<body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener('load', function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <div id="navbar-iframe-container"></div> <script type="text/javascript" src="https://apis.google.com/js/plusone.js"></script> <script type="text/javascript"> gapi.load("gapi.iframes:gapi.iframes.style.bubble", function() { if (gapi.iframes && gapi.iframes.getContext) { gapi.iframes.getContext().openChild({ url: 'https://www.blogger.com/navbar.g?targetBlogID\x3d37878389\x26blogName\x3dElevador+da+Bica\x26publishMode\x3dPUBLISH_MODE_BLOGSPOT\x26navbarType\x3dBLUE\x26layoutType\x3dCLASSIC\x26searchRoot\x3dhttp://elevadordabica.blogspot.com/search\x26blogLocale\x3dpt_PT\x26v\x3d2\x26homepageUrl\x3dhttp://elevadordabica.blogspot.com/\x26vt\x3d8544793576954813379', where: document.getElementById("navbar-iframe-container"), id: "navbar-iframe" }); } }); </script>
elevador da bica

Só faltou falar sobre o que é importante


Na frente da economia a entrevista feita ontem à noite ao primeiro-ministro foi muito má – não percebo como é que a RTP não tem um editor de economia que dê a cara nestas entrevistas (como na SIC), que faça uma dupla com um jornalista mais vocacionado para a política. Pareceu-me claro que os dois jornalistas da RTP não estavam à vontade nos temas económicos (eu até percebo – essa não é a praia deles): as perguntas caíram muitas vezes ao lado do essencial e o contraditório foi anémico. Neste campo o primeiro-ministro fez o que quis e ganhou um ascendente sobre os jornalistas (feito muitas vezes de uma arrogância consentida), que manteve durante o resto da entrevista.


Ainda assim foi uma oportunidade de ouvir o primeiro-ministro dizer estas duas pérolas:

1. As análises estão no site Sócrates mandou os portugueses ir ao site do ministério dos Transportes para ver as "análises custo benefício" dos grandes projectos de obras públicas. Concordo em absoluto com o que disse ontem à noite o José Gomes Ferreira, na SIC: o primeiro-ministro tem a obrigação de dizer aos portugueses quanto custam estas obras, como serão pagas, em quantos anos. Mandar as pessoas ao site do ministério das Obras Públicas para ler as "análises" escritas no melhor português-burocrático é inaceitável (o leitor tente ir ao site e encontrar as ditas). Mais: os estudos feitos são apenas isso, estudos, contrariados, de resto, por outros estudos. Já no caso do aeroporto da Ota todos percebemos da infabilidade divina destas "análises": só por si, não são um argumento definitivo.

2. A descida do IVA já teve em conta a crise Em Março de 2008 o Governo decidiu cortar um ponto percentual na taxa máxima do IVA. Este foi um sinal perigoso e errado para os portugueses – deu a ideia de descompressão nas contas públicas, de recompensa pelo esforço pedido, de que as coisas iriam melhorar numa fase em que a incerteza face ao impacto da crise já era grande. Ninguém sabia que a recessão iria ser desta dimensão, diz Sócrates. Sim, mas já era claro que haveria um impacto na economia real global – como é que isso poderia não acontecer se a crise paralisou todo o sistema financeiro? (Esta é uma das críticas que Cavaco faz no prefácio). Dizer em directo na RTP que a descida do IVA foi uma medida para estimular a economia perante a ameaça real de crise é querer reescrever o que aconteceu – a verdade é que o Governo demorou demasiado tempo a admitir a gravidade da crise, num wishful thinking que a realidade destruiu.

No resto, do que eu vi, pareceu-me o mesmo de sempre: uma medida social na manga (positiva – medidas neste plano fazem sentido e são significativas para quem delas beneficia); números e mais números sobre emprego e formação; dramatização natural do contexto global da crise.

Faltou, como sempre, falar sobre a coerência e validade daquilo que o Governo está a fazer: das medidas avulsas que não fazem um plano; da loucura de algumas obras públicas (como as estradas ou os detalhes da obra do TGV); de onde queremos estar quando a crise internacional acabar. E isto é o mais importante.

Na imagem:
Man in Blue III
Francis Bacon

“Só faltou falar sobre o que é importante”