Escutado no anfiteatro da Gulbenkian
07 agosto 2010 :: Guarda-freio: J.
Um dos aspectos agradáveis no "Jazz em Agosto", organizado pela Gulbenkian, está no facto de os concertos serem ao ar livre, no anfiteatro da Fundação, em Lisboa. Uma noite de vento e a localização do espaço quase por debaixo da rota dos aviões que se fazem à pista da Portela podem ser elementos de distracção, mas não chegam para perturbar a atmosfera quando a música é muito boa.
Ontem, ao serão, não havia vento. E as aeronaves não incomodaram porque a actuação de John Surman (clarinete baixo, saxofones soprano e barítono e electónica) e de Jack DeJohnette (bateria, piano e electrónica) foi bastante mais forte. Em meia dúzia de longos temas, e com direito a um "encore", os dois músicos estiveram à altura dos seus largos currículos.
Numa síntese da história do jazz, navegaram pelos terrenos vanguardistas, revisitaram os blues, entraram no bop, partiram do caos sonoro para a interpretação de um "standard" e fizeram uma passagem pelas sonoridades que evocam a India. O entendimento entre os dois foi notável, fruto de décadas de colaboração. Em palco, sabem gerir em cada momento a questão de saber quem puxa por quem e cada um concede espaço ao outro para improvisar e brilhar. Para uma abertura do ciclo de concertos de 2010, foi em grande.
Falta uma nota final. Na era do gamanço de música na Internet, para o qual os adeptos da prática inventam as mais variadas desculpas, é quase penoso escutar um músico com a categoria de Jack DeJonhette a apelar à audiência para comprar os discos em vez de os piratear. Mas, enfim, há quem considere isto perfeitamente normal, embora, curiosamente, não ande por aí a assaltar supermercados.
Ontem, ao serão, não havia vento. E as aeronaves não incomodaram porque a actuação de John Surman (clarinete baixo, saxofones soprano e barítono e electónica) e de Jack DeJohnette (bateria, piano e electrónica) foi bastante mais forte. Em meia dúzia de longos temas, e com direito a um "encore", os dois músicos estiveram à altura dos seus largos currículos.
Numa síntese da história do jazz, navegaram pelos terrenos vanguardistas, revisitaram os blues, entraram no bop, partiram do caos sonoro para a interpretação de um "standard" e fizeram uma passagem pelas sonoridades que evocam a India. O entendimento entre os dois foi notável, fruto de décadas de colaboração. Em palco, sabem gerir em cada momento a questão de saber quem puxa por quem e cada um concede espaço ao outro para improvisar e brilhar. Para uma abertura do ciclo de concertos de 2010, foi em grande.
Falta uma nota final. Na era do gamanço de música na Internet, para o qual os adeptos da prática inventam as mais variadas desculpas, é quase penoso escutar um músico com a categoria de Jack DeJonhette a apelar à audiência para comprar os discos em vez de os piratear. Mas, enfim, há quem considere isto perfeitamente normal, embora, curiosamente, não ande por aí a assaltar supermercados.
Etiquetas: Jack DeJonhette, John Surman, música
