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elevador da bica

As fugas de informação

19 março 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Em cinco anos de Governo de José Sócrates nunca houve uma fuga de informação do Conselho de Ministros. Por isso, estranho em absoluto que TVI, i, Público e DN tenham noticiado com algum detalhe e no mesmo dia as posições tomadas por ministros contra o PEC em Conselho de Ministros.

Só vejo duas leituras possíveis:

a) A que faz mais sentido - O PS está a desfazer-se, sente que está em fim de ciclo e que a autoridade de Sócrates está minada e já percebeu que ganha força a possibilidade de eleições antecipadas até Setembro; portanto, começa a valer tudo. Mostra, de facto que a voz do PM já não tem a autoridade que tinha. Mostrar divisões nesta fase do campeonato pode ser mortal porque a Constituição diz que os membros do Governo devem ser são solidários.

b) A menos provável - A fuga foi autorizada para segurar a ala esquerda do PS e o eleitorado. Sócrates precisa de dar a ideia de que foi obrigado a fazer este PEC para evitar a demissão de Teixeira dos Santos, cuja eventual saída seria desastrosa para Portugal nos mercados financeiros. Publicitar a oposição dos ministros de esquerda cobre esta sensibilidade partidária e dá a sensação de que o PS fez este PEC contrariado porque não tinha qualquer alternativa. Como Soares quando meteu o socialismo na gaveta em 1976, em 1978 (com a primeira intervenção do FMI) e em 1983, no Bloco Central, e com a segunda intervenção do FMI.

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Mudar para que tudo volte ao mesmo

11 março 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Olha-se para o PEC e percebe-se que há um esforço repartido por todos para salvar o País da desgraça, um sentido de urgência justificado, mas não se retiram dali medidas estruturais que nos garantam que daqui a quatro anos isto não volta ao mesmo.

Primeiro, dificilmente este Governo cumprirá o mandato até ao fim e por isso não ia comprometer-se com medidas difíceis que não fossem mais do que estas que reportam à mera gestão apertada dos recursos. Os funcionários públicos terão de voltar a ser aumentados. Os impostos não podem continuar a subir. Um dia, nada mais haverá para privatizar na orla do Estado. Alguns investimentos públicos também não podem ser adiados eternamente. Guterres teve um ministro da Reforma Administrativa mas nunca fez reforma nenhuma. Nem ele nem nenhum dos governos que seguintes. E quem o quiser fazer e o confesse dificilmente ganhará eleições.

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Três PEC e duas posições inversas

15 janeiro 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

No Parlamento, Manuela Ferreira Leite pede o fim do PEC que ela mesma inventou e José Sócrates defende a manutenção dessa medida segundo ele providencial tomada pelo PSD há uns anos. PEC. Qual PEC? Pergunta para queijo na categoria de acrónimos:

- PEC - Pacto de Estabilidade e Crescimento?
- PEC - Pagamento Especial por Conta?
- PEC - Programa de Estabilidade e Crescimento?

Sócrates diz que Manuela quer acabar com impostos. Mas o PEC não é um imposto, é uma antecipação do pagamento de um imposto futuro. O fim do PEC pode desafogar a tesouraria, mas não chega para resolver a asfixia fiscal.

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