A ministra da Educação quer acabar com os chumbos mas não quer baixar a exigência. Isso nem pensar. Vai ser mais exigente ainda. E nós acreditamos. Quando mais água tirarmos de um balde, mais cheio ele fica. De ar.
Diogo Vasconcelos, em entrevista ao i- "Os políticos do passado são sobretudo megafones. Querem transmitir uma mensagem mas ouvem pouco, salvo através de focus groups. Os políticos do presente e do futuro têm de orquestrar a inteligência colectiva. Têm de saber passar por cima da redoma que os envolve, captar a imaginação e envolver os cidadãos na construção do futuro. Devem impor-se pela confiança e não pelo temor reverencial. O seu desígnio não é um conceito de justiça meramente formal, mas o desenvolvimento das capacidades (no sentido de Aymarta Sen) para que cada um atinja o seu potencial".
Estatuto Do Aluno: A Grande Arma Contra O Insucesso, de Paulo Guinote n' A Educação do meu Umbigo - Aqui desmonta-se uma parte da mistificação dos resultados assombrosos da queda do insucesso escolar, em que os adolescentes portugueses foram contagiados por um ataque de inteligêncial fulminante. Os posts anteriores também são de leitura obrigatória.
Burocracia e coação para passar alunos - da jornalista Natália Faria, no Público de hoje. Explica como é difícil chumbar um aluno - ou reter, como se diz agora.
Ao prometer a baixa do insucesso logo para metade - o erro é sobretudo quantificar - tem de se aldrabar forçosamente para atingir a meta. O sucesso escolar depende mais do esforço individual de cada um dos estudantes do que de qualquer outro aspecto e nisso os governos não metem prego nem estopa.
Reduzir o insucesso escolar para metade é uma promessa que não se faz, porque há muitos truques para os alunos aumentarem as notas. Pode-se dificultar burocraticamente os chumbos; pôr a avaliação dos professores dependente das notas dos alunos; fazer exames mais fáceis; apresentar grelhas de correcção benevolentes, etc, etc... Não me impressiona este resultado, lamento.
Este artigo da Newsweek sobre o investimento em Educação é eloquente. Em termos muito resumidos, um responsável do Banco Mundial diz que grandes recursos públicos gastos em escolas de elite seriam mais bem aplicados na melhoria de cursos politécnicos. Os especialistas dizem que atirar dinheiro para cima das universidades não se traduz em resultados na mesma proporção. O que gera desenvolvimento e inclusão é a aposta em melhorar a literacia daqueles que têm baixas qualificações. Um estudo da Mckinsey, citado pela Newsweek, parece tirado de um panfleto de José Sócrates sobre as Novas Oportunidades:
"They find that the largest returns on investement come not from funneling more money toward top or even average performers, but toward those who have been left behind. Raising the achievement of the unskilled and excluded would lead not only to individual payoffs, such as higher incomes and meaningful lives, but also would generate big benefits for economies such as higher productivity and greater GDP. It would also result in broad social gains - less crime, less welfare spending, and a greater sense of cohesion".
É tudo muito bonito e Sócrates parece estar no caminho certo com iniciativas como as Novas Oportunidades - embora para estes estudos investimentos como o Magalhães sejam pouco mais do que paliativos. Espero, portanto, que os futuros governos mantenham estas políticas de qualificações. A minha grande dúvida continua a ser o resultado real destes programas. O ensino das Novas Oportunidades é mesmo sério e rigoroso? Aquilo muda mesmo a vida às pessoas? Ganham mesmo novas competências que aplicam na vida real? Recebem mais do que apenas um diploma? É a partir daqui que se distinguem as boas medidas da propaganda. As medidas podem ser boas, mas de nada servem se os resultados não o forem.
Por motivos de trabalho dei com isto: no programa do PSD em 1991, Cavaco Silva propunha o "alargamento progressivo da escolaridade obrigatoria para 12 anos", que agora José Sócrates vai concretizar. A malta que nasceu nesse ano teria hoje 18 anos e se a medida tivesse sido implementada mesmo muito devagarinho, estavam todos agora com o 12º ano. Era bonito, não era? Basta uma pequena viagem aos arquivos para vermos como neste País é tudo muito leento, muito leeento...
03 junho 2009
:: Guarda-freio: João Cândido da Silva
A boa educação já foi um valor mais prezado na política. De qualquer forma, se a deputada Ana Drago acha que é à traulitada na bancada que se devem fazer os debates no Parlamento, alguém devia avisá-la que os contribuintes acabaram de pagar uma remodelação das instalações da Assembleia e que convinha não começar já a estragar o material.
21 maio 2009
:: Guarda-freio: João Cândido da Silva
"Trabalhos manuais", por Alberto Gonçalves, na "Sábado", sobre o "Manual do Aplicador" ou sobre como se torna cada vez mais evidente que o principal problema da educação em Portugal é o próprio Ministério da Educação.
01 abril 2009
:: Guarda-freio: João Cândido da Silva
O Ministério da Educação continua a trabalhar para a estatística. Agora, o novo orgulho de Sócrates, que apelida a situação como um "feito extraordinário", está nos números que indicam uma redução das faltas no ensino básico e secundário.
Como sucede com triste frequência na actuação deste Governo, entre as estatísticas e a realidade parece haver um preocupante desencontro, como testemunham professores que estranham os dados oficiais.
Num Executivo obcecado com a imagem, o que conta são as aparências e não a substância. Isto é, o que conta é ir cozinhando números para enganar os cidadãos.
O DN dá hoje a notícia de uma professora que foi mordida por um aluno (sem link). Isso é normal, diria eu. Quando andava no ciclo tive uma professora de Inglês, de seu nome Eunice, natural de Alcácer do Sal, que perante mau comportamento ou maus resultados (a mim calhou-me que a má nota fosse um teste com 95%), mordia nas orelhas dos alunos. Aquilo doía. Ao Alexandre, que se portava muito mal, ela só mordeu uma vez por questões de higiene. Pena que ainda não houvesse telemóveis com câmara de filmar...
Guarda-freios: João Cândido da Silva Vítor Matos Bruno Faria Lopes Luís Miguel Afonso Pedro Esteves Adriano Nobre Filipe Santos Costa Ana Catarina Santos