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elevador da bica

Confiança e desconfiança

29 julho 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

“Houve uma fraude. O banco não tem condições de verificar se todos os emitentes não estão envolvidos em fraudes", disse um administrador do Banco Espírito Santo a propósito do recurso que a instituição vai apresentar de uma decisão judicial em Espanha, que condena o BES a reembolsar em meio milhão de euros um cliente que viu o seu dinheiro ser aplicado num fundo ligado ao esquema de Ponzi liderado por Bernard Maddoff.

É, pelo menos, razoável admitir que o banco não tem condições para fazer aquela verificação. Mas já é menos razoável aceitar que a instituição não tem quaisquer responsabilidades sobre os produtos que comercializa, ainda para mais quando ganha dinheiro com isso. É por estas e por outras semelhantes que as instituições financeiras saem da actual crise com o prestígio e a credibilidade de rastos. Pior: parece que os seus responsáveis aprenderam pouco com os acontecimentos dos dois últimos anos.

Acresce que a história, ao que se sabe, não se resume ao facto de o BES ter aplicado uma parte do dinheiro do cliente no tal fundo ligado a Maddoff. O tribunal espanhol deu como provado que o cliente tinha solicitado o investimento da soma entregue ao BES em produtos "conservadores" e nunca terá sido informado do perfil de maior risco das aplicações por onde o seu dinheiro se perdeu.

Posto isto, se é incontestável que o BES, ou outro banco qualquer, não é responsável pelas fraudes alheias, também parece ser indiscutível que é necessário ter uma perspectiva mais responsável sobre estas matérias para que possam existir laços de confiança entre as instituições financeiras e os respectivos clientes. Se os bancos se demitem das suas obrigações, por que motivo se poderão achar merecedores de crédito?

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O destino de Elie Wiesel

04 abril 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

"I have seen in my lifetime the problem is when the imagination of the criminal precedes that of the innocent. And Madoff had imagination... We have no idea that a person is capable of that, but then I should have learned, of course, that a human being is capable of anything."

As palavras são de Elie Wiesel, Prémio Nobel da Paz, escritor que experimentou o horror dos campos de concentração nazis e que perdeu quase todo o seu património e o da sua fundação na fraude de Bernard Madoff. Ler mais aqui.

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Normalidade

17 março 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Aqui está um gráfico interessante sobre a queda de Bernard Madoff. A linha do tempo começa com uma referência às inspecções da Securities and Exchange Comission, em 2005 e 2007, em que nada de estranho foi detectado. Não admira. Pelo que se vê agora, nos Estados Unidos ou em Portugal, a actuação normal das autoridades de supervisão foi a de não detectarem situações anormais.

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