19 novembro 2010
:: Guarda-freio: FSC
 O momento ternurento em que Obama beija a filha de Luís Amado, que o esperava na placa do aeroporto, fez as delícias de alguma imprensa, mas levanta um enorme mistério: porque carga de água a filha do MNE foi ao aeroporto buscar o presidente dos EUA? Na verdade, o mistério não é assim tão enorme. Basta pensar: hoje houve tolerância de ponto e a rapariga deve ter ficado sem aulas. Luís Amado, como tantos outros pais, teve que levar a miúda com ele para o emprego. Só pode ser isso. Etiquetas: Luis Amado, Obama, pais trabalhadores
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05 novembro 2010
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
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04 novembro 2009
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
 A América é um lugar estranho. Cheguei a este sítio menos de duas horas depois de Barack Obama ter aqui votado. Entrei na sala de voto, tirei fotografias, conversei com toda a gente, andei à vontade. Aqui pode-se falar de política junto às urnas. Os cidadãos não são tomados por parvos. A máquina que está ao lado da larga Charletta Tibbs tinha engolido o boletim de voto de Barack Obama e de Michelle Obama hora e meia antes de eu fazer foto (em baixo). "Um dia de sol tão bonito como este é óptimo para um novo começo", disse-me quando lhe perguntei sobre Obama, as eleições e o clima que o país vivia naquele momento.  Barack e Michelle votaram nestas duas cabines. Naquele momento já não havia movimento. Os jornalistas que ali estavam entrevistavam-se uns aos outros. O do Times de Londres tirava notas de uma conversa com uma equipa de três jovens jornalistas chineses, com idade de estagiários - um redactor, uma fotógrafa e uma câmera. Não devia haver nos Estados Unidos mais ninguém com tantos leitores: eles cobriram todo o processo eleitoral para a agência noticiosa oficial chinesa, cujas notícias são reproduzidas em todos os jornais da China e da diáspora. Tinham milhares de milhões de leitores.
 À entrada da escola deparei com um facto insólito, impensável para um português. Um membro do partido Democrata, negro, distribuía papéis com as indicações de voto do partido aos cidadãos que se dirigiam para a sala de voto. Naquele bairro de Chicago, o boletim tinha 24 itens, se bem me lembro. Votava-se para o Presidente dos Estados Unidos, para o senado e congresso estaduais, para juízes de círculo, para o ministério público and so on and so on...  Não se vota de cruz. Pinta-se uma bolinha de negro e depois os boletins são enfiados numa máquina que faz imediatamente a leitura dos votos. Logo a seguir ao fecho das urnas, a contagem é feita automaticamente.  No fim desse dia, a América havia de eleger o seu primeiro presidente negro, com excessivo optimismo, como aliás se tem visto. A festa foi rija nessa noite no Grant Park de Chicago. Esse portefólio publiquei-o neste post. Etiquetas: eleições, fotografia, Obama, Passeios na América
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12 outubro 2009
:: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes
"Certainly, much of this criticism is misconceived or exaggerated. Mr Obama has made mistakes – but just as it was too soon for the Nobel committee to reward his peacemaking, it is too early to be disappointed by his presidency. Notable successes are still within reach. The danger for Mr Obama, and for the Democrats in next year’s midterm elections, is that inflated expectations can make success look like failure. In domestic and foreign policy alike, less inspiration and more nuts and bolts would serve the country and the president well. The Nobel prize does not help." Clive Crook, Financial TimesEtiquetas: Obama
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13 maio 2009
:: Guarda-freio: João Cândido da Silva
Juntando isto à agenda de actividades de José Sócrates mencionada no "post" anterior, fica-se sem qualquer dúvida que a paixão do actual Governo e do PS é a propaganda. Se calhar, foi na escolha da paixão que começou o princípio do fim de António Guterres. A única coisa que me deixou um pouco apreensivo quando hoje vi a manchete do "i", foi a hipótese de aqueles simpáticos assessores do primeiro-ministro que telefonam para as redacções por causa das setinhas a descer, dos editoriais que não louvam devidamente o chefe e das notícias que denunciam trapalhadas, virem a perder o emprego em favor da tal empresa que fez maravilhas com a imagem de Barack Obama. Pela leitura do jornal dá para perceber, afinal, que todos conviverão em paz, numa vasta equipa destinada a conduzir o grande líder a novos e valorosos feitos. Etiquetas: modernaços, Obama, propaganda, Sócrates
