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elevador da bica

Voto de protesto: 467.052

24 janeiro 2011 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

É o total de brancos + nulos + candidato Coelho.


10,6% das pessoas que se dignaram sair para o frio votaram a desperdiçar votos. Não, não desperdiçaram: os brancos e nulos não contam como votos validamente expressos, mas expressam um sentimento forte de quem faz questão de exercer um dever de cidadania e exigir: arranjem lá alguém de jeito para a próxima, senão eu voto no candidato Coelho. Cuidado e medo... Quando um cidadão destes tem esta votação significa que, se quiser, pode eleger deputados. E, se eleger deputados... onde isto está a chegar...

Tudo somado: Nobre + Coelho + brancos + nulos dá 25% dos votos, ou seja, um quarto das pessoas que foram votar estão contra o sistema. Não tenham cuidado, ou as coisas podem vir a correr muito mal.

25% do eleitorado que vota acha que o regime está esgotado. Os partidos que pensem nisto, mas na história portuguesa os regimes nunca se auto-reformam. Fiquem de olho na tropa.

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Ligeiramente exagerados

:: Guarda-freio: FSC


Passaram mais de doze horas sobre o desfecho das eleições presidenciais.
Cavaco foi reeleito à primeira volta.
Constato que, apesar dessa feliz notícia, os juros da dívida ainda não começaram a descer.
Noto que, apesar dessa notícia funesta, ainda vivemos em democracia.
Concluo que os argumentos da campanha eleitoral talvez tenham sido ligeiramente exagerados.

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Abstenção: 5.139.483

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

A maioria silenciosa venceu e bateu todos os recordes em presidenciais. De um ponto de vista cínico, uma abstenção elevada destas significa a maturidade da democracia: quem não vota aceita que os outros escolham por si e no fim aceita o resultado sem protestos. De um ponto de vista realista, revela decepção, ignorância, protesto, passividade, desinteresse, revolta com a classe política, um voto não exercido contra a hipocrisia e o "mais do mesmo" enquanto à volta de cada um tudo piora.

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Nobre: 593.142

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Ganhou. Um independente fora do sistema com uma péssima campanha que consegue este resultado só pode pensar em formar um partido ou manter-se no activo político. Meio milhão de descontentes com o sistema deram-se ao trabalho de ir votar para escolher Nobre. Significa que há espaço político para lá dos partidos.

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Alegre: 831.959

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

O poeta vale mais sozinho do que acompanhado, o que diz tudo sobre o desgaste do Governo, do Partido Socialista e do próprio Alegre. Perder 200 mil votos quando se é apoiado por dois partidos é uma dupla, tripla derrota. É claro que Sócrates não o disse: mas Alegre o quis, Alegre o teve. Com aquela soberba aparente, a derrota é toda dele. É um conforto para Sócrates que assim anula mais um adversário com um abraço de urso. Mais: o Bloco de Esquerda assim não cola. Uma vez que o BE se aburguese ao lado do PS, desaparece.

Foto: José Sena Goulão/Lusa

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Cavaco: 2.230.104

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Há cinco anos, no CCB, houve gravidade, encenação e cerimonial, com Cavaco a falar no pequeno auditório, onde entrou rígido, mão dada com a mulher, ao mesmo tempo que imensa gente corria para Belém. O Presidente eleito encaixava no seu próprio guião e tinha um discurso mobilizador.

Agora, na reeleição, houve pouco entusiasmo e ausência de cerimonial, uma banalidade em linha com os resultados, menos 500 mil votos e uma triste campanha. Cavaco fez um discurso oficial sem rasgo nem novidade, quando era necessário do PR uma retórica de mobilização nacional para aguentar as dificuldades graves que o País vai viver durante o seu mandato. Parece que o País do discurso do PR não é o País em que vivemos. Quando a seguir falou aos poucos que se dignaram ir ao CCB festejar, fez um péssimo discurso, populista e que lhe vai sair caro. Convidou os jornalistas a revelarem as fontes das notícias sobre si, em vez de se oferecer para as explicar melhor. "A honra venceu a infâmia", foi a frase da noite. Resumindo, Cavaco sentiu-se ungido pelo povo, ou seja, não tem mais nada a dizer quando lhe falta dizer tudo. 

