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elevador da bica

O mundo de Cavaco

17 maio 2010 :: Guarda-freio: FSC

Da singular comunicação do Presidente da República ao País, retive o essencial: dois queixumes.

1) Cavaco lamentou que não tenham sido procuradas, para o casamento entre pessoas do mesmo sexo, soluções jurídicas de compromisso, que gerassem menos clivagens. "Não teria sido difícil alcançar um compromisso na Assembleia da República, se tivesse sido feito um esforço sério nesse sentido", disse. Até deu exemplos dos países onde, aí sim, houve seriedade, sentido de união e compromisso. Curiosamente, em nenhum desses países é permitido o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Há outras coisas, contratos civis e sucedâneos, mas não há casamento. Ou seja, para Cavaco, a boa forma de legislar sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo seria não o permitir. Quem disse que as questões fracturantes têm que ser fracturantes?

2) Cavaco lamentou que esta lei tenha sido aprovada no pior momento (haverá um bom momento?...), quando o País vive com tamanhas dificuldades: desemprego, pobreza, elevado endividamento externo e "outras dificuldades", enumerou o PR.
Pois claro: como é que um País pode sair da crise se perde tempo com isso dos homossexuais? É a velha teoria de que não é possível andar e mastigar pastilha elástica ao mesmo tempo. Por mim, ainda não tinha percebido que existisse um link entre o desemprego, a pobreza, o endividamento e "outras dificuldades" e o facto de o Parlamento legislar sobre quem pode casar com quem. Agradeço ao PR ter-me aberto os olhos.

Já agora: se o importante é a crise, o desemprego, a pobreza, o endividamento e as "outras dificuldades", por que razão o senhor Presidente da República faz uma comunicação ao País, em tom grave e sério, sobre o casamento gay, mas ainda não foi capaz de o fazer sobre esses assuntos que considera verdadeiramente importantes?

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A factura das opiniões incorrectas

22 abril 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

A candidata californiana a Miss Estados Unidos perdeu o título porque se pronunciou contra o "casamento gay". Ter opiniões que caem fora da ditadura do politicamente correcto é algo que se paga.

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Casamento homossexual e liberdade

17 fevereiro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

Desta vez, o artigo de Mário Crespo é absolutamente demagógico. Associar o casamento homossexual à eutanásia, à morte ou à não vida por não haver reprodução é de mau gosto. Pode ser-se contra ou a favor, mas em vez de se andar à procura de argumentos, esses sim, estéreis, é preferível assumir o preconceito de frente e dizer que o casamento é só para homens e mulheres e os gays que coabitem. Numa sociedade livre, ninguém tem nada a ver com o que faz o vizinho do lado, desde que não interfira com a sua própria liberdade. Não me incomoda que os homossexuais casem. Nem isso tem qualquer efeito negativo na instituição matrimonial. Casam os que quiserem. Vivem como quiserem. Não haverá grandes mudanças sociais. A parte mais visível será a dos excêntricos que quiserem casar e fazer show-off. Depois, o assunto morre, a coisa torna-se normal, banal e passamos a viver numa sociedade mais tolerante, cada um segundo a sua vontade.

Quanto à agenda de Sócrates, sim, é oportunista. Mas a verdadeira pergunta é: porque é que esta medida considerada tão importante do ponto de vista das igualdades constitucionais não estava no primeiro programa do PS socrático? Na época não convinha (lembrem-se dos boatos) e agora este ruído ajuda a distrair da crise. Sócrates não dorme, mas não é isso que torna a medida malévola. Adiá-la era só isso, adiá-la.

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Igreja e voto

11 fevereiro 2009 :: Guarda-freio: João Cândido da Silva

Seria um erro a Igreja Católica apelar ao voto no partido A ou B nas eleições legislativas. O que já não me parece razoável é pretender-se que a Igreja Católica, ou qualquer outra, se abstenha de entrar no debate e de expor as suas posições sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo ou qualquer outro tema.

O receio da influência que a Igreja Católica possa ter sobre os cidadãos e eleitores não é, em circunstância alguma, uma boa razão para praticar a tolerância ou a intolerância de acordo com as conveniências de cada ocasião.

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