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elevador da bica

Música que gostei de escutar em 2010 (IV)

22 dezembro 2010 :: Guarda-freio: J.

Pianistas, e dos bons, é o que não falta por aí. A questão está em que nem sempre o material que escolhem para os seus discos é o mais estimulante. Os velhos clássicos já foram tão explorados que é difícil arranjar curiosidade suficiente para escutar mais uma abordagem de "Autumn Leaves" ou "All The Things You Are", quando já estão registadas para a posteridade muitas versões que se classificam entre o excelente e o soberbo.

É aqui que entram pianistas de uma nova geração como Vijay Iyer, Mathew Shipp ou Jason Moran, um trio de músicos inovadores que, há poucos meses, foi reunido para o tema de capa da revista "Downbeat". Todos eles tocam ao mais alto nível e preenchem os discos que editam com temas da sua autoria ou leituras menos ortodoxas de material alheio.

Este ano, Vijay Iyer lançou, pela primeira vez na carreira, um disco inteiramente a solo, intitulado, sem surpresa, "Solo". A música é, em geral, mais acessível do que aquela que caracterizou o trabalho anterior de Iyer em trio ou em quarteto, o que não significa que o pianista abdique de procurar construir os temas fora daquelas sequências de notas que estão mais batidas. "Solo" é um disco com horizontes largos e "Patterns" é uma das minhas faixas favoritas, por agora.

Clicar aqui para ver o vídeo em que Vijey Iyer fala sobre a gravação de "Solo".

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Música que gostei de escutar em 2010 (III)

21 dezembro 2010 :: Guarda-freio: J.

Um disco assinado por um guitarrista de jazz pressupõe solos fartos e provas deslumbrantes de virtuosismo, daquelas que deixam de boca aberta quem escuta. Muitas vezes é isto que acontece mas nem sempre com grande proveito para o consumidor. Há quem toque divinalmente mas que, para além da técnica incontestável, não tenha chama, nem pareça ter alma.

Bill Frisell já se deixou dessas preocupações há muitos anos. Hoje em dia, os seus discos focam-se na música que gosta de tocar, colada às tradições norte-americanas, da folk aos blues e da country ao rock, além do jazz. "Beautiful Dreamers" tem de tudo isto um pouco ao longo dos seus dez temas originais e de seis versões. E tem, também, o som inconfundível da guitarra de Frisell, habitualmente uma simples e básica Fender Telecaster, de onde saem frases curtas, cristalinas e hipnotizantes.

Neste disco, Bill Frisell tem a companhia do violista Eyvind Kang e do baterista Rudy Royston. E a isto se resume a música de "Beautiful Dreamers", tão simples quanto sofisticada, sem outros artifícios que não sejam os talentos de quem a executa. Mais notável, ainda, é o facto de o guitarrista conseguir manter uma qualidade muito elevada nos seus sucessivos discos, apesar de haver anos em que chega a editar dois álbuns novos.

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Música que gostei de escutar em 2010 (II)

:: Guarda-freio: J.

Se Stuart Murdoch está em grande forma, Isobel Campbell não está pior. Aquela que era a outra metade dos Belle & Sebastian até há pouco anos, encontrou em Mark Lanegan o parceiro certo para um novo projecto que já vai no seu terceiro disco.

Continuo a gostar mais de "Sunday At Devil Dirt" mas "Hawk", lançado este ano, também é um bom disco. O contraste entre a voz aguda e sussurrada de Campbel com o registo grave e assertivo de Lanegan continua a dar óptimos resultados. Neste disco, há mais rock do que nas obras anteriores, mas os blues e a folk continuam a ser a marca mais forte.
Clicar aqui para escutar "You Won't Let Me Down Again".

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Música que gostei de escutar em 2010 (I)

20 dezembro 2010 :: Guarda-freio: J.

Começo esta série com "Write About Love", dos Belle & Sebastian. Cada vez escuto menos "pop" porque a maior parte das bandas me soam a mera repetição daquilo que já foi feito e refeito, década após década. Com mais ou menos açúcar, vai quase tudo dar a mais do mesmo.

O que, em geral, me parece diferente nos discos assinados por Stuart Murdoch, é que ele pega nos mesmos truques de sempre mas consegue fazer com que o resultado seja refrescante. Em vez de provocarem tédio pela previsibilidade, as canções deste disco têm um magnetismo que atrai à primeira audição.
Clicar aqui para escutar "I Didn't See It Coming".

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