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elevador da bica

Mentiras e suspeições e mais mentiras e mais...

02 dezembro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Depois das acusações de "espionagem política" de Vieira da Silva aos agentes da justiça, que hoje tentou justificar no Parlamento, eis que um importante deputado do PS sugere que Manuela Ferreira Leite conhecia o teor das escutas entre o PM e Vara, pois há meses que acusava José Sócrates de mentir sobre o caso TVI/PT.

A má fé na política irrita-me quando vejo políticos a enganar as pessoas com tanto descaramento e falta de seriedade. Esta era a manchete do Expresso no dia 27 de Junho: "Governo já conhecia negócio PT/TVI desde o início do ano". Será que o Expresso escreveu esta notícia porque também ouviu as escutas, ou porque há verdades demasiado evidentes que são mais leves que a mentira e que por isso flutuam melhor?

Posto isto, só uma nota: com esta acusação a MFL, o deputado Ricardo Rodrigues assume que o PM mentiu mesmo ao Parlamento, o que já não é mau. Agora, para ser consequente, este representante na Nação devia convidar o PM a pronunciar-se sobre o tema na AR.

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Índice de citacionismo

26 novembro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

JOSÉ SÓCRATES - "Isto está a passar todas as marcas"

VIEIRA DA SILVA - "O que motiva essas forças e essas pessoas que estão por detrás do que me parece ser uma ilegalidade não é qualquer averiguação relativa a qualquer processo de corrupção, é pura espionagem política"

FRANCISCO ASSIS - "Assistimos nas últimas semanas a uma tentativa clara de decapitação política do Governo e do PS, feita de uma forma totalmente inaceitável, procurando politizar um processo judicial e fazer a judicialização da vida política"

Todas com 20 valores no índice de confusão na separação de poderes, pressões sobre o poder judicial, e estanhas acusações do PS aos investigadores do Ministério Público, Judiciária e a juízes.

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Vieira da Silva acusa Justiça de "espionagem política": ouvi bem?

13 novembro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Ficamos agradecidos quando um membro do Governo é tão sincero e diz realmente o que pensa, porque isso hoje é raro em política. A guerra entre o Governo e o poder judicial deixa assim de ser uma aparência quando Vieira da Silva diz isto à Antena 1:

"Torna-se claro que o que motiva essas forças e essas pessoas que estão por detrás do que me parece ser uma ilegalidade não é qualquer averiguação relativa a qualquer processo de corrupção, é pura espionagem política"

Dissequemos esta declaração:

a) o ministro acha que as escutas são ilegais (há juristas a achar que são e outros a achar que não são);
b) acha que o Ministério Público e a Judiciária não estão a investigar a corrupção. A Justiça devia então escusar-se a investigar o sr. Godinho? Devia fechar os olhos a tudo o que tivesse a ver com as empresas do Estado e militantes socialistas? Não se percebe.
c) Pior do que tudo: segundo ele, a polícia e o Ministério Público estão a fazer espionagem política: em benefício de quem? A mando de quem? Com que objectivos? É uma acusação grave e a procissão ainda vai no adro.

Estamos a chegar a níveis berlusconianos: para Berlusconi, os juízes que o investigam são comunistas, para Vieira da Silva são espiões.

Isto quanto mais se bate no fundo mais abaixo ele vai.

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O que a face oculta

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Basta que uma das alegadas conversas narradas pelo Sol de hoje se confirme como constando nas escutas aos telefonemas entre Vara e Sócrates para termos um problema político muito grave - e aqui nem chega a entrar a questão judicial.

Se houve conversas sobre financiamento partidário, sobre o afastamento do presidente da Refer, sobre a secretária de Estado Ana Paula Vitorino, sobre a TVI e a PT, ou sobre a resolução dos problemas da Controlinvest, o primeiro-ministro vai ter de se explicar muito bem, publicamente, e de preferência no parlamento.

José Sócrates volta a resumir tudo isto a um insulto e diz que são apenas conversas entre amigos. Até acusa a justiça de fazer escutas ilegais, portanto, ele já tirou conclusões jurídicas definitivas do caso.

A questão é só esta: mesmo com amigos, sobretudo com determinado tipo de amigos, há conversas que um primeiro-ministro não tem...

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A politização inevitável

12 novembro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Tal como escrevi uns posts abaixo (aqui e aqui), a questão de saber que conversas eram aquelas entre Sócrates e Vara são um problema político - independentemente da questão judicial. Manuela Ferreira Leite percebeu isso mesmo e arriscou-se na politização do caso, colocando a alavanca no ponto certo para levantar a pedra. Esta estratégia só tem um perigo, que é de poder um dia voltar-se contra o PSD, mas a ausência desse calculismo é de louvar porque senão dava a ideia que os políticos se protegem uns aos outros.

