20 janeiro 2009
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
 Foto: VM
Obama tem beneficiado de um andor mediático nunca visto (à excepção da Fox News). Isso há-de acabar, conforme a crise e as duas guerras no Médio Oriente evoluírem. Ou quando a governação a sério começar. Ele não é um messias, ele não é o "The One" de Matrix. Mas quantos políticos tinham a coragem de deixar na sua equipa responsáveis que vinham e trás (como Robert Gates, na Defesa), ou convidar a mais directa rival, como Hillary Clinton? Até ver, Barack Obama parece ter duas grandes virtudes, estranhamente raras na política corrente: coragem e bom senso. Vamos ver como isto corre. Etiquetas: Chicago, EUA, Grant Park, media, Obama
:: »
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
Foto: VM Foi bonita a festa, pá! Parecia um concerto de rock. Se havia música a malta dançava, se havia padre a malta orava, se havia Obama o pessoal chorava. Não deixa de ser estranho um povo enebriado de optimismo quando vive a pior crise de sempre. Etiquetas: Chicago, EUA, Grant Park, Obama
:: »
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
Foto: VMQuando se soube da vitória de Obama no Ohio, o povo de Chicago rejubilou. A diferença entre esta gente e os comícios que estou habituado a ver em Portugal é que em Portugal predomina o cinismo: os apoiantes estão lá para apoiar, para gritar, cantar, mas nem sequer acreditam nos políticos do seu partido. Os obamaníacos acreditam. Etiquetas: Chicago, EUA, Grant Park, Obama
:: »
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
 Foto: VM Em Portugal, há quem tenha a mania de ver emoção na política: Menezes, Santana, Sampaio... Chamam-lhes emocionais. Mas não são. Lá porque um político chora em público, não quer dizer que as emoções lhe tragam vantagens eleitorais. Ou que os outros se sintam mobilizados para o seguirem. Obama é um político absolutamente racional. Deitou uma lágrima na campanha, quando morreu a avó que o criou. Mas quando fala, da maneira como fala, com os argumentos que usa, emociona os que o ouvem. Obama não é apenas uma máquina de caçar votos. O que os políticos lhe invejam é que ele caça os votos e depois mobiliza as pessoas a agirem. Quando ele começou a discursar, eu tinha várias pessoas a chorar à minha volta. Um líder que faz as pessoas sentirem coisas, que projecta para os outros uma energia interior, pode ser o motor de uma nação ou uma grande fonte de males, como a história já provou. Obama não toca no coração, toca nos pontos sensíveis do cérebro humano às emoções. Etiquetas: Chicago, emoções, EUA, Grant Park, Obama
:: »
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
Esta campanha vai ser estudada, muito estudada. O contexto era o ideal para aparecer um candidato assim no contra-ciclo de Bush. Como é que em tão pouco tempo se cria uma estrela global? Daqui a quatro anos esta rapariga ainda estará a celebrar obâmicamente com o mesmo entusiasmo? Foto: VM
Etiquetas: Chicago, EUA, Grant Park, Obama
:: »
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
Foto: VM Os olhos deste homem nunca tinham imaginado que podiam ver o que estavam ali a ver. Os resultados davam a vitória a Obama, o negro.  Barack pode vir a ser um logro. Tem a fasquia demasiado alta. Mas aqui, neste momento, ele era a esperança de toda esta gente. Mais uma vez: a sua vitória foi acima de tudo simbólica e representa aquilo que a América tem de mais extraordinário. Um país de oportunidades onde um negro há quatro anos desconhecido bateu o clã Clinton e a cruel máquina de propaganda eleitoral republicana. Foto: VMEtiquetas: Chicago, EUA, Grant Park, Obama
:: »
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
O fim da festa foi o início da festa. Já na Michigan Avenue, o pessoal empurrava-se e disputava a dupla Obama/ Biden em cartão para tirarem uma foto de telemóvel. Hoje não deve ser muito diferente em Washington. Etiquetas: Chicago, EUA, Grant Park, Obama
:: »
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
 Ao longo do dia vou publicar no Elevador da Bica algumas das fotos que fiz a 5 de Novembro de 2008, no Grant Park de Chicago, a noite da vitória eleitoral de Barack Obama - que hoje toma posse como o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Fui enviado pela revista "Sábado", onde trabalho como jornalista. Naquela noite era o nosso fecho e por causa da diferença horária ainda consegui enviar uns parágrafos pelo telefone, mas îsso foi antes de Obama chegar, subir ao palco e pôr aquela turba a orar "yes we can!" Não houve tempo para mais, nem para mandar fotos, nem para elaborar sobre o discurso do presidente eleito. A vida dos jornais é mesmo assim. Agora, uns meses depois, ficam aqui as imagens e subjectividade das minhas impressões. Etiquetas: EUA, Grant Park, Obama
