17 janeiro 2011
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 Após o 25 de Abril já 28 cidadãos se candidataram ao Palácio de Belém. Representam, pela sua proveniência, o país quase todo: já tivemos candidatos do Minho a África, do Algarve a Trás-os-Montes, das Beiras a Lisboa e arredores. Da Madeira, nem um. Até agora. O nome de José Manuel Coelho foi confirmado pelo Tribunal Constitucional no último momento. Talvez por essa entrada tardia, é um nome que custa a fixar para quem vive fora da Madeira. Para a maioria dos meus amigos e colegas, é simplesmente "o maluco da Madeira". Suponho que não seja por mal, mas por facilidade e hábito - a maioria já se referia assim ao dr. Jardim. Curiosa coincidência. Também AJJ teve em tempos o sonho presidencial. Não chegou a candidatar-se porque a ideia, lançada por Marcelo Rebelo de Sousa, não passava de uma manobra de ocasião. Só Jardim a levou a sério, mas não o suficiente para arriscar o poder que tem pelo cargo que poderia ter. AJJ, já se sabe, só entra em jogos ganhos à partida. Por essa razão nunca sairá da ilha. Parecendo que não, a candidatura de Coelho é um caso sério. Primeiro, por existir: consta que nem o próprio acreditava que conseguiria as assinaturas suficientes - mas conseguiu, e recolheu-as na coutada de AJJ. Segundo, pelo impacto: Coelho criou a oportunidade para fazer a maior campanha nacional de denúncia do jardinismo. Aliás, já eram dele e do PND as iniciativas mais impactantes de oposição a AJJ - haverá melhor exemplo da prepotência do que impedir um deputado da oposição de entrar no Parlamento para o qual foi eleito? Terceiro, pela ousadia: como é que nunca ninguém tinha pensado nisto? Porque nunca a oposição na Madeira usou mesmas armas de Jardim, sobretudo irreverência, "lata" e populismo. O antigo presidente norte-americano Eisenhower dizia que alguém que queira ser presidente ou é doido ou é egomaníaco. Aí está, portanto, um Coelho à altura de Jardim. Que consequências retirará a oposição regional se for ele o candidato mais votado contra Cavaco? Nos últimos anos AJJ monopolizou as notícias que saíram da Madeira: pela obra - que a houve -, mas sobretudo pelos insultos, a chantagem, a má-educação, os comícios no Chão da Lagoa ou no Bar do Henrique, as teorias conspirativas, a asneira pura e simples. Mas AJJ tornou-se repetitivo e previsível. Deixou de ter graça. Agora, como me dizia há dias um amigo, "têm um maluco novo". Vista de fora, a relevância da política madeirense está reduzida a isto. Uma democracia a precisar de cuidados intensivos - esta é uma das heranças do jardinismo. Ter aparecido "um maluco novo" não faz dele uma alternativa. Mas evidencia ainda mais a necessidade dessa alternativa, venha de onde vier. Artigo publicado ontem no Diário de Notícias da MadeiraEtiquetas: Alberto João Jardim, José Manuel Coelho, Madeira, Presidenciais 2011
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17 dezembro 2010
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 Sim, este é mais um post sobre a Madeira. Preferia o estimado leitor que fosse mais um post sobre os Açores, e o subsídio de compensação, e o senhor César isto, e três milhões de euros aquilo?... Azarinho: na Madeira passam-se coisas muito mais graves, há muito mais tempo, com muito mais dinheiro, e por regra tento não me distrair com pormenores. Ontem foi o "debate" do Orçamento Regional no Parlamento madeirense. Uma coisa em estilo cubano, com Jardim a discursar durante 1 hora e 55 minutos. O relato do "debate" pode ser lido aqui. É o delírio, como se pode provar com este naco de prosa: "Jardim garante que a plataforma democrática, criada pelo PS-M, tem influência dos empresários ingleses que descendem, pelo que foi possível perceber do discurso, da maçonaria que veio para a Madeira depois das invasões napoleónicas no século XIX. Uma tese histórica curiosa que justifica, por exemplo, os apoios ao Jornal da Madeira." Já agora: sabiam que Jardim gasta mais com o subsídio ao Jornal da Madeira do que César vai gastar com o imoral, o imperdoável, o demoníaco subsídio de compensação? Etiquetas: Açores, Alberto João Jardim, Carlos César, delírio, Madeira
