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elevador da bica

Cavaco e BPN: com a verdade me enganas

11 janeiro 2011 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Na entrevista de hoje à RTP Cavaco Silva continuou sem clarificar a sua relação com o BPN. Do meu ponto de vista, neste momento o mais grave pode nem ser a compra das acções a €1 que estavam reservadas a Oliveira e Costa (a não ser que venha a perceber-se que essa venda foi estatutariamente ilegal). Do ponto de vista da avaliação política do candidato, o mais grave é:

a) Cavaco nunca ter dado explicações, contribuindo para a opacidade e para as dúvidas sobre o caso; é um erro político grave, mas é sobretudo um contributo para a falta de transparência em democracia;

b) remeter sempre para um comunicado manhoso, sem informação objectiva (nada diz sobre as acções da SLN), ao melhor estilo de "com a verdade me enganas", para iludir os jornais e a opinião pública;

c) remeter sempre para as declarações no Tribunal Constitucional, que nada explicam nem adiantam à informação avançada pelo Expresso em 2009;

d) sugerir na entrevista à RTP (como se fôssemos parvos), que o BPN comprou as acções da SLN sem lhe dar cavaco. Parece-me inverosímil que um gestor de conta lhe comprasse voluntariamente acções da SLN, uma sociedade fechada que detinha o próprio banco, e nada lhe dizer, sabendo-se a relação próxima que tinha com algumas figuras de proa. Mais um buraco nesta narrativa: é uma grande coincidência o gestor ter comprado os papelinhos de €1 da SLN ao pai, ao mesmo tempo que se lembrou de comprar para a filha. Foi em pacote familiar e sem avisar. Mas foi amigo.

Conclusão: com a informação que temos até ao momento, Cavaco nada fez de ilegal, talvez até tenha sido usado. Mas há leituras políticas que se podem fazer: numa eleição unipessoal coisas destas contam, porque a pessoa é a instituição; um PR não pode ser ingénuo ao ponto de se deixar usar por bandidos (ele já conhecia o perfil do Oliveira e Costa e não o evitou...); fez um mau julgamento, até porque nessa época já muita gente desconfiava do BPN, mas um PR não pode fazer muitos maus julgamentos (embora 140% de lucro não seja um julgamento tão mau...). Só uma estratégia de vitimização ou a arrogância de achar que ninguém lhe pode pedir explicações pode justificar esta atitude. Da maneira como o caso foi gerido, ficará sempre no ar que ele tinha algo a esconder.

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Cavaco esclarece, mas tarde

03 junho 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Cavaco explicou hoje, com toda a clareza, a questão das acções da SLN. Parece-me que a questão fica esclarecida, depois destes dois posts a criticá-lo. Só é pena que o Presidente não o tenha feito antes. Quem está na sua posição política, deve ter presciência, e tem de se presevar, preservando a instituição presidencial - a única referência de jeito que ainda há hoje neste país. Se o Presidente tivesse dito mais cedo o que disse hoje, poupava-se a uma polémica desnecessária. Devia tê-lo dito há uma semana ao Expresso ou revelado os mesmos factos com a mesma límpida clareza logo em Setembro de 2008. Continuo a achar que fez um comunicado cheio de manhas, quando a limpidez só o beneficiaria.

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Um tiro de pólvora seca contra Cavaco

01 junho 2009 :: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

Confesso que fiquei com uma certa azia depois de ter lido a notícia do Expresso sobre o envolvimento de Cavaco Silva na SLN. Pareceu-me uma tentativa - quiçá bem sucedida, mais à frente se verá - de trazer o nome de Cavaco, que tem estado na periferia do tema BPN, mais para o centro da questão.

O problema é que, pelo menos por enquanto, o Expresso não tem nada - e, nestas condições, parece que está a mencionar de forma gratuita o nome do Presidente, misturando ainda ao barulho o facto de a filha de Cavaco também ter investido em acções do BPN (ainda mais gratuito, dentro da vacuidade da história).

Cavaco disse aqui nada ter comprado e vendido ao BPN, facto que resiste à história do Expresso (comprar acções é investir no banco, e não comprar ao banco; de resto, tudo se passou quando ainda não estava em Belém).

Face aos rumores que para aí andam nos jornais sobre Cavaco e o BPN - muito devido às amizades do Presidente... - percebe-se a tentação do Expresso. Mas queimar um cartucho desta forma - e levar para o lamaçal, sem factos concretos, uma instituição política - parece, no mínimo, bastante precipitado.

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Jogo de sombras - 3

26 maio 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Perante tudo isto , mentiras, ameaças e chantagens, que Oliveira Costa está a dizer no Parlamento, que fará Cavaco Silva? Mantém Dias Loureiro como conselheiro de Estado? Pede-lhe o favor de se demitir? Deixará que todo este caso acabe por também o atingir a si, e à Presidência da República, sem qualquer necessidade? Afinal, tanto Oliveira Costa como Dias Loureiro cresceram à sombra de Cavaco. Como é que Manuela Ferreira Leite pode exigir a saída de Lopes da Mota do Eurojust e recusar pronunciar-se sobre Dias Loureiro e o Conselho de Estado? Como é que Cavaco pode um dia referir-se ao caso Freeport, deixando que o seu órgão político também se pantanize? Tudo nesta vida é política.

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Jogo de Sombras - 2

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Basicamente, agora Oliveira Costa diz que Dias Loureiro não trabalhava muito. Começava as reuniões e quem as acabava era Lancastre Bernardo. Acusa Dias Loureiro de se ter feito passar por administrador do BPN...

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Um tiro certeiro

05 abril 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

"Tenho quase a certeza de que [a regulação e supervisão] não é das coisas que ele [Vítor Constâncio] gosta. Do que ele gosta e sabe bastante é de política monetária."

A opinião é de Jacinto Nunes, economista, ex-ministro das Finanças e ex-governador do Banco de Portugal, numa entrevista ao "Expresso". Do meu ponto de vista, trata-se de uma avaliação lúcida e certeira que explica os falhanços do banco central e de Constâncio na vigilância e prevenção de casos como o BCP, BPP e BPN. Da citação, eu só retiraria o "quase".

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O sono do Banco de Portugal

12 fevereiro 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

"O ex-director de operações do BPN, António Franco, afirmou que o Banco de Portugal não fez as perguntas suficientes para descobrir o Banco Insular, uma vez que em regra se 'contenta com meias respostas' que fazem 'desaparecer os problemas'."

Ler aqui mais algumas informações que, no mínimo, aumentam a desconfiança de que a supervisão Banco de Portugal esteve aquém do que se exigia no "caso BPN".

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