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elevador da bica

Lido no Elevador

06 outubro 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos

- E Fernando Lima? de Paulo Gorjão, no Delito de Opinião - Cavaco pede transparência na vida pública, mas nos assuntos da sua mercearia em Belém mantém uma inegável opacidade.

- Navegações, de Luís Naves, no Corta Fitas - Sobre como todos os regimes portugueses monárquicos ou republicanos têm caído de podre.

- Os "5 de Outubro", de Henrique Raposo, no Clube das Repúblicas Mortas - sobre como a discussão entre Monarquia e República está deslocada do que é essencial. Subscrevo em absoluto tudo o que ali é dito.

- República vs Monarquia, de José Gomes André, no Delito de Opinião - sobre os idiotas que o povo escolhe e os idiotas que nos calham em sorte.

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Uma questão de fé

:: Guarda-freio: Vìtor Matos

Divirto-me a ler considerações sobre a República como se ainda vivessemos em efeverscência carbonária pré-1926. Ser republicano hoje ou defender uma República em vez de uma Monarquia nos dias que correm nada tem a ver com 1910. Se a República é a democracia de Afonso Costa ou o regime de António de Oliveira Salazar - como há monárquicos a fazer crer -, a monarquia também podia ser o absolutismo iluminado do século XVIII ou o falido rotativismo parlamentar do século XIX.

Se queremos, portanto, debater o regime - os monárquicos querem - temos de pensar entre República hoje e Monarquia hoje. As conclusões parecem evidentes. A irracionalidade de ter uma família na chefia do Estado é uma perda de liberdade dos cidadãos; há privilégios que ninguém deve ter, como o acesso ao poder pelo sangue ou o matrimónio; há cruzes que ninguém deve carregar, como a de se estar predestinado a tão grave missão; o povo deve escolher o seu Chefe de Estado, pois a Nação está para além dele e acima dele, não precisando de estar personificada no sangue de uma família; na República os privilégios são de quem os merecer, como hoje bem sublinhava Cavaco Silva.

Esta República é perfeita? Claro que não. Mas numa Monarquia persistiriam os defeitos desta República aos quais de acrescentariam outros tantos.

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