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elevador da bica

Grant Park: um vitória que durou apenas dois anos

05 novembro 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

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Deve ser por Maria de Lurdes Rodrigues estar na FLAD...

02 setembro 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

...que os professores norte-americanos estão em guerra por causa das avaliações. Afinal, não é só por aqui que a avaliação dos professores gera polémica. Nos Estados Unidos, há professores em manifestações de Washington a Los Angeles por causa de um método de avaliação estatístico chamado do "valor acrescentado". Notícia no New York Yimes. É claro que o facto de a ex-ministra da Educação que criou a polémica da avaliação dos professores em Portugal presidir à Fundação Luso-Americana não tem nada a ver com o assunto...

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Retratos da América - 4

03 dezembro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Foto: VM
É sexta-feira na little town America. George W. Bush vivia num rancho em Crawford. Apesar da fama mundial, o lugar é apenas uma pequena aldeia de 705 habitantes. E esta noite havia um dérbi de futebol entre liceus: os Pirates de Crawford, que tinham sido campeões do Texas (o Texas tem 23 milhões de habitantes), jogavam contra os Bulldogs de McGregor, a vila vizinha, com 10 mil habitantes. Grande festa! Os 705 habitantes estavam nas bancadas a gritar pelos Pirates.


Foto: VM
Há um ano, durante a campanha para as presidenciais, a republicana Sarah Palin apresentava-se invariavelmente como uma hockey mom. Naquela noite, o estádio de Crawford estava cheio de football moms and dads. O público vibrava ali com mais energia do que num Benfica-Sporting. Aquela gente tem espírito de comunidade. As televisões conservadoras estavam sempre a falar dos little town America values, coisa alegadamente abstracta para Obama...


Foto: VM
Imagino que os liceus daqui não sejam muito grandes - embora Bush, Putin e Blair tenham discursado no pequeno liceu de Crawford - mas toda a gente está envolvida na noite de sexta-feira desta América das aldeias. São os alunos que jogam futebol americano, as cheerleaders da escola agitando puffs, gritando Pi-ra-tes! ou do outro lado Ouf! Ouf! Bull-dogs!, e fazendo exibições de ginástica nos intervalos, mais as bandas filarmónicas estudantis. Pirates e Bulldogs têm jogadores, treinador, cheerlears e banda que toca à vez, conforme ataca a sua equipa. No mínimo é animado. E cada aluno leva pais, avós, primos, antigos alunos, professores, tudo atrás. Quando a minha equipa de basquete da secundária lá da vila jogava contra escolas de outras vilas, mobilizava mais ou menos as nossas namoradas e pouco mais. Ali há repórteres de imprensa local, rádios e televisões regionais...


Foto: VM
O problema do futebol americano é entendê-lo. Bem me explicaram as regras, a conquista das linhas, o touch down, mas confesso que entendi menos da coisa do que um americano que vê soccer e não percebe como é que os europeus gostam de um desporto em que raramente se marca um ponto. Ali marcam-se muitos pontos num jogo que aos olhos de um europeu está sempre parado. O rapaz desta foto respondeu a todas as perguntas que lhe fiz com um "Yes, sir! No, sir!" Pensei que era por ele estar a fazer a pré-recruta dos Marines, mas não. No Texas a educação assim obriga.

Foto: VM
Prteston Lynn, professor de inglês do liceu de Crawford ajudou-me a parar esta sua aluna para a foto. Conversámos ao longo do jogo. Falou-me dos escritores americanos. Não conhecia nenhum escritor português. Perguntou-me se morria muita gente nos estádios de futebol portugueses por causa dos hooligans. Raio de pergunta. O professor Lynn é um homem afável, conservador e evangélico da Assembleia de Deus que votaria com gosto na evangélica Sarah Palin, mas teria dificuldade em engolir John McCain.

Foto: VM
No fim da noite, os campeões perderam. Os Pirates de Crawford foram cilindrados pelos Bulldogs de McGregor: 42-14.

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Retratos da América - 3

21 novembro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Foto: VM
Estava no Michigan, quando soube que Sarah Palin ia dar um comício em Troy, no Ohio. No mapa pareceia perto. Era só atravessar o estado do Indiana. Digitei a morada no GPS: seis horas de estrada. Porreiro, pá. É como de Lisboa a Madrid, nada de especial. Deitei-me às nove da noite e fiz-me à estrada à uma da madrugada...


