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elevador da bica

Um incómodo chamado BPP

06 janeiro 2011 :: Guarda-freio: J.

Escutei, com muito interesse, Nuno Artur Silva pronunciar-se, hoje, na TSF, sobre a campanha de publicidade que o BPP manteve durante anos na revista do "Expresso" e em que participaram muitas figuras públicas do país, incluindo algumas que criticam a "economia de casino" e a "especulação financeira" em que, certamente, incluiriam entidades como aquele banco entretanto falido.

Não vejo qualquer mal em que uma pessoa como Manuel Alegre, Nuno Artur Silva ou outra, escreva um texto sobre a sua relação com o dinheiro para ser inserida num espaço de publicidade a uma instituição financeira ou outra qualquer. Não é por este facto que passam a ser responsáveis por actos de má gestão ou de legalidade duvidosa praticados pela entidade em causa.

O que já acho estranho é assistir a tentativas de disfarçar o indisfarçável. Isto é, escutar alguém a comparar o espaço publicitário em causa com o patrocínio de uma marca a um espaço editorial. São realidades diferentes, como é óbvio, a não ser que se queira lançar poeira nos olhos da opinião pública.

Uma situação é a de uma marca se disponibilizar para patrocinar uma rubrica ou uma secção de um jornal ou um programa de rádio ou tv. Outra, bem distinta, é a situação em que uma marca convida alguém a escrever um texto para figurar numa inserção publicitária a publicar num jornal, como foi o caso do BPP.

O que fica mal não é Nuno Artur Silva ter escrito para um espaço de promoção do BPP, mas tentar agora vender a tese de que as duas páginas de publicidade ao banco que surgiam na "Única" eram outra coisa qualquer. De resto, a campanha era bastante feliz porque muitos dos textos que nela figuraram eram de grande qualidade. Mas lá que se tratava de um espaço publicitário e não de um espaço editorial com um patrocinador, não restam quaisquer dúvidas.

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O alvo devia ser outro

24 abril 2010 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

João Rendeiro, antigo presidente do Banco Privado Português, recebeu três milhões de euros em remunerações no ano em que a instituição financeira começou a escorregar para o alçapão da falência. É por causa de notícias como a que o "Expresso" publica na edição de hoje, que não se percebe por que motivo os investidores que fizeram aplicações junto do banco não organizam protestos e manifestações à porta de casa do ex-líder do banco.

Até agora, têm preferido azucrinar, de forma exclusiva, a cabeça do ministro das Finanças. Não se entende o alvo escolhido, ainda para mais quando Fernando Teixeira dos Santos tem muito mais com que se preocupar do que com a liquidação do BPP, quando é já o próprio país que está à beira da bancarrota.

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Um tiro certeiro

05 abril 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

"Tenho quase a certeza de que [a regulação e supervisão] não é das coisas que ele [Vítor Constâncio] gosta. Do que ele gosta e sabe bastante é de política monetária."

A opinião é de Jacinto Nunes, economista, ex-ministro das Finanças e ex-governador do Banco de Portugal, numa entrevista ao "Expresso". Do meu ponto de vista, trata-se de uma avaliação lúcida e certeira que explica os falhanços do banco central e de Constâncio na vigilância e prevenção de casos como o BCP, BPP e BPN. Da citação, eu só retiraria o "quase".

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A errata do Banco de Portugal

09 março 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Um dos pontos controversos no "caso BPP" está na questão de saber o que eram depósitos e o que eram aplicações alegadamente apresentadas como depósitos mas em que o dinheiro dos clientes era investido em activos financeiros que proporcionariam remunerações mais elevadas e, por este motivo, com maior risco.

A supervisão andou distraída enquanto entre o BPP e os subscritores destes produtos se erguiam equívocos que agora, no limite, terão que ser dirimidos em tribunal. O Banco de Portugal chegou atrasado a esta história e tenta agora emendar a mão.

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A credulidade matou o gato

23 fevereiro 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Fernando Teixeira dos Santos esclareceu hoje que apenas os depósitos "puros" constituídos junto do Banco Privado Português estão sob a protecção do Governo. Fica de fora a gestão de activos, onde se incluem os produtos financeiros que muitos clientes garantem terem-lhes sido vendidos como depósitos.

Eis uma questão na qual o Governo não se quer envolver e que passa a ser responsabilidade do banco, dos reguladores e, em última análise, dos tribunais. O caso promete ser longo. Para já, independentemente daquilo que venha a ser apurado quanto a irregularidades eventualmente praticadas na relação entre o banco e os clientes quanto à natureza daquelas aplicações, ficam duas lições.

Primeiro, as remunerações competitivas associadas a produtos que parecem depósitos devem suscitar mais curiosidade por parte dos clientes. Segundo, os reguladores deviam começar a demonstrar mais interesse pelo cumprimento das suas funções, no que respeita ao escrutínio daquilo que os bancos andam a oferecer no mercado. Num caso e noutro, a credulidade matou o gato.

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