26 janeiro 2010
:: Guarda-freio: João Cândido da Silva
A
discriminação a que os administradores dos bancos vão ser sujeitos, em matéria de remunerações variáveis que venham a receber, em comparação com os restantes sectores de actividade, é outra medida que tresanda a demagogia.
Num dia, o Governo congratula-se pelo facto de a banca portuguesa ser sólida, não ter necessitado das ajudas que foram colocadas à sua disposição e não ter mergulhado nas águas arriscadas que comprometeram instituições financeiras noutras paragens. No dia seguinte, agrava a tributação dos respectivos gestores, o que cai sempre bem junto da populaça, disponível para não perder qualquer oportunidade de exercitar aquilo a que José Sócrates, a propósito do seu amigo Armando Vara, já chamou de "inveja social".
Adenda - Afinal, a medida abrange gestores de todas as empresas que pagam prémios de desempenho. Acaba-se com a discriminação e, de caminho, com o incentivo às boas prestações profissionais.Etiquetas: bancos, demagogia, inveja social
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29 julho 2009
:: Guarda-freio: João Cândido da Silva
“Houve uma fraude. O banco não tem condições de verificar se todos os emitentes não estão envolvidos em fraudes",
disse um administrador do Banco Espírito Santo a propósito do recurso que a instituição vai apresentar de uma decisão judicial em Espanha, que condena o BES a reembolsar em meio milhão de euros um cliente que viu o seu dinheiro ser aplicado num fundo ligado ao esquema de Ponzi liderado por Bernard Maddoff.
É, pelo menos, razoável admitir que o banco não tem condições para fazer aquela verificação. Mas já é menos razoável aceitar que a instituição não tem quaisquer responsabilidades sobre os produtos que comercializa, ainda para mais quando ganha dinheiro com isso. É por estas e por outras semelhantes que as instituições financeiras saem da actual crise com o prestígio e a credibilidade de rastos. Pior: parece que os seus responsáveis aprenderam pouco com os acontecimentos dos dois últimos anos.
Acresce que a história, ao que se sabe, não se resume ao facto de o BES ter aplicado uma parte do dinheiro do cliente no tal fundo ligado a Maddoff. O tribunal espanhol deu como provado que o cliente tinha solicitado o investimento da soma entregue ao BES em produtos "conservadores" e nunca terá sido informado do perfil de maior risco das aplicações por onde o seu dinheiro se perdeu.
Posto isto, se é incontestável que o BES, ou outro banco qualquer, não é responsável pelas fraudes alheias, também parece ser indiscutível que é necessário ter uma perspectiva mais responsável sobre estas matérias para que possam existir laços de confiança entre as instituições financeiras e os respectivos clientes. Se os bancos se demitem das suas obrigações, por que motivo se poderão achar merecedores de crédito?
Etiquetas: bancos, Bernard Madoff, lições da crise
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16 abril 2009
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
«Se houver um esforço grande de coordenação, uma amnistia fiscal global pode ser implementada e permitir que os capitais que estão nos offshores por razões de ordem fiscal e não por razões ilícitas, possam reemergir e até serem investidos em fundos de investimento que possam ajudar países em desenvolvimento».Ricardo Salgado, presidente do BES, no Jornal de NegóciosPasmo. Encaixa no espírito deste tempo a declaração de boa vontade de Ricardo Salgado para se acabarem com os
offshores, mas também bate certo com a operação de charme e imagem que os banqueiros são obrigados a fazer por causa do mesmo espírito do tempo. Adaptação, darwinismo, saber viver num novo ambiente. É inteligente.
Mas pasmo. E pasmo sobretudo com a declaração de que há capitais nos
offshores por razões de ordem fiscal e não por razões ilícitas. Parece que não é ilegal. Mas não sei se é lícito. Eu pago impostos obrigado. A minha empresa paga impostos obrigada. Impostos são tão certos como a morte - preferia não os pagar, preferia não morrer - mas há quem engane os impostos licitamente, embora não enganando a morte, está claro, isso é mais difícil. Se eu recusar pagar impostos
inshore não é lícito, pois não?...
Etiquetas: bancos, crise, offshore
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20 março 2009
:: Guarda-freio: João Cândido da Silva
São apenas os
bancos que devem deixar de trabalhar com paraísos fiscais ou os
investidores imobiliários também devem abster-se de adquirir casas a sociedades "off-shore"? Já agora, qual deve ser o procedimento de
outros investidores em relação à matéria?
Etiquetas: bancos, imobiliário, Paraísos fiscais
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