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elevador da bica

Vieira da Silva acusa Justiça de "espionagem política": ouvi bem?

13 novembro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Ficamos agradecidos quando um membro do Governo é tão sincero e diz realmente o que pensa, porque isso hoje é raro em política. A guerra entre o Governo e o poder judicial deixa assim de ser uma aparência quando Vieira da Silva diz isto à Antena 1:

"Torna-se claro que o que motiva essas forças e essas pessoas que estão por detrás do que me parece ser uma ilegalidade não é qualquer averiguação relativa a qualquer processo de corrupção, é pura espionagem política"

Dissequemos esta declaração:

a) o ministro acha que as escutas são ilegais (há juristas a achar que são e outros a achar que não são);
b) acha que o Ministério Público e a Judiciária não estão a investigar a corrupção. A Justiça devia então escusar-se a investigar o sr. Godinho? Devia fechar os olhos a tudo o que tivesse a ver com as empresas do Estado e militantes socialistas? Não se percebe.
c) Pior do que tudo: segundo ele, a polícia e o Ministério Público estão a fazer espionagem política: em benefício de quem? A mando de quem? Com que objectivos? É uma acusação grave e a procissão ainda vai no adro.

Estamos a chegar a níveis berlusconianos: para Berlusconi, os juízes que o investigam são comunistas, para Vieira da Silva são espiões.

Isto quanto mais se bate no fundo mais abaixo ele vai.

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O que a face oculta

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Basta que uma das alegadas conversas narradas pelo Sol de hoje se confirme como constando nas escutas aos telefonemas entre Vara e Sócrates para termos um problema político muito grave - e aqui nem chega a entrar a questão judicial.

Se houve conversas sobre financiamento partidário, sobre o afastamento do presidente da Refer, sobre a secretária de Estado Ana Paula Vitorino, sobre a TVI e a PT, ou sobre a resolução dos problemas da Controlinvest, o primeiro-ministro vai ter de se explicar muito bem, publicamente, e de preferência no parlamento.

José Sócrates volta a resumir tudo isto a um insulto e diz que são apenas conversas entre amigos. Até acusa a justiça de fazer escutas ilegais, portanto, ele já tirou conclusões jurídicas definitivas do caso.

A questão é só esta: mesmo com amigos, sobretudo com determinado tipo de amigos, há conversas que um primeiro-ministro não tem...

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O mundo é pequeno

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

De facto, há coincidências. Isto anda tudo ligado e há sempre alguém que nós conhecemos que conhece alguém que nós conhecemos. E há gente a fazer negócios com muita gente que faz outros negócios com a mesma gente. Ao fim de uns anos, num determinado contexto, tudo se cruza e nós pensamos que isto anda tudo ligado e que as coincidências são demais. Esta lengalenga é por causa desta notícia do Expresso: Sócrates e Vara foram sócios numa empresa de um dos "amigos" da mala de António Preto.

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Digno?

04 novembro 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

A decisão de Armando Vara de suspender as suas funções como vice-presidente do BCP é elogiada pelo presidente da Caixa Geral de Depósitos e por Joe Berardo, accionista do banco. Esquecem-se que Vara apenas tomou a decisão que tomou depois de ter sido pressionado, quer pelo Banco de Portugal, como pelo próprio presidente do Millennium, Carlos Santos Ferreira.

Por este motivo, falar em "gesto digno" parece-me claramente exagerado. Vara, que chegou onde chegou não por quaisquer méritos especiais enquanto gestor no sector financeiro mas por evidentes motivos políticos, fez aquilo que tinha que fazer. Não havia outra saída e, ainda assim, demorou vários dias a percebê-lo.

Só falta José Penedos optar por rumo semelhante e suspender as funções que ocupa na presidência da REN. Se não o fizer, alguém terá que o tirar de lá. Como a maioria do capital da empresa pertence ao Estado, aguarda-se que o Governo faça aquilo que lhe compete e aponte a porta da rua a mais este arguido do caso "Face Oculta".

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