matos
Estas são as quartas eleições intercalares Presidenciais da democracia. São apenas intercalares e sobretudo inúteis. De 10 em 10 anos, concorrem as figuras de primeiro plano que depois cumprem os mandatos; nas décadas de permeio, umas figurinhas curiosas em bicos de pés desafiam o incumbente sem sucesso, com a noção prévia da sua impotência. Até o Alegre de 2010 não é o mesmo de 2006. É o primeiro desta história a atirar-se contra a parede, concorrendo cinco anos depois de ter sido derrotado pelo entretanto incumbente. Entalado entre o PS e o BE, sem a aura poética da liberdade anti-sistema da campanha do milhão de votos, tem o apoio interesseiro de José Sócrates que nunca partilhará uma derrota que será exclusivamente dele. Alegre ainda não perdeu, mas:
- Em 1980, Soares Carneiro teve 40%, não foi mau, mas ficou a 15% de Ramalho Eanes. - Em 1991, Basílio Horta teve 14% contra Mário Soares apoiado pelo PSD, que rebentou a escala com 70%. - Em 2001, Joaquim Ferreira do Amaral prestou-se ao sacrifício: 34% contra 55% de Sampaio. - Em 2011, resta saber por quantos ganhará Cavaco ou de que forma a desmobilização do seu eleitorado o pode prejudicar.
Feita esta conversa, conclusão: já se percebeu que, com esta história constitucional, talvez fosse melhor a solução do mandato único de sete anos. A justificação de submeter o mandato do Presidente da República ao escrutínio do voto perdeu sentido: a) porque dada a natureza do cargo é fácil ganhar e a história prova-o; b) porque no segundo mandato é que os Presidentes da República abandonam o cinismo do primeiro e agem descomprometidos. Na realidade, aumentando o mandato para sete anos, sem hipótese de recandidatura, estaríamos a diminuir em três anos a duração do verdadeiro mandato presidencial de 10 anos. Era higiénico para a democracia e acabavam-se as campanhas sobre as galinhas que fogem dos pobres... dos pobres candidatos. Etiquetas: presidenciais
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19 janeiro 2011
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
Foto do i
A boca cheia de bolo rei... Década e meia depois, pelo menos Cavaco Silva não finge. Cavaco não fala porque não quer falar e dá-se ao luxo de não falar só porque não quer, o que lhe fica pior do que falar de mandíbula atulhada de massa.
As notícias da Visão a semana passada e a de hoje, provam que os vizinhos de Cavaco e aqueles com que fez negócios tinham de nascer duas vezes para serem tão honestos quanto ele.
Podíamos falar da escritura pública da permuta da Gaivota Azul. O papel desapareceu. Mas o problema de base é o papel de Cavaco que não está em vias de desaparecer porque tudo indica que será reeleito. O Presidente acha-se acima dos outros. Acha que não tem de dar explicações sobre aspectos mal explicados da sua vida. Não fala porque não lhe convém, claro, em campanha. A um Presidente exige-se mais do que a um cidadão comum, ele deve clarificar todas estas questões para que não reste uma dúvida sobre os estranhos mistérios do seu património.
Caso contrário, caminha a passo acelerado para ser mais parecido com José Sócrates do que ele gostaria, e do que nós precisaríamos. Etiquetas: Cavaco, presidenciais
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11 janeiro 2011
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 Vi fugazmente, nas imagens de campanha eleitoral de ontem, o ministro Augusto Santos Silva. Disse coisas, não retive o quê. A última vez que o vi numa ação de campanha presidencial foi em janeiro de 2006, em Vila Real. Estava com Mário Soares, contra Manuel Alegre. Avisou que Cavaco se preparava para fazer um "golpe de estado constitucional" caso fosse eleito. Com este currículo, compreende-se que Santos Silva seja chamado para a campanha de Alegre. Etiquetas: Augusto Santos Silva, campanha eleitoral, Manuel Alegre, presidenciais
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:: Guarda-freio: Vìtor Matos
 Estava-se mesmo a ver: Portugal está sob um ataque especulativo (diz Manuel Alegre), portanto, para acabar com essa ingomínia e acalmar os mercados, dá-se um Xanax, ou seja, pára-se a campanha eleitoral para o Presidente da República ir falar com as "entidades europeias" explicar a "injustiça" da subida dos juros. Já agora, leva-se a Bruxelas uns manifestantes altermundialistas do Bloco. Em linguagem manuelista (era uma Manuela), "suspende-se a democracia" por uns dias para lançar gasolina sobre a fogueira à espera que o fogo nos faça o favor se apagar. Esta perspicácia dá vontade de rir, mas só me apetece chorar. O professor Cavaco andava a merecer um aperto, mas assim...
