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elevador da bica

Vergonha

Tenho vergonha deste País. António Barreto disse um dia que os portugueses não merecem o País que têm por tão mal o tratarem (cito de cor). O caso deste prédio na Casal Ribeiro, onde viveu Fernando Pessoa, e pelo qual passo todos os dias pé, não é o mais grave mas é exemplar. Onde estava um edifício arte nova vai nascer um empreendimento de luxo. Um pouco mais acima, em mais uma das esquinas do já destruído Saldanha, um prédio da mesma época vai desaparecer para dar lugar a outro edifício de escritórios. Do outro lado da Praça Duque de Saldanha, lá está mais um imóvel fin de siècle devoluto à espera de não ter recuperação possível para depois ser demolido. A Avenida da República foi destruída. A Fontes Pereira de Melo arrasada (lá se salvou o Palácio Sottomayor). A Avenida da Liberdade descaracterizada. O que devia ser uma excepção tornou-se regra. Vamos a Paris, Roma, Londres e o centro está intacto. Em Lisboa terraplana-se.

A lógica é económica: o PDM permite construir nove ou dez andares nesta zona da cidade e os prédios velhos só têm três a cinco. Agora imagine que herda um imóvel destes de uma avó. Faz obras de recuperação e ganha 2,5 milhões de euros? Ou deixa-o cair e depois constrói nove andares de escritórios e encaixa 10 milhões? Eu sei muito bem o que faria. O imperativo é mudar esta lógica: quem deixar prédios a cair no centro da cidade devia ser expropriado sem apelo nem agravo ou taxado de forma que não valesse a pena manter o imóvel devoluto. E só em casos muito excepcionais se devia permitir o aumento das cércias pré-existentes.

Os portugueses - políticos, autarcas, arquitectos, investidores - não amam o seu País. É uma vergonha.

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“Vergonha”

  1. Blogger Rui disse:

    E depois essas casas novas são vendidas a preços principescos, o que é mais um contributo - a acrescentar aos outros - para a fuga de pessoas dos centros urbanos para as periferias. O Planeamento não existe e existindo serve uma série de interesses que não coincidem nem com os dos cidadãos nem com os de um País sustentável. Existem, por esses País fora, centenas de concelhos com PDM dos anos 80, cujo prazo de vida útil expirou, que vão sendo modificados pontualmente, servindo interesses e evitando uma necessária adaptação a novos paradigmas de desenvolvimento. Há uma geração que vai pagar isso. Caro.