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elevador da bica

Concursos mal blindados

22 maio 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos


Era previsível este fracasso, de que o DN aqui dá conta. São 364 milhões de euros em carros blindados austríacos 8x8 - os Pandur. Enquanto ministro da Defesa, Paulo Portas fez questão de lançar e fechar o concurso com celeridade. Deu a vitória - contestada dentro do Exército e num processo com pés de barro - a uma viatura nova, nunca fabricada, pouco testada. Em concurso também estava a viatura mais do que testada, que os americanos usam em todo o lado - a Piranha, da empresa suíça Mowag, detida pelo gigante norte-americano General Dynamics. Mas o ministério decidiu dar a vitória aos carros Pandur, da austríaca Steyr.


Não houve reclamações da empresa derrotada. E porquê? Porque pouco antes da conclusão do concuros, a General Dynamics, dona da Mowag, comprou a Steyr. Como é óbvio, não reclamou. Aliás, proibiu os representantes da derrotada de protestar. Mais uma vez, porquê? Porque o negócio português, junto com outro checo viabilizariam a nova linha da Steyr para produzir os novos 8x8. Agora somos todos nós que estamos a pagar este lindo serviço.

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Desemprego e tropa

19 maio 2009 :: Guarda-freio: Vìtor Matos


O desemprego pode ser uma boa notícia para o Exército profissional.


Neste momento, segundo os últimos dados do INE, há 20% de desempregados com idades entre os 15 e os 24 anos, ou seja, a base de recrutamento das Forças Armadas.


Segundo soube ontem, o número de jovens que se foram oferecer ao Exército aumentou 27% em relação a 2008, embora as incorporações não tenham crescido. Se um em cada cinco jovens está no desemprego, é natural que olhem com interesse para uma instituição que ali está de portas abertas para os empregar, embora nem toda a tropa seja exactamente um emprego.


O paradoxo é extraordinário: o voluntariado aumenta, ao mesmo tempo que os incentivos desaparecem ou se reduzem. O Governo do PS acabou com metade do subsídio de reinserção, que para um soldado de regresso à vida civil podia chegar aos 10 mil euros ao fim de seis anos, e agora não atinge os 5 mil. As vagas na GNR também já não são exclusivas para ex- contratados do Exército. O maior incentivo hoje é a necessidade.

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