:: »
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
 O extraordinário foi ver um bispo protestante chegar ao palanque e começar a rezar uma oração. A maior parte dos 150 mil que lá estavam a festejar, já a vitória estava no papo, baixaram a cabeça, compenetraram-se ou deram as mãos e rezaram também. Curioso. Estive num comício da Sarah Palin e os republicanos não rezaram (mas aplaudiram muito um cantor de country que invocouo nome de our lord Jesus Christ!). Nos comícios de Obama, reza-se primeiro, a seguir jura-se a bandeira americana, depois canta-se o hino nacional e só então se passa à política. Quem disse que ele não é conservador engana-se. À luz de critérios europeus, ele é um conservador. Se não o fosse, não teria ganho a eleição. Apesar de tudo, um velho conhecido de Obama do Hyde Park disse-me que não acreditava que ele fosse muito religioso e que só ia à Trinity Church porque era lá que estavam os contactos importantes da comunidade negra. " This is Chicago", dizia-me ele. Foto: VM Etiquetas: EUA, Grant Park, Obama, religião
:: »
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
 Foi a noite do black power, embora estivessem no Grant Park de Chicago quase tantos brancos quanto negros - pelo menos foi o que me pareceu. Onde eu estava, em frente ao écrã gigante, havia poucas bandeiras americanas do tamanho desta. Por isso as pessoas competiam para tirar fotografias com a stars&stripes. Sobretudo os negros. Parece-me que não o fariam se o vencedor tivesse sido um branco, mesmo que fosse o seu candidato. Os apoiantes de Obama sentem esta vitória como sua, e isso é extraordinário, porque as democracias se tinham tornado em exercícios de cinismo. Estes não são cínicos, eles acreditam. A vitória de Barack Obama foi sobretudo simbólica. Muitos desempoderados, aqueles que socialmente estiveram sempre na mó de baixo, sobretudo nas comunidades negras, projectam-se na vitória de Obama e acham que ganharam também. Mesmo que seja uma ilusão - ou que venha a ser ruma ilusão -, é a democracia a funcionar, como devia funcionar. Aqui o povo sente que de alguma forma se apoderou do poder porque se projecta directamente naquele que elegeu. Foto: VMEtiquetas: Chicago, EUA, Grant Park, Obama
:: »
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
Foto: VM
O discurso da vitóra foi um grande momento, porque também foi um grande discurso. Quando ele começa por dizer que a prova de os EUA serem um grande país é o facto de ele estar ali, diz tudo. Sem precisar de dizer nada, sem precisar de falar de raça. Mas o impacto dos discursos de Obama têm a ver com a forma, não só com o conteúdo. Ele é um sacerdote e os que o ouvem comportam-se como os fiéis. Conforme o discurso se ia aproximado do fim, com a multidão quente, Barak Obama ia falando e entrecortando as frases com: - Yes we can! Dizia mais qualquer coisa e… - Yes we can! A multidão ouvia-o e quando ele dizia "Yes We Can", repetia: - Yes We Can! Não é só uma catarse, aquela gente estava toda em transe, é uma missa como a que vi no South Side de Chicago, na Trinity Church, que Obama frequentava. O público envolve-se nas palavras do pastor que os embala e responde à voz do pastor… É diferente de uma missa católica, é mais quente e a comunicação nos dois sentidos é mais espontânea. - Yes we can! Obama fala como um pastor protestante de uma igreja negra. Vai subindo o tom, ligeiramente, para não parecer excessivo, para não falar como o reverendo Jeremiah Wright, mas aquilo está lá. Nunca vi um político dominar assim, emocionalmente, uma multidão. Chega a ser assustador. Não que os americanos sejam muito quentes. Em Portugal haveria mais gritaria tipo claque de futebol, mas aqui eles estão arrebatados. Não pela razão, sobretudo pelo espírito. Quando eles dizem que Obama é "inspiring" é isso. As pessoas sentem coisas quando o ouvem. Os políticos convencionais tentam convencer as pessoas: Obama tenata que eles sintam o que ele diz. Sim, aquilo é de arrepios na espinha. Sobretudo para os negros. E um político que repita "yes we can" daquela maneira, sem parecer ridículo, é porque tem "aquilo": o carisma.
Foto: VMEtiquetas: Chicago, EUA, fotos, Grant Park, Obama
:: »
|
 |
Tudo o que sobe também desce
Conheça a história do ascensor aqui.
|
- Guarda-freios:
João Cândido da Silva Vítor Matos Bruno Faria Lopes Luís Miguel Afonso Pedro Esteves Adriano Nobre Filipe Santos Costa Ana Catarina Santos
|
|