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elevador da bica

Com a táctica do Calimero não se vai lá

27 janeiro 2010 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

José Sócrates considerou "injustas" e "desproporcionadas" as reacções negativas dos mercados e das agências de "rating" à proposta de Orçamento do Estado para 2010. Com esta táctica de Calimero, o primeiro-ministro não vai a lado nenhum. É preciso provar, com decisões e boa governação, que se quer, mesmo, sanear as finanças públicas. O resto é só, e apenas, conversa.

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Cola-tudo

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

O ministro das Finanças pediu às agências de "rating" e aos mercados para que não colem Portugal à Grécia. Com uma proposta de Orçamento que não ataca nada de substancial entre os problemas que precisam de solução nas finanças públicas, o apelo parece que vai cair em saco furado como se verifica pela subida do preço a que os dois países têm que se financiar.

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Uma aspirina num doente terminal

:: Guarda-freio: João Cândido da Silva

A viabilização do Orçamento do Estado para 2010 assumida pelo PSD e pelo CDS permitiu safar o ano corrente ao evitar a eclosão de uma grave crise política numa conjuntura inconveniente para aventuras. A questão é que a limpeza das contas públicas é tarefa para uma década, tal é a desgraça em que se encontram e que não terá cura sem cortes duros e sem hesitações.

O acordo que foi alcançado poderá ser bom no curto prazo se conseguir refrear a desconfiança dos credores de Portugal. Vamos ver. Mas está longe de ser suficiente para dar consistência às boas intenções actuais. O país precisa de um pacto bastante mais ambicioso, para durar pelo menos uma legislatura inteira, o tempo de execução de um programa de estabilidade e crescimento que faça justiça à sua designação.

Perante o potencial que contêm para contribuirem para o aumento do endividamento do país, que só em matéria de encargos que pesam sobre o Estado vai a caminho dos 90% do produto depois de terem subido vinte pontos em apenas dois anos, seria necessário que o PS revissse os seus planos para obras como o TGV e a construção de novas auto-estradas, reconhecendo que o custo de oportunidade é demasiado elevado.

Para isso, no quadro actual, talvez seja necessária outra liderança nas hostes socialistas, capaz de perceber que é preciso separar o trigo do joio em matéria de investimento público. E capaz de entender que, depois de uma década perdida, Portugal se arrisca a repetir a dose e a deixar-se enredar na espiral de empobrecimento em que já está mergulhado. O acordo entre PS, PSD e CDS é uma modesta aspirina destinada a mascarar a verdadeira doença.

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Um truque com barbas

26 janeiro 2010 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Este truque já tem barbas, brancas e compridas. Coloca-se todo o lixo que for possível na execução do ano anterior para poder prometer uma radiosa redução de um ponto percentual no défice público do ano corrente. E é assim que o ministro das Finanças nos garante que baixará o défice público do desastroso 9,3% de 2009 para um fantástico 8,3% em 2010.

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