Lavados os cestos da vindima, tanto faz, Cavaco ganhou e agora vai ter a prova de fogo. Tem menos credibilidade que há cinco anos, menor base de apoio, mais distância do Governo, um País muito pior e não tem uma reeleição pela frente. Vamos ver...

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Tirar o Coelho da cartola

17 janeiro 2011 :: Guarda-freio: FSC


Após o 25 de Abril já 28 cidadãos se candidataram ao Palácio de Belém. Representam, pela sua proveniência, o país quase todo: já tivemos candidatos do Minho a África, do Algarve a Trás-os-Montes, das Beiras a Lisboa e arredores. Da Madeira, nem um. Até agora.

O nome de José Manuel Coelho foi confirmado pelo Tribunal Constitucional no último momento. Talvez por essa entrada tardia, é um nome que custa a fixar para quem vive fora da Madeira. Para a maioria dos meus amigos e colegas, é simplesmente "o maluco da Madeira". Suponho que não seja por mal, mas por facilidade e hábito - a maioria já se referia assim ao dr. Jardim.

Curiosa coincidência. Também AJJ teve em tempos o sonho presidencial. Não chegou a candidatar-se porque a ideia, lançada por Marcelo Rebelo de Sousa, não passava de uma manobra de ocasião. Só Jardim a levou a sério, mas não o suficiente para arriscar o poder que tem pelo cargo que poderia ter. AJJ, já se sabe, só entra em jogos ganhos à partida. Por essa razão nunca sairá da ilha.

Parecendo que não, a candidatura de Coelho é um caso sério. Primeiro, por existir: consta que nem o próprio acreditava que conseguiria as assinaturas suficientes - mas conseguiu, e recolheu-as na coutada de AJJ. Segundo, pelo impacto: Coelho criou a oportunidade para fazer a maior campanha nacional de denúncia do jardinismo. Aliás, já eram dele e do PND as iniciativas mais impactantes de oposição a AJJ - haverá melhor exemplo da prepotência do que impedir um deputado da oposição de entrar no Parlamento para o qual foi eleito? Terceiro, pela ousadia: como é que nunca ninguém tinha pensado nisto?

Porque nunca a oposição na Madeira usou mesmas armas de Jardim, sobretudo irreverência, "lata" e populismo. O antigo presidente norte-americano Eisenhower dizia que alguém que queira ser presidente ou é doido ou é egomaníaco. Aí está, portanto, um Coelho à altura de Jardim. Que consequências retirará a oposição regional se for ele o candidato mais votado contra Cavaco?

Nos últimos anos AJJ monopolizou as notícias que saíram da Madeira: pela obra - que a houve -, mas sobretudo pelos insultos, a chantagem, a má-educação, os comícios no Chão da Lagoa ou no Bar do Henrique, as teorias conspirativas, a asneira pura e simples. Mas AJJ tornou-se repetitivo e previsível. Deixou de ter graça.

Agora, como me dizia há dias um amigo, "têm um maluco novo". Vista de fora, a relevância da política madeirense está reduzida a isto. Uma democracia a precisar de cuidados intensivos - esta é uma das heranças do jardinismo.

Ter aparecido "um maluco novo" não faz dele uma alternativa. Mas evidencia ainda mais a necessidade dessa alternativa, venha de onde vier.

Artigo publicado ontem no Diário de Notícias da Madeira

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E como vai ser?

13 janeiro 2011 :: Guarda-freio: J.

Se a direita vier a conquistar uma maioria, um Governo e um Presidente, Manuel Alegre garante que "a democracia será mutilada". Já agora, como é que o candidato acha que a tenebrosa direita vai executar o plano? Com um canivete? Ou bastará um saca-rolhas?

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