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23 abril 2009
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
Enquanto Barack Obama desclassifica memorandos da CIA sobre tortura a suspeitos de terrorismo, mas decide não agir judicialmente contra quem ordenou e executou essas torturas (ao contrário do que prometera), Jack Bauer tortura e é julgado por torturar na 7ª série do 24. No episódio de ontem, lá teve ele de arranjar maneira de ir assustar mais um conspirador - que entretanto ele já tinha amassado consideravelmente - com as técnicas mais agressivas de fazer perguntinhas, embora garantindo que a Presidente dos Estados Unidos não saberia de nada. Barack Obama, na vida real - como a Presidente no 24 -, anda aos avanços e recuos: "Sobre aqueles que executaram essas operações [tortura], no âmbito das opiniões legais e das regras aprovadas pela Casa Branca, posso garantir que não haverá consequências legais" (citado no Público de hoje). "Mas no que diz respeito aos que formularam essas decisões legais, essa decisão está nas mãos do procurador-geral dentro dos parâmetros da lei - e eu não quero fazer mais juízos prévios". Depois, diz Obama que não se oporá a uma comissão de inquérito para investigar as práticas de tortura. Na ficção, Bauer enfrenta o inquérito de um senador que o quer justamente condenar por atentado aos direitos humanos e por agir como se não vivesse num Estado de Direito. Bauer é um homem perigoso, como os homens dos serviços secretos que são treinados para serem perigosos. E que existem no mundo real. No mundo real, como naquelas ficções, somos confrontado com o dilema do poder (decidir que sim ou que não) e o dever de garantir a segurança dos cidadãos - a todo o custo, se a situação for de emergência. Deve Bauer torturar ou matar um suspeito se isso salvar 300 vidas? Deve um operacional da CIA torturar um suspeito se isso prevenir o salvamento de centenas de pessoas? O problema é que na vida real não se sabe o futuro. Na ficção, a coisa depende do argumentista, omnipotente, que domina os futuros. Na vida real, tudo depende do presente, do poder político, e da vontade de cada um dos protagonistas, com base em alguma experiência no passado. Nunca esquecendo: seviços secretos como a CIA - ou como os serviços de informações externos de todos os países - não servem para uma cultura de cumprimento da lei, mas de violação da lei nos Estados estrangeiros onde estão a operar. É básico: têm de sacar segredos, comprar fontes, subornar, influenciar e se for preciso sabotar e bater. Onde é que está a linha entre a ficção e a realidade, nas histórias verdadeiras dos espiões que davam filmes? Jack Bauer diz que é democrata (voltarei a isto noutro post). Obama aprovaria as acções de Bauer caso se deparasse com os mesmos dilemas? Etiquetas: Bauer, CIA, ficção, Obama, realidade, tortura
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27 março 2009
:: Guarda-freio: João Cândido da Silva
Não estou seguro que Barack Obama deva confiar nas promessas destes sujeitos. Afinal de contas, na esmagadora maioria, se não na totalidade, eles são brancos e têm olhos azuis. Etiquetas: barbaridades, Lula, Obama, racismo
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23 março 2009
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
Steve Kroft entrevistou Barack Obama para o 60 Minutes, da CBS. Enquanto dizia que, com o falhanço do Citygroup e da AIG, o mundo continuava sob o risco de implosão, Obama não parava de rir, sorrir. Isso levou o jornalista a questioná-lo, desconstruindo o personagem político demasiado cool e leve, sem o ar pesado que exige a crise - com certeza aconselhado pelos spin doctors a parecer bem disposto. Também é assim que uma boa entrevista deve ser: ( ver aqui) “You're sitting here. And you're— you are laughing. You are laughing about some of these problems. Are people going to look at this and say, ‘I mean, he's sitting there just making jokes about money—’ How do you deal with— I mean: explain. . .” Kroft asked at one point. “Are you punch-drunk?” Kroft said. “No, no. There's gotta be a little gallows humor to get you through the day,” Obama said, with a laugh. Etiquetas: crise, humor, Obama
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20 março 2009
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
Manuela Ferreira Leite não é ouvida e tem problemas de comunicação por excesso de amadorismo? José Sócrates abespinha-se, já só o ouvimos gritar contra "insultos" e tem problemas de comunicação por ser demasiado profissional a comunicar? Pois estais perdoados: Barack Obama - o Schumacher do discurso político - também parece que tem os seus problemazitos de comunicação... ( Aqui no politico.com) Etiquetas: comunicação, Obama, propaganda