Foto: VM
Conduzi a noite toda, a ouvir blues na rádio por satélite. Cheguei a Troy pelas sete da manhã. O frio manteve-me acordado. O povo fazia fila apanhando geada à porta do pavilhão de hóquei no gelo, vedado pelo Serviço Secreto. Palin havia de chegar ao meio dia.
Foto: VM
Enquanto Palin não chegava, havia uma sósia de Palin a dar entrevistas a todas as televisões regionais. Uma mulher viu-me fotografar e achou que devia avisar-me, pobre estangeiro: "Olhe que esta não é a verdadeira Sarah..."

Foto: VM

Sarah Palin lançou ontem o seu livro Going Rogue, onde ataca o staff de John McCain. Uma espécie de vingança ou ajuste de contas, a preparar as primárias do GOP em 2012.
Os conselheiros republicanos criticaram a candidata a vice-presidente durante a própria campanha, através de fugas para a imprensa, por ela fugir à mensagem delineada - com gaffes e tiradas polémicas que acabavam por beneficiar Obama.

A verdadeira Sarah havia de chegar no meio de uma onda de comoção. Os políticos americanos são recebicos pelo povo como estrelas de rock. Em Troy, Palin discursou meia hora e passou uma hora a dar autógrafos, beijocando e falando com toda a gente sempre em pose de miss de liceu, cercada por agentes do Serviço Secreto. Só houve um interveniente com mais aplausos que a candidata: uma estrela de country, que tocou antes do discurso paliniano, e que gritou "I believe um Jesus Christ!"


Foto: VM
A outra estrela entre o povo republicano, era, claro, o First Dude do Alaska. A mulher apresentou-o assim, e desfiou-lhe o currículo de pescador, caçador e campeão de corridas de trenó. É o verdadeiro Amor no Alaska.
Fotos: VM
Estes dois amigos, republicanos até à medula, explicaram-me por que jamais votariam democrata. Primeiro, os democratas defendem o aborto e querem matar bebés; segundo, jamais votariam em quem lhes quisesse limitar o direito de possuir armas; terceiro, Obama é um socialista que quer transformar os Estados Unidos na União Soviética...

Foto: VM
Os comícios têm grande produção e aparato. Este ano as duas campanhas do PS - para as europeias e legislativas - não deviam nada ao aparato, conceito e organização dos comícios norte-americanos.

Foto: VM
Ir ao comício é como passar uma tarde no baseball ou no futebol. É um espectáculo para a família.

Foto: VM

Foto: VM

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Retratos da América - 2

15 novembro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Foto: VM

Keith Lynch, o texano vizinho de Bush, levou-me então ao rodeo, em Waco. Primeiro, passei três horas na caravana dele, do tamanho de um camião TIR, a escrever o texto para mandar para Lisboa. À hora do rodeo, entrámos no recinto pela sala onde os cowboys se preparavam.

Foto: VM
No balneário, uns cowboys apreciam fotografias do último rodeo num computador portátil. Outros, concentram-se. Rezam. São atletas de um desporto de alto risco. Não sabem o que lhes pode acontecer dali a minutos. Podem partir-se todos. Ou podem ganhar um prémio superior a 40 mil dólares.

Foto: VM
Antes do espectáculo começar jura-se a bandeira dos Estados Unidos, canta-se o hino e reza-se a um Deus abstracto. O speaker congratula-se por viver num país onde todos podem rezar juntos, mesmo que tenham religiões diferentes.

Foto: VM

O rodeo é uma competição, um espectáculo, uma festa. Os americanos têm uma noção de entretenimento muito mais apurada do que os europeus. Homens de borracha montam cavalos e touros. Aquilo não parece humano.

Foto: VM





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Retratos da América

12 novembro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Foto: Vítor Matos