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13 dezembro 2010
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 Nestes tempos sombrios, de recessão e depressão, em que nada parece seguro e todas as referências parecem perder-se, é reconfortante saber que podemos sempre contar com AJJ para nos provocar uma boa gargalhada. A sua reacção ao subsídio de compensação para os funcionários açorianos, criado por Carlos César, é a anedota do ano. Como dizia alguém, o problema das anedotas políticas é quando elas são eleitas. AJJ a acusar de César de "demagogia" e de "caça ao voto" é como o Croquete a acusar o Batatinha de ser um palhaço - parece uma crítica, mas é um elogio vindo de quem sabe. AJJ apontar a outro governante uma "ilegalidade", qualquer "incoerência" e algumas "fantasias" é como a Ciciolina a acusar a vizinha do 2º esquerdo de ser uma desavergonhada - talvez seja despeito, é de certeza falta de vergonha na cara. Num ponto AJJ tem razão: é uma incoerência votar a favor do Orçamento em Lisboa para depois não o aplicar nas ilhas. Mais do que incoerência, é hipocrisia política do melhor calibre. O PS-Açores fez isso, o PS-Madeira propõe o mesmo. Felizmente AJJ não cai nessa de ser incoerente. Recebeu de Sócrates uma prenda de Natal antecipada no OE, que lhe dá carta branca para gastar como bem entenda as verbas da Lei de Meios. Como votou contra o OE presume-se que AJJ, em coerência, não gastará um cêntimo da verba da Lei de Meios. Os comentários de AJJ sobre o caso dos Açores sinalizam, no mínimo, o seu incómodo. Não é difícil perceber porquê. O imbatível mestre da "caça ao voto" nas ilhas perdeu o exclusivo da patente dessa arte. A "demagogia" de César veio recordar-nos que os governos regionais têm a legitimidade do voto e a responsabilidade da escolha. E que gerir um orçamento é fazer opções. César fez a sua: vai manter o salário de uns milhares de funcionários regionais e vai reforçar certos subsídios sociais. Isso custa menos dinheiro ao orçamento regional do que aquilo que o GRM torra, por ano, com o seu jornal oficial de propaganda. E infinitamente menos dinheiro do que aquilo que vai custar a simpática oferta de um estádio ao Marítimo. A comparação incomoda. "Caçar o voto" não tem de significar esburacar ilhas de cima a baixo e atapetá-las de cimento. Acumular calotes a fornecedores e dívida à banca. Deixar a sociedade e a economia ligados à máquina do poder regional. Inventar malabarismos jurídicos e financeiros para "fazer obra" - alguma necessária, muita inútil, toda com dinheiro que não se tem. Pela lógica de AJJ, governar é escolher a maneira de "caçar o voto". AJJ e sus muchachos há muitos anos que fizeram a sua escolha. Tudo indica que não sabem, não querem, nem têm liberdade para fazer outra. Artigo publicado no Diário de Notícias da MadeiraEtiquetas: Açores, Alberto João Jardim, Carlos César, demagogia, Madeira
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14 novembro 2010
