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elevador da bica

Era uma vez há um ano...

29 dezembro 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Publiquei este post há quase um ano. É ler e pensar, ou ler e penar: um deles conhecia a realidade, mas mascarava-a de optimismo surreal, procurando enganar-nos a todos com doces palavras; o outro conhecia a realidade e denunciava-a, mas deixava-se ficar e não fazia mais nada. No fundo, do ponto de vista moral as duas atitudes são parecidas. Do ponto de vista prático as duas atitudes levaram ao mesmo.


O post era este:


José Sócrates no discurso de Natal - "A crise económica mundial persiste, é certo, mas há agora sinais claros de que estamos a retomar lentamente um caminho de recuperação. Precisamos de investimento público que crie emprego. Precisamos de investir nos domínios que são essenciais à modernização do nosso país: as infra-estruturas de transportes e comunicações, as escolas, os hospitais, as barragens, as energias renováveis. Precisamos de continuar a apoiar as nossas empresas, com particular atenção às pequenas e médias empresas, às empresas exportadoras, às empresas criadoras de emprego."

Cavaco Silva no discurso de Ano Novo - "Mas o desemprego não é o único motivo de preocupação. A dívida do Estado tem vindo a crescer a ritmo acentuado e aproxima-se de um nível perigoso. O endividamento do País ao estrangeiro tem vindo a aumentar de forma muito rápida, atingindo já níveis preocupantes. Acresce que o tempo das taxas de juro baixas não demorará muito a chegar ao fim. (...) Com este aumento da dívida externa e do desemprego, a que se junta o desequilíbrio das contas públicas, podemos caminhar para uma situação explosiva. Em face da gravidade da situação, é preciso fazer escolhas, temos de estabelecer com clareza as nossas prioridades. Os dinheiros públicos não chegam para tudo e não nos podemos dar ao luxo de os desperdiçar."

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O que Sócrates diz e o que Sócrates faz

01 abril 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

"O que temos em cima da mesa é uma proposta do PSD para privatizar de forma obrigatória uma percentagem das contribuições dos portugueses. Essa parte das contribuições, para o PSD, em vez de ficar no sistema público, tem de ser colocada em fundos que jogarão na especulação bolsista. Ora, isto é demasiado sério e grave para que se possa esconder".

Esta tirada foi ontem proferida por José Sócrates, para êxtase dos parlamentares socialistas que escutavam, embevecidos, as palavras do chefe. Ora, sucede que o homem que disse aquelas palavras preside a um Governo que criou os certificados de reforma, produtos concorrentes dos planos poupança-reforma comercializados pelo sector privado e que funcionam da mesma forma. Isto é, investem o dinheiro dos subscritores em valores mobiliários cotados em bolsa, o que, na gíria demagógica e populista de Sócrates, é o mesmo que dizer que o dinheiro dos futuros pensionistas é "jogado na especulação bolsista".

Acontece, também, que José Sócrates é primeiro-ministro de um Governo que, ao que se sabe, não decidiu extinguir o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social. O que faz este organismo? Pega em parte do dinheiro dos contribuintes e aplica-o em valores mobiliários cotados em bolsa, com o objectivo de rendibilizar o dinheiro e ajudar à sustentabilidade do sistema de pensões de reforma público. Trata-se de algo que, para o líder do Governo devia constituir motivo de profunda repugnância e, até, um poderoso incentivo para extinguir este tumor capitalista no coração de um Estado dirigido por um zeloso socialista, pelo menos nas palavras.

Para além da evidente desonestidade política e intelectual, Sócrates julga-se o chico esperto em terra de tolos.

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Mais um número

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

O Ministério da Educação continua a trabalhar para a estatística. Agora, o novo orgulho de Sócrates, que apelida a situação como um "feito extraordinário", está nos números que indicam uma redução das faltas no ensino básico e secundário.

Como sucede com triste frequência na actuação deste Governo, entre as estatísticas e a realidade parece haver um preocupante desencontro, como testemunham professores que estranham os dados oficiais.

Num Executivo obcecado com a imagem, o que conta são as aparências e não a substância. Isto é, o que conta é ir cozinhando números para enganar os cidadãos.

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Tiros de campanha

11 fevereiro 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Fernando Teixeira dos Santos não quis comentar a promessa de José Sócrates de que vai limitar as deduções fiscais dos "ricos" para poder baixar os impostos da "classe média". O ministro das Finanças explicou não dever "comentar ou intervir" no que considera ser um debate interno de um partido político, mas a desculpa soa fraca.

O meu palpite é o de que o ministro das Finanças não quer associar-se a (mais) uma promessa demagógica do líder socialista que apenas tem um propósito: conquistar votos junto dos eleitores de esquerda, algo que está a transformar-se numa verdadeira obsessão para Sócrates. E sabe-se como estas tiradas populistas costumam comover essa zona do eleitorado.

Além de ser necessário esclarecer quem são os "ricos" e quem é a "classe média", algo a que Sócrates seguramente se vai furtar, as finanças públicas vão estar novamente de rastos nos próximos tempos, tornando altamente duvidoso que algum governo, seja de que cor for, vá dar prioridade à redução da carga fiscal quando estiver na posição de se confrontar com a triste realidade.

A promessa que seria bem-vinda, embora menos do que a sua concretização, seria a redução da despesa pública para tornar possível aliviar, de forma sustentada, o esforço fiscal das famílias e das empresas. O problema é que, para os eleitores, isto já não é música celestial, porque lhes soa a racionalização dos gastos, com o que isso pode implicar de ameaça a empregos seguros na função pública e a cortes nos subsídios.

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