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02 março 2009
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
Pelo menos em três pormenores, José Sócrates tentou imitar Barack Obama durante o fim-de-semana do congresso: a) através do seu novo site Sócrates2009 - para estabelecer uma ligação directa e instantânea os apoiantes via mail e sms; b) com a presença de uma tradutora de linguagem gestual no palco quando está a discursar - para mostrar que é inclusivo e por isso de esquerda; c) no filme onde aparecem pessoas comuns a dizer como foram beneficiados pelas suas políticas - no seu célebre filme de 30 minutos, Obama mostrou casos de cidadãos prejudicados pelas políticas de Bush, e com esperança nas políticas democratas; Só que Sócrates não é Obama. Só pode imitá-lo nos meios e na forma. No ser não é possível. São o oposto. Onde Obama é empático, Sócrates é frio. Onde Obama é emocionalmente conciliador, Sócrates é emocionalmente agressivo. Onde Obama cativa, Sócrates crispa. Onde Obama faz quem o ouve sentir coisas positivas, Sócrates indispõe e carrega o ar com energias negativas. Onde Obama disse ser alvo de propaganda negativa por parte dos republicanos, Sócrates diz que é alvo de campanhas negras e força ocultas. Podem usar todas as técnicas, que são boas e ajudam à comunicação política, mas este homem não é o outro. Etiquetas: congresso, espinho, Obama, PS, Sócrates
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15 fevereiro 2009
:: Guarda-freio: João Cândido da Silva
Barack Obama, que é tido como o primeiro político a utilizar em seu benefício todo o potencial das novas tecnologias, parece saber, de facto, fazer " copy/ paste". Etiquetas: Obama, papel químico, tecnologias
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21 janeiro 2009
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
Faz muita confusão a Fernanda Câncio, aqui, no Jugular, o peso da religião na tomada de posse de Barack Obama. Pois a América é a sua história e as suas circunstâncias, e não nos podemos esquecer que o país tem só 200 anos, e nasceu por causa da religião e da liberdade religiosa. Se as notas de dólar têm escrito In God We Trust, também não se pode considerar uma bizarria o Presidente jurar sobre a Bíblia. (Sim , é um grande risco uma nação confiar numa entidade que não existe, mas seria muito mais arriscado confiar numa entidade que existisse, porque, existindo, podia falhar-nos e assim não falha porque não age). Mais polémica aqui. Mas nos comícios do Obama reza-se, como se pode ver aqui. Reza-se, jura-se a bandeira e canta-se o hino (imagino o escândalo que seria se em Portugal o CDS seguir um alinhamento destes num comício). E rezam-se orações que podem ser rezadas por qualquer crente das religiões abrâamicas. Em Waco, no Texas (durante esta campanha eleitoral), assisti a uma coisa num rodeo que me fez pensar. Antes de começar o dito rodeo eles rezaram, e, no fim da oração, o mestre de cerimónias disse assim: " Que bom que é viver num país onde todos podemos rezar a mesma oração". Em Portugal, dizer isto seria uma ofensa segregacionista porque a maioria esmagadora é Católica. Na América não. É uma afirmação de tolerância ecuménica, porque na assistência deviam estar dezenas de pessoas de igrejas diferentes. E ainda assim, rezam todos a mesma oração. Tirando as seitas radicais minoritárias e os grupos evangélicos ( são 27 milhões nos EUA), que apoiaram Bush e Sarah Palin, e promovem o criacionismo nas escolas, penso que a religião na América ainda é um factor de liberdade. No bairro de Obama, em Chicago, há igrejas de várias confissões, mesquitas e sinagogas ao lado umas das outras. Por isso, as invocações religiosas de Barack Obama não me ofendem (nem que seja porque também mencionou os ateus). Etiquetas: EUA, liberdade, Obama, religião
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20 janeiro 2009
:: Guarda-freio: Luís Miguel Afonso
Os U2 encerraram no passado domingo o evento "We Are One" que marcou o início das comemorações da tomada de posse de Barack Obama como 44º Presidente dos Estados Unidos. Antes de interpretar o hino " Pride (In the Name of Love)", Bono dirigiu-se à audiência com as seguintes palavras: " Neste local onde estamos, há 46 anos, o Dr. King teve um sonho. Na terça-feira, esse sonho vai tornar-se realidade". Obama, que estava entre a assistência, também escutou estas mesmas palavras. E também ouviu que " este não é apenas um sonho americano; é também um sonho irlandês, um sonho europeu, africano...um sonho israelita... e palestiniano". Agora só falta saber se, na Terra dos Sonhos, estes se costumam tornar em realidade... Etiquetas: EUA, música, Obama, sonho