"Mas a verdade é que a actuação da Justiça e o silêncio do primeiro-ministro transformaram uma questão que podia ser apenas jurídica numa questão política", disse Ferreira Leite.

Parece-me que é do interesse público que o conteúdo das escutas que motivaram a extracção das certidões seja revelado, para acabar com as suspeitas de vez ou para que elas se convertam em certezas. Não podemos é continuar a desconfiar eternamente de um primeiro-ministro. Se isso for legalmente possível, o Parlamento deve chamar a si este problema, formando uma comissão de inquérito para apurar se há ou não motivo para investigar o teor das conversas entre Sócrates e Vara, caso a Justiça não funcione emaranhada na sua própria teia.

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Agora a questão é política

10 novembro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Com esta decisão do Supremo, anulando a certidão sobre as escutas a Vara e Sócrates, o tribunal mata a questão no foro judicial.

Mas isso não invalida que o conteúdo das conversas não tenha relevância política. Pelo que se sabe tem relevância política e, mais do que isso, tem interesse público. Vamos mergulhar em mais uma embrulhada...

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Tempos de incerteza agravada

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Já vivemos tempos de incerteza política. Mas se, porventura, como noticia o Público, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça decidir que há matéria para investigar o conteúdo das conversas escutadas entre Armando Vara e José Sócrates? Então tudo se agrava. Se o primeiro-ministro for investigado por actos praticados em funções deve ficar ou deve sair? Devemos aprender a lição. Em Portugal passa-se tudo muito depressa e há sempre uma surpresa ao virar da esquina: o tempo político avança a um ritmo diferente do tempo universal.

Mas isto ainda leva a uma segunda questão: de facto, pode não haver motivo para qualquer inquérito judicial ao PM. As conversas escutadas podem ter apenas relevância política e nada mais. Agora, tendo as escutas apenas relevância política, e sendo só autorizadas para o foro judicial, devem ou não ser tornadas públicas e ganhar relevância para que os cidadãos possam fazer o seu juízo político sobre a questão? Vem aí mais um imbróglio e mais uma grande discussão para animar os debates dos comentadores nos nossos serões.

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Curioso

29 setembro 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Curioso, o sentido de oportunidade da justiça portuguesa, quando decide tomar iniciativas no processo dos submarinos, dois dias depois de Paulo Portas ter tido um notável reforço de posições nas eleições legislativas.

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Descubra as diferenças

11 agosto 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Manuela Ferreira Leite disse hoje: "[António Preto] não está acusado de nada no exercício de funções públicas. As leis que falam sobre a matéria são todas exclusivamente relacionadas com actos que alguém tenha praticado no exercício de funções públicas. Não é o caso, são casos de natureza privada sobre os quais eu não tenho que me pronunciar, tenho apenas que esperar aquilo que legitimamente todos devem esperar que é a decisão da Justiça, eu não tenho o direito de me antecipar dando eu a minha própria sentença".

Marques Mendes escreveu no seu livro Mudar de Vida: "Em democracia a ética não se confunde com a lei. (...) Será que um responsável político - governante, deputado ou autarca - não está politicamente diminuído e fragilizado nas condições para o exercício pleno do seu cargo se sobr ele existirem fundadas suspeitas, por exemplo, da prática de crime de corrupção? Para mim, é óbvio que sim".

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Manuela testemunha de António Preto

06 agosto 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos


Manuela Ferreira Leite premeia as fidelidades partidárias acima de tudo, e hipoteca o slogan da "honestidade" aos resultados de um julgamento que vai começar em Outubro, mas não só: a líder do PSD foi testemunha abonatória do processo em que António Preto é acusado de fuga ao fisco e falsificação. Durante a campanha interna do PSD, no dia 29 de Maio de 2008, disse numa entrevista à Sábado:

P - Não a incomoda que um membro destacado da sua candidatura, António Preto, esteja acusado de um crime de falsificação e fraude fiscal?
MFL - Não. Já fui testemunha dele e essa acusação não tem ponta por onde se lhe pegue.

P - Porquê? Conhece a acusação do Ministério Público?

MFL - Sobre problemas do Ministério Público e investigações não falo...

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Sete para Isaltino

03 agosto 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

É a primeira vez que se vê uma coisa assim. Há uns dias, escrevia aqui sobre Nossa Senhora de Felgueiras, pensando que Isaltino ia pelo mesmo caminho da absolvição ou da pena suspensa. Afinal são sete anos de prisão efectiva e perda de mandato na câmara. A Justiça não funciona apenas quando condena, mas desta vez parece que funcionou. Seria positivo que isto fosse um sinal.

