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elevador da bica

Silêncio ruidoso

05 novembro 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Funcionários do Fisco e agentes da GNR são suspeitos de terem recebido presentes e compensações no âmbito das investigações do processo "Face Oculta".

O Ministério das Finanças reage e anuncia que vai tomar medidas para ajudar a apurar o que se terá passado e expurguar a máquina fiscal dos tumores malignos? O Ministério da Administração Interna fica preocupado e decide tomar as providências necessárias ao esclarecimento do que passa no interior daquela força de segurança?

Nada disso. Nas "casas" de Fernando Teixeira dos Santos e de Rui Pereira, está tudo tranquilo. Suspeitas de corrupção não parecem ser motivo para tomar medidas ou prestar contas.

Bem, talvez o silêncio seja preferível ao embaraço quase patético com que o novo ministro da Economia e Inovação, José Vieira da Silva, tentou explicar à SIC que o Governo estava atento e a acompanhar de perto os desenvolvimentos no "Face Oculta", enquanto José Penedos, arguido e presidente da REN, se mantém, impávido e sereno, no seu cargo.

Não deveria ser Vieira da Silva, enquanto representante do Estado, que é o maior accionista da empresa, o primeiro a exigir a Penedos a suspensão das suas funções até o seu alegado envolvimento na rede de tráfico de influências estar clarificado?

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Digno?

04 novembro 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

A decisão de Armando Vara de suspender as suas funções como vice-presidente do BCP é elogiada pelo presidente da Caixa Geral de Depósitos e por Joe Berardo, accionista do banco. Esquecem-se que Vara apenas tomou a decisão que tomou depois de ter sido pressionado, quer pelo Banco de Portugal, como pelo próprio presidente do Millennium, Carlos Santos Ferreira.

Por este motivo, falar em "gesto digno" parece-me claramente exagerado. Vara, que chegou onde chegou não por quaisquer méritos especiais enquanto gestor no sector financeiro mas por evidentes motivos políticos, fez aquilo que tinha que fazer. Não havia outra saída e, ainda assim, demorou vários dias a percebê-lo.

Só falta José Penedos optar por rumo semelhante e suspender as funções que ocupa na presidência da REN. Se não o fizer, alguém terá que o tirar de lá. Como a maioria do capital da empresa pertence ao Estado, aguarda-se que o Governo faça aquilo que lhe compete e aponte a porta da rua a mais este arguido do caso "Face Oculta".

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