Keith Lynch e a mulher são vizinhos de George W. Bush. O seu rancho em Crawford está na família desde o tempo do seu avô alemão, e faz fronteira com o de Prairie Chapel, do ex-presidente dos Estados Unidos (que no momento desta foto ainda o era). Lynch é um velho cowboy de 70 anos que andou por rodeos enquanto jovem a laçar vacas, cristão metodista como Bush e Democrata ao contrário do vizinho, porque os pais, dizia ele, aprenderam com a Grande Depressão que os Democratas tinham sempre de acudir para corrigir as asneiras dos Republicanos. Milionários de Dallas ofereceram-lhe fortunas pelo rancho só para dizerem que eram vizinhos de W., que no início da presidência ainda passava de carro e parava para ver Lynch ensinar os cães a guardar ovelhas, ou para o observar em manobras a cavalo conduzindo gado. Depois do 11 de Setembro, Bush deixou de passar na estrada. Vinha sempre de helicóptero.
Em meia hora fiz um amigo. Ao fim dessa meia hora de conversa, em que comi um delicioso hamburguer de barbecue e uma estranha cerveja sem álcool, meteu-me no seu truck, um jipe enorme e potente e levou-me para um rodeo em Waco, a 30 quilómetros de Crawford. He's never been to a rodeo before!, dizia ele aos amigos com um profundo sotaque mastigado do Texas, enquanto me apresentava como uma raridade e me sentava num lugar de luxo para ver o que são cowboys a sério.

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Nem todos são Jack Bauer

29 abril 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

A Newsweek publica esta semana a extraordinária história de Ali Soufan, um agente do FBI a trabalhar com a CIA nos interrogatórios de suspeitos de terrorismo, que lhes tirava informações valiosíssimas sem recorrer à tortura. Neste artigo ele representa o poder do soft power e os valores da democracia americana. Foi afastado quando elementos dos serviços secretos passaram a ter cobertura política para torturar.

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Religião e liberdade na América

21 janeiro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Faz muita confusão a Fernanda Câncio, aqui, no Jugular, o peso da religião na tomada de posse de Barack Obama. Pois a América é a sua história e as suas circunstâncias, e não nos podemos esquecer que o país tem só 200 anos, e nasceu por causa da religião e da liberdade religiosa. Se as notas de dólar têm escrito In God We Trust, também não se pode considerar uma bizarria o Presidente jurar sobre a Bíblia. (Sim , é um grande risco uma nação confiar numa entidade que não existe, mas seria muito mais arriscado confiar numa entidade que existisse, porque, existindo, podia falhar-nos e assim não falha porque não age). Mais polémica aqui.

Mas nos comícios do Obama reza-se, como se pode ver aqui. Reza-se, jura-se a bandeira e canta-se o hino (imagino o escândalo que seria se em Portugal o CDS seguir um alinhamento destes num comício). E rezam-se orações que podem ser rezadas por qualquer crente das religiões abrâamicas. Em Waco, no Texas (durante esta campanha eleitoral), assisti a uma coisa num rodeo que me fez pensar. Antes de começar o dito rodeo eles rezaram, e, no fim da oração, o mestre de cerimónias disse assim: "Que bom que é viver num país onde todos podemos rezar a mesma oração". Em Portugal, dizer isto seria uma ofensa segregacionista porque a maioria esmagadora é Católica. Na América não. É uma afirmação de tolerância ecuménica, porque na assistência deviam estar dezenas de pessoas de igrejas diferentes. E ainda assim, rezam todos a mesma oração.

Tirando as seitas radicais minoritárias e os grupos evangélicos (são 27 milhões nos EUA), que apoiaram Bush e Sarah Palin, e promovem o criacionismo nas escolas, penso que a religião na América ainda é um factor de liberdade. No bairro de Obama, em Chicago, há igrejas de várias confissões, mesquitas e sinagogas ao lado umas das outras. Por isso, as invocações religiosas de Barack Obama não me ofendem (nem que seja porque também mencionou os ateus).

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A Terra dos Sonhos

20 janeiro 2009 :: Guarda-freio: Luís Miguel Afonso

Os U2 encerraram no passado domingo o evento "We Are One" que marcou o início das comemorações da tomada de posse de Barack Obama como 44º Presidente dos Estados Unidos. Antes de interpretar o hino "Pride (In the Name of Love)", Bono dirigiu-se à audiência com as seguintes palavras: "Neste local onde estamos, há 46 anos, o Dr. King teve um sonho. Na terça-feira, esse sonho vai tornar-se realidade".

Obama, que estava entre a assistência, também escutou estas mesmas palavras. E também ouviu que "este não é apenas um sonho americano; é também um sonho irlandês, um sonho europeu, africano...um sonho israelita... e palestiniano".

Agora só falta saber se, na Terra dos Sonhos, estes se costumam tornar em realidade...

