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elevador da bica

Entrevista sem chama

23 fevereiro 2010 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Em Sinais de Fogo, novo programa de Miguel Sousa Tavares, o primeiro-ministro deu ontem uma entrevista sem chama, previsível, treinada e artificial. Apesar dos bons esforços de Sousa Tavares, José Sócrates manteve e repetiu aquilo que era suposto dizer e repetir, sem esclarecer as dúvidas que têm recaído sobre si. Mesmo que todas as evidências e a lógica apontem para o contrário, Sócrates continuou a dizer que nenhum administrador da PT o informou da intenção de comprar a TVI. Como é óbvio, mantém-se a questão anterior: não saber oficialmente não é o mesmo que não saber. E se Sócrates não sabia da intenção da PT (a 24 de Junho) um dia depois de terem saído as notícias do i e depois de a CMVM ter sido informada, então, devia tirar a confiança à administração da empresa por não ter informado o accionista Estado de uma decisão tão estratégica para a empresa.

A sua defesa sem pestanejar de Rui Pedro Soares também é reveladora. É preciso segurar as peças todas e cerrar fileiras, porque em política quando cai a peça de uma ponta pode haver um dominó que não se sabe onde vai acabar. Mais: Sócrates podia não saber do negócio da Taguspark com Figo, mas a verdade é que foi a mesma pessoa a tratar do contrato com o Taguspark (Rui Pedro Soares) e do encontro com o líder socialista. E mesmo que ele não soubesse, devia mostrar preocupação em relação aos contornos aparentes da coisa. Não o fez.

ADENDA: Depois, cometeu um erro crasso nas datas, ao dizer que o apoio de Figo manifestado numa entrevista ao Diário Económico foi anterior à questão do contrato com o Taguspark: como o DN hoje revela, a entrevista de Figo é de 7 de Agosto e as escutas entre Penedos e Perestrello a comentar o assunto são de Junho... Aqui houve falta de profissionalismo do staff que ajudou a preparar o PM. E a questão não só se mantém, como o argumento de Sócrates reforça as suspeitas.

Quanto à economia, temos uma nova teoria do oásis e quem oiça José Sócrates pensará que não há País do G20 ou da OCDE melhor para morar do que este pequeno rectângulo à beira mar plantado, com números tão favoráveis face ao descalabro que vai por esse mundo fora. É que os ricos estão menos ricos. E nós somos pobres e estamos mais pobres. A diferença é essa.

Mas Sócrates é um mestre da comunicação e temos de concordar que ele é bom, muito bom naquilo que faz. Sobretudo na forma. Se lhe soltaram o Miguel Sousa Tavares e foi assim, acho que nem com técnicas de waterboarding ele mudava uma linha ao que disse, na maneira como disse. O homem, reconheça-se, tem uma carapaça invejável. É um rijo.

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Resumo de uma entrevista

02 setembro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Sócrates foi um profissionalão na entrevista de ontem, ao contrário de Judite de Sousa. Ele fez o que compete a um político fazer: um comício. Ela não fez o que deve fazer um jornalista quando entrevista um primeiro-ministro incumbente e concorrente a eleições. Devia ser mais seca, mais interrogativa, menos justificativa nas perguntas - um jornalista não pede desculpa pelas pergunta que faz - e com maior capacidade de confrontar Sócrates com suas contradições. Ao manifestar regozijo por não ter acabado a entrevista em ambiente de tensão, deixa-nos a pensar o quê? Que se o PS ganhar mantém o emprego na RTP? Que pode convidar o engenheiro a ir jantar lá a casa que ele agora já aceita? Pura tontice. É pena.

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A entrevista de Sócrates

01 setembro 2009 :: Guarda-freio: Bruno Faria Lopes

Judite de Sousa: "Esta pergunta nunca foi feita – e eu vou fazê-la"
José Sócrates: "O que daí virá..."
Judite de Sousa: "["Não se preocupe" – podia jurar que disse isto]. Nada de especial"

Poder-se-ia falar da frase infeliz dos "amigos juízes", da tentativa (bem conseguida) de bipolarização face ao PSD e a Ferreira Leite, da imprudência na economia (dizer que saímos da recessão com base num crescimento trimestral de 0,3%...), da falta de respostas no emprego ("estágios na Administração Pública") e do cinismo sobre as relações com Belém.

Mas esta breve troca de frases, pontuada por sorrisos, é mesmo o melhor resumo da ténue entrevista de José Sócrates à RTP.

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