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elevador da bica

Ficção na realidade e realidade na ficção



Enquanto Barack Obama desclassifica memorandos da CIA sobre tortura a suspeitos de terrorismo, mas decide não agir judicialmente contra quem ordenou e executou essas torturas (ao contrário do que prometera), Jack Bauer tortura e é julgado por torturar na 7ª série do 24.

No episódio de ontem, lá teve ele de arranjar maneira de ir assustar mais um conspirador - que entretanto ele já tinha amassado consideravelmente - com as técnicas mais agressivas de fazer perguntinhas, embora garantindo que a Presidente dos Estados Unidos não saberia de nada.

Barack Obama, na vida real - como a Presidente no 24 -, anda aos avanços e recuos: "Sobre aqueles que executaram essas operações [tortura], no âmbito das opiniões legais e das regras aprovadas pela Casa Branca, posso garantir que não haverá consequências legais" (citado no Público de hoje). "Mas no que diz respeito aos que formularam essas decisões legais, essa decisão está nas mãos do procurador-geral dentro dos parâmetros da lei - e eu não quero fazer mais juízos prévios". Depois, diz Obama que não se oporá a uma comissão de inquérito para investigar as práticas de tortura.

Na ficção, Bauer enfrenta o inquérito de um senador que o quer justamente condenar por atentado aos direitos humanos e por agir como se não vivesse num Estado de Direito. Bauer é um homem perigoso, como os homens dos serviços secretos que são treinados para serem perigosos. E que existem no mundo real.

No mundo real, como naquelas ficções, somos confrontado com o dilema do poder (decidir que sim ou que não) e o dever de garantir a segurança dos cidadãos - a todo o custo, se a situação for de emergência. Deve Bauer torturar ou matar um suspeito se isso salvar 300 vidas? Deve um operacional da CIA torturar um suspeito se isso prevenir o salvamento de centenas de pessoas? O problema é que na vida real não se sabe o futuro.

Na ficção, a coisa depende do argumentista, omnipotente, que domina os futuros. Na vida real, tudo depende do presente, do poder político, e da vontade de cada um dos protagonistas, com base em alguma experiência no passado.

Nunca esquecendo: seviços secretos como a CIA - ou como os serviços de informações externos de todos os países - não servem para uma cultura de cumprimento da lei, mas de violação da lei nos Estados estrangeiros onde estão a operar. É básico: têm de sacar segredos, comprar fontes, subornar, influenciar e se for preciso sabotar e bater. Onde é que está a linha entre a ficção e a realidade, nas histórias verdadeiras dos espiões que davam filmes?

Jack Bauer diz que é democrata (voltarei a isto noutro post). Obama aprovaria as acções de Bauer caso se deparasse com os mesmos dilemas?

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“Ficção na realidade e realidade na ficção”

  1. Blogger MB disse:

    Desde que, há uns bons meses, o Wall Street dedicou a sua News in Depth a este tema, que estava com vontade de acompanhar a sétima temporada do 24.

    O dilema é exactamente essa: uma democracia só é uma democracia se os Jacks Bauers desta vida não existirem, e se todos se comportarem com a René (embora até ela ande a vacilar um bocado - aquela de apontar a arma a uma mãe e depois virar costas e começar a chorar...). Na ficção, nos livros de filosofia política e nos manuais de governação, tudo isto parece muito bonito, lógico, defensável, coerente e até, de uma certa forma, um ideal bonito.

    O problema é que a vida nem sempre é assim, bonita, coerente, enfim, como nos livros que líamos quando éramos pequenos e que acabavam sempre bem. A vida é cinzenta, está cheia de linhas ténues e Obama tem, por isso, um problema. Com que legitimidade se condena um operacional que por ter dado umas bofetadas salvou centenas de pessoas?

    Pode algum de nós dizer, de forma verdadeira (anónima, se ajudar) que prefere não torturar uma pessoa e com isso deixar matar centenas delas? Queremos mesmo que um suspeito de terrorismo tenha o mesmo tratamento que um cidadão normal?

    A pergunta não é politicamente correcta, reconheço, mas dou por mim a encarar isto um bocado como aquela piada sobre as salsichas e os chouriços: são bons, mas ninguém quer realmente saber como são feitos...

    Dito isto, no dia em que colectivamente aceitarmos a tortura, é o dia em que começamos a caminhar para o fim deste sistema político que nos dá liberdade para, por exemplo neste comentário, dizermos o que muito bem nos dá real gana.