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O fim da campanha negra

20 abril 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos


A divulgação do vídeo na TVI, sexta-feira, onde Charles Smith diz que Sócrates é corrupto mata toda a tese da cabala, da maquinação e da campanha negra, da insídia e da ofensa.


Um escocês a falar com um inglês - onde o escocês não sabe que está a ser filmado pelo inglês - sobre um português que terá recebido umas massas, não é uma conspiração política. É um escocês a falar com um inglês. E não parece que o escocês esteja a tentar safar-se de uma manigância que fez para tratar dos interesses do inglês. O escocês assume a trambicância. Explica como trambicou. Tudo muito grave. E sem qualquer conotação política, porque aquela conversa não é suposto ter fins políticos. Se há conspiração, é da parte dos conspiradores que querem pôr isto cá fora, claro, para destruir Sócrates, claro, quem ficaria indiferente a uma coisa destas? As dúvidas agora são só estas: Smith deu o dinheiro a alguém? A quem? Onde é que o dinheiro chegou? Ou ficou com ele?


Se a investigação ainda não tratou de ir às contas de todos os que podem estar implicados, não podemos confiar na investigação nem na justiça portuguesa.


O caso, como escreve Mário Crespo, tem muitos pontos de contacto com o Watergate: as gravações, o envolvimento do líder do Executivo, as obstruções à investigação e à justiça. Se não for até ao fim, se o caso morrer na praia, se não ficar provado que Sócrates é inocente, que os seus mais próximos colaboradores são inocentes, que tios e primos são inocentes, é melhor fazer as malas e ir embora desta piolheira.




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Lido no Elevador

14 abril 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

"Inteiramente gratuito, eis o guia com que sempre sonhou", por João Miguel Tavares, no "Diário de Notícias", sobre a justiça, o jornalismo e os debates sobre estes dois temas que costumam acontecer a pretexto de "todos os casos que em Portugal começam com a palavra 'caso'".

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Lido no Elevador

09 abril 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

"Independência é preciso", por Pedro Lomba, no "Diário de Notícias", sobre as pressões no "caso Freeport" e a menorização a que José Sócrates remeteu o Ministério Público ao qualificar a investigação como uma campanha negra para ser tratada no mero terreno da política.

"A falta de higiene democrática não mata mas deixa ferida", por Nuno Garoupa, no "Jornal de Negócios", sobre a confusão entre justiça e política que, em Portugal como em Espanha, lançam o descrédito sobre o edifício da justiça e do poder judicial, em particular.

"Vão ver que não custa nada", por João Duque, no "Diário Económico", sobre a displicência com que no actual Governo é encarada a relação entre custos e benefícios no projecto megalómano da ferrovia de alta velocidade.

"Os novos criminosos", por Tiago Caiado Ribeiro, no "Diário Económico", sobre a violência cega com que o Fisco trata toda e qualquer infracção fiscal.

"Onde investimos, onde chegámos", por Manuel Caldeira Cabral, no "Jornal de Negócios", sobre a proliferação de centros comerciais ao longo dos últimos anos, enquanto os centros históricos das cidades, bem como o respectivo comércio, iam definhando.

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O crime compensa

23 fevereiro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Um tipo quer subornar outro com 200 mil euros e é apanhado. Depois, a justiça condena-o a uma multa de cinco mil euros. Isto é encorajador.

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Ou parados ou à pressa

03 fevereiro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Ontem o Prós & Contras foi mais Prós do que Contras, um exercício confuso e desequilibrado. Ainda assim, melhor que nada.

O que ninguém lá disse foi isto: se não fosse a imprensa, bem podia haver cartas rogatórias de Portugal para Inglaterra e de Inglaterra para Portugal, que o caso Freeport havia de continuar metido numa gaveta para não enfurecer o poder. Já pensaram que a maior parte das fugas de informação é para os processos andarem? Que se não vierem cá para fora não andam? A distorção do sistema chegou a isto. Sim, desse ponto de vista é uma campanha, Sócrates tem razão, uma campanha para a justiça fazer o que devia fazer. Depois, passa-se do zero ao absoluto: enquanto não se sabe nada, as investigações não andam (em 2005 foram acusados e julgados os conspiradores, por fuga de segredo de justiça, mas a investigação ao caso propriamente dito, morreu...); assim que o assunto salta cá para fora, toda a gente, mas toda a gente mesmo, exige uma investigação célere, como se estas coisas fossem bem feitas assim à pressa. Nada faz sentido.

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