06 maio 2010
:: Guarda-freio: João Cândido da Silva
No "Público": "Vila operária em ruínas sumiu-se de repente numa colina de Lisboa". Mais um exemplo concreto de como a reabilitação urbana devia estar nas prioridades do investimento público. Mas não. Vamos ter TGV a par de edifícios a apodrecer até cairem. Pobres, mas com um Ferrari à porta de casa. Etiquetas: derrocada, Ferrari, TGV
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15 janeiro 2010
:: Guarda-freio: João Cândido da Silva
Agora que já consegui parar de rir com a tirada de António Mendonça sobre os impactos no turismo português da ligação Lisboa-Madrid em alta velocidade, aqui vão uns comentários sobre a matéria.
O ministro diz que a ligação vai permitir fazer a viagem em duas horas e quarenta e cinco minutos. Muito bem. Digamos que há um madrileno cheio de calor que quer vir gozar as delícias das praias que rodeiam Lisboa. Digamos que esse madrileno mora perto da estação ferroviária de onde partirá o TGV e que, com a toalha e o protector solar devidamente guardados na mochila, faz o percurso entre o seu domicílio e o terminal em 15 minutos. Já lá vão três horas só para ir dar um cachucho à Caparica.
Chegado a Lisboa, à estação do Oriente, terá que apanhar transporte para alcançar o objectivo de colocar os pés na areia e estender a toalhinha. Sejamos optimistas, tão optimistas quanto o Governo que temos, e admitamos que o nosso madrileno consegue aviar a distância em meia hora. E já lá vão três horas e meia desde que saiu de casa, disposto a satisfazer as previsões de António Mendonça.
O "nuestro hermano" desfruta o dia, mas tem que se apressar porque, para regressar ao ponto de partida, está obrigado a suportar apenas mais três horas e meia de viagem, sempre com um sorriso de irredutível optimismo estampado na cara, até se encontrar novamente em casa para tomar duche e ir comer umas tapas.
Ao todo, para gozar a perspectiva de Lisboa como praia de Madrid, serão sete horas em trânsito, fazendo as contas muito por baixo, como sucedia com o voo dos crocodilos na velha União Soviética. Há malucos para tudo e quem seja capaz dos maiores sacrifícios só para ter o prazer de ir à praia. Mas também há quem, provavelmente, apanhe demasiado sol e, com o raciocínio em alta velocidade, não tenha tempo para pensar naquilo que diz.
Etiquetas: António Mendonça, Madrid me mata, praia, TGV
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26 outubro 2009
:: Guarda-freio: João Cândido da Silva
 Os portugueses produzem como os marroquinos e gastam como os alemães. Foi mais ou menos desta forma que um editorial do "Wall Street Journal" se referiu, há alguns anos, ao pobre estado da economia portuguesa. Como se sabe, a tirada não perdeu actualidade e estas duas notícias, para além dos défice gémeos acumulados nas contas públicas e na balança corrente e de capital, confirmam-no. Em adjudicações directas, sem concurso, portanto, as administrações públicas já gastaram dois mil milhões de euros este ano. E para subir mais um degrau na loucura financeira da ferrovia de alta velocidade, o ministro das Obras Públicas que acaba de sair do Governo inscreveu nos planos mais dois troços: Aveiro-Salamanca e Évora-Faro-Huelva. Sobre esta última novidade, o economista António Nogueira Leite afirma que "só pode ser humor negro" de Mário Lino. Seria bom que assim fosse. Mas a verdade é bem capaz de ser mais séria porque o Governo gosta, de facto, de gastar à alemã condenando a economia a ficar cada vez mais marroquina. Etiquetas: gastar à alemã, humor negro, loucura, produzir à marroquina, TGV
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15 setembro 2009
:: Guarda-freio: João Cândido da Silva
Na polémica que por aí anda sobre o avanço ou o adiamento do TGV, convém não ignorar as declarações de Durão Barroso quando avisou, há cerca de três meses, que os fundos europeus que estão destinados ao projecto não se perdem, apenas têm de ser renegociados, caso as autoridades decidam não fazer o comboio de alta velocidade. Etiquetas: TGV
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09 abril 2009
:: Guarda-freio: João Cândido da Silva
"Independência é preciso", por Pedro Lomba, no "Diário de Notícias", sobre as pressões no "caso Freeport" e a menorização a que José Sócrates remeteu o Ministério Público ao qualificar a investigação como uma campanha negra para ser tratada no mero terreno da política. "A falta de higiene democrática não mata mas deixa ferida", por Nuno Garoupa, no "Jornal de Negócios", sobre a confusão entre justiça e política que, em Portugal como em Espanha, lançam o descrédito sobre o edifício da justiça e do poder judicial, em particular. "Vão ver que não custa nada", por João Duque, no "Diário Económico", sobre a displicência com que no actual Governo é encarada a relação entre custos e benefícios no projecto megalómano da ferrovia de alta velocidade. "Os novos criminosos", por Tiago Caiado Ribeiro, no "Diário Económico", sobre a violência cega com que o Fisco trata toda e qualquer infracção fiscal. "Onde investimos, onde chegámos", por Manuel Caldeira Cabral, no "Jornal de Negócios", sobre a proliferação de centros comerciais ao longo dos últimos anos, enquanto os centros históricos das cidades, bem como o respectivo comércio, iam definhando. Etiquetas: Fisco, Freeport, justiça, modernidade e progresso, TGV
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18 março 2009
:: Guarda-freio: João Cândido da Silva
Mário Lino, o ministro sempre em festa de inauguração, disse que o TGV vai ter um "impacto altíssimo sobre a economia". Estou de acordo. Para sustentar este elefante branco, os encargos que vai gerar e os recursos que vai desviar de outros projectos menos megalómanos mas mais necessários, o TGV será mais uma canga sobre os ombros dos contribuintes. O impacto será altíssimo, sem dúvida. Como uma mochila cheia de pedregulhos às costas de uma economia que tenta subir a montanha. Etiquetas: Mário Lino, megalomania, sempre em festa, TGV
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16 janeiro 2009
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
Manuela Ferreira Leite garantiu ontem que cancela o TGV se chegar a São Bento. Entretanto, Sócrates mandatou Mário Lino para dizer que a senhora não tem credibilidade porque em 2003 assinou um acordo com os espanhóis para fazer o dito e agora já não quer. Ele disse Cre-di-bi-li-da-de!? ( incredulidade) Lino, monsieur Jamé, em Maio de 2007: "Acho faraónico fazer o aeroporto na Margem Sul, onde não há gente, onde não há escolas, onde não há hospitais, onde não há cidades, nem indústria, comércio, hotéis e onde há questões da maior relevância que é necessário preservar." Lino, em Janeiro de 2008: Construir o novo aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete será "uma boa decisão para o país, para os cidadãos, para as empresas e para a economia". Etiquetas: Alcochete, credibilidade, jamé, Lino, TGV
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Tudo o que sobe também desce
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