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elevador da bica

Elevador da Boca - Gemelli

Ontem, numa pequena celebração familiar, dei por mim sentado à mesa do reputado Gemelli, em Lisboa. No Gemelli a qualidade do que se serve quase salva a petulância postiça, a falta de atenção e a falta de naturalidade com que se serve - quase.

Na melhor linguagem Zagat: entre entradas e sobremesas de valor (mas não deslumbrantes), acabei por gostar muito do casamento improvável entre baunilha e salmão fumado no prato de massa. E o risotto estava mesmo muito bom. Tudo foi regado com um bom tinto, a preço razoável, recomendado pelo anfitrião. E tudo estaria muito bem se para aproveitar uma boa refeição não precisássemos (aquelas quatro pessoas) de abrir a alma e baixar a guarda - de saber que a comida é boa, que a companhia é boa e que estão a tratar de nós com atenção discreta e eficaz. No Gemelli o anfitrião é um bom anfitrião, mas o resto do serviço é uma lástima: um replicant que escapou às balas do Harrison Ford e acabou ali a recitar pratos que obviamente não conhece, com voz sumida e maquinal, olhos postos num horizonte distante; e o pedante médio, de cara fechada e insuportavelmente condescendente, nada atento aos desejos dos clientes que lhe pagam o salário. Em resumo: no Gemelli come-se muito bem, a preços altos (45 euros por pessoa foi o resultado da experiência), num ambiente gélido (para o qual também contribui a decoração estilo contemporâneo-impessoal). Cada vez tenho menos paciência para estas merdas. A não repetir.

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“Elevador da Boca - Gemelli”