Etiquetas: Manuel Alegre, presidenciais
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29 novembro 2010
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
Um candidato a presidente assinou documentos da PIDE, assumindo com a sua letra manuscrita que estava "integrado" no regime salazarista. ( Aqui sobre Cavaco)
Outro candidato a presidente apoiava as Brigadas Revolucionárias e escrevia livrinhos a ensinar técnicas de guerrilha urbana. ( Aqui sobre Alegre)
Amanhã na Sábado, duas belas investigações do Pedro Jorge Castro. Etiquetas: presidenciais
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01 novembro 2010
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
Uma declaração de Eduardo Catroga passou despercebida este fim-de-semana. Quando contou ao Expresso que foi a Belém reunir-se com Cavaco, para o "convidar para as mesmas funções que já tinha tido na candidatura anterior: as de fund raising".
Cavaco é um institucionalista, mas pelos vistos organiza a sua campanha presidencial recebendo amigos no Palácio de Belém, para o ajudarem na reeleição. Não há um mal absoluto nisso nem é uma falta gravíssima, mas é bom registar que nem sempre o professor separa totalmente as águas entre a função do PR, acima de todos os interesses, e o seu interesse pessoal. Etiquetas: presidenciais
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25 agosto 2010
:: Guarda-freio: FSC
 A escolha de Francisco Lopes como candidato à Presidência da República demonstra que, ao contrário do que alguns possam pensar, o PCP é, de longe, o mais democrático dos partidos portugueses. No PCP todos são iguais e tratados como tal – e qualquer um pode ser o candidato do partido ao mais alto cargo da Nação. Etiquetas: democracia, Francisco Lopes, PCP, presidenciais
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:: Guarda-freio: FSC
 Pouco antes do anúncio de quem seria o candidato do PCP a Belém, cruzei-me com esta patusca página no Facebook: "Apoio o candidato do PCP às Presidenciais 2011". A página, criada antes de se saber quem seria o dito candidato, contava, apesar disso, com 1200 apoiantes. Ou seja, gente que vota no candidato do partido, seja ele quem for. Saiu-lhes o "Chico Lopes", o que é perfeito para quem vota às cegas. Podia ter-lhes saído o Rato Mickey, era igual ao litro. (E daí, talvez não... O Rato Mickey ainda é "capitalista" e "imperialista"?) Adenda: Procurei fotos de Francisco Lopes no Google e escolhi esta. Avisam-me que o do PCP não é este. Does it really matter? Etiquetas: democracia, Francisco Lopes, PCP, presidenciais
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04 junho 2010
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
O apoio de José Sócrates e do PS a Manuel Alegre nas presidenciais é fácil de explicar:
a) Sócrates assim não precisa de convencer ninguém a ser carne para canhão de um PR em exercício;
b) Uma derrota de Alegre é uma derrota de Alegre, não é uma derrota de Sócrates;
c) Se Alegre for inteligente, faz como Cavaco em 2006, quando só deixou o líder do PSD (Marques Mendes) aparecer uma vez na campanha, assim como o líder do "outro partido" (Ribeiro e Castro, CDS);
d) Sócrates aparecerá pouco, dá um apoio puramente formal, não se compromete, sai limpinho da campanha (se tudo correr mais ou menos bem...) Etiquetas: presidenciais
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27 maio 2010
:: Guarda-freio: FSC
Naquele seu estilo de quem não parte pratos, Mário Soares disse ontem que "acha" duas coisas sobre as próximas presidenciais. À pergunta sobre se vai apoiar Manuel Alegre, respondeu: "Acho que não, porque eu também tenho uma coisa que é importante, que é a minha consciência." À pergunta sobre se Fernando Nobre seria um bom Presidente da República: "Eu acho que sim, mas isso é outra questão.” "Achar" isto é achar muito. É "achar" pela própria cabeça o que é mais do que faz a generalidade dos dirigentes do PS, que estão à espera que Sócrates decida o que hão-de "achar" sobre as presidenciais. Etiquetas: Fernando Nobre, José Sócrates, Manuel Alegre, Mário Soares, presidenciais
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17 fevereiro 2010
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Sabemos que as coisas não estão bem. Sabemos o País parece caminhar para uma catástrofe. Sabemos que se não estamos em situação de emergência para lá caminhamos, aliás estamos sempre em situação de emergência. Mas talvez seja demais começar já a tratar dos sobreviventes dos escombros desta realidade política. Etiquetas: emergância, presidenciais
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15 janeiro 2010
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
Manuel Alegre anunciou hoje em Portimão que está pronto para a luta, ou seja, que será candidato a Presidente da República. Com o provável pleno da esquerda, Alegre capitaliza dois tipos de descontentamento: os que estão insatisfeitos com Sócrates e que em Sócrates não votariam (a que se somam os votos fiéis do PS); e os que de distanciaram entretanto de Cavaco Silva. Resta saber a sua real capacidade de penetração no centro dos swing voters que ora estão com o PS ora com o PSD.
Mas parece-me evidente, que mesmo que Sócrates apoie Alegre oficialmente, vai ficar a torcer para Cavaco ganhar por um por cento... Etiquetas: Manuel Alegre, presidenciais
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Tudo o que sobe também desce
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