12 agosto 2010
:: Guarda-freio: J.
Notável, a mini-entrevista que Álvaro Almeida, presidente da Entidade Reguladora da Saúde, dá à "Sábado" que saiu hoje. À pergunta "por que é que a clínica [de Lagoa] estava 'fora dos circuitos normais de fiscalização'?", o regulador responde: "A fiscalização é feita por áreas geográficas no continente. E nunca fomos a Lagoa. Aquela clínica foi uma falha temporal: ainda não foi descoberta, o que não quer dizer que não viesse a ser."
Ficamos a saber que a clínica de Lagoa, apesar de se presumir que está incluida numa das áreas geográficas de responsabilidade da ERS, nunca mereceu a atenção dos burocratas, apesar de actuar às claras, por debaixo das barbas das autoridades, e sem licença. Simplesmente porque não estava nos "circuitos normais" que, por o serem, é óbvio que não serão as localizações escolhidas por quem quer fazer negócios à margem da lei.
Quantas mais clínicas estão nesta situação, longe dos "circuitos normais", à espera de serem descobertas e de escaparem a uma caricata "falha temporal"? De que precisam os burocratas da ERS para fazerem aquilo para que são pagos? Talvez apenas de um pouco de brio profissional e de muita vergonha na cara.
Etiquetas: clínica de Lagoa, incompetência, saúde
:: »
:: Guarda-freio: J.
A
história da clínica em Lagoa, no Algarve, que actuava sem licença há sete anos e que se tornou conhecida do país por causa de quatro doentes que vão ficar cegos, é reveladora da negligência de quem tem a responsabilidade de autorizar e fiscalizar, em nome da protecção dos cidadãos.
O estabelecimento em causa estava longe de ser clandestino. Não só tinha "porta aberta para a rua", como fazia publicidade às suas cirurgias. Era conhecido dos médicos locais, que comentavam os preços das intervenções, e das autoridades do sector da saúde. Embora já tenham reconhecido o facto, tentam agora proteger-se ao alegar terem partido do pressuposto que a clínica ainda não tinha iniciado a prática de cirurgias, desculpa muito mal amanhada para explicar a inoperância da Administração Regional de Saúde do Algarve.
A circunstância de a clínica ter mudado de nome três vezes desde 2003 também não suscitou suspeitas. Pelo contrário, é agora usada como justificação para ajudar a explicar "dificuldades" no processo de legalização. É tudo muito mau e muito sintomático de como o Estado sai caro e ainda se dá ao luxo de ser incompetente.
Etiquetas: clínica de Lagoa, incompetência, saúde
:: »
02 dezembro 2009
:: Guarda-freio: Vìtor Matos
Tenho a gripe. Deve ser A. O meu filho teve porque os meninos da sala dele tinham. Sou doente crónico. E tomo remédios para a doença crónica. Sou grupo de risco. Com o filho doente, tomei Tamiflu, dose profilática. Quando parei a mezinha adoeci após dois dias. Mandei um SMS ao meu médico. Não respondeu. Fui ao hospital. Ao atendimento da Gripe A, no S. Francisco Xavier. Havia pouca gente à espera. Achei-me com sorte. Cheguei antes das 11h30 da manhã. Só saí de lá às 20h30 da noite, nove horas depois. Os companheiros de infortúnio usavam máscara. Viam-se-lhes olhos febris. Tossiam. Cuspiam pulmões. Senhoras de meia idade irritadas praguejavam como marinheiros. Comi um croissant ressequido de uma máquina e foi só. Estavam duas médicas jovens de serviço. A que me atendeu viu na minha doença crónica um mistério. Esperei duas horas para ser atendido. Mais uma para fazer análises e raio X. Mais três para saber o resultados das análises. Mais uma para voltar ao consultório, onde os doentes eram atendidos aos dois de cada vez, separados por um biombo de pano rosa. Receitaram-me mais Tamiflu. Dose milagrosa, dose terapêutica, o dobro da dose anterior. Prometeram-me mais meia hora. Para o remédio chegar da farmácia hospitalar à urgência demorou hora e meia. Hora e meia de desespero de quem espera doente há sete horas. Chovia a cântaros. Fiz o teste da gripe A. Se o teste for positivo ainda me telefonam a dizer. Se for negativo não dizem nada. E não sabem quanto tempo demora a comunicar o resultado. Mesmo assim, faço os sete dias de quarentena. Se não tiver nada fico os sete dias da quarentena em casa à espera de um telefonema. A jovem médica também não passa baixas médicas. Isso é com o médico de família do centro de saúde. Como sou um privilegiado, não tenho médico de família. Tenho médico particular. Portanto, não vou interromper a minha quarentena para ir ao centro de saúde pedir um atestado a um médico que não conheço para uma doença que não sei se tenho. E talvez nem venha a saber. Nada nesta história bate certo. Só um ser cruel podia inventar um sistema destes para nos atormentar na doença.
O hospital trata-nos da saúde, mas alguém nos trata do hospital?
Etiquetas: gripe A, Mistérios, saúde
:: »
29 setembro 2009
:: Guarda-freio: João Cândido da Silva
Ainda a campanha vai no adro e os golpes baixos já começaram. A
acusação de António Costa a Pedro Santana Lopes de que este prefere investir em diversão em vez de apoiar a luta contra o cancro, a propósito da discussão sobre os terrenos para onde está prevista, pelo actual executivo camarário, a instalação do Instituto Português de Oncologia, é de evidente mau gosto. Se é por aqui que vai a campanha, então vai muito mal.
Etiquetas: António Costa, autárquicas, diversão, Pedro Santana Lopes, saúde
:: »