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O andor mediático

:: Guarda-freio: Vìtor Matos


Foto: VM

















Obama tem beneficiado de um andor mediático nunca visto (à excepção da Fox News). Isso há-de acabar, conforme a crise e as duas guerras no Médio Oriente evoluírem. Ou quando a governação a sério começar. Ele não é um messias, ele não é o "The One" de Matrix. Mas quantos políticos tinham a coragem de deixar na sua equipa responsáveis que vinham e trás (como Robert Gates, na Defesa), ou convidar a mais directa rival, como Hillary Clinton? Até ver, Barack Obama parece ter duas grandes virtudes, estranhamente raras na política corrente: coragem e bom senso. Vamos ver como isto corre.

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Ambiente de festival rock

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Foto: VM
Foi bonita a festa, pá! Parecia um concerto de rock. Se havia música a malta dançava, se havia padre a malta orava, se havia Obama o pessoal chorava.
Não deixa de ser estranho um povo enebriado de optimismo quando vive a pior crise de sempre.

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Quando se soube do Ohio...

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Foto: VM
Quando se soube da vitória de Obama no Ohio, o povo de Chicago rejubilou. A diferença entre esta gente e os comícios que estou habituado a ver em Portugal é que em Portugal predomina o cinismo: os apoiantes estão lá para apoiar, para gritar, cantar, mas nem sequer acreditam nos políticos do seu partido. Os obamaníacos acreditam.

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Obama e as emoções

:: Guarda-freio: Vìtor Matos


Foto: VM
Em Portugal, há quem tenha a mania de ver emoção na política: Menezes, Santana, Sampaio... Chamam-lhes emocionais.
Mas não são. Lá porque um político chora em público, não quer dizer que as emoções lhe tragam vantagens eleitorais. Ou que os outros se sintam mobilizados para o seguirem.

Obama é um político absolutamente racional. Deitou uma lágrima na campanha, quando morreu a avó que o criou. Mas quando fala, da maneira como fala, com os argumentos que usa, emociona os que o ouvem. Obama não é apenas uma máquina de caçar votos. O que os políticos lhe invejam é que ele caça os votos e depois mobiliza as pessoas a agirem.

Quando ele começou a discursar, eu tinha várias pessoas a chorar à minha volta. Um líder que faz as pessoas sentirem coisas, que projecta para os outros uma energia interior, pode ser o motor de uma nação ou uma grande fonte de males, como a história já provou.

Obama não toca no coração, toca nos pontos sensíveis do cérebro humano às emoções.

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Barack, Pop-Star

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Esta campanha vai ser estudada, muito estudada. O contexto era o ideal para aparecer um candidato assim no contra-ciclo de Bush. Como é que em tão pouco tempo se cria uma estrela global? Daqui a quatro anos esta rapariga ainda estará a celebrar obâmicamente com o mesmo entusiasmo?

Foto: VM

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Havia quem não acreditasse

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Foto: VM


















Os olhos deste homem nunca tinham imaginado que podiam ver o que estavam ali a ver. Os resultados davam a vitória a Obama, o negro.






Barack pode vir a ser um logro. Tem a fasquia demasiado alta. Mas aqui, neste momento, ele era a esperança de toda esta gente. Mais uma vez: a sua vitória foi acima de tudo simbólica e representa aquilo que a América tem de mais extraordinário. Um país de oportunidades onde um negro há quatro anos desconhecido bateu o clã Clinton e a cruel máquina de propaganda eleitoral republicana.









Foto: VM

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Chicago em êxtase

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

O fim da festa foi o início da festa. Já na Michigan Avenue, o pessoal empurrava-se e disputava a dupla Obama/ Biden em cartão para tirarem uma foto de telemóvel. Hoje não deve ser muito diferente em Washington.



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De Grant Park a Washington

:: Guarda-freio: Vìtor Matos


Ao longo do dia vou publicar no Elevador da Bica algumas das fotos que fiz a 5 de Novembro de 2008, no Grant Park de Chicago, a noite da vitória eleitoral de Barack Obama - que hoje toma posse como o primeiro presidente negro dos Estados Unidos.
Fui enviado pela revista "Sábado", onde trabalho como jornalista. Naquela noite era o nosso fecho e por causa da diferença horária ainda consegui enviar uns parágrafos pelo telefone, mas îsso foi antes de Obama chegar, subir ao palco e pôr aquela turba a orar "yes we can!" Não houve tempo para mais, nem para mandar fotos, nem para elaborar sobre o discurso do presidente eleito. A vida dos jornais é mesmo assim.
Agora, uns meses depois, ficam aqui as imagens e subjectividade das minhas impressões.