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:: Guarda-freio: Vìtor Matos
 Foto: VM
Obama tem beneficiado de um andor mediático nunca visto (à excepção da Fox News). Isso há-de acabar, conforme a crise e as duas guerras no Médio Oriente evoluírem. Ou quando a governação a sério começar. Ele não é um messias, ele não é o "The One" de Matrix. Mas quantos políticos tinham a coragem de deixar na sua equipa responsáveis que vinham e trás (como Robert Gates, na Defesa), ou convidar a mais directa rival, como Hillary Clinton? Até ver, Barack Obama parece ter duas grandes virtudes, estranhamente raras na política corrente: coragem e bom senso. Vamos ver como isto corre. Etiquetas: Chicago, EUA, Grant Park, media, Obama
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:: Guarda-freio: Vìtor Matos
Foto: VM Foi bonita a festa, pá! Parecia um concerto de rock. Se havia música a malta dançava, se havia padre a malta orava, se havia Obama o pessoal chorava. Não deixa de ser estranho um povo enebriado de optimismo quando vive a pior crise de sempre. Etiquetas: Chicago, EUA, Grant Park, Obama
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:: Guarda-freio: Vìtor Matos
Foto: VMQuando se soube da vitória de Obama no Ohio, o povo de Chicago rejubilou. A diferença entre esta gente e os comícios que estou habituado a ver em Portugal é que em Portugal predomina o cinismo: os apoiantes estão lá para apoiar, para gritar, cantar, mas nem sequer acreditam nos políticos do seu partido. Os obamaníacos acreditam. Etiquetas: Chicago, EUA, Grant Park, Obama
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:: Guarda-freio: Vìtor Matos
 Foto: VM Em Portugal, há quem tenha a mania de ver emoção na política: Menezes, Santana, Sampaio... Chamam-lhes emocionais. Mas não são. Lá porque um político chora em público, não quer dizer que as emoções lhe tragam vantagens eleitorais. Ou que os outros se sintam mobilizados para o seguirem. Obama é um político absolutamente racional. Deitou uma lágrima na campanha, quando morreu a avó que o criou. Mas quando fala, da maneira como fala, com os argumentos que usa, emociona os que o ouvem. Obama não é apenas uma máquina de caçar votos. O que os políticos lhe invejam é que ele caça os votos e depois mobiliza as pessoas a agirem. Quando ele começou a discursar, eu tinha várias pessoas a chorar à minha volta. Um líder que faz as pessoas sentirem coisas, que projecta para os outros uma energia interior, pode ser o motor de uma nação ou uma grande fonte de males, como a história já provou. Obama não toca no coração, toca nos pontos sensíveis do cérebro humano às emoções. Etiquetas: Chicago, emoções, EUA, Grant Park, Obama
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:: Guarda-freio: Vìtor Matos
Esta campanha vai ser estudada, muito estudada. O contexto era o ideal para aparecer um candidato assim no contra-ciclo de Bush. Como é que em tão pouco tempo se cria uma estrela global? Daqui a quatro anos esta rapariga ainda estará a celebrar obâmicamente com o mesmo entusiasmo? Foto: VM
Etiquetas: Chicago, EUA, Grant Park, Obama
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:: Guarda-freio: Vìtor Matos
Foto: VM Os olhos deste homem nunca tinham imaginado que podiam ver o que estavam ali a ver. Os resultados davam a vitória a Obama, o negro.  Barack pode vir a ser um logro. Tem a fasquia demasiado alta. Mas aqui, neste momento, ele era a esperança de toda esta gente. Mais uma vez: a sua vitória foi acima de tudo simbólica e representa aquilo que a América tem de mais extraordinário. Um país de oportunidades onde um negro há quatro anos desconhecido bateu o clã Clinton e a cruel máquina de propaganda eleitoral republicana. Foto: VMEtiquetas: Chicago, EUA, Grant Park, Obama
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:: Guarda-freio: Vìtor Matos
O fim da festa foi o início da festa. Já na Michigan Avenue, o pessoal empurrava-se e disputava a dupla Obama/ Biden em cartão para tirarem uma foto de telemóvel. Hoje não deve ser muito diferente em Washington. Etiquetas: Chicago, EUA, Grant Park, Obama
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Tudo o que sobe também desce
Conheça a história do ascensor aqui.
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João Cândido da Silva Vítor Matos Bruno Faria Lopes Luís Miguel Afonso Pedro Esteves Adriano Nobre Filipe Santos Costa Ana Catarina Santos
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