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elevador da bica

O deputado mãozinhas

13 maio 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

A entrevista de Ricardo Rodrigues ontem na RTP-N é mais um episódio lamentável. Ele defende-se do furto dos gravadores, quando o problema não é o furto em si: é a tentativa de impedir a publicação da entrevista à Sábado, ou seja, um atentado à liberdade de imprensa por um deputado da Comissão de Direitos Liberdades e Garantias.

Ele diz que as perguntas eram capciosas e que a revista Sábado o queria condenar por crimes a que os tribunais não o condenaram. Ora estes senhores que passam a vida a encher a boca com liberdade, democracia e Estado de Direito, esquecem-se que há uma grande diferença entre o domínio do jornalismo e o da justiça.

Em caso de dúvida, os tribunais não condenam: in dubio pro reo. Pelo contrário, em caso de dúvida, os jornais escrevem a notícia, evidenciam a dúvida, escrutinam, perguntam, esgravatam, colocam em causa. É um dever da imprensa livre perante o poder político. E aqui Ricardo Rodrigues padece de uma grande fragilidade: o caso em concreto não se tratava de um artigo manhoso feito à sua revelia sobre as dúvidas que sobre si recaem. Eram perguntas colocadas directamente às quais ele podia responder e defender-se em directo e no próprio momento. Claro, podia simplesmente ter-se ido embora, e a fuga às perguntas sobre os seus estranhos casos nunca seria assunto nacional.

Mais lamentável ainda: nenhum dos deputados que passaram meses numa comissão de inquérito a ouvir toda a gente sobre a liberdade de expressão neste país triste teve uma palavra de condenação sobre a conduta de Ricardo Rodrigues. A excepção foi Marques Guedes, do PSD.

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A Apple entra na dança

28 julho 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Detentores de leitores Mp3 e de "e-readers", a Apple parece que está a preparar-se para entrar no mercado com um produto para arrasar em ambos os tabuleiros e, também, no vídeo. Ou muito me engano, ou esta guerra comercial vai acelerar a popularização dos "e-readers" e aumentará as dificuldades da imprensa tradicional em papel.

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Lido no Elevador

22 abril 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Este post do Pedro Correia no Delito de Opinião, onde cita o professor Jónatas Machado, da Universidade de Coimbra, sobre a liberdade de imprensa. É aquilo mesmo e nunca é demais lembrar.

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Pela Janela do Elevador

18 março 2009 :: Guarda-freio: Luís Miguel Afonso




Inveja
Lisboa, 9 Setembro 2007
1/1000 segundos @ f/2.8

Dedicado a todos os jornalistas que vivem aprisionados no seu mundo de papel e que ignoram que existe um mundo lá fora, onde pessoas se amam e conseguem ser felizes sem abrir um jornal, uma newsmagazine ou assistir com regularidade a um telejornal.

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Cadeiras, jornalismo, natureza humana e o absurdo do poder

17 março 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Quem quiser perceber o ambiente em que os jornalistas trabalham, deve ler comentários aos vários posts da jornalista Dina Soares no blogue Escola de Lavores, que lançou o "episódio da cadeira", em Cabo Verde, protagonizado com o ministro Rui Pereira.

O nível do ataque por parte dos apaniguados do poder - sobretudo dos cobardes anónimos - num caso tão ridículo só deve enobrecer o jornalismo e os jornalistas independentes.

Às vezes olho para as pessoas na rua e penso quem poderiam ser os pides e os algozes se vivêssemos noutro regime. A democracia atenua estas tendências humanas. Mas eles andam aí em potência. São os mesmos que, em circunstâncias muito extraordinárias, se poderiam transformar em Eichmann - personagem que levou à tese de Arendt sobre a banalidade do Mal. Gente comum, normal, com família, capaz de cometer as maiores atrocidades para continuar na sua vidinha normal.

Os anónimos que atacam nas caixas de comentários da Escola de Lavores são apenas cobardes com esse potencial para o pior. Discutem em pé de igualdade com gente que dá a cara e tem um nome profissional a defender. É uma das iniquidades da blogosfera.

Agora, meus amigos, transponham o hate-mail das caixas de comentários de blogues para as reacções ao que os jornalistas publicam em jornais com influência, rádios ou televisões. Só peço para imaginarem...

O ar é pouco respirável. Mas esta não é uma consequência exclusiva do poder exercido pelos socialistas de José Sócrates. Os outros centros de poder, partidos, empresas, organizações, etc., não são muito diferentes (e é óbvio que há muitas excepções).

Transformar este pequeno episódio em caso nacional é como valorizar a célebre sesta desmentida de Santana Lopes. Não tem importância. Mas tudo o que o envolve - a insignificância do caso em si, a resposta patética do ministro ao blogue, o ruído dos capachos - retrata a condição humana dos que exercem o poder e dos que estão nas suas cortes.

E aqui fica mais um caso que evidencia o novo poder dos blogues, com as suas ligações à imprensa tradicional e à política. É um maná para Pacheco Pereira analisar.

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