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Eles rezam com Barack

:: Guarda-freio: Vìtor Matos



O extraordinário foi ver um bispo protestante chegar ao palanque e começar a rezar uma oração. A maior parte dos 150 mil que lá estavam a festejar, já a vitória estava no papo, baixaram a cabeça, compenetraram-se ou deram as mãos e rezaram também.
Curioso.
Estive num comício da Sarah Palin e os republicanos não rezaram (mas aplaudiram muito um cantor de country que invocouo nome de our lord Jesus Christ!). Nos comícios de Obama, reza-se primeiro, a seguir jura-se a bandeira americana, depois canta-se o hino nacional e só então se passa à política.
Quem disse que ele não é conservador engana-se. À luz de critérios europeus, ele é um conservador. Se não o fosse, não teria ganho a eleição.
Apesar de tudo, um velho conhecido de Obama do Hyde Park disse-me que não acreditava que ele fosse muito religioso e que só ia à Trinity Church porque era lá que estavam os contactos importantes da comunidade negra. "This is Chicago", dizia-me ele.
Foto: VM

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A vitória dos desempoderados

:: Guarda-freio: Vìtor Matos


Foi a noite do black power, embora estivessem no Grant Park de Chicago quase tantos brancos quanto negros - pelo menos foi o que me pareceu. Onde eu estava, em frente ao écrã gigante, havia poucas bandeiras americanas do tamanho desta. Por isso as pessoas competiam para tirar fotografias com a stars&stripes. Sobretudo os negros. Parece-me que não o fariam se o vencedor tivesse sido um branco, mesmo que fosse o seu candidato. Os apoiantes de Obama sentem esta vitória como sua, e isso é extraordinário, porque as democracias se tinham tornado em exercícios de cinismo. Estes não são cínicos, eles acreditam.

A vitória de Barack Obama foi sobretudo simbólica. Muitos desempoderados, aqueles que socialmente estiveram sempre na mó de baixo, sobretudo nas comunidades negras, projectam-se na vitória de Obama e acham que ganharam também. Mesmo que seja uma ilusão - ou que venha a ser ruma ilusão -, é a democracia a funcionar, como devia funcionar. Aqui o povo sente que de alguma forma se apoderou do poder porque se projecta directamente naquele que elegeu.

Foto: VM

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Obama, o pastor e o seu rebanho

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Foto: VM

O discurso da vitóra foi um grande momento, porque também foi um grande discurso. Quando ele começa por dizer que a prova de os EUA serem um grande país é o facto de ele estar ali, diz tudo. Sem precisar de dizer nada, sem precisar de falar de raça. Mas o impacto dos discursos de Obama têm a ver com a forma, não só com o conteúdo. Ele é um sacerdote e os que o ouvem comportam-se como os fiéis.
Conforme o discurso se ia aproximado do fim, com a multidão quente, Barak Obama ia falando e entrecortando as frases com:
- Yes we can!
Dizia mais qualquer coisa e…
- Yes we can!
A multidão ouvia-o e quando ele dizia "Yes We Can", repetia:
- Yes We Can!
Não é só uma catarse, aquela gente estava toda em transe, é uma missa como a que vi no South Side de Chicago, na Trinity Church, que Obama frequentava. O público envolve-se nas palavras do pastor que os embala e responde à voz do pastor… É diferente de uma missa católica, é mais quente e a comunicação nos dois sentidos é mais espontânea.
- Yes we can!
Obama fala como um pastor protestante de uma igreja negra. Vai subindo o tom, ligeiramente, para não parecer excessivo, para não falar como o reverendo Jeremiah Wright, mas aquilo está lá. Nunca vi um político dominar assim, emocionalmente, uma multidão. Chega a ser assustador. Não que os americanos sejam muito quentes. Em Portugal haveria mais gritaria tipo claque de futebol, mas aqui eles estão arrebatados. Não pela razão, sobretudo pelo espírito.
Quando eles dizem que Obama é "inspiring" é isso. As pessoas sentem coisas quando o ouvem. Os políticos convencionais tentam convencer as pessoas: Obama tenata que eles sintam o que ele diz. Sim, aquilo é de arrepios na espinha. Sobretudo para os negros. E um político que repita "yes we can" daquela maneira, sem parecer ridículo, é porque tem "aquilo": o carisma.

Foto: VM

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