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elevador da bica

Três PEC e duas posições inversas

15 janeiro 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

No Parlamento, Manuela Ferreira Leite pede o fim do PEC que ela mesma inventou e José Sócrates defende a manutenção dessa medida segundo ele providencial tomada pelo PSD há uns anos. PEC. Qual PEC? Pergunta para queijo na categoria de acrónimos:

- PEC - Pacto de Estabilidade e Crescimento?
- PEC - Pagamento Especial por Conta?
- PEC - Programa de Estabilidade e Crescimento?

Sócrates diz que Manuela quer acabar com impostos. Mas o PEC não é um imposto, é uma antecipação do pagamento de um imposto futuro. O fim do PEC pode desafogar a tesouraria, mas não chega para resolver a asfixia fiscal.

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Somos cinzentos, somos tristes, somos fado

29 abril 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos



Não me parece que alguém ganhe ou perca eleições por causa de um cartaz ou dois.

Em todo o caso, um cartaz ou dois podem dar-nos a ideia de quem neles vive.

Manuela Ferreira Leite quer dar-nos a verdade, só a verdade e nada mais do que a verdade, tanto que o seu partido agora é o PSDV.

A honestidade da líder do PSD está nos seus cartazes sem ironias. É tão sóbria, que num partido que tem uma imagem de marca na alegria da sua cor, faz um primeiro cartaz azul-escuro debruado a laranja, em vez de ser laranja debruado a azul. Quer avisar-nos: não contem com cores berrantes nem com gritos e palavras de ordem, que a política não é um arco-íris, a vida não está para festas e vamos vestindo a cor do nosso fado, por respeito pela nossa desgraça. A coisa é salazarenta. Por este caminho, chegaremos ao luto.

Neste cartaz, Manuela é mais verdadeira ainda na sua verdade. Aparece como uma enfermeira branca, que tratará de nós se a escolhermos, sobre um fundo cinzento da nossa realidade. Aquele cinza deixa-me perplexo. Deitar cinzento num cartaz partidário é como pintar de encarnado um anúncio a pensos higiénicos. Manuela é cinzenta, as nossas vidas são cinzentas, Portugal é cinzento, vamos todos votar cinzento.

Claro que nem tudo é mau. A linha telefónica é uma boa ideia num país em que o povo espera que os políticos lhes digam como as coisas devem ser, aqui está uma política a pedir que lhe digam outras coisas sobre as coisas públicas. Manuela terá o país do Fórum da TSF a ligar-lhe para o partido, o que será de grande utilidade, como sabemos. Só que este guterrismo de diálogo mitigado não cola com a verdade de Ferreira Leite. Manuela não é de grandes conversas. Se mal ouve os colaboradores mais directos, por que razão há-de ouvir-me a mim?

Deixo o bom para o fim. Gosto que um político me diga: "Não desista (não tem ponto de exclamação) somos todos precisos"

Pois somos. Mas somos precisos para quê? O PS de Sócrates queria transformar Portugal na Finlândia do Sul com choques tecnológicos e computadores para todas as criancinhas, é inverosímil, mas é um caminho com um horizonte. Ainda não consegui perceber, por mais louváveis que sejam as suas ideias, para onde é que o PSD nos quer levar.

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Matar o tempo... e o tempo no PSD

14 abril 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

É uma expressão muito portuguesa, esta, "matar o tempo", com que dei na entrevista de Antonio Tabucchi à revista "Ler" deste mês. "Matar o tempo" é uma utopia, uma impossibilidade, já que o tempo não se mata, está lá sempre, a passar, e a levar-nos com ele. Nós é que podemos aproximar-nos mais da morte, sem o saber, levados na corrente desses tempos mortos, não aproveitando o tempo todo, tendo a ilusão que só deixá-lo passar é matá-lo.

No PSD, Manuela Ferreira Leite mata o tempo enquanto não se dá conta que o tempo perdido pode ser fatal para a sua liderança e para o partido. Em política não se mata tempo, porque não há tempos mortos. Alguém os ocupa

Esta coisa de adiar até ao limite o anúncio do cabeça de lista para as eleições eupropeias (aqui e aqui), mostra bem como Manuela gere politicamente. Ela mata o tempo enquanto o tempo mata o partido. Os tempos mortos em política são ocupados ou pelos concorrentes ou pelas quezílias reais ou imaginárias - com projecção no espaço público - que alastram por onde está o vazio. A política tem ritmos, ritos, tempos que caso se deixem morrer, depois não se recuperam. As oportunidades perdidas assim permanecem. Nem quando Marcelo caiu e foi preciso refazer as listas europeias se anunciou o cabeça de lista tão tarde. O PSD tem obrigação de ganhar as eleições europeias. Se perder, alguém acredita que poderá ter um resultado honroso nas legislativas? Se um partido fundamental perde tempo, também perde o País.

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