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 AJJ diz "Não!" ao Orçamento do Estado (OE). AJJ proclama que "este Governo tem de cair!". AJJ manda os seus deputados absterem-se na votação do OE. AJJ está zangado com Passos Coelho. AJJ não perdoa à "classe política de Lisboa que, em vez de pôr na rua o Governo, faz acordos para mantê-lo". AJJ abstém-se no OE para não incomodar Passos Coelho. O PS-Madeira vota a favor do OE em Lisboa. O PS-Madeira exige que o OE não seja aplicado na região. A oposição entende-se num pacto de não agressão. A oposição promete concentrar-se no adversário comum. Um dirigente da oposição arma uma zaragata e deita à ribeira material de propaganda de outro responsável da oposição. É autorizada a construção de um edifício no centro do Funchal. O edifício que é construido não é o que foi autorizado. O promotor do edifício ilegal é indemnizado pelo Governo. O Governo Regional paga o Jornal da Madeira em nome do pluralismo. O JM, que não é pobre nem mal agradecido, só escreve coisas bonitas sobre o Governo (chamar-lhes notícias seria um manifesto exagero). O JM, que é pago por todos e distribuido à borla por alguns, é concorrência desleal. Os reguladores concordam: o jornal do Governo Regional põe em causa o pluralismo. AJJ tentou acabar com o Marítimo. AJJ não conseguiu mas aprendeu a lição: se não os podes vencer junta-te a eles. AJJ gasta mais dinheiro com o Marítimo. AJJ oferece um terreno e um estádio novinho ao Marítimo (já tinha oferecido ao Nacional). O povo paga a conta e os juros. A lei não permite. AJJ contorna a lei. O povo paga. O Diário investiga o Marítimo. AJJ acusa o Diário de querer acabar com o Marítimo (ou seja, de tentar fazer com notícias o que ele não conseguiu com leis - a diferença é que as notícias retratam a realidade e as leis pretendiam mudá-la). AJJ encontra a plateia adequada para o seu discurso (crianças da primária e pré-primária) e instiga à revolta contra o Diário. O presidente do Marítimo - que também não é pobre, nem mal agradecido -, é mais obediente do que as criancinhas que ouviam AJJ. O presidente do Marítimo passa das palavras aos actos. Os jornais dizem que o presidente do Marítimo agrediu e apertou o pescoço a um jornalista do Diário. O presidente do Marítimo desmente: agarrou, mas não estrafegou. A Assembleia Regional, que deve fazer leis, não cumpre a lei. A ALR dá aos partidos dinheiro ilegal. Todos recebem, todos gastam. Muito dinheiro. Os tribunais mandam que seja devolvido. Avançam para procedimento criminal. A ALR pede ajuda a Lisboa, que nisto pode mais. Lisboa, onde estão os "loucos", os "irresponsáveis", os "medíocres", ajuda. Muda a lei de financiamento dos partidos. O jackpot continua. AJJ não admite perder a reforma que acumula por inteiro com o ordenado. AJJ desanca nos "situacionistas". AJJ desatina quando lhe mexem na situação. Vista de fora, a Madeira parece o faroeste. Suponho que vivida por dentro também. Artigo publicado no Diário de Notícias da MadeiraEtiquetas: Alberto João Jardim, faroeste, Madeira
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14 agosto 2010
:: Guarda-freio: Luís Miguel Afonso
 Hoje sonhei com uma frase fantástica para colar aqui no blog, no intuito de conseguir mais visitas, mas principalmente para impedir o caro leitor de andar a perder o seu tempo nos blogs de menos qualidade que inundam e incendeiam funestamente a Internet. Se quer viver informado, leia o Elevador da BicaSe quer conflitos inúteis, leia e oiça outrosSó depois notei que o Tio Alberto já a tinha utilizado antes... Ora bolas... Bom, vou ali beber uma poncha e comer umas lapas na esperança de quando voltar já mais 30 pessoas tenham subido ao Elevador! Nota: O sublinhado a caneta fluorescente da dita frase é propriedade do JM (gratuito distribuído por toda a região). Etiquetas: democracia, Jardim, Madeira, quem é que manda aqui
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Tudo o que sobe também desce
Conheça a história do ascensor aqui.
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