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elevador da bica

Gamarate

05 janeiro 2011 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

O deputado Ricardo Rodrigues vai presidir à IX comissão de inquérito a Camarate. O PS parece cada vez mais lúcido. Finalmente, uma pessoa idónea vai descobrir o que aconteceu MESMO! Ou se não aconteceu podia ter acontecido. Às vezes o mundo parece louco. Não. O mundo às vezes está apenas a gozar connosco. O PS tem deputados a dar com um pau. Não havia lá mais ninguém?

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Estranha estratégia: de resto tudo bem

15 junho 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Percebe-se que o PS defenda José Sócrates das conclusões (suaves) da comissão de inquérito ao caso PT-TVI. Mas não se percebe que seja Ricardo Rodrigues a defender o primeiro-ministro. O Pedro Tadeu aqui tem razão. Vitalino Canas, por exemplo, podia fazê-lo. Mas ser Ricardo Rodrigues a fazer a defesa do PM, o mesmo que meteu dois gravadores da Sábado ao bolso para impedir a publicação de uma entrevista sobre o seu passado mais do que duvidoso, não é bom para José Sócrates. No mínimo ele não devia ser vice da bancada nem porta-voz do PS na comissão. Na média, não devia estar na Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias nem ser coordenador para matérias de Justiça. No máximo, teria renunciado ao cargo de deputado por não ter um comportamento democraticamente digno de um mandato atribuído pelo povo. Sócrates gosta de ser defendido por Ricardo Rodrigues, é o que podemos concluir. É uma estranha estratégia. Mas estamos em Portugal, onde todos os valores são absolutamente relativos.

De resto tudo bem.

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Cérebros políticos

09 maio 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Percebo as paixões no futebol. Até percebo que a quem feio ame bonito lhe pareça. Não entendo é o funcionamento do cérebro de certas pessoas cultas e inteligentes que perdem o discernimento a olhar para a coisa política, que devia ser racional e não é. Esta é uma das razões do meu pessimismo antropológico.

Drew Westen escreveu Political Brain, onde descreve que os cérebros dos partidários políticos são mais racionais quando analisam as contradições dos adversários e mais emocionais quando explicam as contradições dos seus próprios camaradas. Em suma, é uma questão biológica.

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O nível do cão do Abrantes

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

O Miguel Abrantes justifica aqui a louvável "tomada de posse" realizada pelo deputado Ricardo Rodrigues, com um nível de contorcionismo só possível a certos invertebrados.

Primeiro, coloca de forma enviezada o enfoque no furto dos gravadores. Mas o sr. Rodrigues tomou posse dos ditos, não para os vender na Feira da Ladra ou por ser cleptómano, mas para impedir a publicação da entrevista. E isso ele não podia fazer, pelo menos desta maneira. Podia ir embora, dar a entrevista por terminada, podia tentar uma providência cautelar e até processar os jornalistas. Mas fugir com os gravadores sem avisar?!.

Segundo: o Abrantes classifica o "nível deontológico" dos jornalistas como "abaixo de cão". Ora eu gostava de conhecer o nível do cão do Abrantes, que deve adorar aqueles jornalistas bem comportados (e eu conheço alguns) que mandam as perguntas antes das entrevistas para as fontes pensarem bem nas respostas, e que depois enviam as respostas aos ditos para as autorizarem (há assessores tão habituados a isto que nos levam a mal quando recusamos enviar entrevistas e até declarações de ministros para eles reverem...). O Abrantes gosta de jornalismo de reverência, de jornalismo manso, desde que seja para o lado dele, claro.

O cão do Abrantes, watchdog dos interesses do PS, detesta aquilo que deve ser o jornalismo: watchdog do poder. O jornalismo que incomoda, que duvida, que põe em causa, que confronta, isso é de um nível deontológico abaixo de cão.

Um senhor deputado que manteve relações muito próximas com gente nada recomendável, que foi advogado, procurador e sócio de uma senhora que está presa por burla, não pode ser incomodado com essas perguntas, porque os tribunais já decidiram? Uma coisa é o que os tribunais provaram. Outra é o jornalismo, que também pode e deve duvidar das decisões dos tribunais (um clássico do jornalismo são os artigos sobre inocentes que afinal são culpados, ou sobre os condenados que afinal estavam inocentes). E além disso há a questão política: um deputado profundamente envolvido com gente assim tem idoneidade para representar a nação, ou para fazer as críticas que fez a João Cravinho? Não devemos fazer essas perguntas para não incomodar o nível deontológico do cão do Abrantes? A questão que pôs fim à entrevista coloca-se no mesmo âmbito: Ricardo Rodrigues abandonou o Governo Regional por causa da questão da pedofilia, portanto, a questão teve efeitos políticos que foram graves - no entanto, para o Abrantes, não é aceitável que um jornalista coloque uma questão sobre o assunto...

É claro que se compreende a vergonhosa reacção do PS ao manter a confiança no deputado: tendo em conta todas as histórias que envolvem o primeiro-ministro, eles não podem deixar cair ninguém. Se abrem uma excepção e deixam cair um, nunca se sabe onde é que a coisa pode chegar. É triste que o abstracto Miguel Abrantes venha defender o sr. Rodrigues com os argumentos do seu post, defendendo que jornalistas mansos é que são deontologicamente correctos.

O cão do Abrantes devia ter vergonha do dono.

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Homenagem à "tomada de posse" de Ricardo Rodrigues

05 maio 2010 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

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Gravador anti-Ricardo Rodrigues

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Aqui está, na foto anexa, outra solução preventiva para os próximos jornalistas que forem entrevistar Ricardo Rodrigues e levarem perguntas incómodas na manga. É muito improvável que este gravador caiba nos bolsos das calças do deputado.

De qualquer forma, será conveniente atar o cordel à máquina. Não é seguro que o entrevistado não venha a decidir carregá-lo às costas, qual Atlas da era moderna.

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Jornalismo de cordel

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Depois de ter visto, no "site" da "Sábado", a notável actuação de Ricardo Rodrigues, aconselho todos os jornalistas a passarem a ir para as entrevistas com os gravadores atados por um cordel, como acontece com as esferográficas que costumam estar nas cabines de voto, nas eleições. Assim, será mais fácil frustrar os intentos dos larápios.

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